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segunda-feira, 15 de abril de 2013

Economia BR. 40 milhões de emergentes despencam!


Na esteira do crescimento da classe emergente no mundo, segundo os estudos do professor Martin Ravallion, professor da Universidade Georgetown, no Brasil tem cerca de 22% da população brasileira no limite da renda per capita de US$ 10 mil anuais.  O número corresponde a aproximadamente 40 milhões de brasileiros, nesta situação.  Após as notícias, comento. 

A ascensão da classe média nas últimas décadas não foi um fenômeno exclusivo do Brasil. O movimento foi verificado em todo o mundo emergente e liderado, principalmente, pela Ásia.  Dados da EIU mostram que o forte crescimento da fatia de famílias com renda anual superior a US$ 10 mil foi comum a vários países emergentes na última década. Fonte: Folha.

Estudo do economista Martin Ravallion, professor da Universidade de Georgetown, afirma que a expansão da classe média ocorreu em cerca de 70% dos países. O trabalho, feito para o Banco Mundial em 2009, ressalta que os chineses representam metade do 1,2 bilhão de pessoas que ascenderam à classe média entre 1990 e 2005. Fonte: Folha.

Comentário.

Ainda, no próprio estudo do professor Martin Ravallion, mostra o número de população que ganha acima de US$ 10 mil nos principais países emergentes.  São na ordem: Chile com 95%, México com 74,9%, Brasil com 61,1% e China com 27%.  Dentre os 61,1% da população que tem renda per capita acima de US$ 10 mil no Brasil, cerca de 22% da população são a nova classe emergente, sendo assim a população com renda acima do limite, estabilizado é de 49,1%, segundo o critério usado pelo professor.

O que chamo atenção é sobre a nova classe emergente brasileira que, teoricamente tem renda per capita no limite de US$ 10 mil.  Acontece que o governo brasileiro, pelo menos dos últimos 5 anos, trabalha com o câmbio defasado.  Ao contrário da China, segunda maior economia mundial,  a política econômica brasileira optou em trabalhar com o real, moeda brasileira, demasiadamente apreciado.  

A consequência de trabalhar com a moeda local apreciado, no caso o real, causa a desindustrialização crescente no País, tornando os produtos brasileiros sem competição no mercado internacional, traz ao mesmo tempo, uma sensação de "poder de compra", sobretudo para a classe emergente.  Este artificialismo, com câmbio defasado, não perdurará por muito tempo.  O mercado financeiro global se encarregará de, em algum tempo, colocar a nossa moeda, o real, na cotação real, sem artificialismo.

Chegará um tempo, em que o Banco Central do Brasil, não conseguirá conter o real apreciado diante do quadro de desindustrialização e falta de competitividade dos nossos commodities no mercado internacional.  Com o realismo cambial, o "poder de compra" da classe emergente, artificialmente estimulado pelo governo, despencará.  Os primeiros prenúncios da perda de controle do artificialismo imposto pelo governo Dilma, já começam a aparecer nas prateleiras dos supermercados.  

O que tem isso a ver com a classe emergente?  Tem tudo a ver.  Cerca de 40 milhões de brasileiros, ganham no limite de US$ 10 mil, em função do câmbio valorizado.  Quando o dólar chegar à cotação que deveria ser, sem artificialismo, a renda per capita deste contingente, em dólar, vai cair para abaixo de US$ 10 mil. E a nossa estatística vai para espaço junto.  Assim teremos, ao invés de 61,1% da população com renda per capita de US$ 10 mil, teremos 49,1%.  

Na prática, a classe emergente, cerca de 40 milhões, vão perder o "poder de compra".  Por isso, a Dilma, inventa tudo é quanto gambiarras e jeitinhos para tentar segurar o dólar, no momento, principal âncora da inflação.  Não é a taxa Selic que segura inflação, pelo contrário, os juros pagos pelo governo brasileiro são as mais altas do mundo, abre rombo nas contas do Tesouro.  Em resumo, o erro sistêmico da política econômica do governo Dilma, continua.  Até quando não sei.  Talvez, até 5 de outubro de 2014, dia das eleições presidenciais. Mas, inexoravelmente um dia a casa cai, ante ou depois das eleições! 

E como consequência, 40 milhões de população emergente brasileira perderão seu status de "nova classe média", infelizmente. Só tem um jeito para livrar desta situação devastadora, praticar política econômica consistente de longo prazo.  Abandonar definitivamente as gambiarras e os jeitinhos.  Como diria a Marina uma política de "sustentabilidade".  Só a palavra foi roubada da Marina, não o conceito sobre economia. 

Ossami Sakamori, 68, engenheiro civil, foi professor da UFPR, atuou no mercado financeiro, filiado ao PDT. Twitter: @sakamori12

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