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quarta-feira, 4 de julho de 2012

QUEM É MAIS VILÃO, GOVERNO OU BANCOS?

O ministro Guido Mantega (Fazenda) e o presidente do Banco Itaú, Roberto Setúbal, divergiram publicamente nesta quarta-feira (4) sobre os "spreads" bancários, que é a diferença entre o custo de captação dos recursos pelos bancos e a taxa cobrada do consumidor. Nesta diferença, estão os custos do setor, os impostos e também o lucro dos bancos. Fonte: Folha.


Discussão à parte, o governo é o maior captador de recurso do mercado, pagando juros médios próximos da taxa Selic.  O próprio Tesouro é tomador dos recursos dos bancos privados, competindo com os bancos comerciais privados.  Para competir com o Tesouro os bancos são obrigados a ofertar taxa maior que a da Selic do Tesouro.  


Duas considerações a fazer.  Os bancos recolhem ao BC, o depósito compulsório dos bancos, hoje num volume próximo de R$ 490 bilhões.  Maior parte destes recursos são remunerados à taxa Selic.  Então, pergunto, por que os bancos haveriam de correr o risco de inadimplência emprestando aos clientes duvidosos se tem onde deixar o dinheiro dormindo (no BC) com remuneração à taxa Selic?


A segunda consideração é sobre empréstimos a juros baixíssimos, alardeados pelo marketing dos Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal, deveriam estar suprindo a demanda.  Pergunto, por que as duas instituições financeira, BB e CEF, que utilizam os recursos capitados à juros menores institucionalmente como a do FGTS e FAT não conseguem atender a demanda de crédito?


Primeira lição a fazer, é baixar os juros Selic, em níveis que pagam os países mais desenvolvidos do planeta, isto é no patamar de inflação ou abaixo dele.  Significa que Selic deveria estar em 5,5% ou abaixo dela.  Com certeza absoluta, os bancos sairiam do comodismo de aplicar nos títulos do Tesouro e migrar para empréstimo ao consumidor.  


Presidente Dilma, vamos fazer dever de casa, antes de ficar batendo boca com os banqueiros.  O próprio governo Lula e Dilma, deram de mamar para o setor durante 9 anos e 6 meses, sem que houvesse nenhum questionamento.  Se quer mudar, vamos mudar o cenário de oferta de crédito, deixando que o Tesouro entre competindo na captação pagando taxas altas.  Solução é singela.  Basta aplicá-la.


Ossami Sakamori, 67, engenheiro civil, foi prof.da UFPR.
Twitter: @sakamori10

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