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sexta-feira, 12 de setembro de 2014

SOS OBESOS. Não foram eles, fomos nós.

Por: Toninha Rodrigues, jornalista. 




“Os parlamentares sofreram forte pressão da indústria farmacêutica para votar a proposta antes das eleições. O setor é um dos principais financiadores de campanha....” afirma uma matéria da revista IstoÉ Dinheiro, reproduzida pelo site  http://www.epharma.com.br/noticias/mostrar/8984 .

É desalentador o grau de desinformação, e até de preconceito, demonstrado pela imprensa nos últimos dias, em relação à aprovação, pelo Senado Federal, do Projeto de Decreto Legislativo 52/14, que derruba a proibição ditada pela ANVISA da venda de medicamentos prescritos para auxiliar no tratamento da obesidade.

Os reais motivos que levaram a Anvisa a proibir esses medicamentos, até agora são um mistério. Mas o que empurrou o Congresso Nacional a aprovar os projetos não é mérito de lobbies, de interesses políticos particulares de candidatos à reeleição e muito menos “pressão da indústria farmacêutica”. O que culminou com a aprovação do projeto emergencial (PDS 52/14, agora PDL 273/14) foi o clamor de milhões de pessoas que sofrem com os males causados pela obesidade, apoiadas por entidades representativas das classes médica e farmacêutica, como a Abran, Abeso, CRF, CFM.

Um ano após a publicação da RDC 52/11, foi criado o grupo União pela Volta dos Inibidores de Apetite e Suplementes Alimentares, no Facebook, que hoje agrega 4.200 pessoas, entre pacientes, médicos e representantes de entidades médicas, todos em torno da volta dos anorexígenos ao mercado.

A troca de informações, de experiências, de anseios e de expectativas levou essas pessoas a se apoderarem dos recursos de comunicação digitais, nos últimos dois anos, como canais de contato com deputados federais e senadores, clamando pela aprovação tanto do PL 2431/11, como do PDS 52/14. Foram os milhares de tweets, e-mails e telefonemas que sensibilizaram e conscientizaram esses políticos quanto à real situação de saúde (e de risco) em que se encontram as pessoas que foram, radical e covardemente, tolhidas do seu direito a tratamento adequado e qualidade vida, direito absolutamente garantido pela Constituição Federal, diga-se de passagem.

É importante destacar, por falar em políticos, que o deputado federal Beto Albuquerque não era candidato a vice-presidente quando redigiu o PDS 52/14 e sequer tinha essa intenção, visto que o candidato certo pela sigla partidária a que pertence era o ex-governador de Pernambuco, Eduardo Campos, lamentavelmente morto no acidente aéreo que todos têm conhecimento. Fatalidades não se preveem. Muito menos a candidata Marina Silva forjou ou pressionou o Senado para a aprovação do referido projeto, como muitos meios de comunicação têm, errônea e irresponsavelmente, divulgado.  A candidatura da Marina Silva para presidente foi tão imprevista e tão casual quanto à do deputado Beto Albuquerque para seu vice.

Breve histórico

Sensibilizado com os lamentos de pessoas que acessavam sua página no Facebook, o deputado federal Felipe Bornier decidiu criar o Projeto de Lei 2431, ainda em 2011, pedindo a suspensão da resolução da Anvisa. À custa de muito clamor e pressão aos deputados via Twitter, e-mails e telefonemas, pelos obesos, conseguiu-se a aprovação desse projeto nas comissões de Seguridade Social e Família e de Constituição, Justiça e Cidadania da Câmara Federal. 

Sempre com os parlamentares do PT causando transtornos, pedindo vistas, entrando com recursos, falando contra, atrapalhando o andamento do processo, a ponto de, na ida para votação no Senado, em novembro de 2013, o deputado Dr. Rosinha interpor o recurso 261/13, emperrando o PL 2431 na Câmara, em cuja Mesa Diretora encontra-se até hoje, parado, sem ter sido votado o tal recurso e sem o encaminhamento do PL ao Senado.

Diante do desalento e da tristeza das pessoas que acompanham, acompanharam e interagem com os parlamentares envolvidos e sensíveis à causa, foi que os deputados Beto Albuquerque e Cândido Vacarezza resolveram redigir Decretos do Senado, visando à liberação emergencial dos medicamentos, enquanto se aguarda o andamento do PL 2431. O Senado fundiu as duas propostas, incluindo o projeto do deputado Cândido Vacarezza ao do deputado Beto Albuquerque, que resultou no PDS 52/14, aprovado no último dia 2 de setembro e promulgado no dia 5, como o PDL 273/14.

