Receba novas matérias via e-mail adicionando o endereço

quarta-feira, 10 de abril de 2013

DILMA, o TOMATE é apenas PONTA do ICEBERG!


Inflação do tomate é apenas termômetro da economia do País. Os alimentos em geral, subiram mais de 40% apenas neste verão.  O comportamento do preço do tomate, não é apenas questão sazonal, embute significado importante na análise da inflação como todo.  Segue breve notícia do tomate importado da China e em seguida análise crítica sobre o comportamento da inflação no Brasil.


A escassez do tomate -o novo vilão da inflação- não afeta só a salada brasileira. A indústria de molhos recorre cada vez mais ao tomate processado chinês para atender ao mercado interno.
Nos dois primeiros meses deste ano, as importações totais de tomates inteiros ou em pedaços (preparados ou conservados) subiram 232% em relação ao mesmo período de 2012, para US$ 13,8 milhões. Fonte: Folha.

Na China, o tomate é plantado na semidesértica área em volta da cidade de Urumqi, em Xinjiang, no noroeste do país. Por causa do clima extremamente frio, a colheita só é feita durante um período de cerca de 70 dias. Sozinha, Xinjiang é a terceira maior produtora mundial de tomate, atrás apenas dos EUA e da Itália. Fonte: Folha.

Comentário.

Quando o produto é oriundo da China, os brasileiros em geral, encaram como "deboche", pensam imediatamente como uma coisa vindo do país escravocrata.  Lembra apenas do povo de olhos puxados, atrasado, com 1 bilhão e 400 milhões de problemas.  Encaramos China como simbolo de país derrotado, atrasado culturalmente.  Ledo engano.  Os chineses já foram potencial mundial há 3 séculos.  Tem cultura. O povo, alfabetizado, consegue lidar com seus 4.600 ideogramas contrastando com número de letras e símbolos latinos e universais que o povo brasileiro utiliza.

Por que faço pequena dissertação sobre a China? Porque a China tem política econômica que atende à necessidade da população deles como todo.  O país do oriente cresce há 20 anos a uma média de 10% ao ano.  O ano que teve crescimento pífio, em 2012, cresceu a uma taxa de 7,5% ao ano, enquanto o Brasil amargava 0,9% no seu PIB.  China de hoje é país industrializado, forma centenas de milhares de engenheiros por ano para atender a sua demanda e tecnologicamente mais desenvolvido que o Brasil.  

A China de Xi Jinping já ascendeu 400 milhões de chineses da classe pobre para classe média alta.  E com o crescimento ao mínimo de 7,5% de PIB anual, acrescenta 50 milhões de chineses com poder de compra.  O número é impressionante, 50 milhões corresponde ao dobro de número de pessoas que recebem Bolsa Miséria no Brasil. Isto é resumo do resumo da China de hoje.  O que tem China com o Brasil?  Tem tudo a ver. China pode servir de exemplo de sucesso, no campo econômico.  

O sucesso da China, no aspecto econômico, tem um componente que os economistas e agentes do governo brasileiros ignoram ou faz que ignoram, que é o câmbio depreciado.  O yuan (Ren Men Bi), moeda chinesa, é artificialmente depreciado, exatamente ao contrário do real, a nossa moeda, que é artificialmente apreciado.  Considerado as duas defasagens que se soma, dá grosso modo 50%, ou seja produto chinês, FOB Shanghai, custa aproximadamente 50% do mesmo produto aqui no Brasil.

Eu só sei que, a China vai vir a ocupar até final desta década, o primeiro lugar no PIB, ultrapassando os EEUU.  O Brasil, ao contrário na contra-mão, deverá cair da 6ª posição para 8ª posição no ranking do PIB mundial.  Impressona-me muito o fato de 50 milhões de chineses ascendendo social e economicamente ao ano. Enquanto o Brasil vangloria-se em cativar os 22 milhões de pessoas que dizem sustentar as suas famílias com R$ 70 per capita.  Daria para comprar 9 Kg de tomate! Ainda assim, continuamos a debochar os chineses.

Isto foi o preliminar para explicar o que vou afirmar, pela enésima vez, neste blog.  A política econômica da presidente Dilma tem erro sistêmico.  O erro está na concepção do plano econômico (sic) se é que existe algum plano.  Entre vários componentes, como carga tributária, infraestrutura precária, logística mal resolvida, juros da dívida pública muito alto, tem o componente fundamental que é a defasagem cambial.  Pouco se fala nisso.  Quem chama atenção, não só eu, mas economistas técnicos de vários institutos de estudos econômicos são vistos e tratados com "deboche".  Câmbio controlado é dogma para a equipe econômica do Lula e Dilma.

Contei história da China e dos chineses, porque é com yuan extremamente depreciado que a China vem galgando posições ano a ano na economia global.  Quem imaginaria que a China ultrapassaria a economia japonesa ou americana, há 2 décadas atrás?  O Brasil faz parte do mesmo bloco de sopinha de letras, o BRICS, mas infelizmente ocupamos a rabeira do bloco em termo de crescimento do PIB.  

A melhor política cambial, em tese, seria câmbio totalmente flutuante.  Isto não existe na prática. Como na prática, não existe Bancos Centrais autônomos.  O dólar está artificialmente defasado, cotado ao redor de R$ 2.  Estudos de institutos de pesquisas mais sérias, apontam como o patamar de dólar, aceitável, cotado no intervalo de R$ 2,60 a R$ 2,70.  Com dólar no patamar real baixaríamos defasagem com o yuan chinês para cerca de 25% e aproximaríamos da realidade cambial americana e europeu.   Devolveriam competitividade dos produtos brasileiros no exterior. Isto está proibido de discutir no Brasil!  

