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sexta-feira, 3 de maio de 2013

Economia BR II. Onde está o furo da política econômica?


Olha que não é fácil explicar para leigos, o que o câmbio influencia na economia brasileira. Explicar sem economês é outro desafio para este, mas vou fazer assim mesmo.  Os analistas econômicos, a imprensa e os puxa saco do governo não ousam de fazê-lo, com medo de desagradar a equipe econômica da Dilma.  

A Dilma vem dizendo que a inflação está controlada à quatro ventos.  A inflação está alta, no limite máximo estabelecido pelo próprio Banco Central, que é de 6,5% ao ano.  Até aqui tubo bem.  Só que a Dilma não explica como consegue esta façanha e muito menos os profissionais da imprensa que apenas transmitem o release do Palácio do Planalto.  

O governo Lula diante da crise financeira mundial de 2008, entre outras medidas, tomou o dólar como âncora para segurar a inflação e produzir um efeito "Red Bull" para a população brasileira.  Com a âncora cambial, controlado pela intervenção diária do Banco Central, ascendeu artificialmente o nível econômico da população, sem avisar das consequências que poderão advir desta medida, no médio prazo.

Em dezembro de 2008, o dólar estava cotado a R$ 2,33. Isto corrigido pela inflação, descontando a inflação americana, daria hoje, grosso modo R$ 2,60.  Fazendo série histórico do dólar, desde criação do real, deveria estar cotado entre R$ 2,60 e R$ 2,70.  Banco Central faz intervenções diárias, muitas vezes lançando mão de um derivativo denominado de Swap Cambial, no patamar de R$ 2.

Na prática o que ocorre com o dólar barato ou real valorizado? A primeira sensação é de que no Brasil não tem crise.  Por conta do real valorizado viramos 6ª economia do mundo, já que o PIB para efeito de classificação é calculado em dólar.  Com o real valorizado permite ao povo viajar de avião, permite fazer compras em Miami ou Nova York. Permite comprar produtos importados mais baratas que os brasileiros nos supermercados.  Levanta auto-estima do povo. Isto faz parte da estratégia do "governo bolivariano", para perpetuação no poder.  

Já que com o real valorizado permite importar tudo e em consequência as indústrias brasileiras vão fechando portas. Na contra mão, as exportações vão ficando cada vez mais difíceis, sobretudo as commodities como minério de ferro, complexo soja e milho, que vinham sustentando a balança comercial.  As indústrias de máquinas e equipamentos que de certa forma medem o grau de inovação tecnológica do País, já fecharam as portas há algum tempo.  

A distorção do dólar desvalorizado ou o real valorizado, vai paulatinamente fazendo parte do cotidiano brasileiro.  O Brasil importa desde panela de pressão aos computadores.  Chegamos aos raios de importar feijão preto e tomate da China.  Ah! Os automóveis são fabricados no Brasil diriam vocês.  Ledo engano. Só mesmo as carcaças são produzidos no Brasil. Os componentes mais sofisticados são importados.  

Inovação tecnológica defendido pelo ministro Mercadante, nada mais é do que montagem de indústrias maquiadoras. Vejam o caso da Foxconn que fabrica os produtos Apple ou mesmo indústrias automobilísticas que importam componentes sofisticados produzidos na Europa ou EEUU.  Isto tudo é feito por conta do real valorizado. Mas quando o lucro cessar, não vão pensar duas vezes, eles levarão de volta as fábricas e as inovações tecnológicas, sem dó.  

No primeiro momento, com o dólar desvalorizado e importações livres, criam consumo e consequentemente amplia o segmento de serviços.  Agora, no médio prazo, estamos tornando Brasil um país de terceiro mundo, que não tem cérebro próprio, não tem tecnologia própria, não tem indústria de máquinas e equipamentos próprios, e sucateamos as poucas indústrias genuinamente brasileiras.  

No segundo momento, vem o pesadelo.  A indústria brasileira que no primeiro mandado do Lula respondia com 25% do PIB, hoje não representa mais do que 17%.  Só vai sobrar mesmo as indústrias maquiadoras.  A consequência é que, passado a euforia, haverá desemprego.  Desindustrialização causa desemprego no Brasil, ao mesmo tempo que criamos empregos nos EEUU, Alemanha e na China, origem dos produtos de consumo do povo brasileiro.

Então, por que a Dilma não realinha o dólar, colocando no patamar mais realista?  E nem venham com a desculpa de que o dólar é flutuante no Brasil, porque não é.  

