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domingo, 3 de fevereiro de 2013

VIDAS EM VOLTAS, com HELENA


O texto que segue é de autoria da minha amiga Helena, uma  dekassegui como tantos outros 200 mil descendentes de japoneses do Brasil, que foram para o Japão à busca de realização patrimonial, num movimento inverso dos nossos antepassados. Ela chama atenção a um fato ocorrido a um imigrante japonês no Brasil, em situação de extrema gravidade. 

Helena a autora do texto abaixo já fora objeto de personagem deste blogueiro, para a qual já fiz matéria usando o pseudônimo de Letícia, homenageando todos descendentes nipônicos brasileiros que se encontram no Japão, os "dekasseguis".  Ela é descendente de imigrantes, tanto quanto o cineasta Mário Jun Okuhara, objeto deste texto.  

Eles, Helena e Mário, são produtos da política de imigração incentivada por ambos governos, do Japão e do Brasil, à época que vieram como como colonos, uma espécie de escravos, para para substituir, então, recém liberados escravos negros no País, para trabalharem para os barões do café, de então.  

Aproveitando o gancho do documentário produzido pelo Mário Okuhara e do texto elaborado pela Helena, quero fazer um pequeno comentário sobre a "saga" dos "dekasseguis" que estão no Japão com intuído de consquistar uma vida melhor aqui no Brasil. A história destes dekasseguis, repetem em outros termos, situação semelhantes vividas pelos imigrantes japoneses no Brasil. Estão lá, por necessidade ou por falta de oportunidade aqui no Pais.

Sinceramente, fico muito triste em narrar os fatos como este.  Os "nisseis" vão para o Japão, tanto quanto os mineiros vão para os EEUU, buscar apenas e tão somente, porque um trabalho digno lhes são negados aqui no Brasil.  A maioria dos "nisseis" que estão no Japão tem curso superior. Eles são o produto, desta feita, do sub-emprego no Brasil.  Curiosamente, a propaganda do governo brasileiro dizem exatamente o inverso.  Não existem pleno emprego no Brasil, infelizmente.

Agora, leiam o texto da Helena, a japinha, ou a minha amiga Letícia como queiram, sobre um fato particular, que à época poderiam ter acontecido a qualquer imigrante da época, seja japonês, italiano ou alemão.  Vale lembrar, para que a história não se repita nos dias atuais.

Quem cresceu ouvindo histórias de pais e avós sobre o início da imigração japonesa no Brasil, entende o quanto este documentário é importante. Sabe o quanto sofreram, foram enganados e discriminados... infelizmente, muitos se calaram, talvez, para sempre. Muitos que poderiam contar histórias já não devem estar entre nós...

Eu também cresci ouvindo muitas histórias sobre os sofrimentos pelos quais os imigrantes japoneses passaram no início, assim como sei que muitos ouviram, e que, infelizmente, não está nos livros. É por isso, que hoje, faço esta postagem: divulgar o projeto que resgata a Verdade e a Memória dos antepassados.

Tizuka, em seu filme "Gaijin 1", contou parte da história. O filme "Corações Sujos" também marca passagem dessa história. No entanto, muitas outras que a História não contou sobre o "perigo amarelo", as atrocidades e as perseguições sofridas pelos imigrantes japoneses, surgirão a partir deste documentário.

Tenho conhecimento de que o livro O Súdito (Banzai, Massateru!), de Jorge Okubaro é um dos livros que narra a saga da imgiração japonesa no Brasil. Foi ouvindo histórias de sua avó que tudo começou.

Mario Jun Okuhara (filho de Rosa Miyake, cantora e apresentadora do programa Imagens do Japão, nos anos 70) cresceu ouvindo histórias sobre a imigração japonesa através de sua avó materna. Foram 12 anos de pesquisa e trabalho!

Cineasta, diretor e produtor do vídeo, levou anos para produzir o documentário Yami no Ichinichi que revela parte da repressão sofrida pelos japoneses e seus descendentes, nos anos 40.  Mario Jun faz parte da Comissão da Verdade, levando casos de violências sofridas pelos japoneses, em 1946, 1947 e 1952, no momento, três casos.

O objetivo do documentário é romper com a cultura do esquecimento, do sigilo e da vergonha. Como Mario Jun diz: "Revelar as atrocidades e a violência que a ditadura usou contra nossos pais e avós, é fundamental para fortalecer a nossa identidade e construir o Brasil." 

"Yami no Ichinichi" ou "Dia das Trevas" é um documentário sobre um crime ocorrido na era Vargas, atribuído a Shindo Renmei. Preso, Tokuichi Hidaka, cumpriu sua pena e, mais tarde, sofreu discriminação, sem direito a contar sua verdadeira versão. O documentário disponibilizado na net há alguns meses, veiculada em sites e mídia impressa da comunidade nipônica no Brasil, será matéria, em breve, do jornal japonês "Asahi Shimbum".

