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quinta-feira, 9 de agosto de 2012

ECONOMIA DO BRASIL, NO SEGUNDO SEMESTRE

O pior cenário econômico financeiro do país parece já ter passado.  Mas, ainda tem muito dever de casa para fazer. Não podemos afrouxar o cinto.  Nem podemos ficar com as nádegas de fora.  Tem muitas piranhas nadando no mercado.

Os problemas no front externo, aparentemente já são coisas do passado.  A Grécia e a Espanha, apesar de muitas turbulências, estão entrando em fase com certa previsibilidade.  Falta resolver o problema de liquidez dos bancos italianos e rolagem dos títulos italianos.  E, tem eleições próximas, na Itália. Sempre haverá motivo para solavancos para cima e para baixo.  Faz parte do mercado financeiro global.  Os especuladores só ganham se tiverem os altos e baixos.  O momento, está como o mercado quer.

Todos os analistas acreditam que a Europa e a China estão em estagnação, mas por outro lado acreditam na retomada de crescimento já no próximo ano.  O mercado financeiro global trabalha em função, não da economia presente, mas em função da economia futura.  Sobretudo as bolsas de valores.  Somado ao fato de EEUU já estarem crescendo há mais de 1 ano à uma taxa média de 2,0% ao ano, bem próximo à taxa histórica de 2,5%, já é alento para o mercado financeiro mundial.

No front interno, temos o problema do câmbio que continua defasado, como já foi dito em várias matérias por mim postadas.  Na minha opinião é de que o governo não poderia perder a oportunidade de deixar flutuar o câmbio para chegar no ponto de equilíbrio entre oferta e procura, sem intervenções.  Provavelmente chegará até o final do ano em R$2,30 a R$2,40.  Temos também, o problema da inflação, causada pelo ajuste do dólar no patamar atual no primeiro momento e no novo patamar no segundo momento.  O estímulo ao consumo seria ir na contramão ao combate à inflação. Muita atenção é necessária.

Outro dever de casa importante é reajustar o preço dos combustíveis a níveis compatíveis aos níveis internacionais, conhecido como paridade. A Petrobrás vem pagando pesado ônus em função de estar aguentando o controle do preço sozinha.  O que me preocupa é que o preço do petróleo vem subindo gradativamente no mercado internacional, acompanhando a tendência natural de estabilização da economia global.  Se o preço do petróleo atingir os níveis de antes da crise de 2008, a Petrobrás sozinha não vai conseguir arcar sozinha o ônus, tendo que repassar o aumento na bomba dos postos de combustíveis.  Isto pode ser um componente forte para aceleração da inflação.  

Como podem ver.  O fato de economia global estar caminhando para normalidade não significa que o problema do Brasil está solucionado.  Tem muito chão para percorrer.  A presidente Dilma, terá que decidir, urgentemente, se quer ganhara as eleições municipais ou quer administrar o país.  A decisão está nas mãos dela do que nas mãos do Mantega e Tombini, respectivamente ministro da Fazenda e presidente do Banco Central.

Ossami Sakamori, 68, engenheiro civil, foi prof. da UFPR.
Twitter: @sakamori10

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