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quarta-feira, 7 de abril de 2021

Brasil crescerá 3,7% em 2021, segundo FMI

 

O Fundo Monetário Internacional - FMI, revisou o crescimento econômico do  mundo em 2021 para 6%, 0,5% acima da previsão anterior de janeiro.  A perspectiva para o Brasil, segundo FMI, é crescimento de 3,7% em 2021, menor que a média mundial.  Para os Estados Unidos, com um pacote de estímulo de US$ 1,9 trilhão, a expectativa de crescimento é de 6,4% neste ano e 3,5% em 2022.  Para a China, o FMI prevê crescimento de 8,4%, apesar da meta do governo chinês ser de 6,1% em 2021.  

          O mercado financeiro comemora a previsão do FMI para crescimento dor principais parceiros do Brasil, os Estados Unidos e a China, que são os carros chefes do mundo. Os Estados Unidos e a China continuam sendo a primeira e a segunda maior potência econômica do mundo.  O crescimento de ambos os países que darão a sustentação ao crescimento do Brasil em 3,7% em 2021, segundo FMI.  Ainda assim, o crescimento do Brasil está abaixo da previsão de crescimento do mundo previsto em 6%.  Assim, o País continuará caindo na classificação de maiores economia do mundo.  Desde, 2014, o Brasil saiu de 8ª economia do mundo para 12ª classificação.   A confirmar a previsão do FMI, o Brasil deverá ocupar a 14ª posição no final de 2021.  

          O crescimento econômico do Brasil em 3,7% não cobre nem a perde de PIB em 2020 que foi de 4,1%.  O motivo para o atraso em relação a outros países em desenvolvimento é que o País está "patinando" desde a pior crise econômica de 2015, que culminou com o impeachment da presidente Dilma Rousseff.  De 2014 até 2020, o País regrediu no seu valor de PIB em termos reais, em dólar americano, cerca de 23,5%.  Pela previsão do FMI, que quase sempre acerta, o Brasil nem vai recuperar a perda de PIB de 2020, que foi de 4,1%.   

            Nas matérias anteriores, aponto os motivos que levaram o País ao "status quo" de hoje, um crescimento pífio e número espantoso de trabalhadores em situações vulneráveis, 64 milhões, onde apenas 36 milhões de trabalhadores com carteira assinada e funcionários públicos em 3 níveis de governo, sustentam o País.  Grosso modo, 1 trabalhador formal sustenta 2 trabalhadores em situações vulneráveis.  

          O ministro da Economia, Paulo Guedes, assumiu o cargo prometendo reformas estruturantes como a previdenciária e tributária, mas está a dever na promessa.  A reforma previdenciária foi aprovada no primeiro ano do mandato do presidente Bolsonaro, porque já pegou ela madura para ser votada no Congresso Nacional.  No ano que passou, 2020, com desculpa da pandemia Covid-19, a reforma tributária, essencial para atrair os investidores produtivos ficou para o segundo plano. Tomara que minha previsão não se confirme e a reforma tributária, que inclui a simplificação burocrática, seja aprovada ainda em 2021, para entrar em vigor em 2022.  

          O crescimento previsto de 3,7% para 2021, pelo FMI, não é motivo para comemorações, mas sim, para reflexão de como o Brasil com tamanha extensão territorial, cerca de 1/3 agriculturável, está regredindo frente a outros países com muito menos potencial.  

           Ossami Sakamori


domingo, 4 de abril de 2021

O número de trabalhadores vulneráveis é de 64,1 milhões!

 


O número de desempregados apresentado pelo IBGE, mascara a realidade do mercado de trabalho no Brasil.  Segundo último número apresentado, o contingente de desempregado está, oficialmente, em cerca de 14,1 milhões de pessoas.  Porém, a mesma pesquisa do IBGE, mostra que a população de trabalhadores na informalidade chegou a 33,5 milhões.  Acrescente nisso os trabalhadores por conta própria que chega a 23 milhões.  O trabalhador doméstico, segundo IBGE, representa cerca de 4,8 milhões.
          O governo comemora o número de desempregado, cerca de 14,1 milhões, como se fosse uma grande conquista. Porém, ao número oficial de desempregados deve somar cerca de 5,5 milhões de "desalentados", que são os trabalhadores que desistiram de procurar o trabalho.  Há ainda no Brasil, o número de pessoas desocupadas, os jovens entre 15 a 29 anos, que nem estuda e nem trabalha, que soma cerca de 11 milhões de pessoas.  Ao todo, são 30,6 milhões de trabalhadores em condições de trabalho que estão desocupados.  Somado a esse número os trabalhadores informais, cerca de 33,5 milhões, que vivem de bicos ou comércio ambulante, sem endereço fixo, o número de trabalhadores vulneráveis chega a 64,1 milhões.   
          Foi exatamente o número de beneficiário do "auxílio emergencial" de 2020, cerca de 65 milhões de beneficiários.  O auxílio emergencial foi concedido a cerca de 65 milhões de pessoas, não fazendo parte desse número, pessoas que recebiam alguma forma de benefícios da previdência social.  Este contingente de trabalhadores, os desempregados e informais, que o ministro da Economia, Paulo Guedes, jocosamente chamou-os de pessoas "invisíveis".  
            Por outro lado, há no Brasil, cerca de 33 milhões de trabalhadores com carteira assinada, trabalhando em indústrias, comércio e serviços públicos essenciais.  Soma-se ao número de empregados formais, cerca de 3,12 milhões de servidores públicos, dos quais cerca de 1,15 milhão de servidores públicos estão lotados na esfera federal, incluído civis e militares.  São esses trabalhadores formais que contribuem para o sistema previdenciário e ao Imposto de Renda, direto na fonte.
         Os números de trabalhadores que estão fora do sistema formal, sem maquiagem, são alarmantes. De certa forma os números mostram a realidade brasileira, igual aos de países do "terceiro mundo", onde poucos tem trabalho digno e um enorme contingente de trabalhadores informais que tentam se equilibrar com alguma forma benefícios do governo federal, como o de "auxílio emergência" ou "bolsa família".  Este contingente de pessoas são alvos de políticos de direita à esquerda, a troco de promessas de dias melhores.  Isto não é de hoje.  Isto é um verdadeiro "curral eleitoral" que uma hora está nas mãos da esquerda e outra hora nas mãos dos políticos da direita.  Importante lembrar que qualquer benefícios para a população são pagos pelos contribuintes brasileiros ou via endividamento do Tesouro Nacional.  
           É urgente dar educação para o povo brasileiro, ao lado de saúde pública, para que não sejam enganados, eternamente, pelos discursos fáceis, religiosamente, a cada 4 anos.  É triste afirmar que a diferença do Brasil e dos países do primeiro mundo, está na universalização de oportunidades.  E o povo brasileiro, eternamente, fica à mercê de promessas fáceis de políticos de plantão.  

