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quinta-feira, 17 de outubro de 2019

Mega leilão do pré-sal. Comemoro ou choro?


Os senadores fizeram chantagem para a aprovação em segundo turno da reforma da Previdência, em tramitação no Senado Federal.  O motivo foi a "repartição" do resultado do ágio do leilão da sobra da "cessão onerosa" do campo de Tupi feito por ocasião do aumento de capital da Petrobras, ainda no governo Lula.  O fato é que, o Palácio do Planalto cedeu à pressão dos senadores e acabou aceitando ficar com cerca de R$ 49 bilhões dos R$ 106,5 bilhões previsto de ágio do leilão.  

Para entender melhor, o que está em licitação é a "sobra" da "cessão onerosa" da reserva de petróleo do Campo Tupi, que foi utilizado para capitalização da Petrobras pelo governo Lula, em setembro de 2010.  O governo entrou com a cota parte do aumento de capital, os 5 bilhões de barris de petróleo, a preço unitário de US$ 8,51 por barril. Acontece que a reserva de Tupi mostrou-se mais promissora do que o previsto.  A reserva estimada atualizada do campo de Tupi é de 12 bilhões de barris, ficando excedente 7 bilhões de barris em relação à "cessão onerosa".   O ágio pedido pelo governo para este excedente é de R$ 106 bilhões, dos quais o governo da União vai ficar com R$ 49 bilhões.

De acordo com a repartição, considerando a previsão de sucesso completo no leilão, os R$ 33,6 bilhões irão para a Petrobras; do que sobrar, 15% (ou quase R$ 11 bilhões) serão divididos entre municípios e outros 15%, entre os estados, seguindo as regras dos fundos de participação – e, no caso dos estados, também do Fundo de Exportação e da Lei Kandir.  Ainda, assim, sobrará para a União quase R$ 49 bilhões.  O fato positivo é que na fase de exploração desta sobra, algumas centenas de bilhões de reais ainda virão em forma de royalties e impostos.  

Do lado negativo é que os R$ 49 bilhões serão usados para cobrir parte do "déficit fiscal" previsto para este ano, 2019, em R$ 131 bilhões.  O dinheiro bom estará sendo usado para pagar o "rombo fiscal" provocado pelo crescente despesas do governo federal.   Vamos lembrar ainda que, no "rombo fiscal" ou o "déficit primário" não está contabilizado o "déficit nominal" ou o pagamento de juros da dívida do Tesouro Nacional estimado hoje em R$ 300 bilhões.  

Com a venda da tão comemorada da "cessão onerosa", estará apenas cobrindo parte do "rombo fiscal" de 2019 e o Brasil ficará sem nenhuma reserva conhecida de petróleo. Vamos apenas lembrar que a Arábia Saudita e a Venezuela, com maiores reservas do mundo, possuem cada um, cerca de 350 bilhões de barris de petróleo.  Aos poucos, o sonho dourado do pré-sal que iria resolver todos os problemas do País está a esvair.   

O Brasil está como a mesma situação do sujeito que está vendendo o almoço para poder jantar.  Comemoro ou choro?

Ossami Sakamori 


terça-feira, 15 de outubro de 2019

Economia do Brasil parou de cair


Não gosto de emitir opinião sobre situação macroeconômica do País, sem saber exatamente como pensam o ministro da Economia, Paulo Guedes e o presidente do Banco Central, Campos Neto. No entanto, ambos citados, os responsáveis pela política econômica e política monetária do governo Jair Bolsonaro, parecem estar caminhando na direção correta.  Tanto este que escreve, quanto os renomados articulistas econômicos do País, fazemos esforço enorme para adivinhar o que se passa na cabeça de ambos.  

Os últimos indicadores da economia, o IPCA, a taxa Selic, o índice de crescimento do setor produtivo e a taxa de desempregos no País, parecem ter encontrado um certo grau de "estabilidade".  O IPCA, inflação oficial, tem indicado estabilidade ao nível ligeiramente abaixo de 4% ao ano.  A taxa Selic, ainda que com taxa de juros reais extremamente alta, cerca de 40% acima do IPCA, nominalmente, a taxa Selic de 5,5% ao ano, é a mais baixa dos últimos 20 anos.  O índice de crescimento do setor produtivo, continua no terreno de estabilidade ou traduzindo em linguagem popular, "parou de cair".  O índice de desempregados, oficial, está estagnado no patamar entre 12% e 13%, o que não é nenhum "Brastemp", mas pelo menos, estabilizou-se.  Enfim, os números indicam que o País "parou de cair".   

Por outro lado, as reformas estruturantes que  o País necessita, a da Previdência Social está para ser votado o segundo turno, pelo Senado Federal, tal como veio da Câmara dos Deputados, encerrando assim, a reforma que o País espera há muitos anos.  

A reforma tributária está para dar início à discussão na Câmara dos Deputados e simultaneamente no Senado Federal, cada casa com um formato específico.  No final das contas, em algum momento, as propostas vão ser unificados.  A base da reforma tributária é a simplificação ou substituição dos atuais tributos, uma "sopinha" de letras, por um sistema do tipo IVA - Imposto sobre o valor agregado, quase como "imposto único".   O Imposto de Renda não entra na reforma tributária, mas deverá sofrer alteração na alíquota.  Comenta-se que a alíquota máxima deverá cair para 25% e o limite de isenções subir para 5 salários mínimos.  

Uma outra reforma que o País necessita é um novo pacto federativo.  Um novo pacto federativo é necessário para estabelecer os limites de responsabilidade de cada entes federados, os serviços públicos, como educação, saúde e segurança pública.  Uma nova repartição dos recursos arrecadados, também, será fundamental para corrigir os desiquilíbrios econômicos regionais.  Isto, ainda, vai dar muito "pano para manga".  A discussão sobre um novo pacto federativo, certamente, vai ocupar espaço importante na mídia.    

Diante do que  foi dito, confirmo a minha expectativa anterior, de que o Brasil deverá crescer ao mínimo 3,5%, no ano de 2020. 

Ossami Sakamori 


quinta-feira, 10 de outubro de 2019

Deflação de setembro, comemorar o que?