O problema é que o presidente Lula ao indicar o dólar como âncora para criar o falso desenvolvimento do País e a presidente Dilma em insistir na mesma tese, criou-se uma armadilha para si próprios.  As tarifas administradas pelo governo como combustíveis e energia elétricas estão atreladas ao câmbio.  Os produtos de consumo, hoje, a maioria estão atrelados ao câmbio.  Então dá para imaginar que se soltar o dólar explode a inflação!  

A âncora cambial é uma verdadeira bomba relógio armada pelos presidentes Lula e Dilma, tudo para se manterem no poder.  Digamos, uma verdadeira revolução bolivariana praticada, sem ter a reserva de petróleo per capita suficiente para bancar as benesses dadas à população.  O combustível vai acabando.  Literalmente, o País está importando os combustíveis, cada vez mais.  O primeiro sinal vermelho já acendeu, o saldo da balança comercial já registra déficit de mais de US$ 6 bilhões no primeiro quadrimestre, em contraste com o saldo positivo no mesmo período de ano passado. 

Os jeitinhos, os tapa buracos, as gambiarras, não funcionarão mais.  Terão que soltar o dólar.  Até parece que assisto remake do filme que assisti no final do primeiro mandato do FHC ou no final do mandato do Sarney.  Lula e Dilma estão tentando segurar o dólar desvalorizado até o término das eleições de 2014.  Será o País aguenta?  

Olhem. Acreditem em mim.  Não vão atrás de economistas e agentes do governo Dilma, defendendo posições contrárias às minhas.  É uma furada!  É melhor se prevenir, para não os pegarem de calça curta.  

Ossami Sakamori, 68, engenheiro civil, foi professor da UFPR, filiado ao PDT.  Twitter: @sakamori12

4 comentários:

  1. Bom dia Sakamori! Nada a declarar diante deste brilhante esclarecimento! Somente a lamentar e nos precaver como bem disse!Mais uma vez obrigado por nos trazer a luz tema complexo!

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  2. Nobre Sakamori:
    Primeiramente, agradeço como outras aulas que você com sua ineligência e sua didática nos oferta !
    Naturalmente, que seguirei seu conselho, pois, como já afirmei anteriormente, no eu blog inclusive, não acredito e não confio na competência dos atuais condutores da política econômica do Governo.
    Já deveriam estar em São Paulo, na Chacará onde se reunem para seus banquetes, a nossa custa, e deixar que o país volte a normalidade!
    São os piores integrantes dessa legenda que estão no comando, subservientes, sem caráter, venais e incompetentes!
    Mas somado ao caos apresentado, e o fracasso de nossa economia, neste momento, necessitamos extender também, aos empresários brasileiros sua parcela de culpa, também!
    São contumáz aproveitadores de situação, inescrupulosos, desprovidos de visão geoeconõmica, e, costumeiros frequentadores das anti-salas do poder a solicitar facilidades para suas empresas, e a se venderem para o curto prazo !
    Agora, estão amargando o desmonte de suas empresas, pois, entendem dentro de seus egoismos e ganancias, que a situação política do páis não lhes dizem respeito!
    Suas entidades representativas, igualmente, acendem uma vela para Deus e outra para o diabo !
    Deveriam, com o poder que possuem, pressionar seua representantes paralamentares, e, mesmo, o executivo estadural e federal, para solicitarem e engrossarem esse clamor por uma recondução da economia do páis, sob pena de virem a amargar o fim de suas empresas!
    O sucateamento é visível, e, nas estradas onde podemos medir claramente o nível da atividade industrial brasileira, são claros os sinais de estagnação ! A pouco, retornando do Pará, o volume de caminhões oriundo do sul, com destino ao Pará e ao Amazonas, principalmente, era irrelevante, e o que me impressionava, era os quilometros e quilometros espaçados de caminhões vindos, principalmente, aí do Paraná e do Rio Grande do Sul, que sempre amealharam aquela estrada!
    Portanto, não nos cabe além de rezar e pedir para que tenham cinco minutos de iluinação, e, reformulem esse equívoco econômico!
    O Brasil agradecerá, e nós, seu povo esperamos !
    Abraçando-o com carinho,

    MARKITO DE SOUZA

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  3. Dá para levar o dólar a R$ 2,70 com juros de 8,5%?

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    Respostas
    1. Prezado amigo,

      Recomendo ler um outro artigo sobre a taxa Selic, para entender melhor implicações do Selic no controle da inflação, sob o título: Dilma, Selic é remédio ou termômetro?

      Como tema é extenso, farei uma matéria exclusiva, novamente, para melhor entendimento sobre a inflação.

      Obrigado pelo comentário!

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