          Ossami Sakamori  



sexta-feira, 2 de abril de 2021

Brasil está no fundo do poço!

 


Brasil fez opção de continuar medíocre no cenário econômico mundial.  Infelizmente, a conclusão é cristalina para quem tem o mínimo de conhecimento de macroeconomia.  A tabela de classificação do PIB do mundo, em dólares, retrata a situação real do Brasil perante mundo.  O Brasil saiu da situação de 7ª economia do mundo em 2014, antes da crise econômica de 2015, iniciada no governo Dilma, para situação de 12ª economia do mundo em apenas 6 anos.  A tabela abaixo mostra, a classificação dos países mais expressivos em dólares americanos:

Classificação em 2020
1 Estados Unidos20,580,250
 União Europeia18,736.855
2 China14,860,775
3 Japão4,910,580
4 Alemanha3,780,553
5 Reino Unido2,638,296
6 Índia2,592,583
7 França2,551,451
8 Itália1,848,222
9 Canadá1,600,264
10 Coreia do Sul1,586,786
11 Rússia1,464,078
12 Brasil1,363,767


Classificação em 2014
1 Estados Unidos17 348 072
2 China10 430 590
3 Japão4 602 419
4 Alemanha3 868 291
5 Reino Unido2 988 893
6 França2 829 192
7 Brasil2 346 523

De 2015 até os dias de hoje, incluído o governo do presidente Bolsonaro, o PIB brasileiro decresceu, grosso modo, 23,5%. Brasil encolheu no seu Produto Interno Bruto, quase 1/4 em relação à pré-crise.  Não vamos perder tempo, analisando o que levou o País a esta situação.   A grande verdade é que na tentativa de sair da crise financeira mundial de 2008, para sair da "marolinha", o governo Lula, adotou medidas de estímulo creditício e de incentivos fiscais, que acabou "explodindo" em 2015, na forma de pior depressão desde 1929.  

           Após o impeachment da presidente Dilma, o seu vice, Michel Temer, modificou a Lei de Responsabilidade Fiscal número 101 de 2010, através da Emenda 95, denominado de "teto dos gastos", para recuperar a credibilidade do Brasil no mercado financeiro internacional.  A Emenda 95, de "invenção" do ministro da Fazenda da época, Henrique Meirelles, visava melhorar o rating das empresas de classificação de riscos de crédito, a  Moody's, a Fitch e a Standard & Poor's ao "grau de investimento".  Enfim, a Emenda 95, visava atender mais ao capital estrangeiro, para continuar financiando os títulos da dívida pública brasileira, do que atender aos interesses nacionais de desenvolvimento econômico.   O resultado do PIB, está a mostrar a minha afirmação.  O Brasil se preocupou mais com o capital especulativo estrangeiro do que atender ao interesse nacional de desenvolvimento econômico.   O gráfico acima, mostra claramente o desacerto da política econômica em vigor, baseado na Emenda 95, de 2016.

           Para quem tem pelo menos um pouco conhecimento do tema de contas públicas, a flexibilização da Emenda 95, está sendo considerado inegociável.  A Emenda 95, manda que os Orçamentos Fiscais dos próximos 20 anos, contados à partir de 2016, estabeleça como o teto, o mesmo valor do Orçamento Fiscal de 2016, corrigido apenas pela inflação.  À primeira vista, a Emenda 95, do teto dos gastos públicos, atende aos interesses da nação brasileira.  Ledo engano!   A Emenda 95 atende aos interesse dos investidores especulativos estrangeiros e do mercado financeiro.  Porém, a Emenda 95, engessa os gastos públicos em investimentos em infraestruturas, tão necessárias para o desenvolvimento do País aos níveis de 2016, pico da crise econômica.   A Emenda 95 é camisa de força para segurar o crescimento econômico do País. Está, no meu entender, mais para camisa de forca do que de força.  Com a Emenda 95, o Brasil está com o seu destino selado à condição econômica do ano da sua edição, o ano de 2016, o pico da recessão econômica dos últimos 100 anos.

            Os sucessivos Orçamentos Fiscais desde 2016, tem confirmando o que estou a afirmar, o equívoco da política econômica, baseado na Emenda 95.  Desde 2015, o governo da União não consegue pagar as suas contas com o que arrecada de impostos e contribuições.   As despesas correntes da União, desde então, incluído as de 2021, são cobertos com endividamento público, com emissão de títulos do Tesouro Nacional.  O último Orçamento Fiscal, o de 2021, prevê um déficit primário de R$ 247,1 bilhões.  Isto é, o dinheiro que falta para cobrir as despesas correntes da União, excetuando o pagamento de juros da dívida pública, do Tesouro Nacional.

         Enquanto persistir a ideia errônea do governo da União em seguir cegamente a Emenda 95, tão defendido pelo mercado financeiro especulativo nacionais e internacionais, persistindo em considerar os investimentos públicos em infraestruturas, como sendo apenas despesas do governo, o Brasil continuará no fundo do poço.  Seremos, eternamente, como um vira-lata, querendo pegar o seu próprio rabo, na visão do mundo desenvolvido.

Ossami Sakamori

quarta-feira, 31 de março de 2021

Nem os militares querem a volta do Regime Militar

Hoje, dia 31 de março, não tenho motivo nenhum para comemorar o dia da Revolução ou dia do golpe Militar de 64. Naquele ano, 1964, eu estava recém matriculado na Escola de Engenharia da Universidade Federal do Paraná, resultado do acirrado vestibular de uma universidade pública.  Eu me lembro que no dia 31 de março, havia notícia de que as tropas do Exército, com tanques, estavam à caminho à região Sul.  Senti aliviado quando soubemos que o comandante da V Região Militar tinha aderido ao movimento.  Ficamos sabendo depois que tinha havido um "golpe militar".   Enfim, para alívio da população, não haveria matanças entre os soldados compatriotas.  

         O que seguiu, ao dia 31 de março de 1964, a história brasileira mostra como sendo de "regime militar". A verdade é doida, mas tem que ser dita. Brasil entrava na "ditadura militar". Como eu era de família humilde, não me engajei no movimento estudantil que opôs ao regime militar, porque eu precisava gerar o meu próprio sustento. Muitos amigos meus foram presos, pela DOPS - Delegacia de Ordem Social e Política, sem nenhum mandato judicial e foram levados para porões do Exército.  Estávamos inaugurando o regime de exceção.  Já no final do meu curso de engenharia, foi decretado o Ato Institucional número 5, que abolia os direitos individuais de um cidadão brasileiro comum.  Fui testemunha à favor de um colega de faculdade, na "Justiça Militar", para atestar que ele era cidadão do bem.  Os civis "contra o regime" eram julgados na Justiça Militar.  