O IPCA - Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, a conhecida inflação oficial do País, recuou 0,04% em setembro, segundo divulgou o IBGE nessa quarta-feira, 9 de outubro.  O resultado é o menor para o mês de setembro, desde 1998, portanto há mais de 20 anos. Em meio a depressão econômica, a pior dos últimos 100 anos, não sei se comemoro ou fico triste.  De qualquer maneira é uma alerta para a equipe econômica que conduz a política econômica e monetária do País. 

O Brasil atravessa a pior situação em número de empregos formais.  Embora, o IBGE divulgue o número "mitigado" de desemprego ao redor 13 milhões de trabalhadores com carteira assinada, se somar ao número, os desalentados (aqueles que nem saem para procurar o emprego), os nem-nem e os subempregados (os trabalhadores informais), o número ultrapassa a 50 milhões de trabalhadores.  Por outro lado o número de trabalhadores com carteira assinada está em 33,4 milhões de trabalhadores, muito menor do que os trabalhadores "sem empregos".  

Na outra ponta, o número de pessoas "negativadas" no Serasa ou nos SPCs é de 63,4 milhões de pessoas.  Grosso modo, o número de pessoas "negativadas" corresponde a cerca de 40% da população adulta do País.  A população brasileira está tal qual o governo federal, que deve R$ 5,5 trilhões brutos ou R$ 4 trilhões líquidos para um PIB - Produto Interno Bruto de cerca de R$ 7 trilhões.  Para rolar a sua dívida, o Tesouro Nacional paga a taxa de juros Selic a 5,5%, apesar de inflação estar abaixo de 4%, número confirmado com a notícia de ontem.  

Dito isso, o índice de inflação, o IPCA, negativo, não é motivo para comemoração.  O índice negativo de inflação apenas confirma a estagnação da economia, que traduz pela alta taxa de número de desempregados, desalentados e subempregados.  Nos países desenvolvidos como EEUU, Alemanha e Japão, os Bancos Centrais remuneram a aplicação em títulos de Tesouro daqueles países, muito abaixo da inflação, como uma forma de alavancar o crescimento econômico.   O Brasil vai na contra mão, apesar da prolongada recessão, a pior dos últimos 100 anos, o Tesouro Nacional paga juros reais, cerca de 40% acima da inflação.  O País paga de juros da sua dívida pública, algo como R$ 300 bilhões, exatamente o dinheiro que falta para os investimentos públicos, tão necessários para alavancar o crescimento.   

Deflação em setembro é uma alerta para os formuladores da política econômica e monetária do País.  

Ossami Sakamori






quarta-feira, 2 de outubro de 2019

Brasil deverá crescer 3,5% em 2020


O cidadão comum brasileiro está apreensivo com a perspectiva da economia para o próximo ano, 2020, porque o ano de 2019 não produziu dados positivos e está próximo de terminar.   O mercado financeiro continua aguardando o prosseguimento das reformas estruturantes na economia do País.  Digamos que a economia do Brasil está na posição de "stand by".  Dentro desse quadro, os investidores do setor produtivo, aguardam ansiosamente o prometido pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, a reforma tributária e o pacto federativo, para tomarem as decisões sobre investimentos, que gerarão novos empregos.  Brasil está na mesma situação do cachorro tentando pegar o seu próprio rabo. 

A economia brasileira está ainda dentro do processo de "depressão" que iniciou no ano de 2015.  Nesse período, grosso modo, o Brasil regrediu cerca de 15% no PIB e em relação ao mundo desenvolvido, um atraso de 25%.  Para recuperar esse atraso, o País precisa crescer mais que a média mundial de 3,5%, da ultima década, para tentar recuperar a posição anterior à crise econômica brasileira dos últimos 5 anos.  

Dito isso, vamos à previsão dos indicadores econômicos para o próximo ano, o de 2020.  A tão esperada reforma tributária e um novo pacto federativo virá "desidratada" e fatiada.  Dentro do escopo, só há expectativa de criar o IVA, substituindo o PIS e a Cofins e possível a alteração na alíquota de IR sobre Pessoa Física, aliviando ligeiramente a carga tributária do cidadão comum.  O novo pacto federativo, importante para sobrevivência dos estados e municípios, devem estar na agenda do primeiro semestre do ano que vem.  

A inflação está sob controle, ligeiramente abaixo de 4%, conseguido pela falta de consumo da população devido ao grande número de contingente de trabalhadores em situação precária.  O contingente de trabalhadores que deixaram de consumir é um número estonteante.  Estima-se que são 50 milhões de trabalhadores desempregados, desalentados, nem-nem e subempregados.  Por outro lado, o número de trabalhadores com carteira assinada continua estacionado em 33,4 milhões, diante de 110 milhões da força de trabalho.

O governo gaba-se com a taxa de juros Selic de 5,5%, a menor dos últimos 20 anos.  Ainda, assim, o Tesouro Nacional paga os juros reais, acima da inflação, em cerca de 40%.  No entanto, a taxa básica de juros Selic, em números absolutos menores, de certa forma, poderia estimular os investimentos produtivos.   É um círculo vicioso que o País se meteu, a falta de consumo por conta do elevado número de trabalhadores formais e a falta de consumo inibe o investimento em setor produtivo.  Para romper este círculo vicioso, teria que romper com a política econômica e monetária contracionista, tal qual a fórmula dos organismos de fomento internacional como o FMI - Fundo Monetário Internacional.  No momento, o crescimento econômico é palavra feia, não é bem aceita pela equipe econômica.    

A maioria dos articulistas econômicos prevê o crescimento econômico para o País, no próximo ano, 2020, entre 3% a 3,5%, o que seria a média de crescimento econômico do mundo desenvolvido.  O crescimento econômico previsto por nós, deve criar cerca de 2 milhões de empregos com carteira assinada, já no próximo ano, o que não seria um número significativo diante do déficit de vagas fechadas nos últimos 4 anos.  

A expectativa é que o Brasil deverá crescer 3,5% em 2020.

