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quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Brasil da Dilma caminha para dolarização!

Após o dia do cão em 29/5, Banco Central do Brasil vem intervindo no mercado de dólar, não atuando no mercado spot ou à vista, mas lançando mão do derivativo cambial denominado de Swap Cambial tradicional.  Não existe dados concretos sobre o estoque da dívida em forma de Swap Cambial nem nas páginas do site do Banco Central.  Mas, coletando dados das notícias desde o dia do cão, o volume é expressivo, uma média diária acima de US$ 1 bilhão.  

Há poucos dias, o Banco Central começou fazer a rolagem dos Swaps Cambiais com vencimentos para setembro de 2013.  Já são os vencimentos daqueles primeiros títulos lançados no início da crise em junho último.  Recentemente, o Banco Central vem lançando o Swap Cambial com vencimentos mais longos, abril de 2014.  

Swap Cambial é um instrumento para conter a saída de dólar, sobretudo os investimentos em especulação.  Pode funcionar como hedge, para as empresas com dívidas em dólares ou para importadores de grandes volumes, também.  De um lado o Banco Central aposta na estabilidade do real perante o dólar e por outro lado o mercado aposta na depreciação do real perante o dólar e é assim que se dá a liquidez.

Pelas minhas contas, o Banco Central já vendeu equivalente a parte líquida da Reserva Cambial, cerca de US$ 50 bilhões, do total de US$ 375 bilhões, número de ontem, dia 20/8.  Significa que se o Banco Central tivesse vendido os dólares no mercado à vista no lugar do Swap Cambial já teria queimado a Reserva Cambial líquida.  O Banco Central lança mão de instrumentos como Swap Cambial porque não tem dólar o suficiente para queimar, contrário do que afirma ministro Guido Mantega.  Por enquanto não vi economista nenhum alertando sobre este fato importante. Estão só copiando release do Planalto.  

No meu entender, o título Swap Cambial, poderia ser usado para uma situação de crise mais aguda, mas está utilizando instrumento cotidianamente.  Eu já chamei atenção sobre medidas e programas emergenciais virarem perenes.  O governo Dilma é especialista nisto, gastam à toa instrumentos de reserva.  Pior, os tornam instrumentos cotidianos.  Daqui a pouco, Swap Cambial vai entrar como termo cotidiano do povo.  Há perigo nisto!  Explico.

O governo FHC tentou impor "paridade" entre o real e dólar e deu no que deu.  Terminou em maior crise cambial dos últimos tempos, na virada do primeiro mandato para o segundo mandato.  Era tudo em nome de reeleição. Aliás, o presidente Lula utilizou-se da âncora cambial para eleger sua sucessora a Dilma.  A presidente Dilma, agora, visando tão somente a sua reeleição em 2014, utiliza-se de um derivativo cambial para mascarar a crise cambial em marcha.  Isto vai terminar em m-e-r-d-a!

Funciona mais ou menos assim. Um dia o seu cachorro vira lata fez birra com o osso que dava todos os dias e você dá músculo para agradá-lo.  O cachorro acostumado com o músculo, faz birra, então você dá carne de primeira. Depois que ele se acostumou com a carne de primeira, experimente tirar.  Vai morrer de tanta tristeza! 

É assim que funciona o mercado financeiro global.  Para não ter que dar carne de primeira, o dólar à vista, você dá o músculo, o swap cambial.  Daqui a pouco, o mercado financeiro inteiro vai exigir o músculo.  Por que somente as instituições financeiras ou grandes empresas tem acesso ao músculo, o swap cambial?  Os pequenos investidores vão exigir também uma fatia do músculo, já que são impedidos de ter acesso à carne de primeira, o dólar à vista.  A legislação brasileira não permite depósito em moeda estrangeira. 

Em outras palavras, o real virou osso do cachorro.  Tudo mundo quer se livrar do real e comprar dólar, para proteção do poder de compra.  O real tão valorizado pelo FHC no primeiro governo do FHC e tão comemorado no segundo mandato do Lula, está tornando carne de segunda, perdão moeda de segunda.  O povo está a perder confiança no real.  Fenômeno que está ocorrendo na Argentina.  Swap cambial é sofisma, é uma enganação, para acalmar o nervo dos que entendem um pouco de economia.

O perigo é perenizar o instrumento Swap Cambial.  Chegará um momento que o mercado vai exigir os títulos cambiais ao invés de Selic com taxas altas.  Para não ter que pagar Selic cada vez mais alta, chegará o momento que o Banco Central terá que substituir os títulos normais pelos swaps cambiais.  Vocês não devem estar entendendo aonde quero chegar.  Sem sofisma, isto se chama "dolarização" da economia.  Agora, vocês se assustaram, não é?  

Dilma, presidente, não fique brincando com o fogo!  Quem não tem competência não deve brincar com coisas sérias, sem ter noção das consequências.  O momento é delicado, Dilma.  Não é hora de ficar brincando com os médicos cubanos!  Vamos cuidar do nosso País, vamos!  

PS: Só no dia de ontem, no cassino do Banco Central, o Tesouro perdeu cerca de US$ 1 bilhão. Ganharam os especuladores!  

Brasil da Dilma caminha para dolarização!

Ossami Sakamori

3 comentários:

  1. Bom dia mestre.
    Estou assustado. Normalmente o que o sr prevê, acontece.

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  2. Caro Saka,...

    Caminhamos inexoravelmente para um desastre de épicas proporções. Câmbio é um dos pilares da economia, pois a partir dele, outros importantes pilares são formatados. Não fosse isso, como cita teu artigo, é em cima da moeda estrangeira, que se fazem indesejáveis indexações. Seria nossa moderna "correção monetária", de triste lembrança e lambança.

    Outro dia escrevi um artigo, onde buscava compreender: Com quantos Mantegas&Tombinis, se faz um só Meirelles? O mercado já percebeu que a nossa economia é dirigida por incompetentes e aproveita-se disso, para fazer aquilo que o capitalismo tem como objetivo primeiro: Lucrar!

    Brasil tem grandes nomes na economia. Todos eles brigando contra os pequenos nomes que nos dirigem,.....

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  3. Como sempre o honorável Saka, foi preciso as suas colocações e mostra claramente o risco tremendo que corremos, graças a falta de competência da equipe econômica. Infelizmente a coisa é muito séria. Como digo, o pt se implode sozinho, mas no caso, ele está numa posição onde o desastre nos afetará diretamente.

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