          Enfim, os militares podem comemorar o dia de hoje como dia de libertação do povo, do comunismo que se estava a ser instalado no Brasil.  Preocupado que eu estava em conseguir um espaço no mercado de trabalho, tive muito pouco tempo para estudar a ideologia dos à favor e dos contra o Regime Militar.  Os que foram militantes contra o Regime Militar eram universitários, via de regra, filhos de classe média alta, pois estes, tinham o sustento das respectivas famílias para suas guerrilhas particulares.  Entre estes, a ex-presidente Dilma Rousseff e seu companheiro Cláudio, de famílias abastadas.  

          À duras penas e com a iniciativa do General Geisel foi feito à abertura gradual e segura do Regime Militar para os civis.  O General Figueiredo cumpriu a missão e promoveu eleição indireta para presidência da República, no que foi eleito o deputado Tancredo Neves, tendo como vice-presidente o então deputado José Sarney.  Em razão do falecimento prematuro do Tancredo Neves, assume como o primeiro presidente civil, o José Sarney.  José Sarney e Ulysses Guimarães costuraram a Constituição de 1988, em vigor até hoje.  

          Respeito o presidente Jair Bolsonaro, eleito legitimamente, através de eleições, previstos na Constituição de 1988, em 2018, numa disputa acirrada com o candidato do Partido dos Trabalhadores.  Porém, não concordo com os últimos movimentos, com aparente interferência indevida no Alto Comando das Forças Armadas, subjugando-o, além daquilo já previsto na Constituição de 1988.  Uma parte da população apoia a interferência dos militares na vida da população, invocando o Artigo 142 da Constituição, num fragrante erro de interpretação.   Uma outra parte da população, sobretudo os intelectuais, não apoiam a ideia do Presidente da República, de que o Comando das Forças Armadas sirvam aos interesse do Governo, contrário à ideia de que as Forças Armadas deveriam servir ao Estado.  A primeira ideia leva à politização das Forças Armadas, que é meio caminho andado para volta do Regime Militar.  Eu aposto que, os que os protagonistas de hoje, da ideia de volta do Regime Militar, não tenham vivido experiências nefastas do poder pelos militares, como eu tive.  Creio que, nem os militares, de baixo a alta patente, não querem a volta do Regime Militar no País.

Ossami Sakamori




 

terça-feira, 23 de março de 2021

Desagravo ao presidente Bolsonaro

 

Os economistas que assinaram a carta cobrando medidas efetivas no combate à pandemia, ao lado dos banqueiros e empresários, tem explicações diferentes porque os levou a assinar o documento que foi divulgado no último fim de semana.  A presidente do Conselho de Administração da Magazine Luiza, por exemplo, dá ênfase na criação do programa "renda básica", semelhante ao do governo Jair Bolsonaro.  O  fato é que, o documento vem com atraso de 6 anos, pois a pior depressão que País vive, vem desde 2015, como é de notório conhecimento dos signatários do documento.   Mais parece, um documento para marcar posição "política" do que resolver o real problema que o Brasil vive, os decorrentes da pandemia Covid-19.

          Diz o ex-presidente do Banco Central e um dos idealizadores do Plano Real, no governo Itamar Franco, que também, foi membro do Conselho de Administração do Unibanco, foi membro do Conselho de Administração do Banco Itaú e fundador do Banco Pactual e desde maio de 2018 integra o Conselho Acadêmico do Livres :  "Dá sensação de desespero, de urgência e vontade de ser propositivo.  Ele é o autor da "carta aberta" que cobra as medidas efetivas no combate à pandemia, ao lado dos empresários e banqueiros.

          Pérsio Arida, afirma, o fracasso anunciado no documento seria resultado da "postura negacionista" e da postura da falta de seriedade com que o governo federal vem enfrentando o problema", há exato um ano (sic). O ex-banqueiro Pérsio Arida, critica o despreparo da equipe do governo federal, partícipe e conivente da situação da calamidade que vivemos hoje (sic).  Por que o governo não se organizou para comprar vacinas como fizeram o Chile, a Turquia e África do Sul, afirma o Pérsio Arida.  E responde ele mesmo: "Porque não entendeu do que se tratava, porque foi ideológico, "negacionista" (sic).

          Muito fácil criticar e apontar "dedos" às eventuais falhas cometidas no enfrentamento da pandemia que em fevereiro de 2020, o mundo nem tinha noção da gravidade da pandemia que originou na China.  Muito fácil, também, fazer críticas ao presidente Bolsonaro, o fato de Brasil não ter adquirido vacina da Pfizzer, em agosto do ano passado, se esta vacina, ainda nem tinha aprovação do FDA dos EEUU. É uma crítica recorrente, também, na imprensa em geral.  O fato é que depois de "leão morto", todos querem ser o "caçador de leões".  É o caso do economista Pérsio Arida e seus séquitos seguidores. 

Ossami Sakamori  


segunda-feira, 22 de março de 2021

Programa de "renda básica" da Luiza Trajano


Um grupo de empresários, apoiado pela Luiza Helena Trajano, presidente do Conselho de Administração da Magazine Luiza, Jorge Gerdau Johannpeter, presidente do Conselho de Administração da Siderúrgica Gerdau, Hélio Magalhães do presidente do Conselho de Adminsitração do Banco do Brasil, Paulo Hartung, ex-governador do Espírito Santo e Fabio Barbosa, membro de Conselho das Nações Unidas, diversos ex-ministros dos governos anteriores e diversos consultores e economistas do mercado financeiro nacional, entre outros, lançam Movimento Convergência Brasil, que propõe direcionar às famílias de baixa renda, uma parcela dos recursos obtidos com as privatizações e com a reforma administrativa do setor público federal.

         O pano de fundo é tornar viável o programa da "renda básica", já defendido pelo ministro Paulo Guedes e ainda não implementado por não ter ainda consenso na própria equipe do ministro da Economia.  Maior dificuldade na implantação de um programa para atender os cerca de 45 milhões de trabalhadores informais, "invisíveis", até há pouco tempo pelo ministro Paulo Guedes.  O programa proposto pela Luiza Trajano e empresários que subscreveram o documento, já era sonho do ex-senador Eduardo Suplicy, PT/SP, de implantar um programa de "renda mínima" para população vulnerável.

          Vira e mexe, o assunto vem à tona.  O programa denominado de "renda básica", que leva o mesmo nome, mas não é mesmo do ministro Paulo Guedes, a proposta é direcionar às famílias de baixa renda, parte dos recursos obtidos com as privatizações e com a reforma administrativa. Vamos apenas lembrar que, nem as privatizações e nem a reforma administrativa, ainda não foram aprovadas pelo Congresso Nacional.  Contar com o dinheiro de privatizações e da reforma administrativa, na melhor das hipóteses, só estará disponível, na melhor das hipóteses à partir de 2022. Esquecem os autores da proposta que o direcionamento dos recursos previstos no documento, não são tão fáceis como parecem ser.  A principal barreira para viabilização do programa de "renda mínima" da Luiza Trajano é o "teto dos gastos públicos" regulamentado pela Emenda 95 de 2016.

