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quinta-feira, 21 de junho de 2012

REALIDADE BRASILEIRA NUA E CRUA

O recuo do Índice de Confiança da Indústria como do Nível de Utilização da Capacidade Instalada das indústrias brasileiras, levandato pela FGV mostra números, não alarmantes, mas no mínimo preocupantes.  Vejam os números.
 
O Índice de Confiança da Indústria recuou 0,5% em junho na comparação com o mês anterior, de acordo com prévia da Sondagem Industrial, divulgada nesta quarta-feira pela FGV (Fundação Getulio Vargas). Com a queda, foi interrompida a sequência de seis pequenos avanços registrados desde dezembro do ano passado. O índice foi de 103,4 pontos para 102,9 pontos. Fonte: Folha.

O Nuci (Nível de Utilização da Capacidade Instalada) alcançou 83,7% na prévia de junho, 0,2 ponto percentual (p.p.) abaixo do mês anterior e 0,1 p.p. inferior à média dos últimos cinco anos. Fonte: Folha.

Isto confirma o baixo crescimento do país, no primeiro trimestre deste ano, sem que haja reversão da tendência no segundo trimestre.  A própria FGV já apontou que o ano de 2012, deve terminar com o PIB abaixo de 2%.

Como pode ver, uma coisa puxa a outra.  O ICI baixou porque as indústrias estão vendo Nuci bater a pior média dos últimos cinco anos.  Na prática, o que isto significa? Significa que a atividade industrial, carro chefe da economia, está em estagnação.  A atividade industrial vai na frente, porque ela gera muitos empregos de alto nível salarial.  Indústria esfriando consequentemente esfria o comércio e serviço.  No fundo, no fundo, não há como dissociar um setor de atividade do outro setor.  Resumindo, os números mostram claramente que a atividade econômica do país como todo está em processo de esfriamento.  Estou a tentar decifrar o economês para vocês entenderem melhor.

Para os reles cidadãos, o povo, o que isto traduz?  Isto tudo é sinalização de que devemos acautelar, ser comedidos nos gastos, poupar mais, adiar investimentos em bens duráveis como imóveis e automóveis. A essa altura dos acontecimentos, é preferível ignorar algumas afirmações, como as do presidente do BC, Alexandre Tombini, que prevê crescimento do PIB, para o primeiro trimestre do ano de 2013 no mínimo 4,5%.  Uai, a meta do BC não era crescimento do PIB de 4,5% para este 2012, também?  E onde paramos? 

Nas matérias anteriores, já comentei sobre o "Estouro da bolha das classes emergentes" e "Estouro da bolha imobiliária".  As alertas foram baseados em números que eu já dispunha sobre desempenho da economia do país, longe de alarmista como muitos me diziam ser, via redes sociais.

Acorda para nova realidade, povo brasileiro!

Ossami Sakamori, 67, reles cidadão, engenheiro civil, foi prof. da UFPR.  Twitter: @sakamori10

6 comentários:

  1. Obrigado pelas informações. Para mim, seu blog agora é leitura obrigatória diária, para ler e reler.

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  2. Sakamori, gosto muito de ler seus posts, pois me situo em questões muitas vezes um tanto complicadas para se entender...
    Mas você as traduz e facilita para que a gente entenda.
    Penso que agora, mais do que nunca, haverá também uma profunda atitude de mudança com relação à atividade industrial, visto ser a sustentabilidade o foco das atenções atualmente.
    Abraços, e obrigada pela sua disponibilidade.

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  3. Li que a inadimplência da classe média aumentou. Isso è mau sinal. Todo mundo comprando pelo incentivo do governo e não consegue pagar. A indústria retrai, aumenta o desemprego e o Brasil não cresce. Não sei se meu comentàrio è pertinente ao texto, pois não entendo de economia. Tentando aprender com mestre. Ta aì uma matéria que eu ia mais ou menos na faculdade

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  4. Qual é sua previsão para estourar a bolha imobiliária?

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  5. Caro Sakamori, poderia esclarecer como podemos nos ter tornado uma potência econômica mundial, 4ª ou 6ª, se nosso PIB continua a representar algo próximo a 2% do PIB mundial, há anos?
    Entendo que deveríamos estar aumentando nossa participação no PIB mundial e isto não tem ocorrido.

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