Entre o erro sistêmico, aponto também, o controle de preço das tarifas públicas, artificialmente, para conter a inflação e aumentar a demanda.  E assim, quebramos a Petrobras e Eletrobras, dois ícones de empresas estatais, orgulho de todos brasileiros.  Ao manter atual política de controle de preços, as empresas estatais estão perdendo a rentabilidade, tornando-as, empresas mastodonte que não conseguem gerar caixa com as próprias operações.  Estão tornando companhias dependentes da caixa do Tesouro Nacional.  São mais duas tetas para sustentá-las.

Com tarifas públicas comprimidas e câmbio defasado, vai se criando um mercado artificial.  Soma-se ao engessamento de ambos, as tarifas públicas e câmbio, a expansão do crédito via bancos oficiais.  Isto dá uma soma que é como botar querosene na fogueira.  Dá um efeito explosivo.  O governo controla e engessa, quase tudo, mas não tudo.  É aqui a questão.  Lembra-me o controle de preço do Plano Cruzado, embora tenha feito de maneira rudimentar, como tabelamento de preços, em essência não é diferente do que vivemos hoje.

Nem os alimentos e nem os serviços são tabelados.  Então, o engessamento começa a dar fissura pelo lado dos preços livres.  Até hoje, os serviços aumentaram de preços 200% nos últimos 5 anos.  Agora chegou a vez dos alimentos não industrializados.  Atrás do tomate, vai subir demais legumes.  O mercado testou com o tomate, o mercado absorveu, então vai o resto.  À esteira do tomate, vai feijão, vai arroz, vai batata, vai pepino... E a política econômica (sic) da Dilma vai morrer pelo estômago!

O preço do tomate é apenas ponta de um grande iceberg, capaz de afundar um Titanic chamado Brasil. 

Ossami Sakamori, 68, engenheiro civil, foi professor da UFPR, filiado ao PDT, brasileiro nato.  Twitter: @sakamori12

3 comentários:

  1. Muito bom..parabéns!
    Eduardo Marinho

    ResponderExcluir
  2. Saka,...

    Beleza,....

    No coments,....vc já disse tudo!

    Acrescentarei simplesmente um remédio que poderia curar todos problemas brasileiros de uma só vez! E saiba, não reside no campo da economia e sim nas mentes e espíritos de todos brasileiros que tenham algo de amor pelo país! Falo de algo que há muito nos olvidamos,...A INDIGNAÇÃO!

    Baseados nesse sentimento, que move e remove montanhas, certamente obrigaríamos nossos ignorantes e incapazes dirigentes(Sim, Dilma é obtusa e Mantega é um burro!) a ouvirem a voz da razão, olhando algo que eles simplesmente não conseguem enxergar, nem com o mais potente binóculo do mundo, o futuro! O futuro que essa gente rala consegue atinar é 2014 e olhe lá! Se até lá acontecer algo mais sério, turva-se a visão e partimos para a cegueira total,...a mesma que faz os imbecis, pilotarem o tal Titanic que citas, no piloto automático, e mesmo assim, sem rumo definido, pois a cada vento, mudam as rotas, e na verdade, desacertam-se os passos.

    Tomates? Ora direis,..que sejam igualmente globalizados. Sejam da China ou dos cinturões verdes que cercam as cidades,...que venham! Assim como já importamos feijão preto,..tanto faz! É parte da absurda política do PT, que não sabe prever os problemas, antecipando-se a eles.

    Mas caro Saka, quer saber? Problema mesmo será, quando em breve futuro, começarmos a importar rapaduras,...ai sim meu amigo, saberei que é passada a hora de pegar meu chapéu e cansar-me de viver em um país de tolos.

    Por enquanto, desejo a todos, como cozinheiro que sou, uma macarronada ao molho branco, já que o tomate esta pela hora da morte,...mas que se ralem por cima, além do queijo, muita, mas muitas doses de indignação,...

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Meu estimado amigo Daniel,

      Seus comentários são, sempre, pertinentes! E independente do meu pensamento, em sua maioria das vez, concordante. Agradeço imensamente pelo seu passeio por aqui. Enriquece muito as matérias que escrevo, sem mesmo ter habilidade de escritor.

      Como já disse em outras oportunidades, este blog foi criado para expressar minha indignação com "status quo" da política e economia brasileira. Criei espaço para dar oportunidade de livre manifestação de todos amigos, inclusive aos que diferente dos nossos pensamentos. Não importa. O que importa é que do debate, estaremos construindo o Brasil digno de todos nós.

      Tenho 3 filhos e uma neta. Já estou com 68 anos! Creio meu dever deixar como legado, um País digno de todos nós! Só voltarei à minha zona de conforto, quando ver este nosso Brasil um País digno, assim como você também apregoa.

      Tenha certeza, Daniel, que juntamente com muitos que pensam semelhante, reconquistar o Brasil em que possamos orgulhá-Lo, batendo nos nossos peitos.

      Um grande abraço, deste dinossauro!

      Excluir

Não há censura ou moderação nos comentários postados aqui.
De acordo com a legislação em vigor, o editor deste blog é responsável solidário pelos comentários postados aqui, inclusive de anônimos.