           O projeto de "renda mínima" que o próprio governo do presidente Bolsonaro encontra dificuldade na sua implantação, encontra barreira na Emenda Constitucional 95 e agora, repentinamente, capitaneado pela Luiza Trajano, traz à ona o assunto. Isto, mais parece um ensaio para tentar emplacar uma vaga de "vice-presidente da República", nas eleições de 2022, inspirada que está, a dona da Magazine Luiza, com a ascensão da senadora Kamala Harris nos Estados Unidos ao segundo mais importante cargo.

           Ao que parece, o documento tem aprovação do ministro da Economia, Paulo Guedes e é estimulado pelo mesmo.  No meu entender, é mais uma invenção do "posto Ipiranga".  Segundo,  a grande imprensa, o documento vai ser entregue ao Congresso Nacional, ainda hoje. 

Ossami Sakamori  

sábado, 20 de março de 2021

Volks põe o Brasil em xeque!

 


A grande imprensa deu destaque no dia de ontem, sexta-feira, 18 de março, a suspensão das quatro fábricas da Volkswagen, à partir da próxima quarta-feira, dia 24, até o dia 5 de abril, localizados em São Bernardo do Campo, Taubaté, São Paulo e São José dos Pinhais.  O grupo Volkswagen emprega 15 mil funcionários e segundo a empresa, os funcionários administrativos vai trabalhar de forma remota.  O motivo alegado foi a contaminação do Covid-19 de seus funcionários, não informando o número de contaminados.  

          As outras montadoras, Mercedes-Benz, Toyota, Hyundai e Renault informaram que estão atentos ao avanço da Covid-19, mas até ontem, dia 18, não tomaram nenhuma decisão.  O Sindicato dos Metalúrgicos de São Caetano do Sul, informou que encaminhou à direção da General Motors, concessão de licença remunerada no mesmo período, 24 de março a 4 de abril. 
          A notícia veio como alerta à autoridade brasileira, sobretudo da área econômica, sobre a gravidade da situação, que à primeira vista, é decorrência da crise sanitária.  Porém, o "buraco" pode estar muito abaixo.   O fato é que, as plantas industriais brasileiras, são "sucatas" nos países de origem de cada montadora.  Para se ter ideia, as montadoras em todo o mundo se preparam para carros movidos a motores elétricos, que serão implementados, nos próximos 4 anos, pelo menos na União Europeia. 
          A preocupação maior que enxergo, se persistir o atual quadro das montadoras, é o reflexo na cadeia produtiva, sobretudo de empresas de capital nacional, grande parte 100% dependente das montadoras.   Eu já manifestei neste blog que a saída da montadora Ford do Brasil era apenas a "ponta do iceberg" de uma crise estrutural do setor industrial como um todo, sobretudo pela alta carga tributária e complexidade da legislação tributária e trabalhista no País. 
          A pandemia Covid-19 está vindo com carga viral toda, com consequências imprevisíveis na área da saúde pública. No entanto, a pandemia está colocando o Brasil despido de "maquiagens retóricas" de políticos de plantão, de um país que tem tudo para dar certo. 

Ossami Sakamori


quinta-feira, 18 de março de 2021

Aprovo aumento da taxa Selic para 2,75%

O Banco Central, contrariando a minha expectativa, promoveu o aumento da taxa básica de juros da economia, a Selic, de 2% ao ano para 2,75%, com aumento de 0,75% em relação à taxa em vigor, após trajetória descendente de quase 6 anos.  E ainda, sinalizou o mercado de que poderá vir um novo aumento, no mesmo percentual, na próxima reunião que acontecerá nos próximos 45 dias.  O aumento era esperado pelo mercado financeiro em 0,5%.  De qualquer maneira, a sinalização dada com a alta de juros é importante para balizar a economia como um todo.  

        Recentemente, o Congresso Nacional aprovou a lei que dá autonomia ao Banco Central do Brasil.  Fica claro, com a medida adotada, a de aumento da taxa básica de juros acima do esperado pelo mercado financeiro, o "descolamento" da política monetária ao da  política econômica.  A área do Ministério da Economia, qualificou a decisão como "arriscada", com suposta ação para conter a desvalorização do real.  Paulo Guedes fez bico, no caso.  Ponto para Campos Neto!

          O aumento da taxa básica de juros, Selic, com a perspectiva de um novo aumento na próxima reunião, que passará, se confirmar a previsão do BC, a taxa básica de juros a 3,5% ao ano.  Como interessado em assuntos da macroeconomia, entendo bem a preocupação do Banco Central.  Ao contrário do que maioria dos comentaristas da economia, o objetivo do Banco Central, com o aumento da taxa Selic nos níveis não esperados, não visa apenas conter a valorização do dólar ou desvalorização do real.  O objetivo, no meu entendimento, o aumento da taxa Selic, nos níveis propostos pelo Banco Central visa simplesmente conter a inflação, que ressurge como novo perigo para o crescimento da economia.  Banco Central, na minha opinião, mirou a "inflação".  Banco Central vê como perigo maior a volta da "inflação" que pode inviabilizar qualquer  projeto de crescimento econômico.  A história nos mostra isto.

          A política monetária ao lado da política econômica são peças importantes para conduzir o País ao desenvolvimento sustentável no tempo.  Não há política econômica que se sustente no ambiente de inflação alta.  Estabilizar o valor da moeda, no nosso caso, o real, é fundamental para fazer planejamento de qualquer projeto econômico, de crescimento econômico sustentável ao longo do tempo.  O mercado financeiro, pode até "torcer o nariz", mas fazer o que?  O importante é preservar o poder de compra da nossa moeda, o real.  Aprovo inteiramente a decisão do Banco Central do aumento de taxa Selic para 2,75%. 

Ossami Sakamori

  



segunda-feira, 15 de março de 2021

COMPOM reúne para definir a taxa Selic

 


Na próxima quarta-feira, dia 17, o Comitê de Política Monetária do Banco Central deve definir e divulgar a nova taxa de juros básicos, Selic, que vigorará nos próximos 45 dias.  Em tese, o Copom, como é conhecido, estabelece a taxa de juros básicos que o Tesouro Nacional paga para os títulos que vencem no curto prazo.  É assim que funciona em todo o mundo.  É função do Banco Central, através da taxa de juros, regular a liquidez do mercado financeiro a curto prazo, sobretudo.  Porém, há outros mecanismos que garantem a liquidez do sistema bancário, como os depósitos compulsórios do sistema financeiro nacional.   

