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terça-feira, 29 de janeiro de 2013

AS IGREJAS DEVEM OBEDECER AS MESMAS NORMAS DE PREVENÇÃO


Embora no momento de comoção da tragédia provocada pelo incêndio na casa de show em Santa Maria, sinto-me na obrigação de chamar atenção de outros acidentes anunciados no Brasil.  Na posição de engenheiro civil, tenho observado que há negligências graves nos recintos de igrejas, tanto quanto as casas de shows.

De repente, o Brasil todo, vão vistoriar as portas de emergências das casas noturnas, o principal motivo que originou a tamanha tragédia por conta de negligências de todos os que concederam o alvará de licença para construção e funcionamento do estabelecimento comercial, entre os quais a prefeitura municipal e Corpo de Bombeiros.  É mais do que evidente de que houve negligência ou no mínimo conivência de autoridades para a concessão do alvará.  

Quero chamar atenção de que onde há grande aglomeração de pessoas humanas, sobretudo em recinto fechado, há o perigo do efeito pânico ou efeito manada, por qualquer motivo, não necessariamente que o motivo seja por incêndio.  A atenção não deve voltar-se apenas para o incêndio.  Outros motivos poderão levar a aglomeração de pessoas ao pânico. Por exemplo, um apagão com um grito histérico de uma daquelas pessoas, poderão levar ao mesmo tipo de acidente, devido ao pisoteamento.  

Vejo pela televisão, aglomerações de pessoas em número expressivo, coisa de 5 mil a 20 mil pessoas, num ambiente totalmente inadequado assistindo cultos religiosos.  Nem é preciso fazer vistoria dos Bombeiros para notar que há falhas graves de engenharia em recintos de igrejas que são montadas em quatro cantos do Brasil.  Já houve casos, de desabamento de tetos, numa igreja da capital paulista.  E poderão haver outros acidentes, motivado pelo pânico, em diversas igrejas Brasil a fora.

As autoridades brasileiras, seja de que esfera for, não tem coragem de vistoriar e determinar exigências aos templos e igrejas, por se tratar de espaço religioso.  Aqueles espaços ou territórios são respeitados como se fosse um território livre de fiscalização das autoridades.  Funcionam quase como se fosse uma embaixada ou consulado de um país estrangeiro.  Constatação obvia que as igrejas recebem tratamento diferenciado, uma vez que as cúpulas recebem até passaporte diplomático do Itamaraty.

Exijo, como cidadão brasileiro, que os territórios ocupados pelas igrejas, sejam de que denominação for, muçulmanos, católicos, cristãos, budistas ou outras, fossem fiscalizados e as entidades mantenedoras obedecessem as leis vigentes no País, inclusive no tocante à prevenção de acidentes provocados pelos incêndios ou simplesmente pelos eventuais pânicos.  Antes que as tragédias anunciadas aconteçam de fato.  

As igrejas devem obedecer as mesmas normas de seguranças de boates.

Ossami Sakamori, 68, engenheiro civil, foi professor da UFPR, filiado ao PDT.  Twitter: @sakamori12

Um comentário:

  1. Chegar até aqui e ler o seu texto de alerta é muito bom! Eu faço minhas as suas palavras, pois consigo perceber a negligência nos recintos religiosos tanto quanto nas outras casas que recebem multidões pagantes. Hoje estou encontrando textos de vários profissionais (Professores, Engenheiros...) todos refletindo no que abalou o Brasil e o mundo nesta semana. Isso é importante, pois evitará uma série de problemas nos estabelecimentos/instituições que colocarem em prática a sabedoria da SEGURANÇA nos vários setores em que a vida se faz presente. Parabéns, Prof. Ossami Sakamori, pela coragem! Faço coro com você!

    Abraços!

    Sonia Salim

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