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quinta-feira, 2 de maio de 2013

COAF. Resolução 25 de 16/01/2013. Pega ladrão!


Uma das normas cria regras para as compras acima de R$ 10 mil dentro do Brasil.  O comerciante vai ter que fazer um cadastro detalhado com nome, endereço, CPF e identidade de todo mundo que comprar um bem com esse valor, e vai ter que guardar esses dados por cinco anos.

Se um mesmo cliente fizer compras, em dinheiro vivo, que somem  R$ 30 mil reais ou mais em um prazo de seis meses, o vendedor vai ter que comunicar ao Coaf,  o Conselho de Controle de Atividade Financeira.

Já a RFB quer saber dos gastos dos contribuintes brasileiros em transações com empresas ou pessoas físicas no exterior. Seja com serviços, como viagens, transportes, cirurgias, aluguéis, seja com gastos com marcas e direitos autorais.

Toda vez que a soma dessas transações ultrapassar U$ 20 mil por mês e por pessoa, elas terão de ser discriminadas no site da Receita. No caso das empresas, o descumprimento dessa regra vai ser punido com multa de até R$ 1,5 mil por mês.

Em nota, o Ministério de Indústria e Comércio explicou que as informações exigidas pela Receita Federal pretendem acompanhar o comportamento dos gastos dos brasileiros lá fora para que as políticas de estímulo ao setor sejam aprimoradas.

O Coaf disse que o controle das compras feitas em dinheiro vivo é para identificar sinais de corrupção, lavagem de dinheiro e financiamento ao terrorismo. Segue abaixo a Resolução do Coaf:


COAF - RESOLUÇÃO Nº 25, DE 16 DE JANEIRO DE 2013 (Esta Resolução entra em vigor em 1.3.2013) 

Dispõe sobre os procedimentos a serem adotados pelas pessoas físicas ou jurídicas que comercializem bens de luxo ou de alto valor ou intermedeiem a sua comercialização, na forma do § 1º do art. 14 da Lei nº 9.613, de 3.3.1998.

RESOLUÇÃO Nº 25, DE 16 DE JANEIRO DE 2013
Dispõe sobre os procedimentos a serem adotados pelas pessoas físicas ou jurídicas que comercializem bens de luxo ou de alto valor ou intermedeiem a sua comercialização, na forma do § 1º do art. 14 da Lei nº 9.613, de 3.3.1998.

O PRESIDENTE DO CONSELHO DE CONTROLE DE ATIVIDADES FINANCEIRAS – COAF, no uso da atribuição que lhe confere o inciso IV do art. 9º do Estatuto aprovado pelo Decreto n° 2.799, de 8.10.1998, torna público que o Plenário do Conselho, com base no art. 7º, incisos II, V e VI do referido Estatuto, em sessão realizada em 16.1.2013, deliberou e aprovou a Resolução a seguir, em conformidade com as normas constantes dos arts. 9º, 10, 11 e 14, caput e § 1º, todos da Lei nº 9.613, de 3.3.1998.
Seção I
Do Alcance
Art. 1º A presente Resolução tem por objetivo estabelecer procedimentos de prevenção à lavagem de dinheiro e ao financiamento do terrorismo, sujeitando-se ao seu cumprimento as pessoas físicas ou jurídicas que comercializem bens móveis de luxo ou de alto valor ou intermedeiem a sua comercialização, ainda que por meio de leilão.
Parágrafo único. Para os fins desta Resolução, entende-se como de luxo ou alto valor o bem móvel cujo valor unitário seja igual ou superior a R$ 10.000,00 (dez mil reais) ou equivalente em outra moeda.
Seção II
Do Cadastro de Clientes e Demais Envolvidos
Art. 2º Nas operações de valor igual ou superior a R$ 10.000,00 (dez mil reais) ou equivalente em outra moeda, as pessoas de que trata o art. 1º devem manter cadastro de seus clientes e dos demais envolvidos, inclusive representantes e procuradores, em relação aos quais devem constar, no mínimo:
I - se pessoa física:
a) nome completo;
b) número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas – CPF;
c) número do documento de identificação e nome do órgão expedidor ou, se estrangeiro, dados do passaporte ou carteira civil; e
d) endereço completo;
ou
II - se pessoa jurídica:
a) razão social e nome de fantasia;
b) número de inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica - CNPJ;
c) nome completo, número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas – CPF e número do documento de identificação e nome do órgão expedidor ou, se estrangeiro, dados do passaporte ou carteira civil, do(s) seu(s) preposto(s); e
d) endereço completo.
Seção III
Do Registro das Operações
Art. 3º As pessoas de que trata o art. 1º devem manter registro de todas as operações que realizarem de valor igual ou superior a R$ 10.000,00 (dez mil reais) ou equivalente em outra moeda, do qual devem constar, no mínimo:
I – a identificação do cliente;
II - descrição pormenorizada dos bens/mercadorias;
III - valor da operação;
IV - data da operação;
V - forma de pagamento; e
VI - meio de pagamento.
Seção IV
Das Comunicações ao COAF
Art. 4º As operações e propostas de operações nas situações listadas a seguir devem ser comunicadas ao COAF, independentemente de análise ou de qualquer outra consideração:
I - qualquer operação ou conjunto de operações de um mesmo cliente no período de seis meses que envolva o pagamento ou recebimento de valor igual ou superior a R$ 30.000,00 (trinta mil reais) ou equivalente em outra moeda, em espécie; e
II - outras situações designadas em ato do Presidente do COAF.
Art. 5º Adicionalmente ao disposto no artigo 4º, deverão ser comunicadas ao COAF quaisquer operações que, considerando as partes e demais envolvidos, os valores, modo de realização e meio e forma de pagamento, ou a falta de fundamento econômico ou legal, possam configurar sérios indícios da ocorrência dos crimes previstos na Lei nº 9.613, de 3.3.1998, ou com eles relacionar-se.
Art. 6º As comunicações de que tratam os arts. 4º e 5º devem ser efetuadas em meio eletrônico no sítio do COAF, no endereço www.coaf.fazenda.gov.br, de acordo com as instruções ali definidas.
Parágrafo único. As informações fornecidas ao COAF serão protegidas por sigilo.
Seção V
Da Guarda e Conservação de Registros e Documentos
Art.7º As pessoas de que trata o art. 1º devem conservar os cadastros e registros de que tratam os arts. 2º e 3º por no mínimo 5 (cinco) anos, contados da conclusão da operação.
Seção VI
Das Disposições Finais
Art. 8º As pessoas de que trata o art. 1º devem cadastrar-se e manter seu cadastro atualizado no sítio do COAF, de acordo com as instruções ali definidas.
Art. 9º As comunicações de boa-fé, feitas na forma prevista no art. 11 da Lei nº 9.613, de 3.3.1998, não acarretarão responsabilidade civil ou administrativa.
Art. 10. As pessoas de que trata o art. 1º, bem como os seus administradores, que deixarem de cumprir as obrigações desta Resolução sujeitam-se às sanções previstas no art. 12 da Lei nº 9.613, de 3.3.1998.
Art. 11. As pessoas de que trata o art. 1º deverão atender às requisições formuladas pelo COAF na periodicidade, forma e condições por ele estabelecidas, cabendo-lhe preservar, nos termos da lei, o sigilo das informações prestadas.
Art. 12. Fica o Presidente do COAF autorizado a expedir instruções complementares para o cumprimento desta Resolução.
Art. 13. Esta Resolução entrará em vigor em 1.3.2013.

