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sexta-feira, 27 de julho de 2012

COMO OS TIGRES ASIÁTICOS ENCARAM A EDUCAÇÃO

O Brasil deveria seguir o exemplo da Coreia do Sul e investir em educação para crescer, disse o profesor de economia e ciências políticas da Universidade da Califórnia em Berkeley, Barry Eichengreen, em palestra nesta segunda-feira.  Em seminário promovido pelo BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social) para discutir o Brasil e o mundo em 2022, Eichengreen afirmou que a Coreia do Sul conseguiu se desenvolver rapidamente focando principalmente na educação do seu povo e hoje exporta cada vez mais tecnologia.  "O Brasil precisa pensar na Coreia do Sul, pensar no que foi um sucesso para a Coreia do Sul, que foi o investimento em educação", afirmou.  Fonte: Folha.


Não conheço Coréia do Sul por isso não tenho condições de analisar ou opinar sobre investimento em educação naquela terra do extremo oriente.  No entanto, até pela minha origem posso dizer algo sobre o sistema educacional do Japão, também, igualmente, fontes de tecnologia do mundo moderno.


Fala-se muito em falta de investimento na educação no Brasil.  Pode ser até um dos componentes o investimento em forma de verbas.  Mas, o problema fundamental não se circunscreve no terreno de gastos em educação.  Não adianta nada, como já comentei em outro artigo, investir determinado percentual sobre educação, como 10% do PIB ou algo parecido que o probelama de educação no Brasil não se resolve.  O foco é outro.  Tem outros deveres a serem cumpridos antes ou concomitantemente. Voltemos sobre a educação no Japão.


Primeira impressão que se tem é que os japoneses pagam muito bem aos professores.  Não é verdade. Os professores de qualquer nível no Japão, faz parte da classe média.  No entanto, o povo os reverencia.  Reverencia os educadores.  Os professores, lá no Japão, recebe mesmo tratamento e respeito de um médico.  Ambos são chamados de "sen-sei".  Até o ideograma da palavra "sen-sei" significa algo como "direção da vida".  São assim considerados, pelo povo, mas sobretudo apontado pelo imperador ou por qualquer parlamentar com muito respeito. Digamos que o exemplo de respeito vem de cima.


Lá como cá, existe escolas comuns e escola de renomes. Existe exame nacional de conhecimento, tão logo termine o ensino fundamental.  Para poder fazer escolha do ensino médio em escolas renomadas, fica à critério da seleção, via notas do exame nacional.  Esses exames são, como aqui no Brasil utilizados para ingresso nas universidades, são utilizados para ingresso no ensino médio.  É um processo natural de seleção, os mais competentes sobrevivem.  O ensino fundamental no Japão é de 6 anos, menos que 8 anos no Brasil.  Os que ascendem ao ensino médio frequentam mais 3 anos, como aqui.


A diferença do ensino fundamental no Japão está em 2 pontos principais, no meu ponto de vista.  A primeira diferença é que o professor (sen-sei) é muito respeitado pelos alunos, ou são disciplinados a terem respeito com o corpo docente.  Lá também, tem todo tipo de problema de relacionamento aluno/professor.  Mas, são resolvido com muito rigor e disciplina.  Não tem moleza. 


A segunda diferença é que o ensino fundamental e médio são em período integral.  Não se vê crianças nas ruas durante o dia.  É uma coisa estranha para quem vive no Brasil.  O governo brasileiro, ao invés de combater uso das drogas (totalmente ilegal, lá, inclusive o seu uso) deveria se preocupar em dar educação fundamental em período integral.  Diferentemente, daqui, o período integral é período integral!  As atividades lúdicas e esportivas fazem parte do currículum escolar, mas estas atividades são intercalados sem distinção de períodos.  

Noção errônea, também, é que as universidades de lá, formam profissionais capacitados para entraram no mercado de trabalho.  As universidades dão uma boa base teórica sobre as novas tecnologias.  Mas, as tecnologias de pontas são absorvidos e desenvolvidos em laboratórios de última geração em empresas privadas.  São empresas privadas que buscam os melhores alunos, para dentro dos seus laboratórios e fábricas capacitarem os às tecnologias de última geração.  

Como já disse no artigo postado neste blog, no Brasil, falta base para educação de base.  Falta estrutura nas nossas universidades adaptada às inovações tecnológicas capazes de encararem os novos desafios.  Não é apenas com investimento em verbas que resolvemos o atraso tecnológico do Brasil, pois o nosso custo aluno "per capta" é maior que o dos EEUU.  Dinheiro não é.  Tem muitos deveres de casa a resolver, como aqueles apontados acima, antes de brigar tão somente pela verba em educação.  

Acorda Dilma! Acorda Mercadante! Acordem os reitores!


Ossami Sakamori, 67, engenheiro civil, foi prof. da UFPR
Twitter: @sakamori10











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