Esse é o resumo da história desses projetos e da aprovação de um deles (por enquanto), para esclarecer que todo esse processo nada tem a ver com interesses eleitoreiros ou “lobby de indústria farmacêutica”. Se a indústria farmacêutica financia campanha de quem quer seja, como afirmou a revista IstoÉ Dinheiro, o assunto não diz respeito aos obesos ou aos médicos. Cabe aos candidatos em questão se pronunciarem a respeito.

Estudos científicos

Ao contrário do que a Anvisa insiste em divulgar, existem, sim, estudos e pesquisas científicos atestando a eficácia da anfepramona, femproporex e mazindol no tratamento e controle da obesidade. Sim, controle, porque é uma patologia que requer tratamento contínuo, como a hipertensão, diabetes. Ninguém é hipertenso ou diabético porque decidiu ser! Existe toda uma questão clínica, que requer atenção e tratamento caso a caso.

O documento Obesidade e Sobrepeso: Tratamento Farmacológico, concluído em 2010 e elaborado por especialistas (entre eles, o respeitado Dr. Alfred Halpern) da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, Sociedade Brasileira de Clínica Médica, Sociedade Brasileira de Medicina da Família e Comunidade, Sociedade Brasileira de Nutrição Parenteral e Enteral e Associação Brasileira de Nutrologia, indica que “a obesidade é uma doença crônica. O tratamento medicamentoso não cura a obesidade, mas pode controlar a doença e diminuir as comorbidades. É considerada boa resposta terapêutica:

• A perda de 1% de peso por mês, nos primeiros 3 meses, atingindo pelo menos
a redução de 5% do peso corporal em 3 a 6 meses;
• A melhora dos fatores de risco presentes no inicio do tratamento;
• A manutenção sustentada desta perda de peso, com variação igual ou menor a 3% do peso atingido durante o tratamento.”

O documento faz menção aos medicamentos proibidos pela Anvisa – anfepramona (dietilpropiona), femproporex, mazindol, além da sibutramina e orlistate, como os fármacos disponíveis no mercado para o tratamento da obesidade.

De acordo com esse estudo, “é bem estabelecida a relação da obesidade com as complicações para a saúde. A lista de complicações é longa, destacando-se o diabetes mellitus tipo 2 (DM tipo 2), as dislipidemias (um tipo de distúrbio nos níveis de lipídios e/ou lipoproteínas no sangue), a apneia do sono, as doenças cardiovasculares e a alta mortalidade. Quanto maior o excesso de peso, maior é a gravidade da doença. O risco associado com adiposidade é maior quando a mudança do peso ocorre no início da idade adulta, quando comparado ao ganho de peso mais tardio, levando a um olhar especial para a epidemia de obesidade em crianças e adultos jovens.”

As informações da pesquisa indicam, ainda, que não há remédio 100% seguro, mas os remédios em questão estão no mercado há mais de 40 anos e, se bem prescritos e administrados, os resultados continuarão sendo os mesmos de antes da proibição, eficazes e coadjuvantes na preservação da boa saúde.

Estatísticas reais

Segundo o chefe do Departamento de Obesidade e Síndrome Metabólica da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran), professor-doutor Paulo Giorelli, em 2006, 47,2% dos homens e 38,5% das mulheres estavam acima do peso. Em 2011, esses índices já eram de 52,6% e 44,7%, respectivamente. A taxa de crescimento sobre a  incidência da doença, que era de 0,83% ao ano, em 2011, ano da proibição, passou para 4,5% ao ano, em 2012 e 2013. 

“A obesidade é uma doença crônica como o diabetes e a hipertensão arterial, além de condição de alto risco para várias outras doenças, acidente vascular cerebral e câncer. Proibir o tratamento medicamentoso para a obesidade é como proibir insulina para o paciente diabético”, compara Giorelli. 

Ele explicou, ainda, que algumas pessoas não perdem peso apenas com dieta e atividade física. “Não se chega à prescrição de terapia farmacológica sem que as opções primárias de tratamento não tenham sido indicadas e testadas. Mas é preciso contar com o remédio para o tratamento da doença. As substâncias anfepramona, mazindol e femproporex, assim como a sibutramina, já se provaram seguras e eficazes quando corretamente indicadas e utilizadas com acompanhamento médico.”