Ossami Sakamori

Ossami Sakamori

quinta-feira, 26 de setembro de 2019

Brasil encontrou a vocação de crescimento econômico sustentável


Hoje, vamos falar sobre a perspectiva da economia para os próximos anos, até 2022, pelo menos.  Vamos lembrar que o atual governo herdou a economia em plena "depressão", que vinha arrastando o País para o "buraco", desde 2014.  Alguns sinais de alento vem dos últimos indicadores econômicos apresentados pelo IBGE e outros órgãos do governo.  Não são números de "soltar foguetes", mas com certeza, são indicadores que a economia do Brasil está saindo do "buraco", que se meteu por vontade própria.  

Segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados - Caged, divulgado nessa quarta-feira, 25, pela Secretaria Especial de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia, foi criado em agosto 121.387 postos de trabalho. O resultado é o melhor para o mês desde 2013, quando foram criados 127.648 postos de trabalho.  O número apenas indica a tendência da melhora.  O número de desempregados, desalentados, nem-nem e sub-empregados, continuam no patamar de 50 milhões, num universo de 110 milhões de força do trabalho, o que é estarrecedor! Para se ter ideia, o Brasil registra, formalmente, apenas 33 milhões de trabalhadores com carteira assinada.  Vamos lembar que, devido ao crescimento populacional vegetativo, o País precisa criar cerca de 600 mil novos postos de trabalho para manter o mesmo índice de trabalhadores com emprego. Seja como for, o número apresentado pelo Caged é positivo para o momento atual.

Mesmo sem colher o resultado da reforma da Previdência, em fase final de aprovação no Senado Federal, o resultado da conta do governo federal vem apresentando uma pequena melhora, não pelo esforço de contenção de gastos públicos, mas pelo aumento de arrecadação de tributos federais, comparado com a arrecadação de 2018.  Há sinais claros de que o "déficit primário" de 2019 deve fechar, sem ainda considerar o leilão da "cessão onerosa" do Campo Tupi, menor do que o previsto.  O leilão deve trazer um reforço no caixa do governo, entre R$ 100 bilhões a R$ 120 bilhões.  Com o dinheiro do leilão da "cessão onerosa", pode acontecer de Orçamento Fiscal do ano de 2018, fechar no terreno "positivo".  Se fechar o Orçamento Fiscal do ano de 2019, sem o "déficit primário" ou em outras palavras, com um pequeno "superávit fiscal", a credibilidade do Paulo Guedes e do Campos Netos, respectivamente ministro da Economia e presidente do Banco Central, vai estar em "alta".  O ministro Paulo Guedes corre para que o leilão da "cessão onerosa" seja realizado ainda neste ano.

Para leigos entenderem o que é a venda da "cessão onerosa" do campo de Tupi, convém lembrar que no governo Lula, a Petrobras recebeu da União na forma de capitalização, os 5 bilhões de barris de petróleo bruto do campo de Tupi.  Acontece que o Campo de Tupi mostrou uma reserva de 12 bilhões de barris.  O que vai em licitação é o direito de exploração do saldo da reserva de 7 bilhões de barris, portanto.  Com a venda desta reserva, o País fica com reserva de petróleo conhecido, "zerada".  Vamos lembar também que no governo Dilma, foi leiloado a reserva do campo de Libra, estimado em 10 bilhões de barris.  Para efeito de comparação, a Venezuela e Arábia Saudita, cada país, tem cerca de 350 bilhões de barris de reserva de óleo bruto.  A famosa frase: " o petróleo é nosso!" ficou apenas no simbologia do nacionalismo.  

Por outro lado, o Banco Central vem adotando política monetária, extremamente ortodoxo, com juros reais 40% acima da inflação, reduzindo drasticamente a expansão monetária.  No entanto, os juros nominais é a menor dos últimos 20 anos.  Para uma inflação ao redor de 4% ao ano, taxa de juros Selic de 5,5% é muito alta.  No meu entender, para que os investidores do setor produtivo venham fazer aporte de investimentos, a taxa de juros reais deveriam estar no nível da inflação corrente.  Seja como for, a redução gradual dos juros é uma política monetária correta para o momento atual, de transição.

Em resumo, podemos afirmar que o Brasil retomou a vocação de crescimento econômico sustentável.  

Ossami Sakamori  


domingo, 22 de setembro de 2019

MP da liberdade econômica



Veja os principais pontos da MP da Liberdade Econômica, sem delongas: 

1. Alvarás e licenças.

Isenção para negócios de baixo risco, como bares, borracharias e startups.

2. Controle de ponto.

Exigência de anotação do ponto para empresas com mais de 20 funcionários.  Atualmente, a exigência é para mínimo de 10 funcionários.

3. Carteira de trabalho.

Será emitida pelo Ministério da Economia, por via eletrônico.

4. Inspeção prévia de segurança.

Revoga dispositivos da CLT que exigia inspeção prévia de segurança e medicina do trabalho para início de atividades.

5. Patrimônio de empresas.

Somente o patrimônio social da empresa responderá por dívidas, sem confundir com o patrimônio do titular, exceto em caso de fraude.

6. Abuso do poder regulatório.

Empresário terá embasamento para questionar abusos, em casos que limitem a concorrência.  Fica vedado ao poder público tomar medidas que favoreçam a concentração de mercado. 

7. Digitalização.

Documentos podem ser guardados em meios digitais desde que seja possível comprovar sua autenticidade.

8. Empresa de uma pessoa.

Passa a ser permitido empresa com apenas um sócio, sem requisito de capital mínimo.  

9. eSocial.

Será substituído por sistema simplificado.

10. Fundo soberano.


Extingue a poupança pública criada para amenizar efeitos de crise. 

A MP entra em vigor imediatamente.  
A versão aprovada pelo Congresso Nacional previa um prazo de 90 dias para que a medida passasse a ter efeito.

Ossami Sakamori


quarta-feira, 18 de setembro de 2019

Brasil busca R$ 500 bilhões ao ano para manter-se de pé.