           Um dos índices de preços mais tradicionais do país, o IPC da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), que calcula a inflação na cidade de São Paulo para famílias com renda entre um e dez salários mínimos, sinalizou para uma alta de 16,75% nos alimentos, número próximo ao calculado no IPCA nacional, do IBGE. Isto tem influência no estabelecimento da taxa Selic.  Ainda, segundo IBGE, itens tradicionais na mesa dos trabalhadores, como arroz com feijão, com aumento supera os 51%.  Hortaliças e verduras tiveram aumento de 23,30% e carnes com aumento de 29,51%, ainda, segundo o IBGE.

          Segundo o coordenador do IPC-Fipe, "há uma forte influência do câmbio neste cenário.  O efeito da desvalorização do real foi na veia".  A cotação do dólar em 2020, sofreu grande variação, muito acima da inflação, IPCA.  Em 2020, a cotação da moeda americana deu um salto de quase 30%, passando de R$ 4,0213 para R$ 5,1967 entre o início e o fim do ano, com um pico de R$ 5,7803 em outubro, segundo dados do Banco Central.

          Há consenso no mercado financeiro de que deverá haver um ajuste na taxa básica de juros Selic em torno de 0,5% para cima.  No entanto, na  minha opinião, se o BC primar pela prudência como tem sido na administração do Campos Neto, a taxa Selic não deverá passar de 2,25% para esta rodada.   Seja como for, é consenso de que a taxa básica de juros Selic está muito baixo num cenário que os preços dos produtos que compõe a cesta básica está explodindo.

Ossami Sakamori

quinta-feira, 11 de março de 2021

Em 2021, Brasil terá crescimento pífio!

 


Ontem, quarta-feira, presidente Bolsonaro sancionou leis aprovadas pelo Congresso Nacional, Senado e Câmara dos Deputados, flexibilizando a compra dos insumos e vacinas para enfrentamento da Covid-19.  As medidas visam flexibilizar a compra de vacinas pelos estados e municípios, além de autorizar importação delas por entidade privadas.  Além de autorizar outros agentes, além da União, a nova lei disciplina a autorização das novas vacinas pela Anvisa em 7 dias úteis ou 9 dias corridos.  A medida faz parte da contraofensiva do presidente Bolsonaro diante da nova configuração política nas eleições de 2022, com a liberação de uma eventual candidatura do Lula pelo STF, pela anulação das condenações pela Justiça Federal de Curitiba.
          O principal motivo, no entanto, é o recrudescimento da pandemia em todo o território nacional, com crescente número de mortes, sempre, batendo recordes anteriores.  A nova previsão é de que o "novo pico" da pandemia venha ocorrer somente no mês de junho próximo.   No momento, o Brasil lidera índice negativo deixando de longe os Estados Unidos, que indicam declínio no número de mortes, sobretudo após a vacinação em massa implementado pelo presidente Joe Biden.  O fato é que a vacinação em massa da população brasileira, tornou-se única alternativa para o País sair da situação de depressão  econômica que deu início em 2015.
          Apesar de OCDE ter previsto crescimento global ao redor de 5%, com o novo quadro apresentado, ela não conta para o Brasil, que conseguir fechar o PIB no terreno positivo será um grande feito.  A tão propalada fala do ministro da Economia, Paulo Guedes, da recuperação econômica em formato "V", está longe de acontecer.  É provável que a volta do crescimento econômico se dê em formato "U", tal qual prevemos em matérias anteriores.  
          Por outro lado, a anunciada medida, implementação de auxílio emergencial de R$ 44 bilhões, apesar de atender necessidade social do momento, é uma medida que pouco reflexo econômico traz para o crescimento econômico do País.  Falta ao País medidas econômicas mais robustas tal qual implementadas nos países do primeiro mundo, como os Estados Unidos e o Reino Unido, além de medidas sanitárias restritivas para enfrentamento da pandemia Covid-19.
          Infelizmente, o Brasil escolheu uma outra vereda, a de crescimento pífio, segundo Emenda 95, equivalente ao do ano de 2016, o segundo ano da pior depressão econômica desde 1929.  Os administradores públicos e o mercado financeiro, infelizmente, consideram a Emenda 95, a do teto dos gastos públicos como pilar para a estabilidade econômica.  Vamos lembrar que Emenda 95 é camisa de força para atrelar o crescimento econômico do País aos níveis de 2016, corrigido apenas pela inflação do período que antecede ao Orçamento Fiscal de cada ano.  
         Em macroeconomia, não tem milagres a produzir.  A economia do País, onde os gastos públicos representam cerca de 1/3 do PIB, segue à esteira dos gastos em investimentos públicos.  Governo federal não fazendo investimentos, o restante da economia acompanha cegamente à direção sinalizada pelo carro chefe da economia, a de crescimento pífio.  Para o crescimento econômico do País, contar apenas com o crescimento do setor agropecuário é dar um peso além da sua  capacidade de participação na economia, cerca de 20%.  
          Se o Brasil fechar o PIB de 2021, empatando, isto é crescimento "zero", já estará de bom tamanho.  As outras conversas, as de crescimento em "V", sobretudo do ministro da Economia, é coisa para "boi dormir".  Importante, para nós, os empreendedores do setor produtivo, é levar em conta a "realidade" e não a "fantasia" do ministro da Economia.
         Resumindo, a economia do Brasil, em 2021, na melhor das hipóteses, terá crescimento pífio.  

Ossami Sakamori

domingo, 7 de março de 2021

Sray nasal será a saída para a Covid-19?

 

Ontem, sábado, dia 6, divulgado pela grande imprensa, presidente Bolsonaro mandou uma missão oficial, composto pelo ministro de Relações Exteriores e secretário de pesquisa e formação científica do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovações, além de deputados mais próximos para Israel, para firmar um acordo de cooperação científica entre aquele país e o Brasil.  A comitiva, segundo informações do próprio Palácio, será recebido pelo primeiro ministro daquele país, Benjamim Netanyahu, neste domingo.  Após a reunião, deverá ser divulgado comunicado conjunto sobre o conteúdo da reunião.

          A missão está carregado de expectativa do presidente Jair Bolsonaro, após seguidas e desastradas declarações sobre pandemia da Covid-19, referindo-se às iniciativas dos governadores e prefeitos sobre medidas restritivas, devido ao crescente número de vítimas fatais e de falta de leitos hospitalares nas unidades de saúde, em todo o País.  A grande imprensa classifica o presidente da República como "negacionista", um termo um tanto pejorativo para um presidente da República.  Segundo o dicionário, o "negacionismo" é a escolha de negar a realidade como forma de escapar da uma verdade desconfortável (sic).

