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domingo, 24 de novembro de 2013

Setor industrial e inovação tecnológica. Vamos apostar, sem Dilma.

Hoje, estou a falar da penúltima matéria da série "Vamos apostar a favor do Brasil, sem Dilma".  Trata-se da matéria mais complexa e espinhosa.  Nem mesmo as entidades representativas da indústria faz análise sintético e contundente, como irei fazer na sequência.  Perdoem os empresários da indústria, mas vou falar em nome deles.

O fato concreto é que o setor industrial representava no início do governo Lula, 26% do PIB.  Hoje, o setor não representa mais do que 13% do PIB.  Hoje, a indústria não é mais carro chefe para criação e ou manutenção de empregos no País, como fora no passado recente.  Perdeu o posto para o setor de agronegócios.  

Na tentativa de resumir assunto tão complexo, podemos eleger como vilão  da desindustrialização do País a dois fatores, o câmbio e o custo Brasil.  A inovação tecnológica vem na esteira dos dois problemas mencionados.  Os empresários da indústria não sentem estimulados para promover inovação tecnológica no País.  Preferem soluções prontas vindo de estrangeiro, por questão puramente econômica/financeira.  

O câmbio defasado ou dólar demasiadamente depreciado desestimula exportação e estimula importações.  Desestimulando exportações, deixam de criar empregos aqui no Brasil.  As indústrias brasileiras, preferem importar componentes, com série de inovações tecnológicas e fazer apenas montagem.  O que acontece na Zona Franca de Manaus, acabou virando regra para o resto do País.  Viramos País que criam empregos nos países de origem dos produtos.  

Além da defasagem do câmbio, o custo Brasil está cada vez mais exacerbado.  Os impostos, na média, representa cerca de 38% do preço de produtos no varejo.  O custo de encargos trabalhistas no Brasil é uma das mais alta do mundo, senão a mais alta.  Para cada R$ 100 de salário bruto, tem um custo adicional, em média, 145% sobre o valor da folha.  Sendo assim, o cálculo de custo da mão de obra deverá ser considerada 245% do valor bruto da folha.  Isto é custo Brasil. 

O custo Brasil, ainda é onerado pela infraestrutura deficiente e cara, como já mencionamos na matéria sobre a infraestrutura.  Além do custo que poderá onerar em até 10% sobre o valor do produto, sobretudo em commodities, há que considerar ainda a deficiência de portos se torna bastante onerosa para exportações.  O custo Brasil, onera não só indústrias, mas sobretudo ao setor de agronegócio, também.  

No campo de inovação tecnológica, como foi dito acima, não há estímulo.  Com o câmbio defasado ou dólar depreciado é preferível comprar tecnologia já desenvolvida lá fora.  É questão matemática.  Não adianta nada, o governo Dilma, tentar estimular a inovação tecnológica, se o câmbio não ajuda.  

No quesito inovação tecnológica existe problema cultural que ainda hoje persiste nas universidades brasileiras, o isolamento das pesquisas científicas do setor produtivo brasileiro.  As pesquisas, as poucas que são realizadas nas universidades, são de âmbito acadêmico, longe de ser pesquisas tecnológicas que possam atender as indústrias brasileiras.  Não há elo de ligação entre universidades e indústrias consumidoras de inovação tecnológica.   Isto eu falo de cadeira, pois já fui professor da Universidade Federal do Paraná.  

Pois com este breve relato, vocês podem avaliar de que todos temas tratadas neste blog, são interdependentes.  Os governos, não só o do PT, mas todos anteriores passando pelo PSDB, não se preocupam em apresentar um consistente "Plano Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social" que contempla em globo todos temas tratados aqui.  

Os planos, dos últimos governos, que me lembro, são providos de "programas" pontuais, apenas com intensão de ganhar eleições.  Pensam os governantes: o povo que se lixem!  Eles se preocupam apenas no "poder", seja para dar continuidade ou para retomada dele.  Pronto, já falei.  Agora, resta mais um tema que é sobre inflação, de uma série que denominei:  Vamos apostar à favor do Brasil.  

Dilma aposta contra o Brasil !  Nós, eu e 200 milhões de brasileiros, apostamos, verdadeiramente, à favor do Brasil.

Ossami Sakamori 




Um comentário:

  1. O PT vai entrar para a história como o partido mais oportunista e covarde de todos os tempos. É interessante para o PT se colocar como um partido preocupado apenas com o "social", rejeitando o legado "autoritário" dos tempos do desenvolvimento industrial do Brasil. Verdade, covardia e demagogia dão votos, mas deixam, também, um legado maligno.

    Não podemos esquecer que, aqui, o lobby ecológico ajuda a brecar qualquer possibilidade de retorno ao desenvolvimento da nossa industria. Somos um dos países com um dos maiores índices de poluição do mundo, mas, em contrapartida, adotamos um discurso ambiental hipócrita, que engessa qualquer possibilidade do nosso desenvolvimento. Sempre achei este discurso ecológico uma maneira dos países hegemônicos sabotarem nossa indústria. E o PT, com sua demagogia, engole tudo que vem de fora, desde que seja "bom para o nosso país".

    Distribuição de renda só é possível com emprego, industrialização permanente, para suprir uma demanda que só cresce. A indústria move um país. Temos de nos livrar dos produtos importados imediatamente e investir na competitividade. Indústria e tecnologia, duas palavras chaves para o crescimento do Brasil. Mas, nossos cientistas estão indo para fora porque não encontram estímulos à pesquisa no Brasil. E lá fora, nossos cientistas são um dos mais valorizados do mundo.

    A USP já não está mais entre as Universidades top de linha do mundo. As nossas universidades, hoje, só servem como a Porta da Esperança, que garante o marketing social abjeto do PT. Não há mais investimentos em nossas universidades, que ainda vivem, com o apoio da classe média, verdade, como uma ilha para alguns privilegiados.

    Com o desaquecimento da Indústria, o Brasil virou o país do subemprego. Há vagas no Brasil, mas para empregos precarizados, que pagam péssimos salários. Não curto o agronegócio, que além de ruim, do ponto de vista ecológico, dá pouco emprego, paga mal. Indústria afeta o meio ambiente, mas dá emprego, paga bem e desenvolve o país.

    Não sou contra movimentos ecológicos, temos de ter responsabilidade ambiental, mas essas ONGs que atuam por aqui, são, no mínimo, suspeitas. Na Rússia e na China, ecologistas não tem vida fácil. Mas, aqui, os "verdes" tem trânsito fácil.

    Tecnologia, industrialização e educação estão fora da cartilha do PT. Então, vamos tirar o PT, para sempre, do mapa. O poder é nosso e não do PT.

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