Conselho de Política Monetária - Copom, se reúne hoje, e deverá rebaixar a taxa básica de juros Selic. Especula-se que a taxa de juros do título do Tesouro  Nacional caia para 5,5% ao ano, o que será a mais baixa desde novembro de 1997.  Ainda assim, a taxa de juros reais estará acima da inflação em cerca de 40%, pois a inflação corrente está abaixo de 4% ao ano.  Brasil corre na contra-mão do mundo.

Na visão de muitos analistas econômicos, em razão do baixo volume de investimentos diretos via Orçamento Fiscal, restou a política monetária como único indutor do crescimento econômico, pelo menos no curto prazo.  A Emenda do teto dos gastos públicos vem inibindo os investimentos públicos, uma vez que eles estão no limite previsto na Emenda, não sobrando nenhuma folga.  O Orçamento Fiscal para 2020, a situação está mais dramática ainda.  Os gastos em investimentos em infraestrutura estão próximo do zero.  Se depender dos gastos do governo, o crescimento do Brasil, em 2020, será novamente pífio.

Por outro lado, com as reformas estruturantes, como a da Previdência, um novo pacto federativo e a reforma tributária, trarão novos ânimos no meio produtivo no próximo ano, 2020.  O ruim é que a economia mundial deverá entrar em fase de menor crescimento sobretudo em função da disputa comercial entre EEUU e China. Os dois países respondem juntos, 40% do volume do PIB mundial.  Enquanto isto, o Brasil responde por cerca de 2% do PIB mundial. 

A nova taxa de juros Selic dos títulos do Tesouro Nacional, com viés de baixa, acompanha a tendência dos países mais ricos do mundo.  Na semana passada, o Banco Central Europeu reduziu a taxa básica de juros de -0,4% para -0,5%. Por outro lado, a política monetária do Brasil, apesar do corte previsto, ainda assim, os juros da dívida pública do Tesouro Nacional estará entre +2% a +2,5%, acima da inflação.  

A minha posição é conhecida. Não adianta seguir como dogma a Emenda do teto dos gastos, engessando os investimentos públicos, se, ainda assim não conseguimos zerar o "déficit primário" ao redor de R$ 130 bilhões.  Déficit primário é o dinheiro que falta para pagar as despesas correntes do  governo da União, financiado com venda de títulos do Tesouro Nacional pagando taxa básica de juros Selic ou próximo dela.  O governo da União empresta dinheiro do mercado, cerca de R$ 130 bilhões, para cobrir as despesas correntes. 

O mais grave ainda é o "déficit nominal" que engloba o pagamento de juros do Tesouro Nacional em cerca de R$ 360 bilhões ao ano, líquidos, "escamoteado" no Orçamento Fiscal.  A esse valor, soma-se o "déficit primário" de R$ 130 bilhões, que é o "dinheiro que falta" para pagamento das despesas  correntes do governo da União chega ao número espantoso: O Tesouro Nacional, mesmo com rebaixamento da taxa Selic para 5,5%, vai desembolsar ou terá que "rolar" cerca de R$ 500 bilhões em 2020.  Se não houvesse "rolagem" da dívida, o País teria que emitir moeda, dinheiro vivo.  

O Brasil precisa ser repensado urgentemente, sob pena de continuar "subserviente" aos países mais ricos do mundo.  Se os franceses fazem piada sobre o País, somos obrigados a engoli-la, pois motivos para "chacota" nos os damos de sobra.  

Brasil busca R$ 500 bilhões ao ano para manter-se de pé. 

Ossami Sakamori


sábado, 14 de setembro de 2019

Que Brasil queremos para para os nossos filhos?


Sendo brasileiro nato, igual a tantos outros 210 milhões de brasileiros que habitam a terra descoberta pelo Cabral há mais de 5 séculos, acho no dever de escrever estas breves linhas.  O Brasil já foi a quinta economia do mundo, no tempo do império.  Brasil que era colônia de Portugal passou a ser a colônia do mundo desenvolvido.  O País não mudou muito, apenas mudou de dono.  Em pleno século XXI, Brasil continua sendo tratado pelos 7 países ricos do mundo como um reles país de segunda categoria.  Vamos mudar isto, vamos?

O Brasil acostumou-se a ser tratado como país de segunda categoria, não por culpa dos países desenvolvidos, mas por nossa própria culpa.  O Brasil parou no tempo, o relógio parou século XX.  Não bastou Tiradentes subverter ao jugo português pela cobrança do "quinto" (1/5) de impostos, que eram obrigados a recolher à coroa portuguesa.  Pior, hoje, o povo brasileiro é obrigado a pagar 36% do total da sua renda para manter a oligarquia estatal.  Oligarquia que muda a cada 4 anos, com promessas de avançar, de tornar o Brasil competitivo, de tornar um país com IDH comparável aos países do primeiro mundo.  No fim do mandato, sempre a mesma ladainha:  não deu para avançar por causa da oposição.  O picadeiro é o mesmo, só mudam os palhaços do circo que assistimos, diariamente. 

Entra governo, sai governo, as promessas são as mesmas, as de tornar o País competitivo.  Mas, para isto não fazem o dever de casa.  Não investimos em educação que é a base de inovações tecnológicas que o mundo exige.  Não investimos em infraestrutura para tornar os nossos produtos de exportação competitivos.  Em pleno século XXI, o País continua a exportar os produtos primários, como minérios e produtos agropecuários.  E o Brasil continua a criar empregos nos países desenvolvidos, com importação de produtos acabados.  

Os projetos dos sucessivos governos é uma vã promessa de criar empregos, prometendo picuinhas ao invés de preparar o País para um projeto de modernização com mecanismos de competição internacional, e minimizar o "custo Brasil", tão reclamado pelo setor produtivo.  O País perde muito tempo em discussão de "picuinhas", que não levam a nada.  O País sofre do síndrome do cachorro magro.  Ao invés de enaltecer e copiar a tecnologia desenvolvida pelos países do primeiro mundo, fazemos bravatas para exportar produtos do agronegócio, em forma bruta.  E ficamos orgulhosos disso...