          Voltando ao assunto central que é sobre o objeto da viagem da comitiva designada pelo presidente Bolsonaro, a viagem é mais do que um intercâmbio, mas, visa firmar protocolos e acordos bilaterais na área de ciência e tecnologia, sobre "spray nasal" para tratamento de doentes graves acometido pelo vírus Covid-19.  Israel já testou a vacina em humanos, na segunda fase, para 30 pacientes graves e teve comprovação da eficácia com 29 resultados positivos dentre 30 pacientes.

        O protocolo científico visa engajar o Brasil na terceira fase de testes, que visa aplicar o experimento em número maior de pacientes para comprovação ou não da eficácia mostrada na segunda fase de testes.  Segundo a nova norma de licenciamento da Anvisa, órgão regulador de medicamentos no Brasil, já nesta fase, cabe "licenciamento provisório".  Se o licenciamento será solicitado pelo laboratório que desenvolveu o produto ou não, não está esclarecido.   

         Paralelamente, ao medicamento israelita, há um soro em fase de testes, desenvolvido pelo Instituto Butantan, para ser aplicado em pacientes com Covid-19.  Novamente, veremos a corrida entre os laboratórios para aprovação de medicamento para cura da pandemia.  No pano de fundo, o enfrentamento político entre o governador de São Paulo e o presidente da República, visam eleição presidencial de 2022.

          O importante de tudo isso, excluindo os interesses políticos de todas partes, é que o acirramento da corrida presidencial, enfim, poderá servir para atender ao interesse da população.  Torço para que ambas soluções, a do presidente Bolsonaro, tanto quanto a do governador Dória, venham ser coroados de êxito.  O que interessa à população que tenha menor número de mortes que avoluma cada dia mais a triste estatística, sobejamente, divulgada pela grande imprensa. 

    Spray nasal israelita parece ser a janela de saída para pior pandemia do século.  

Ossami Sakamori

             







sábado, 6 de março de 2021

Ministros da economia medíocres é a sina do País


As pessoas que tem a mínima noção de macroeconomia sabem que, apenas o programa "auxílio emergencial" a ser aprovado pelo Congresso Nacional nos próximos dias, está longe de colocar o Brasil na rota do crescimento sustentável ao longo do tempo.  O programa que prevê R$ 250 para cerca de 44 milhões de pessoas que estão à margem do trabalho formal, representa injeção de R$ 44 bilhões para o consumo.  Vale como programa social, mas não vale como propalado estímulo ao crescimento econômico.  O valor é como uma gota d'água no oceano de necessidades.  O pior de tudo isso, é que o ministro da Economia, Paulo Guedes, defende a ideia de que o "auxílio emergencial" é a porta de saída da crise econômica, que vem desde a "quebra" do País em 2015.  Mais uma falácia do ministro da Economia, para enganar o presidente da República, este último, neófito e pouco interessado  em macroeconomia.  
          Vamos lembrar que, em 2020, para tirar o País da pandemia Covid-19, o governo da União, injetou R$ 600 bilhões na economia, extra Orçamento Fiscal de 2020.  Mesmo com a injeção da vultosa soma, conseguido através de endividamento do Tesouro Nacional, a economia do Brasil teve retração de 4,1% em 2020, tirando o País da 8ª economia do mundo, ultrapassado que foi pelo Canadá e Coreia do Sul.
           Esquecem os formuladores da política econômica do País de que o Brasil vem de um brutal recessão econômica que deu início em 2015.  Nesse período, o Brasil encolheu, em termos reais, mais de 27% em comparação com o tamanho do PIB de 2014.  O Brasil tem um desafio a vencer, isto é, eliminar o "gap" ou o "fosso" que nos separa dos países desenvolvidos, antes de comemorar o pífio "gasto público" destinado aos menos favorecidos.  A crítica não é propriamente sobre o programa "auxílio emergencial" para população desassistida.  O que reclamo é a "ausência" de programas de estímulo à economia tal qual está sendo implementados nos países do primeiro mundo.  O que é bom, se copia.  Ou seremos, definitivamente, um país do terceiro mundo. 
         Para o Brasil, como nação, independente dos governos de plantões, necessita urgentemente acompanhar as medidas macroeconômicas que está sendo implementados pelos países mais ricos do mundo, sob pena de ficar ainda mais distante deles.  Só para se ter ideia, os Estados Unidos discutem estímulo de US$ 1,9 trilhões ou grosso modo, R$ 10,6 trilhões, equivalente a cerca de 10% do PIB deles, para uma população de 330 milhões habitantes.  Na outra ponta geográfica, o Reino Unido vai injetar $ 65 bilhões de libras, equivalente a cerca de R$ 500 bilhões para uma população de 68 milhões de habitantes.
      Quando vejo o nosso ministro da Economia, comemorando injeção de R$ 44 bilhões na economia como o início da retomada vertiginosa, "V", de crescimento, me deixa muito triste, por ter de assistir, novamente, o Brasil perdendo posições na economia mundial.  Contar somente com o crescimento  do agronegócio em termos nominais e em termos reais, é como voltar ao século passado em que o País vivia de exportação de café para dinamizar a nossa economia, é um retrocesso sem volta.   Até parece ser a "sina" do Brasil ter governantes medíocres.  
         Infelizmente, a população brasileira, assiste há muitas décadas, a falta de ministros da Economia à altura da Nação, tendo a vocação nata de ser uma potência mundial.  Assistimos, isto sim, a disputa pela mediocridade.  

Ossami Sakamori

segunda-feira, 1 de março de 2021

Brasil não sairá fácil do atoleiro que se meteu

 


