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sábado, 24 de agosto de 2013

Onde vai para o dólar? Falando sério.

Vamos falar a sério, hoje.  Recebi muitas críticas a respeito de últimas matérias, que coloco uma pitada de humor a respeito de notícias sobre as últimas medidas tomadas pelo Banco Central.  Sim, eu disse textualmente que o Banco Central tinha virado o cassino.  Muitos investidores, os pequenos, consideram toda e qualquer aplicação de renda variável, no curto prazo, uma espécie de cassino.   Isto é fato!  

As aplicações em rendas variáveis são investimentos de longo prazo, para os grafistas de acordo com o que o gráfico mostra e para os fundamentalistas é a distribuição dos dividendos é que interessa.  Mercado de capitais, é a alavanca do desenvolvimento para o País e para grandes corporações, no regime capitalista.  

Há muitos derivativos no mercado.  Derivativos, como o próprio nome diz, é uma aplicação de risco derivado dos ativos negociados em bolsas ou em alguma instituição financeira.  Tem o mercado futuro de índice Bovespa, opções de compra de ações, contrato de termo de aquisição de ações, mercado futuro de moedas, mercado futuro de commodities, mercado futuro de boi gordo.  São infinidades de produtos denominados derivativos.  

Feito este preâmbulo, vamos ao anunciado venda de swap cambial tradicional pelo Banco Central do Brasil atrelado à variação de dólar com vencimento a curto prazo.  Banco Central entende como curto prazo títulos vincendos nos próximos 12 meses.  

Segundo a nota do Banco Central emitido em 22.8.2013, o estoque de swap cambial tradicional naquele dia era de US$ 45 bilhões.  Ainda segundo a nota, o Banco Central faria intervenções diárias de swap cambial no montante global, incluindo os títulos já emitidos, de US$ 100 bilhões até o final do ano.  

Ao anunciar intervenções diárias, Banco Central admite que há movimento de alta de dólar, sobretudo pela revoada de dólares provocada pelo crescente déficit de conta corrente, sobretudo em função da defasagem do dólar perante o real.  Este movimento de saída de dólar é que o Banco Central quer conter com as emissão de títulos atrelados à cotação do dólar, para tentar acalmar o mercado.  

Segundo nota para imprensa divulgada ontem pelo Banco Central, as transações correntes acumularam déficit de US$ 77,7 bilhões nos últimos 12 meses, terminado em 31.07.2013.  O balanço de pagamentos, somente apresentou superávit de US$ 471 milhões, no mês de julho porque houve ingresso de dólares.  Ainda segundo Banco Central, houve ingresso de US$ 9,4 bilhões na conta financeira, sendo US$ 5,2 bilhões pela via de investimento estrangeiro direto (IED) e US$ 4,2 bilhões em títulos de renda fixa negociados no País.  

Dizem, no jargão do mercado financeiro, que a venda de títulos swap cambial tradicional é uma venda de dólares no futuro.  Mas isto é apenas termo do jargão do mercado, porque os títulos swap cambial tradicional não garante no seu vencimento entrega de dólares.  O swap cambial apenas garante o lucro ou prejuízo decorrente da variação cambial do período.  É um derivativo do ativo dólar.  Não é venda de dólares para entrega futuro!  

O normal seria que o Banco Central intervisse, em querendo, no mercado de dólares, vendendo ou comprando à vista.  Nós do mercado financeiro denominamos de "spot".  Swap cambial tradicional serve para conter a alta do dólar, no caso, por curto período, como aplicações cirúrgicas pontuais.  Como o Banco Central do Brasil  anunciou de ante-mão que vai vender swap cambial diariamente, pelo menos, até o final do ano, soluções emergenciais acabou virando perenes.  Eu já disse, inúmeras e repetidas vezes, que soluções emergenciais não devem se tornar perenes, sob pena dos custos altos para sair da nova situação que se criou.  Este é mais um caso típico deste fenômeno inaugurado pela presidente Dilma.

O governo Dilma tem razões para lançar mão de swap cambial ao invés de fazer intervenções no mercado à vista de dólares.   Apesar de Mantega/ Tombino/ Dilma, alardearem que o Banco Central tem Reserva Cambial robusta US$ 373,7 bilhões em 31.07.2013, o total da dívida externa do setor privado e público mostrava um saldo de US$ 280 bilhões no longo prazo.  

Outros estudos, fora do Banco Central, mostram que a dívida externa do Brasil estaria em US$ 325 bilhões.  Seja como for, os investidores internacionais, consideram Reserva Cambial líquida, apenas a diferença do que tem de depósito e do que tem de dívida.  Na minha conta o número é cerca de US$ 50 bilhões e na conta do Banco Central seria de US$ 93 bilhões.  