O Brasil não tem projeto de médio e longo prazo, para sair do marasmo, do atraso tecnológico, e ostentamos os últimos lugares no PISA e IDH.  A culpa do atraso é a suposta ameaça de invasão da nossa soberania pelos países do primeiro mundo.  Infelizmente, a culpa do atraso do País é nossa, de todos brasileiros.  Eleger os culpados pelo atraso aos políticos é uma forma de achar um bode expiatório para dissimular a nossa incompetência.  

O povo brasileiro está, eternamente, atrás de um salvador da pátria.  Enquanto isto, os outros países emergentes estão à procura de ser um protagonista do século XXI, como China e Índia.  A decisão de tornar o Brasil um membro dentre melhores posições na geopolítica mundial não é dos políticos, mas de cada um de nós.  Potencial para tanto, o País tem.  Só não temos o "brio" suficiente para sair da eterna mediocridade.  

Que Brasil queremos para para os nossos filhos?

Ossami Sakamori



   

sexta-feira, 13 de setembro de 2019

A política econômica do Guedes tem viés equivocada.


O economista André Lara Resende, um dos pais do Plano Real e ex-presidente do BNDES, contrariando a maioria dos articulistas econômicos, dirigentes de conglomerados empresariais. O economista apresenta um "contraponto" à ideia de que o crescimento econômico do País depende, totalmente, ao equilíbrio das contas públicas.  Lara Resende defende que, para o País encontrar a rota do crescimento econômico sustentável deva passar, necessariamente, pelos investimentos públicos em infraestrutura.  A ideia, embora cristalina, não encontra "eco" na equipe do ministro Paulo Guedes.  

André Lara Resende questiona a ideia de que o objetivo primordial do País é o reequilíbrio do orçamento fiscal, como se isso fosse condição primeira, acima de qualquer outra prioridade.  Em contraposição, o governo Temer aprovou a Emenda Constitucional, conhecida como do teto dos gastos, apesar de já existir a Lei da Responsabilidade Fiscal de 4/5/2000, que já previa o equilíbrio das contas públicas.  A Emenda do teto dos gastos, estabeleceu como o limite do teto dos gastos ao daquele realizado pela União em 2016, corrigido pela inflação, para os 20 anos desde aquele ano.  A Emenda do teto dos gastos limitou os gastos públicos, incluído os gastos em investimentos em infraestrutura, ao já combalido orçamento fiscal da União de 2016.  Deu no que deu, o País está com crescimento pífio apesar da Emenda.  O País patina, mas não anda... 

Lara Resende defende que os investimentos em infraestrutura deva ser "extraordinário".  Limitar os gastos em infraestrutura apenas pela ideia de que o "orçamento está desequilibrado",  é uma "profunda estupidez" e de que o investimento público deve ser pautado pela lógica do "custo-benefício". É sobejamente conhecido que o Brasil está carente de investimento público na área de educação e de infraestrutura.  A falta de investimento  nestas áreas está levando o País aos últimos colocados no ranking dentre os países que compõe a ONU, em termos de crescimento econômico e de desenvolvimento humano. 

Os gastos públicos acima do "teto dos gastos" levariam, em tese simplista, à volta da inflação.  O que não é verdade. Uma correta política monetária, como daquelas adotadas pelos Bancos Centrais de países como Estados Unidos, Alemanha e Japão, demonstra o contrário.  Os pagamentos dos juros da dívida pública, que não entram na conta da Emenda do teto dos gastos públicos é o vilão dos gastos públicos.  Resumindo: Os gastos públicos que direcionariam o País ao desenvolvimento sustentável entram no "teto dos gastos públicos", mas as despesas referente ao pagamento de juros da dívida pública, são considerados "extra teto" dos gastos públicos.    

Desde 2012, neste espaço, venho chamando atenção sobre os gastos públicos referente ao pagamento de juros da dívida pública como principal entrave para o crescimento econômico sustentável do País.  Há que rever, urgente, o conceito sobre a qualidade dos gastos públicos, incluído o pagamento dos juros da dívida pública, sob pena do Brasil ficar, eternamente, motivo de "chacota" dentre os dirigentes dos países mais desenvolvidos do mundo.  De certa forma, eles tem toda razão, infelizmente. 

A política econômica do Guedes tem viés equivocada. 

Ossami Sakamori  

terça-feira, 10 de setembro de 2019

Brasil continua sendo a terra da jabuticaba!



Dizem que jabuticaba só dá no Brasil.  Assim como a jabuticaba, a política econômica e monetária adotadas no País é única no mundo.  Brasil sempre viveu e vive hoje, o inverso da paradigma da política econômica e monetária adotada pelos país desenvolvidos no mundo.  Os sucessivos governos dizem-se bastiões das verdades da política econômica e monetária, estando na contra mão dos mais básicos preceitos da macroeconomia.  Enfim, o Brasil é país da jabuticaba, que só existe acá, na terra descoberta pelo Cabral. 

O governo do presidente Jair Bolsonaro diz a quatro cantos de que a política econômica, pressupõe que inclui a política monetária, a ser adotada por seu governo, seria "liberal" ao estilo daquela defendida pelo professor Milton Friedman da University of Chicago.  O ministro Paulo Guedes afirmou e continua a afirmar, que a política econômica do Brasil seria a política econômica liberal no estilo daquela adotada pelos "Chicago boys", em alusão aos formuladores da política econômica do ditador Augusto Pinochet do Chile, dos anos 70/90, pelos meninos recém formados pela famosa Universidade americana. 

Um belo discurso que engana a nós todos, aquele do ministro da Economia, Paulo Guedes.  É certo que a política econômica liberal do Augusto Pinhochet do Chile, tanto quanto a do Ronald Regan dos EEUU, deram bons resultados, no seu tempo.  Isto foi na década de 80, onde o ambiente econômico mundial era totalmente diverso daquele de hoje.  A China, na década de 80, ocupava a 5ª posição no ranking do PIB mundial e hoje ocupa a 2ª posição.  O PIB brasileiro no governo Sarney ocupava a 9ª posição no mundo e após 3 décadas, o Brasil ocupa a pífia 8ª posição do mundo, apesar de ter todas condições para ser, no mínimo a 5ª economia do mundo.  