Para não haver dúvidas, afirmo que torço para que o governo Jair Bolsonaro, dê certo.  Dando certo, o Brasil vai sair da depressão econômica iniciada em 2015, com o governo desastrada da presidente Dilma.  O País regrediu nesse período, cerca de 27% em termos reais do PIB, com relação aos países mais desenvolvidos do mundo.  Para piorar a situação, veio a pandemia Covid-19 e parece estar um pouco distante a saída da recessão econômica mundial, decorrente da pandemia.   A crise mundial está a configurar muito pior do que aquela decorrente da crise financeira hipotecária nos Estados Unidos, em 2008.  O Brasil está dentro deste contexto mundial e particularmente a pandemia pegou o País no ano que parecia ser a saída da depressão econômica. 
     Infelizmente, a crise econômica mundial pegou o País de calças curtas.  O ano de 2020 era para ser o ano de reformas estruturantes que o Brasil tanto precisa, sobretudo a tributária.  A complexidade das leis que regulam os tributos no Brasil afugenta quaisquer investidores produtivos, tanto nacionais como internacionais.  É um cipoal de legislação que consomem uma grande parte da estrutura administrativa da empresa e deixa os empresários reféns dos advogados tributaristas e obrigam as suas empresas a fazerem provisionamento para eventuais despesas, para quando perderem as demandas nas instâncias judiciais.
     O governo federal, em 2020, se saiu relativamente bem, apesar da pandemia Covid-19.  Isto é explicado porque o governo da União endividou-se para pagar as suas despesas.  Em 2020, o governo federal, gastou cerca de R$ 600 bilhões, extra Orçamento Fiscal ordinário.  O governo emitiu títulos da dívida para pagar suas contas.  Em consequência, a dívida pública federal líquida está na ordem de R$ 5 trilhões.  O País não consegue pagar as despesas correntes, muito menos os juros da dívida do Tesouro Nacional. Faz muito tempo que o País só "rola" as dívidas, inclusive os juros.   Os investidores estrangeiros já estão preocupados com o tamanho da dívida da União.  Isto será um dos entraves para o crescimento do País, que precisa de capital nacional e internacional.
     O presidente da República, com pouco conhecimento da macroeconomia, não entende como o País entrou num buraco desse tamanho.  Encarrega o ministro Paulo Guedes, o posto Ipiranga, para tentar implementar um programa de saída da crise econômica, mas a tentativa é inútil e infrutífera.   Paulo Guedes, defensor da economia liberal, titubeia para implementar intervenção na economia, medida necessária, para tirar o País do atoleiro que se meteu. 
    Enquanto o ministro da Economia, resolve a sua vã convicção, de "ser ou não ser", a da economista liberal, o País não voltará crescer vertiginosamente, como quer o próprio Paulo Guedes, para ultrapassar o "gap" ou o "fosso" que nos separa dos países mais desenvolvidos do mundo.  
     Enquanto o ministro da Economia não resolve o seu problema existencial, o Brasil não sairá do atoleiro que se meteu, pelo menos no curto prazo.  Será necessário e urgente que o Paulo Guedes sente no divã do psicanalista para resolver de vez o seu problema existencial antes que o Brasil entre no buraco sem fundo.

Ossami Sakamori   
       


sábado, 27 de fevereiro de 2021

Brasil, "ser ou não ser", eis a questão!

 

Há 76 anos, nasci em Bastos, estado de São Paulo.  Meu pai, imigrante, foi colono de café.  Logo, percebeu que o Brasil era o país para ele fincar o pé.  Comprou um sítio no interior do Paraná.  Vim estudar em Curitiba, em 1961 e por aqui fiquei.  Fiz curso de engenharia civil na Escola de Engenharia da UFPR.  Fui convidado para ser professor naquela instituição de ensino superior.  Aventurei-me, o termo exato, na área de construção civil, em obras públicas e empreendimentos imobiliários.  Quase aposentado e estou a me aventurar em manter um blog, mesmo com dificuldade em língua portuguesa.  Inaugurei este blog há 9 anos, em 2012, para fazer oposição ao governo da Dilma.  Por que esse preâmbulo?  Para não ser confundido com opositor ao atual governo, que tem contorno de direita, um tanto radical para meu gosto.

   O governo do presidente Jair Bolsonaro vem cometendo alguns equívocos na política econômica, conduzida que está pelo ministro Paulo Guedes, da Economia.  Eu poderia ficar no meu canto, com 76 anos, sem me incomodar, mas estudioso que sou em macroeconomia, preciso fazer reparos, para que possamos retomar o crescimento econômico compatível com o país "em desenvolvimento".  O Brasil está a merecer crescimento vertiginoso, tipo 6% ao ano, para recuperar a perda real do PIB que ascende a 25%, comparado com o início da depressão econômica iniciada em 2015.  O País precisa sair do discurso fácil da economia liberal para enfrentar de frente a economia sob intervenção para recuperar a capacidade de desenvolvimento, vocação natural do Brasil.  

Quando assisto pela TV, as medidas anunciadas pelos presidentes da Câmara e do Senado Federal, com apoio do ministro da Economia, Paulo Guedes, fico muito triste em ver a pobreza do conteúdo.  As medidas anunciadas, como a repetição do "auxílio emergencial" do ano passado como sustentáculo para desenvolvimento do País neste ano, 2021, após a queda do PIB de 4% no ano anterior, 2020, no meu ponto de vista, são muito tímidas considerada atual situação.  

O Brasil tem cerca de 34 milhões de trabalhadores "desocupados", considerando todas situações previstas pelo IBGE.  O número de desempregados considerado pela estatística oficial, 14 milhões, utilizado pelo governo, está longe de retratar a realidade do mercado de trabalho.  O ministro da Economia, Paulo Guedes, equivocadamente, tem classificado os 20 milhões de trabalhadores desocupados "pessoas invisíveis".  É necessário que, para formulação da política econômica, leve em conta o total de trabalhadores desocupados, os 34 milhões, sob pena de invalidar qualquer tentativa de inclusão social e recuperação da economia do País.

Como dito acima, não será os gastos em "auxílio emergencial", com gastos previstos em R$ 40 bilhões, considerado 4 parcelas de R$ 250, que tirará o País do buraco.  Considerando que em 2020 foi gasto R$ 600 bilhões para estimular a economia, fora do Orçamento Fiscal de 2020, o valor "festejado" pelos congressistas e pelo presidente da República, p de "auxílio emergencial" é como uma gota d´água no oceano de problemas, acumulados que estão desde 2015, o início da depressão econômica.

  Solução para crescimento econômico aos níveis de 6% ao ano nos próximos anos, podemos afirmar que tem.  Não só tem, mas seria impensável que a equipe econômica comandada pelo Paulo Guedes não utilizem os instrumentos capazes de tirar o País do buraco que se meteu.  O próprio órgão do governo, o IPEA, tem demonstrado que os gastos em investimentos traduz criação de emprego e renda.  Uma das barreiras é a própria Emenda 95 de 2016, que impõe "camisa de força" que atravanca o desenvolvimento do País.  Se pode modificar os artigos da Constituição como das suas próprias imunidades, porque não, a flexibilização da Emenda 95?  Apenas para lembrar, a Emenda 95 foi foi sancionada para atender aos anseios do capital especulativo internacional, uma invenção do banqueiro Henrique Meirelles.

   Paulo Guedes, ministro da Economia, fica na posição da dúvida, o de "ser ou não ser", diante do sua anunciada opção pela economia liberal.  Eu penso que um ministro de Economia de país, em profunda depressão econômica, terá que ousar e sair do mesmice cartesiana.  O Brasil, na situação que se encontra, precisa de "ousadia" e "determinação" para sair do buraco que se meteu.

Ossami Sakamori

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2021

Sou contra privatização da Eletrobras!