Os medicamentos já são liberados em mais de 80 países no mundo, entre EUA, México, toda a América Central, Argentina, Chile, Austrália, países da Europa e Ásia. Por isso, especialistas prescritores, com o apoio irrestrito do Conselho  Federal de Medicina (CFM), da Associação Médica Brasileira (AMB) e de outras entidades envolvidas no combate à obesidade, trabalharam juntos para suspender a proibição. 

A discussão não deve ser sobre responsabilidades ou a quem compete liberar ou proibir alguma droga. O debate precisa ser pautado pelo interesse da sociedade. E, no caso dos inibidores de apetite, especificamente pelos milhares de pacientes que se viram privados de continuar com a utilização de medicamentos, imprescindíveis à manutenção de sua saúde e de seu tratamento no combate à doença crônica obesidade”, argumenta Giorelli.

As informações acima, feitas com base em pesquisas e testes científicos, por especialistas competentes e renomados da área, jogam por terra a argumentação vazia e insistente da ANVISA, de que “não há comprovações de eficácia” dos inibidores.

Por falar em ANVISA, recentemente a coluna Diário do Poder (http://www.diariodopoder.com.br/noticias/liberacao-de-inibidores-pode-ser-lobby-de-youssef-2/) publicou nota afirmando que foram apreendidos pela Polícia Federal documentos indicando o envolvimento do doleiro Alberto Youssef com a liberação dos inibidores de apetite. As informações apontam, entretanto, que a ligação do oleiro é com um laboratório (Labogen) que manipula os sais de fabricação da Sibutramina... Ora, se somente a Sibutramina ficou no mercado e proibiram os demais, o que realmente está por trás de tudo isso? Lembro das insinuações do senador Magno Malta, no dia da aprovação do PDS 52/14, questionando a idoneidade da ANVISA.


Enquanto isso, essa mesma agência governamental, que deveria zelar pela saúde e bem-estar público, insiste, através de um diretor birrento e prepotente, em dificultar e atrasar os trâmites reguladores para a liberação efetiva dos medicamentos. 

19 comentários:

  1. Obesidade é doença!! Ninguém é gordo, obeso porque gosta de ser ou porque quer ser. Obesidade precisa de tratamento adequado com medicamentos, atividade física e acompanhamento médico. Os obesos pedem socorro!!

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  2. SOCORRO!!!!!!!!!!!!!ESTOU COM 30 KG ACIMA DO PESO. ALEM DISSO ESTOU TRISTE, DEPRIMIDA, ETC...

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  3. Precisamos do nossos medicamentos de volta. Estamos morrendo aos poucos!

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  4. Esses medicamentos salvam vidas! Milhares de pessoas estão esperando a liberação para voltar a viver!

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  5. medicamentos são necessarios pois existem para curar doenças e obesidade é doença é só as mentes se abrirem pois existem pessoas tomando remédios que não são especificos para esta doença,isto sim é um risco enorme para saúde,ja teve muitos estudos sobre estes medicamentos e todos comprovaram que eles são seguros

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  6. medicamentos são necessarios sim só quem sofre com a obesidade é que sabe como vivemos,sem qualidade de vida

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  7. A medicacao e essencial nao apenas no tratamento da obesidade mas na manutencao de um peso aceitavel...Nao e possivel tanta polemica e resistencia para o tratamento de um mal cronico

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  8. É inaceitável vivermos em um país que se diz democrático e podemos nos consultar com médicos e comprar nosso medicamento. Acorda Brasil, que país é esse em que meia dúzia de pessoas dão sentença de morte a milhares de pessoas?

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  9. É inaceitável vivermos em um país que se diz democrático e NÃO podemos nos consultar com médicos e comprar nosso medicamento. Acorda Brasil, que país é esse em que meia dúzia de pessoas dão sentença de morte a milhares de pessoas?