É certo que a desregulamentação da economia promovida pelos EEUU e Chile nos anos 80, está vindo ao Brasil com Paulo Guedes, com atraso de décadas, portanto há muito chão para percorrer para reconquistar a posição de destaque na economia do mundo.  As reformas estruturantes estão a acontecer em velocidade e profundidade necessárias para o desenvolvimento do País.  Até a implementação de todas reformas estruturantes, o período do governo Bolsonaro já teria se exaurido.  Não é uma tarefa simples.  É mais ou menos como tentar trocar a roda da bicicleta, pedalando. 

Há um paradigma da política monetária adotada pelos países desenvolvidos que o Brasil insiste e persiste em mantê-lo, ao da política de juros da dívida pública.  Todos os países desenvolvidos, como EEUU, Alemanha e Japão praticam juros da dívida do Tesouro negativos (-) em relação à taxa de inflação.  O Brasil, ao contrário, pratica a taxa de juros reais no terreno positivo (+).  Se à época da inflação de 10% ao ano, praticava taxa de juros Selic de 14% ao ano, 40% maior do que a inflação, o Tesouro Nacional pratica juros Selic de 6% ao ano ou 5,5% ao ano, sendo a taxa de inflação ao redor de 4%, a taxa de juros reais é o mesmo 40% acima da inflação da década perdida. 

A razão para que o Tesouro tem para pagar o maior juros reais do mundo, exceto Turquia e países subdesenvolvidos, apesar de País ter a "reserva cambial" de US$ 380 bilhões, é para manter a rolagem da dívida pública federal bruta de R$ 5,5 trilhões ou dívida pública líquida de R$ 4 bilhões.  O Brasil é terra para os agiotas internacionais e  em contrapartida, é um terreno infértil para investimentos produtivos.  Sem os investimentos produtivos não criam empregos.  E sem empregos não criam consumo.  

Só uma política monetária corajosa do Banco Central pode resolver o dilema do baixo crescimento.  Basta copiar o exemplo dos países que estão surfando, como a China, os Estados Unidos e o Japão.  Enquanto isto não acontece, o País continua sendo a mediocridade e "chacota" do mundo desenvolvido.  Culpados são eles, os países desenvolvidos, que criticam ou a culpa é nossa que adotamos paradigmas erradas.  

Brasil continua sendo a terra da jabuticaba!

Ossami Sakamori





sábado, 7 de setembro de 2019

Anderson Torres deve ser o novo diretor geral da Polícia Federal


Ao que tudo parece irá acontecer, o novo diretor do Departamento da Polícia Federal deverá ser o delegado Anderson Gustavo Torres, atual secretário de Segurança Pública do Distrito Federal, em substituição ao atual diretor geral do Departamento de Polícia Federal, Maurício Valeixo. Assim está movimentando o Palácio do Planalto, segundo a grande imprensa. 

O delegado Maurício Valeixo, em férias, foi indicado pelo ministro da Justiça Sérgio Moro.  A atribuição de indicação de qualquer funcionário público, inclusivo o diretor geral da Polícia Federal é do presidente da República.  O presidente da República poderá acatar ou não um nome indicado pelo ministro da Justiça.  

Uma eventual substituição do diretor geral da Polícia Federal pelo presidente da República, vem causando um certo desconforto entre o ministro Sérgio Moro e o presidente Jair Bolsonaro.  No entanto, em regime presidencialista, a indicação de nomes para ocupar qualquer função pública, inclusive o de para o STF, o poder Judiciário, é de competência exclusiva do presidente da República.  A confirmação do nome de algumas autoridades da República devem passar pela aprovação pelo Senado Federal, é o que deverá acontecer nos próximos dias, também, a aprovação ou não do novo nome do Procurador Geral da República do MPF. 

Delegado Anderson Gustavo Torres deve ser o novo diretor geral da Polícia Federal.

Ossami Sakamori




domingo, 1 de setembro de 2019

O PIB do Brasil de 2019 deverá fechar acima de 1,1%.


O mercado financeiro respirou aliviado com a divulgação do PIB do segundo trimestre deste ano.  A expectativa era de que o PIB trimestral desse resultado negativo, configurando tecnicamente "em recessão", já que o PIB do primeiro semestre tinha registrado 0,2% negativo.  Na macroeconomia, o PIB negativo por dois trimestres seguidos indica "recessão". Com o resultado do PIB do segundo trimestre, podemos prever o PIB do ano de 2019 para algo como 1,1% positivo.

O PIB acumulado do primeiro semestre ficou em 0,2% positivo, uma vez que o PIB do primeiro trimestre registrou 0,2% negativo.  No segundo semestre, tem dois fatos positivos que influenciam decisivamente no resultado do PIB, a liberação do 13º salário dos trabalhadores e a liberação dos recursos do Plano Safra.  A injeção destes recurso, cerca de R$ 450 bilhões, sem considerar o efeito multiplicador, representa 0,64% de acréscimo do PIB.  Estas injeções acabam alavancando a economia, em no mínimo, em 50%, o que corresponderia a estimativa do crescimento do segundo semestre em 0,97%.  

Considerando o resultado líquido do PIB do primeiro semestre em 0,2%, acrescido de 0,97% do segundo semestre, o PIB de 2019 deve fechar em algo como 1,17% positivo.  É claro que o número é a primeira estimativa, com antecipação de 5 meses.  Então, podemos afirmar que:

O PIB do Brasil  de 2019 deverá fechar acima  de 1,1%. 

Ossami Sakamori


quarta-feira, 28 de agosto de 2019

Brasil pode crescer 6% ao ano


Tenho manifestado através deste blog, um certo pessimismo em relação ao crescimento econômico do Brasil. Tudo, em função da política econômica implementada pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, que tem dado preferência em atender os agiotas nacionais e internacionais.  A demora na retomada do crescimento econômico tem corroborado com as afirmações anteriores.  Segundo empresa de classificação de riscos Austing Rating, o desempenho do PIB no primeiro trimestre de 2019, ocupou o 45º lugar dente 47 países pesquisados.  Segundo a mesma pesquisa, a média de crescimento dos países listados é de 2,6% para o mesmo período.  Vamos apenas lembar que o PIB é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país. 