 

É muito desconfortável defender a "não privatização" da Eletrobras - Centrais Elétricas Brasileiras S.A. uma vez que vou contra a vontade do ministro Paulo Guedes da Economia e da política econômica do governo Jair Bolsonaro.  No final das contas, no futuro breve, pós privatização, certamente desembocará nos reajustes das tarifas de energia elétrica.  É impensável que no futuro breve, pós privatização, os novos controladores reivindiquem reajustes de tarifas, tanto quanto o ágio que pagará na privatização da Estatal.  Isto é um movimento normal num regime capitalista.  E o mercado financeiro vai valorizar ou não as ações da Companhia conforme os limites do controle das tarifas. 

   A Eletrobras é controladora de principais usinas geradoras de energia do País.  As hidroelétricas de Itaipú, de Furnas, do Belo Monte, de São Francisco, Tucuruí e participações nas usinas de São Luiz do  Tapajós (Pará) e Santo Antônio (Rondônia), sem dizer de outras geradoras de menor porte.  

   A Eletrobras é controlador da Amazonas GT, Eletrosul, Chesf, Eletronorte, Eletronuclear, Furnas, Cepel, Eletropar, Eletronuclear e da Itaipú Binacional (50%).  Dentre todas subsidiárias é a Itaipú Binacional que, hoje tem uma dívida de R$ 16,2 bilhões, que termina já em 2023.  Somente a Usina Hidroelétrica de Itaipú, responde por cerca de 25% de toda energia produzida no País.  Vamos lembrar que o objeto da privatização é a "Holding" Eletrobras.  

   Privatizar Eletrobras, não é mais que privatizar a Petrobras.  É possível substituir fornecimento de petróleo e derivados por outras companhias do setor de petróleo, mas a substituição de fornecimento de energia elétrica não é como simplesmente trocar de fornecedores.  A geração de energia elétrica, sobretudo as geradas pelas usinas hidroelétricas, demandou décadas de planejamento e investimentos de grande porte.

   Não adianta argumentar que o Estado ou a União poderá ter o "golden share", tal qual foi feita na Embraer, uma participação simbólica no capital social, com poder de "veto" a uma determinada situação, tais como mudar a sede da Companhia para Emirados Árabes ou China, por exemplo.  O fato é que os futuros donos da Eletrobras, pós privatização, vão exigir do governo os reajustes das tarifas que deem rentabilidade generosa e necessária para satisfazer aos seus acionistas.  

Por outro lado, o dinheiro gerado pela privatização da Eletrobras vai tão somente pagar uma pequena parte da gigantesca dívida pública do Tesouro Nacional, hoje, ao redor de R$ 5 trilhões, líquidos.  E, vai expor a população brasileira a uma tarifa de energia elétrica, que atenda aos interesses dos investidores especulativos internacionais.   Tal qual, o custo do combustível é paga pela população, a tarifa de energia elétrica ficará ao gosto e sabor dos investidores nacionais ou estrangeiros, que venham arrematar o controle da Eletrobras.  Pensar diferente é como acreditar na história de que existe um papai Noel guiando o trenó cheio de presentes.  Certamente, o presente do nosso papai Noel será o aumento de tarifas de energia elétrica para o povo brasileiro, mais uma vez.  

Mais simples do que privatizar a Eletrobras, seria entregar as chaves do Palácio do Planalto para árabes ou chineses.  Penso, eu.

Ossami Sakamori



sábado, 20 de fevereiro de 2021

Brasil se encontra na sinuca de bico!


O governo brasileiro se encontra na sinuca de bico.  Desde crise econômica iniciada no governo Dilma, em 2015, a pior desde 1929, os ministros da área econômica tenta tirar o País do buraco que se meteu.  E não será através de medidas paliativas que estão sendo discutidas pelo ministro Paulo Guedes e presidentes do Senado Federal e da Câmara dos Deputados, uma delas o "auxílio emergencial" de R$ 250 reais para cerca de 30 milhões de pessoas vulneráveis por 4 meses, é que irá resolver, de vez, o problema social que vem de longe, antes mesmo da pandemia Covid-19.  
   O problema econômico do País é estrutural.  Do ponto de vista macroeconômico, desde 2015, o Brasil vem apresentando déficit primário ou o "rombo fiscal", crescente e o viu o PIB encolher cerca de 27% em termos reais no período.  O País não consegue pagar as suas despesas de pessoal e de manutenção da máquina pública, incluído entre outras as despesas com saúde pública, educação, manutenção das Forças Armadas, gastos com o Congresso Nacional e com Judiciário, incluído STF.  A meta do "rombo fiscal" previsto para o ano de 2020 era de R$ 118,4 bilhões.  No entanto, devido aos diversos programas de estímulo à economia devido a Covid-19, acabou terminando em cerca de R$ 871 bilhões.  O déficit primário ou o "rombo fiscal" é coberto com emissão de títulos do Tesouro Nacional, leia-se endividamento público.  Assim, o endividamento do Tesouro no final de 2020, fechou, grosso modo, em R$ 4,9 trilhões, líquidos ou R$ 6,4 trilhões, brutos. 
   O maior problema para administração do presidente Bolsonaro é a armadilha da Emenda 95, conhecido como Emenda do teto dos gastos públicos.  A tal emenda limita os gastos do governo federal ao valor dos gastos do governo federal em 2016, corrigido pela inflação do período, isto é, inflação de 2016 a 2020.  O pior de tudo é que o Orçamento Fiscal de 2016 já estava deprimido em função da depressão iniciada em 2015, no governo Dilma.  Os gastos públicos de 2020, foi acrescido em cerca de R$ 600 bilhões, autorizados como de "estado de emergência", justificados pela pandemia Covid-19.
   O ano de 2021, em tese, não tem o "estado de emergência" devido a Covid-19.  O Orçamento Fiscal de 2021, previsto pelo LDO, um déficit primário ou o "rombo fiscal" de R$ 247,1 bilhões.  Especula-se que a despesa adicional, não prevista no LDO de 2021, cerca de R$ 30 bilhões, seja consignada "extra" Orçamento Fiscal ordinário, tal qual aconteceu no Orçamento Fiscal de 2020.  O ganho político, tanto para presidente da República como para o Congresso Nacional é sobejamente conhecido.  Para o Orçamento da União que já prevê um gigantesco "rombo fiscal", o rombo "extra" não representa volume expressivo.  
   Para os empresários, o "auxílio emergencial" de R$ 30 bilhões não representa muita coisa.  O efeito macroeconômico do "auxílio emergencial" também é limitado.   O mercado financeiro vê como um sinal de alerta por outro motivo.  O mercado financeiro está de olho no endividamento do Tesouro Nacional, que aproxima celeremente a 100% do PIB.
   Como dito no preâmbulo desta, a equipe econômica e o presidente da República se encontram na sinuca de bico. 

Ossami Sakamori