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terça-feira, 18 de setembro de 2012

COMISSÃO DA VERDADE. MAS, QUE VERDADE?


A Comissão da Verdade encerrou ontem uma de suas principais polêmicas ao oficializar que suas investigações alcançarão somente as violações aos direitos humanos praticadas por agentes do Estado, ou a serviço deles. Fonte: Folha.

A decisão foi formalizada em resolução interna publicada no "Diário Oficial", segundo a qual o grupo elucidará abusos (como assassinatos, torturas e desaparecimentos) praticados "por agentes públicos, pessoas a seu serviço, com apoio ou no interesse do Estado".Fonte: Folha.

A Comissão vai apurar a "meia" verdade, na minha opinião.  Dou razão para familiares das vítimas das torturas e outras barbaridades cometidas pelos militares, em nome de manter a ordem social.  Cometeram, sim, abusos e arbitrariedades.  Botaram o País sob censura.  Foi um período de excessão, onde a Magna Carta foi rasgada com o Ato Institucional n° 5.  Tudo isto, vivi e convivi.  Merece sim, colocar à luz da sociedade os excessos cometidos.  Sou a favor, sim, da Comissão da Verdade.

No entanto, vivi os momentos da revolução iniciada em 1964.  Eu entrei na Universidade Federal do Paraná, no curso de engenharia, justamente em 1964. Participei da diretoria do Diretório Acadêmico de Engenharia da UFPR.  Lembro-me que eu fazia parte dos estudantes, que eram contra o "sistema", mas que não podíamos dar-se ao luxo de partir para a luta armada, na clandestinidade.  Éramos estudantes pobres.  Nós tínhamos que nos sustentar e pagar os próprios estudos, porque situação familiar não permitia.  Éramos tão combatentes como os da clandestinidade.  Nossas armas eram os "verbos".  Eram os boletins informativos ou simplesmente folhetins, como Pasquim caseiro.  Muitos de nós, fomos fichados no DOPS.  

Outra turma de estudantes, maioria de classe médias ou ricas, que eram sustentados pelos pais, também igualmente contra a ditadura.  No entanto, caíram na clandestinidade, por opção.  Eram coisa mais engraçada do mundo, aqueles estudantes de pais ricos, defendendo comunismo e ou idéias socialistas.  Para alguns, dávamos o nome de "esquerda festiva", porque só fazia barulho, como depredar patrimônio público.  Outros foram para a luta armada.  Explodiam bancos, sequestravam pessoas, saqueavam alguns elites, para financiar o grupo armado.  Não se tem notícia se daqueles ações armadas houveram vítimas.  Eram excessos de partes a partes.  Fazem parte da história.

Pois bem, hoje, essa turma da luta armada, estão no poder.  Ao impor investigaçõessobre somente os atos praticados pelos agentes do Estado, me parece, "revanchismo".  Com certeza, não é "conciliação".  Que punam os que tem que ser punidos, mas de ambas as partes, quer seja agente público ou não.  Ambos lados cometeram excessos, isto está contado nos anais do jornal como Estadão, que sempre esteve frontalmente contra a ditadura militar. 

Estou a arriscar levar alcunha de direita, mas fazer o que?  A verdade é uma só, desde que contado de todos os lados.  Não podemos sair de ditadura militar e entrar na ditadura de militantes.  Ambos são condenáveis! Mas, estou pronto para levar o chumbo de todos os lados!

Ossami Sakamori, 68, engenheiro civil, filiado ao PDT, foi professor da UFPR.  E-mail: sakamori10@gmail.com

2 comentários:

  1. "Explodiam bancos, sequestravam pessoas, saqueavam alguns elites, para financiar o grupo armado." Professor, foi somente isto que fizeram? "Não se tem notícia se daquelas ações armadas não houve vítimas." Tem certeza? Não se tem notícias? "Que punam os que têm que ser punidos". E a anistia? Vamos rasga-la? Correto. Vamos rasgar as leis e neste particular esta esquerda aparelhada sabe muito bem como o fazes. Quisera os militares da revolução ter desenvolvido este aparelhamento. Lamento, que sejas partidário. Isto não te possibilita vislumbrar o mal maior. Povo, tem sobretudo, deveres e então..., direitos. Você não conseguirá entender o que é Pátria e ser servil. Perdemos o sentimento de nação, perdemos nosso hino, perdemos nosso selo, perdemos nossa bandeira, perdemos nossa história, perdemos as instituições, perdemos as escolas, perdemos nossas forças armadas, perdemos o respeito, perdemos um povo com gana e bravura e ganhamos uma manada cega e burra. Brasil acima de tudo.

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  2. Se a lei da anistia for revogada, a própria presidente Dilma terá de renunciar ao cargo pois desanistiada, será considerada inapta para ser candidata a cargo politico pois é fichada como guerrilheira. (obs: Sou leigo nesse assunto.)

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