A "trava" do crescimento do País é o hostil ambiente de negócios e a complexidade de leis e normas que regulam a produção.  Contribui também, a falta de infraestrutura que encarecem os produtos brasileiros comparados com os de países desenvolvidos, o tal "custo Brasil".   O atual governo, procura destravar a economia, promovendo reformas estruturantes como a da previdência e tributária.  A promessa da economia liberal, com o Estado fora dos negócios, está acontecendo a passos muito mais lento do que o esperado pelo mercado financeiro nacional e internacional.  

Para alguns articulistas econômicos, a economia não crescerá acima de 3% ao ano, pelo menos nos próximos 10 anos.  Alguns deles, afirmam que o Brasil não crescerá mais do que este número em função do baixo crescimento da população na década que vivemos.  A população cresce menos do que 1% ao ano, enquanto há algumas décadas crescia a uma média de 4% ao ano.  Essa afirmação serve apenas "desculpa" para  crescimento pífio da economia brasileira. Uma desculpa esfarrapada, para encobrir a incompetência em estabelecer uma política econômica e financeira que leve o setor produtivo a participar no desenvolvimento econômico sustentável.

Embora as reformas estruturantes não estejam acontecendo na velocidade que o mercado espera, com a conclusão da reforma tributária e um novo pacto federativo, o Brasil sustenta holofote internacional com assuntos que pouco interesse econômico.  

A causa do baixo crescimento apontada pelos articulistas econômicos é a de número elevado de desempregados. É uma afirmação equivocada pelos "notáveis" no assunto da macroeconomia. Ao contrário, as teorias macroeconômicas adotadas pelos países desenvolvidos como EEUU, Alemanha e Japão. A criação de empregos é a prioridade na formulação da política econômica daqueles países.  Pois, é o número de empregados que alavancam o "consumo", que por sua vez cria os novos empregos, num círculo "virtuoso".  Enquanto isso, o Brasil dá prioridade na remuneração dos agiotas nacionais e internacionais na formulação da política econômica e monetária.  Brasil é país que paga juros reais uma das mais alta do planeta, só suplantado pela Turquia.  

Uma política econômica e monetária que dê prioridade à criação de empregos ao invés de se preocupar em atender os interesses dos agiotas nacionais e internacionais, o Brasil terá condições de crescer 6% ao ano.  

Leia também:  Dólar vai buscar R$ 4,50 !  

Brasil pode crescer 6% ao ano!

Ossami Sakamori

segunda-feira, 26 de agosto de 2019

Antonio Carlos Soares para PGR


Não será nenhuma novidade se o presidente Jair Bolsonaro fizer a indicação do subprocurador Antônio Carlos Simões Soares ao cargo de Procurador Geral da República.  Ele é aliado da família do presidente da República, mais especificamente, do conhecido como "Zero Um", o senador Flávio Bolsonaro, PSL/RJ.  Ele não faz parte da lista tríplice do Conselho Nacional do Ministério Público.  No entanto, o presidente da República não tem nenhuma obrigação de escolher dentre os indicados na lista tríplice.  Diante do fato, o novo PGR vai ser o Antonio Carlos Soares para ocupar a vaga ocupada pela atual Procuradora Geral da República, Raquel Dodge.  

O provável Procurador Geral da República, Antonio Carlos Simões Soares, terá que passar pela sabatina no Senador Federal, para se confirmar no cargo.  O Antonio Carlos Soares tem uma linha de pensamento que alinha com o do presidente da República, segundo a Globo. Diz o jornal da Globo que num texto publicado em 2014  na Revista Justiça & Cidadania se referiu à democracia como "um verdadeiro embuste".  No mesmo artigo, em se referindo a opinião do provável PGR, sobre os meios de comunicação: "eles só defendem mais por interesses próprios do que por convicção ideológica" . 

Nada mais nada a comentar, senão esperar o desfecho sobre a indicação do novo PGR que deverá ocorrer nos próximos dias.   

Ossami Sakamori

quinta-feira, 22 de agosto de 2019

A primeira lista de privatizações do Paulo Guedes é tímida.



Palácio do Planalto divulgou ontem, 21, a primeira lista de empresas que deverão ser privatizadas.  A primeira lista, ao meu ver, é muito tímida.  Na lista de 18 empresas, Correios, Casa da Moeda, Telebras, Companhia de Docas de Santos  e Docas de Espírito Santos, são os destaques.  A estrela da privatização, a Eletrobras, não entra dinheiro no Tesouro Nacional, pois, o dinheiro entra no caixa da Companhia.  A lista está muito aquém do esperado pelo mercado financeiro.  O impacto fiscal no Orçamento Fiscal será ao redor de R$ 15 bilhões ao ano, diante do Orçamento Fiscal de R$ 1,5 trilhões.  

Paulo Guedes, ministro da Economia, tinha prometido arrecadação de R$ 1 trilhão com a venda das estatais.  Vamos lembrar que a Eletrobrás, Lotex e Casa da Moeda, já vêm da promessa do governo Temer.  Segundo Elena Landau, ex-diretora do BNDES: "Na verdade, incluíram empresas que não têm o menor sentido de existir e deixaram de fora várias companhias, muitas ligadas aos militares. Eles prometeram fazer uma reforma de Estado e não fizeram".

Ainda, segunda a ex-diretora do BNDES: "Petrobrás, Caixa, Banco do Brasil (BB) e BNDESPar deveriam constar da lista. O boletim da Sest - Secretaria de Coordenação e Governança das Empresas Estatais, mostra 130 empresas estatais.  Dessas, se pegar BB, Caixa, Eletrobras, Petrobras, BNDES Participações e Correios já dá 80 e poucas, todas de controle indireto".  Paulo Guedes, ministro da Economia, tem manifestado, informalmente, que "até a Petrobras" (sic) entrará na futura lista de privatizações.  Coloco em dúvida, se haverá privatização de empresas estatais com forte influência dos militares, como a Petrobras.  O futuro nos dirá quem tem razão. 

A primeira lista de privatizações do Paulo Guedes é tímida. 

Ossami Sakamori



domingo, 18 de agosto de 2019

Banco Central venderá dólar no mercado à vista.


