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sábado, 10 de agosto de 2013

Petrobras da Dilma camufla o balanço!

A Petrobras teve lucro líquido de R$ 6,201 bilhões no segundo trimestre de 2013, deixando para trás um prejuízo de R$ 1,346 bilhão no mesmo período do ano passado.  Fonte: Folha.

Segundo revista Exame, a dívida externa da Petrobras somava cerca de R$ 127 bilhões, contra o faturamento de R$ 281 bilhões e exportações de R$ 548 bilhões. Fonte: Exame, 17/6/2013.

Comentário.

É uma tarefa nada fácil explicar as gambiarras feitas no balanço da Petrobras. Eu já tinha anunciada a fórmula da técnica contábil que o governo Dilma inventou, no último mês de maio, com referência à contabilização da dívida externa da Companhia.

Pela nova fórmula, simplificando a explicação, a Petrobras não precisou atualizar a sua dívida externa, no balanço de segundo trimestre encerrado em junho/ 2013.  Pela técnica contábil anterior a Petrobras seria obrigado a atualizar o valor da dívida em dólares pela cotação do Ptax do último dia do semestre.  No entanto, pela nova fórmula, a gambiarra, adotada a dívida externa não foi atualizada com a cotação do último dia útil do semestre. 

Segundo estoque da dívida levantada pela revista Exame, a Petrobras deve cerca de R$ 127 bilhões.  Se considerar o aumento de cerca de 10% na apreciação do dólar, a Petrobras sofreu no segundo trimestre cerca de R$ 12,7 bilhões de prejuízo, pela fórmula anterior que julgo correta.  A Petrobras anunciou, conforme notícia acima, lucro de R$ 6,2 bilhões no segundo trimestre, o que significa que houve perda líquida de R$ 6,5 bilhões, ao contrário do lucro contábil.  

A Petrobras apresentou lucro líquido de R$ 7,7 bilhões no primeiro trimestre de 2013, segundo balancete já divulgado anteriormente.  Somado à perda líquida do segundo trimestre, o lucro da Petrobras do primeiro semestre, a soma do primeiro e segundo trimestre, cai de R$ 13,9 bilhões para o pífio R$ 1,2 bilhão.  

O patrimônio líquido da Petrobras, no final do primeiro trimestre de 2013 era de R$ 338 bilhões.  Com a gambiarra feita, a Petrobras deve encerrar o primeiro trimestre com o patrimônio líquido de cerca de R$ 345 bilhões.  Seja como for, o lucro líquido real, considerado a desvalorização do real no período, ou seja pela técnica contábil anterior seria de R$ 1,2 bilhão contra o patrimônio líquido de R$ 345 bilhões.  O lucro líquido real do primeiro semestre seria então de 0,4% sobre o patrimônio líquido.  Isto é quase que nada para uma companhia gigante como a Petrobras.

Esta gambiarra contábil tem duas justificativas.  A primeira é apresentar ao mercado financeiro, isto é, para os acionistas minoritários um lucro "virtual" de cerca de R$ 13,9 bilhões para o primeiro semestre.  O lucro líquido, mesmo que virtual, é importante para os acionistas minoritários no curto prazo, porque receberiam os dividendos maiores, em tese.  Tipo, me engana que eu gosto.

A segunda explicação para tamanha gambiarra é que o Tesouro Nacional receberá dividendo da quantidade de ações que possui, sobre o lucro virtual de R$ 13,9 bilhões no lugar de pífio R$ 1,2 bilhão.  Isto vai refletir na classificação de risco da Companhia, porque a Petrobras pode enganar os otários, mas não engana as agências de classificação de riscos como S&P ou Mood's. 

Tem muitos outros balacobaco na Petrobras, mas vou me limitar ao noticiado para não causar mais confusão do que já tem. 

Resumindo, o lucro anunciado pela Petrobras é de mentirinha!

Ossami Sakamori


5 comentários:

  1. Sobre a irrealidade do "balanço" apresentado, notamos a total falta de utilidade da tal CVM, que faz o balizamento das cias com ações na bolsa, para coibir abusos, falta de lastro em operações e proteção aos investidores - acredito que seus técnicos contábeis (administradores e economistas), muitos deles doutores, estejam mais preocupados com a variação do preço do fumo de corda em Bagé, que afinal regula a maior parte da nossa economia!

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    1. Prezado Arthur,

      Como foi autorizado através de mudança de normas pela Receita Federal, não seria "irregular" do ponto de vista jurídico a gambiarra que foi mandado fazer pelo ministério da Fazenda, em tese.

      Uma alteração que na prática posterga os prejuízos, ou seja, do ponto de vista fiscal, a Receita Federal, antecipa a receita. Como no primeiro momento, os acionistas minoritários e a Receita Federal antecipam o recebimento dos dividendos do lucro que não existiu na prática, são práticas contábeis que, em tese, caberia melhor avaliação.

      No entanto, como você mesmo diz, o balanço não reflete a realidade dos fatos. O balanço está com prejuízo "camuflado", postergado. No médio prazo esta condição, vai levar a Companhia ao desinvestimento invés de investimentos.

      Sua análise é perfeita. No entanto, as normas da Receita Federal, vai dar instrumento à CVM respaldar a operação gambiarra. Isto se chama no jargão utilizado no "sub-mundo" como "blindagem". Você pode imaginar que uma gambiarra como esta não poderia ser autorizada sem a anuência do Palácio do Planalto.

      Quanto aos plantadores de fumo de Bagé, certamente não terão os benefícios da postergação dos seus parcos lucros. Entendendo como plantadores do fumo, os pequenos e médios empresários.

      Abraço!

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    2. o Ministro Mantega é Presidente do Conselho Administrativo da Petrobrás...rs...bem conveniente !!!

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  2. Estava só esperando sua análise pra poder confirmar o que já se pressentia no ar. Agora: de posse desses dividendos para o Tesouro Nacional vai engordar o PIB do desgoverno?

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    1. Prezada Marilda,

      Desculpe-me o atraso da resposta.

      O principal motivo foi mesmo engordar a arrecadação do governo federal. Certamente, antes do final do exercício de 2013, deverá distribuir dividendos antecipados para poder gastar mais, como já fizera no ano anterior.

      No tocante ao crescimento do PIB, por ser valor inexpressivo, os dividendos que serão distribuído ao governo, no conjunto do PIB de R$ 4,4 trilhões, não vai influir no índice.

      O objetivo mesmo é gastar ou poder gerar Superávit Primário maior, ou seja para sobrar dinheiro extra para ajudar a pagar os juros da dívida pública da União.

      Abraço!

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