O documentário está disponível no site YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=QDf_egB3MG4

O original desta matéria está disponível no blog da Helena, japinha:

http://www.VidasEmVoltas.BlogSpot.com

Ossami Sakamori, 68, engenheiro civil, foi professor da UFPR, filiado ao PDT.  Twitter: @sakamori12

2 comentários:

  1. Os imigrantes portugueses eram chamados de burro sem rabo...
    (vendiam verduras, legumes, leite, frutas e faziam fretes).

    Um certo burro sem rabo....analfabeto, trabalhou muito e virou então o Barão de Friburgo...

    Com os frutos do seu suor e lágrimas, trabalhou a terra, adquiriu bens e comprou um terreno enorme da praia do Flamengo até á rua do Catete... Rio de Janeiro.

    Construiu a sua mansão que depois foi, vendida ou desapropriada e virou o Palácio do governo Federal, Catete (até abril de 1960). Foi lá que se suicidou ou assassinaram o Presidente Getúlio Vargas...

    Como podemos ver, os Imigrantes.... passam necessidades, trabalham, produzem....crescem e investem na educação dos filhos o que eles mesmos não tiveram.

    Nestes países das maravilhas e de caudilhos que ficam situados abaixo da linha do Equador... passam a ser invejados, odiados e hoje chamados até das Zelite.... pelos beócios, preguiçosos, improdutivos, canalhas que só pensam naquilo ou naquilo outro e só causam grandes sofrimento e irresponsabilidade para com os filhos sem pai.... entregues à própria sorte...
    Hoje o Brasil está em 1º lugar em consumo de crack e 2º em cocaína.! Perdemos 41 em 2011 e 9 em 2012 = 50 posições na liberdade de imprensa (108º) a caminho da Eritréia (179º)

    Nosso IDH está na 84ª posição nada compatível com 6ª economia do mundo...

    Temos perdido muita massa cinzenta para EUA, UE, JAPÃO, AUSTRÁLIA, ORIENTE MÉDIO E ETC....

    Generalizando..... essa massa cinzenta é de maioria descendente de Imigrantes, que não tendo oportunidade de vencerem como seus ancestrais apesar dos sofrimentos, tiveram o desafio de tornar a terra produtiva... de sol a sol...

    Assim continuarão correndo atrás dos objetivos... fora dos seus nascedouros para manterem o status já adquirido pelo sacrifício familiar e tocarem a bola pra frente para que suas proles não sofram regressão e posterior exclusão e vão depender de Bolsa Família para sobreviverem em ignomínia.... Seria melhor a morte na cabeça de qualquer cidadão!

    Obrigado a todos os imigrantes do Brasil que sempre dão muito mais do que o que tomam....

    Em 2012 mais de 72 mil estrangeiros vieram trabalhar no Brasil (não sei se estão contados os haitianos, bolivianos e outros ameríndios ! )
    Que bom seria se o Brasil desse a preferência na chamada da prata e ouro da casa que estão fazendo o caminho de volta de seus ascendentes !...

    É preciso refletir qual é o melhor lugar para fazerem seus ninhos!
    Ainda temos muitos problemas com a nossa jovem democracia!

    É lamentável que a única esperança de progresso e paz para a toda a sociedade, seja a vitória dos 'poucos' honestos que permanecem perdedores.

    SALVE O IMIGRANTE ! Estes poderiam criar grandes Marcas e Patentes para o Brasil se tudo estivesse nos conformes!.... mas...

    Forte abraço Shogum e Samaurai Ossami Sakamori meu amigo e mestre da nossa melhor idade! 67 anos! Salve...na busca de um Brasil Pátria Amada... A pres. Dilma também é filha de Imigrante... ela sabe muitas histórias como essas!... Paz... Luz... Amor e coragem sen-sei!






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  2. Realmente não me sinto apto a tecer comentàrios sobre a imigração ou emigração japonesa ou de qualquer outra nacionalidade mas me aventuro a dizer que povos de outros paises são no Brasil muito bem recebidos e como geralmente como os japoneses em especial muito trabalhadores pois aqui aportam para melhorar suas vidas e isso sò com muito trabalho.Atè o brasleiro que normalmente não gosta muito de trabalhar aqui quando se aventura no exterior è um leão pois quer arrumar o mais que puder para voltar e tornar a descançar rsrsrs,mas muitos ficam por là mesmo.Todo imigrante ou emigrante no começo enfrentam dificuldades enormes que ao longo do tempo são superadas e alguns fracassam,è natural funciona como uma seleção natural onde os mais fortes e aptos são vencedores.è fazendo uma pequena analogia a seleção natural apregoada por Darwin.

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