Banco Central do Brasil emitiu nota reafirmando sua política cambial, baseado no regime de câmbio flutuante e na atuação com vistas ao regular funcionamento do mercado de câmbio.  Conforme noticiado por este blog na matéria anterior, o Banco Central está preocupado com a escalada de alta da moeda americana diante da possibilidade da queda de atividade econômica mundial como aquela do pós crise financeira mundial de 2008.  

Segundo a nota oficial do Banco Central, no período de 21a 29 de agosto, ofertará lote diário de dólar do mercado à vista, spot market, de forma simultânea à oferta no mesmo montante em "swaps cambiais reversos". 

Ao final do período de execução desta rolagem, objetiva-se que todo o estoque vincendo em 1º de outubro de 2019, seja rolado ou trocado por "dólar à vista", diz a nota do Banco Central.  Para bom entendedor, o anúncio do Banco Central sinaliza possível movimento de alta do dólar no curto prazo.  

Ossami Sakamori

quinta-feira, 15 de agosto de 2019

Dólar vai buscar R$ 4,50 !



Ontem, o dia no mercado financeiro foi atípico. Pela primeira vez desde 2007, início da crise financeira mundial de 2008, o juro do título do Tesouro americano com vencimento em 10 anos ficaram abaixo do juro do título com vencimento em 2 anos.  Isto e paradoxo!  O normal é que os juros de longo prazo sejam superiores que os de curto prazo.  Traduzindo para quem tem pouca familiaridade com o mercado financeiro: Os investidores especulativos estão prevendo uma nova "recessão mundial" como que ocorrera na crise financeira mundial de 2008.  

O pano de fundo é a preocupação do mercado financeiro mundial com a guerra comercial entre Estados Unidos e China.  A instabilidade no mercado de câmbio vem desde maio deste ano.  No dia 20 de maio próximo passado, o dólar americano bateu o recorde do ano em R$ 4,12.  Naquela fase, o Banco Central do Brasil vendeu o título cambial "swap cambial", com compromisso de recompra num prazo médio de 90 dias.  Ontem, o Banco Central do Brasil vendeu o dólar no mercado à vista, conhecido também como "spot market". 

Ontem, o Banco Central do Brasil não quis "fazer aposta" do mercado estável no câmbio no prazo curto, 90 dias, e pela primeira vez após longo período de atuação em títulos cambiais, vendeu o dólar no "spot market".   Na prática, vendeu parte da Reserva cambial, que está em boa situação. Ontem, a Reserva estava em US$ 385 bilhões.  Vamos lembar que o Brasil mantém uma boa Reserva Cambial, recebendo remuneração ao redor de 2,25% ao ano enquanto o Tesouro Nacional paga no mercado doméstico, juros Selic de 6% ao ano.  Ninguém fala em voz alta, mas a manutenção de Reserva Cambial é como aquele grande devedor de um banco que se obriga "manter um saldo médio alto", para continuar como um bom cliente.  

Dentro deste contexto, na minha avaliação é que no curto prazo, sem nenhum medo de errar, o dólar vai buscar a cotação de R$ 4,50.  E sem medo de errar, também, o novo piso para o dólar deverá ser de R$ 4,00.    

Dólar vai buscar R$ 4,50 !

Ossami Sakamori




terça-feira, 13 de agosto de 2019

Brasil age como avestruz!


O ministério da Economia esconde a real situação do número de desempregados no País.  A grande imprensa, despreparada, acompanha o "discurso" do governo em relação ao número de trabalhadores com "carteira assinada".  Enquanto o número de trabalhadores com carteira assinada não passa dos 33,4 milhões, o número de trabalhadores desempregados, desalentados, nem-nem e subempregados, somam cerca de 50 milhões.   O governo e a grande imprensa "insistem" em divulgar apenas o índice de desempregados, sem considerar o número de trabalhadores vulneráveis.   Oficialmente, o número de desempregados no País, não chega a 13 milhões de pessoas.  Isto é uma grande mentira!  Brasil age como avestruz!

Vamos analisar de perto o número de trabalhadores com carteira assinada ou o número de trabalhadores com empregos em fábricas, comércio ou serviços.  Pois bem, o Brasil tem apenas 33 milhões de trabalhadores estáveis numa população de 208 milhões.  Isto quer dizer que, estatisticamente, cerca de 16% da população do País está com emprego formal ou emprego estável.  Isto significa que apenas 16% da população contribui, formalmente, para o crescimento do País.

Vamos comparar o número de empregados formais nos países do primeiro mundo.  Nos Estados Unidos, o número de trabalhadores formais, já que lá no Primeiro mundo, não há "leis trabalhistas" que exigem "carteira assinada", é de 157 milhões de trabalhadores.  Para uma população de 340 milhões de pessoas, o número de empregados formais representa 46% da população do país.  No Brasil, 16% de trabalhadores em relação ao número da população.  

Outro país referência é o Japão, país democrático, com 120 milhões de habitantes, diga-se de passagem, população altamente escolarizada.  O número de trabalhadores formais, de acordo com as leis daquele país, sem quase nenhum benefícios como que há no Brasil, é de 67 milhões de trabalhadores.   A relação número de trabalhador versus número de população, chega a 56% sobre o total da população.  No Brasil, 16% de trabalhadores em relação ao número da da população. Isto, de certa forma, justifica o terceiro PIB do mundo, atrás apenas dos EEUU e da China.

Enquanto o ministro Paulo Guedes, se preocupa com agenda "liberal", enquanto a maioria dos trabalhadores, cerca de 50 milhões, fica à mercê de "política econômica" e "política monetária" que atende apenas aos 33 milhões de trabalhadores com carteira assinada.   Enquanto a equipe econômica não der a devida atenção aos trabalhadores em situações vulneráveis, cerca de 50 milhões, o País continuará com o crescimento pífio, de 1% ao ano.   

Paulo Guedes age como como avestruz, escondendo a cabeça no buraco para não ter que enfrentar a dura realidade, a do quadro de depressão, a maior desde 1929.  

Brasil age como avestruz!

Ossami Sakamori