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quinta-feira, 11 de outubro de 2012

DILMA, NÃO SEJA NEGLIGENTE COM POÇOS DA PETROBRAS!


Responsável pela prevenção de tragédias ambientais como o vazamento de óleo na plataforma da Chevron no Campo de Frade (RJ), a Agência Nacional do Petróleo (ANP) investiga menos de 4% dos acidentes relevantes em alto-mar. Auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) mostra que a agência só determinou inspeção nas estruturas de perfuração e produção em 23 dos 671 casos de que foi informada entre 2009 e 2011, descumprindo seus próprios normativos. Fonte: Estadão.

Desses acidentes negligenciados, 355 são derramamentos de óleo e 276, ocorrências em que funcionários morreram ou se feriram, além de 14 explosões, 16 choques e 10 casos de perda de estabilidade nas plataformas. Nessas situações, a fiscalização é obrigatória, como prevê instrução normativa emitida pela própria ANP em 2009. Fonte: Estadão.

"Há plataformas que operam mais de seis meses após a aceitação da documentação, sem que tenham passado por auditorias. Parte delas nunca foi fiscalizada", sustenta o TCU. Segundo o relatório, 37% das estruturas de perfuração nunca haviam sido inspecionadas pelo setor de segurança operacional; nas de produção, o porcentual era de 19%.  Fonte: Estadão.

Eu já manifestei repetidas vezes aqui no blog, sobre a negligência da fiscalização da ANP, aos poços de exploração do petróleo na plataforma continental brasileira.  Agora, vem o TCU, confirmar os fatos que me deixaram mais do que preocupado, com a eventual e provável novos acidentes do tipo ocorrido no Campo de Frade.  Segundo o relatório do TCU, 81% das estruturas de perfuração nunca haviam sido inspecionadas pelo setor de segurança operacional da ANP.  Isto são fatos que me deixam com cabelo em pé.

Preocupa-me sobremaneira as estruturas de exploração do petróleo da camada do pré-sal, a 7.000 metros de profundidade, com tecnologia ainda "em desenvolvimento" no aspecto segurança.  Imagine acontecer acidente do tipo BP do Golfo do México a 7.000 metros da superfície do mar, teria no mínimo consequências catastróficas ao meio ambiente.  Temo que aconteça acidentes semelhantes incontroláveis, onde o vazamento possam perdurar por alguns meses e provocar danos ambientais irreparáveis.  

O que temo é que a presidente Dilma e a presidente da Petrobras Graça Foster, ao tentarem encaixar a exploração do petróleo do pré-sal à agenda política de reeleição, possam negligenciar ainda mais do que as notícias demonstram e exporem a população brasileira à própria sorte do risco ambiental desnecessário.  A auto-suficiência de petróleo não é condição fundamental para o desenvolvimento do país.  Se a tese valesse, que seriam dos países como EEUU, Alemanha e Japão que são dependentes de petróleos importados?  O gargalo parece não ser propriamente auto-suficiência em produção, mas sim, auto-suficiência em refino.  Neste último quesito, a Petrobras, com anuência da presidente Dilma, está a dever, provocando importação de combustíveis prontos de refinarias do exterior.  

Dilma, não seja negligente com coisa séria, para cumprir apenas a agenda política da sua reeleição, por favor!

Ossami Sakamori, 68, engenheiro civil, foi professor da UFPR, filiado ao PDT.  Twitter: @sakamori10

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