Brasília, 16 de janeiro de 2013.
 
ANTONIO GUSTAVO RODRIGUES
Presidente

4 comentários:

  1. Em pelo menos 3 dessas exigências eu encontrei possibilidade de serem derrubadas via mandado de segurança.
    Violam várias disposições contidas na CF, como direito a privacidade, ao sigilo das operações financeiras. Vamos ver o que diz a "oposição" sobre isso.

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    Respostas
    1. Como é Resolução infra lei, pode ser que não prospere a sua eficácia. Não sendo jurista, não falo em bases legais. Mas, vale a pena a discussão.

      O que questiono, se esta Resolução vale, também, para as classes mais ricas do País. Viagens, iates, barcos, veículos, roupas de grife, joias de grife, etc.

      Será que a Resolução atinge os Batista$? Ou veio só para pegar ladrões de galinha?

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  2. Eu pessoalmente continuo a achar que toda essa "dureza" é só para mostrar um rigor para quem é "zé mané" e, como sempre, os grandões continuarão fazendo e acontecendo, sem o menor acompanhamento.

    Eu fico aqui pensando o que deve passar pela cabeça de um ladrãozinho, desses que roubam maços de cigarros e garrafas de cachaça, e que, quando pego é mostrado algemado nas TV'S a serviço do regime para mostrar a eficácia deste mesmo regime.

    Aumenta sua ira e o faz roubar ainda mais.

    Por que o rigor só em cima dele?

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  3. Pois é! Quero ver isso funcionar com Zé Dirceu, com o Lula, com a Dilma (ex-terrorista da VAR-Palmares e ex-assaltante de banco)! Como no caso da "Pirâmide de Ponzi" prenderam o autor da ideia e a roubaram dele. E agora passam a gente pra trás com a cara mais lavada do mundo! E ai da gente, se fizermos um PIO que seja!

    Os Fundos de Pensão estão em risco também. Petros, Previ, Funcef... e outros mais, mas estes três sofrem a INGERÊNCIA do governo e ficam se endividando cada vez mais com as INVEPARes da vida (nem se importando com o "Contencioso" débito que está à marca dos biliões... vão deixar-nos à míngua se não formos lá e DERRUBARMOS esse sistema com nossas próprias mãos e julgarmos os tais 'Colarinho Branco' ... ou pelo menos fizermos como os hebreus fizeram na Antiga Pérsia de Ahassuerus, quando Hamã se levantou contra eles (livro de Ester).

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