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  10. Como qualquer outra doença crônica, a obesidade também necessita de tratamento. Quando proibiram a comercialização de inibidores de apetites, ficamos sem nenhuma opção de tratamento, recorremos a off label, sibutramina (substancia essa que é proibida em mts países, por grande riscos cardíacos, e no Brasil é a nossa única opção), remédios para diabetes, epilepsia e muitas vezes no auto do nosso desespero, recorremos até ao mercado negro. Quando houve a proibição dos medicamentos a base de anfetaminas, houve um crescente números de doenças, não só a obesidade, mas sim tudo o que se agrega com ela, como problemas cardíacos, musculares, hormonais, psicológicos. Agora, o que não dá pra acreditar, que sua proibição foi feita somente por não apresentar estudos....Como Assim??? Um produto que já está no mercado há mais de 50 anos, onde é comercializado em mais de 80 países, onde existe um grupo como mencionado acima " União pela Volta dos inibidores" com mais de 4.200 participantes, onde todos relatam , seu grande sucesso com o uso dos mesmo. Também faço parte deste "guerreiro" grupo, e lá conheci histórias de muitas pessoas que fizeram o uso desses medicamentos por mais de 30 anos, e nunca tiveram nenhum efeito colateral, e hoje se encontram com muitos problemas de saúde. E por falar em estudos, será que a sibutramina tem estudos? Pois 90% das pessoas que utilizaram não sentiram nenhum efeito contra a doença e sim somente efeitos (fortíssimos) colaterais, sendo que este medicamento foi criado para depressão e não obesidade. Se por para fazer estudo, das anfetaminas, por favor, me use como cobaia, pois assim terei minha vida novamente, como tive por 15 anos quando fazia o tratamento. Outra desculpa é que os medicamentos podem causar dependências química? Ora Sra Anvisa, desde 2011(ano de sua proibição), nunca ouvi ou soube de alguém que estivesse internado, para cura da tal dependência . Agradeço imensamente o apoio dos parlamentares que abraçaram a nossa causa, e entenderam o nosso sofrimento. Eles entenderam que obesidade é UMA DOENÇA, e que a gordura é só um dos seus "sintomas", agregando junto outros problemas tais como hormonais, genéticos, tireoidianos, diabéticos....que acarretam na Obesidade como um Todo

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  11. Acho que o texto falou tudo!!! Peso socorro, pois estou 30 kilos acima do peso, sinto muita fadiga e fora o inchaço nas pernas, sem auto estima sem vontade de nada, preciso de ajuda dos medicamentos que tanto me fizeram bem, conseguindo manter o peso e ter auto estima elevada!!! Será que mais de 4.000 pessoas lutando pela volta dos medicamentos não é mais do que prova o bastante que os medicamentos funcionam e tem ótimos resultado??? Pensem nisso!!!

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  12. tbém estou 30 kgs acima do peso, dores no corpo, falta de ar, minha nível de ansiedade é enorme só queremos nossa vidas de volta só isso

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  13. Fomos nós milhões de obesos que se humilharam dia e noite para os políticos nos devolverem o direito a um tratamento digno, foi muita pressão em cima do congresso para corrigir essa sujeira de proibição dos inibidores que a Anvisa corrupta colocou e a luta continua !

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  14. COVARDES! Dirceu Barbano e toda corja que me negam o direito de viver. Quase não ando mais, porque rompi menisco dos joelhos. Sinto dores fortes que tomo derivados de morfina. Isso pode ser usado! Eles não interferem...
    Desculpem falar assim! Mas, a verdade é que já pensei até em suicídio. Enquanto o Sr Barbano insiste num capricho que me parece até coisa pessoal, eu desisto da vontade de viver. Andréa Schivek MG

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  15. Toninha, vc disse tudo que está engasgado em minha garganta!!! Precisamos muito voltar com o nosso tratamento, estou com 30kg de sobrepeso, dores na coluna, problemas digestivos, depressão... (como a grande maioria dos obesos que tiveram o tratamento interrompido).
    Espero que a sociedade ouça o nosso clamor e que o preconceito ao tratamento de nossa doença diminua, através da informação. Somente quem vive o problema conhece a gravidade do assunto!!!

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  16. Antes eu tinha uma vida, hoje depois de engordar 60 Kg após a proibição dos medicamentos, penso até no suicídio..!!!

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  17. Eu tinha uma vida saudável, depois que engordei não tenho mais vontade de viver. ...é muito triste viver assim. ..

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  18. Socorro......estão me matando dia após dia com a total conivência, insensatez e negligência do sr. Dirceu Barbano, q por puro sadismo sente prazer em nosso sofrimento! Eu não fiz nada a esse senhor e ao resto da sociedade q odeia os obesos, eu só quero o meu direito a saúde, o meu direito de viver e criar uma filha de 7 anos!
    Simone Claudino - Piracicaba-SP

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  19. É triste ver o q estao fazendo conosco...quase nao se vê reportagens que tratam o assunto com a seriedade q ele merece. Toninha Rodrigues está de parabens. A imprensa tem sido maldosa e parcial. São muitos artigos preconceituosos e sem respaldo nenhum...

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