O Banco Central vai lançar títulos swap cambial no montante de até US$ 100 bilhões.  Para analistas financeiros internacionais, emissão de títulos cambiais até o montante de US$ 100 bilhões estaria confortável uma vez que, em tese, teria garantia (psicológica) da Reserva Cambial líquida.   

O maior problema que vejo, é que a utilização dos títulos atrelados à variação cambial se torne mais um produto do mercado financeiro, além daquele de resolver problema conjuntural.   Pode ser que a "gambiarra" inventada pelo Banco Central funcione, mas poderá ser insuficiente para segurar o dólar.  O limite confortável seria emissão até US$ 100 bilhões como dito acima.  Além disso é uma aventura.

Se as medidas emergenciais, tiverem que ultrapassar o final do ano ou mesmo acontecer antes do final do ano, o limite anunciado, o swap cambial de solução vai passar para problema.  O volume dito acima de US$ 100 bilhões, em tese, ficaria sem lastro, neste caso, em tese.  Ficaria, como mais um título de dívida do governo federal.  Pior, atrelado ao dólar.  Isto é apenas o início da "dolarização" da economia.  

O perigo maior está por vir.  Fiquemos atentos, não o que possa ocorrer na próxima segunda-feira, porque é bem provável que o Banco Central ganhe novamente na queda de braço com o mercado.   Mas outros fatores conjunturais estão em andamento como balança comercial, balança de conta corrente, ingresso de capitais estrangeiros diretos e especulativos.  Infelizmente, todos estes fatores conjunturais conspiram contra o plano do Banco Central em conter o dólar.  O quadro econômico do Brasil nada muda com ou sem swap cambial.  

Aviso: Esta matéria não é para minha especial amiga "loira", minha personal. 

Ossami Sakamori

5 comentários:

  1. O Brasil sempre teve dores de cabeça com o dólar, isso não é de hoje. A ciranda do dólar é a prova do cassino que é o Banco Central, loteado por financistas carreiristas, que ficam milionários especulando na bolsa, com consultoria de empresas, na verdade, isso se chama "tráfico de influência" e criando Bancos, que contam com a ajuda do BNDES.
    Tem razão, Sakamori, nossa economia está dolarizada. O povo percebe isso no dia a dia das compras, sobretudo, no que diz aos produtos mais exclusivos. Porém, o alimento nosso diário é tão caro quanto "superfluos" como perfumes, roupas, suplementos alimentares, PCs e etc. Nossa vida nunca foi tão cara. A culpa disso é do dólar e, acima de tudo, dos nossos políticos, que usam a economia para enriquecerem suas contas bancárias. E a gente paga a conta.

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  2. - Sobre a tão falada reserva que temos em Dólares..tô achando que não temos tudo que falam,está que nem o ouro guardado no Fort Knox...tá lá..mas ninguém pode ver! Onde vai parar o dólar eu não sei,óbvio que existe muito investimento de multinacionais aqui,e elas não querem que o Brasil caia em depressão,então os investidores vão nos judiar só um pouquinho..quem vai derrubar o PT do poder é a economia;só a economia tira estes corruptos do poder..os inocentes pagarão pelos pecadores!Agora aqui no interior tá uma corrida atrás do pinus ,a exportação de madeira vai bombar no PR,construção civil nos USA reage (alegria de uns,..)..O dificil será achar pinus ,estamos em pleno apagão florestal.

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  3. O governo do brasil esta igual a maioria de seu povo , vendando a janta pra pagar o almoco

    acredito que a unica saida e o aeroporto

    os guerrilheiros cubanos de jaleco que estao chegando rapidamente sao a prova do que este desgoverno tem em mente

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  4. Eh interessante notar que o governo agiu nao soh no dolar , se vc olhar alguns ETFs atrelados ao brasil como o EWZ subiram bastante na sexta mas sem qualquer volume , ou seja , so o BC comprando , querendo enganar o mercado pra tentar fazer pegar no tranco

    Notem que sempre fazem intervencao ou antes de feriado nos USA ou nas sextas feiras , isso eh um truquinho deles tbm pra poder divulgar o maximo na midia no brasil que o dolar caiu e o mercado virou , antes de abrir de novo e o mercado rapidamente desfazer o que o BC fez

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  5. Caro Sakamori , quem dita muito o valor do real tbm , fora as mazelas ja conhecidas , foi o carry trade , onde os investidores emprestao dinheiro em paises com juros zero e colocam no brasil pra ganhar 12 , (isso antes do governo intervir artificialmente no juros e muitos sairem).
    Estou tentando descobrir um modo de ver a movimentacao da Mrs Watanabe que tem feito enormes operacoes carry trade a 10 anos no brasil, nao quero nem ver quando todos retirarem de uma vez soh que eh o que acho que esta ocorrendo na surdina pra nao criar panico

    (talvez vc tenha algum meio com contatos no japao? de descobrir como anda este esquema ponzi gigante)

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