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sábado, 30 de novembro de 2013

Brasil. Os elos perdidos!

Ontem, uma leitora me perguntou o que eu ganho em fazer oposição ao governo Dilma ou se alguém me paga para fazer insistentes críticas à política econômica (sic) do governo Dilma. De repente, caiu-me a ficha.  

O que este dinossauro está a fazer participando em redes sociais e editar blog para expor os seus pensamentos?  Pois, no mundo dos poderosos sou uma insignificância ou melhor não sou absolutamente nada.  Nada de nada!  Sou apenas um reles cidadão no meio de 200 milhões de pessoas que habitam este País.

Explico.  Há 5 décadas que ouço os governantes dizerem que o Brasil é um país do futuro.  Ouço dizer isto desde os meus 18 anos, portanto, há 51 anos passados.  E eu entrei nesta onda.  Vamos dizer, toda população do Brasil entrou.  Há 50 anos, sonhei que o Brasil estaria ombreando com os países desenvolvidos.  Em alguns poucos momentos da história recente, imaginei mesmo que o futuro estava bem próximo.  Mas, foi ilusão de pensamento.  

Restam-me, apenas 1 década no máximo, no meu caso, a assistir este Brasil alcançar o futuro que sempre almejei para minha pátria amada.  E custo a acreditar que os velhos costumes da política brasileira, os mais atrasados possíveis, continuam a vigorar no País.  Os velhos e novos caudilhos querendo impor sua vontade própria, sem se preocupar com o País, apenas se preocupando em satisfazer a sua vaidade própria.  

Em sua maioria, os políticos, conjugam o verbo na primeira pessoa do singular, EU.  E utilizam o pronome no singular, MEU.  Não me lembro de ter votado para entregar o meu País para qualquer um destes, apenas deleguei função de representação legislar ou para administrar as unidades da federação.  

O elo perdido.  

Custo a acreditar que ainda há 22 milhões de pessoas economicamente miseráveis, ganhando menos que R$ 70 per capita mês, índice estabelecido pela ONU.  Isto representa mais do que 10% da população.

Custo a acreditar que ainda há 55 milhões de analfabetos funcionais no País.  Isto representa mais do que 1/4 da população.  

Custo a acreditar que morrem doentes nos corredores dos hospitais públicos.  Há 50 anos não acontecia isto.  Significa que o sistema de saúde não acompanhou o aumento populacional do País.

Custo a acreditar que morrem cerca de 50 mil pessoas em acidente de trânsito, por ano.  Este número é o mesmo que dos soldados americanos mortos na Guerra do Vietnã. 

Custo a acreditar que ocorrem cerca de 50 mil homicídios todos os anos.  Não adianta apenas repressão para acabar com os homicídios.  Vamos lembrar apenas que o País fez investimentos nessas pessoas, mesmo precários, com recursos públicos.

Custo a acreditar que temos apenas 30 mil Km de ferrovias, o modal de transporte o mais viável economicamente, sendo a maioria das linhas sucateadas. Comparativamente, EEUU tem 226 mil Km de ferrovias em operação.  

Custo a acreditar que estamos perdendo exportações de commodities pela deficiência dos portos brasileiros.  Enquanto os países do primeiro mundo navegam em verdes mares.  

Custo a acreditar que o governo não tem capacidade de investimento nem mesmo no modal menos onerosa em termo de inversão de capital, mas a mais onerosa em termo de custo para usuários.  As rodovias brasileira, em sua maioria, estão esburacadas.  

Custo a acreditar que o País não procura alternativas de energia viáveis em quantidade suficiente para atender ao menos a demanda mínima de crescimento do PIB.  A energia elétrica gerado pela hidroeletricidade está no fim.  Parecem que não caiu a ficha dos planejadores do País.

Custo a acreditar que estamos importando combustíveis prontos porque a capacidade de refino de petróleo já esgotou há muito tempo.  Logo vem a crise de porto a atrapalhar as importação de combustíveis prontos.  

Custo a acreditar que o País ainda mantém o monopólio de petróleo, sem que a Petrobras, a única empresa com delegação do governo, tenha capacidade de suprir as necessidades do País em termo de demanda. 

Custo a acreditar que os professores apanhem dos alunos nas escolas.  Isto há 50 anos, seria escândalo!  Houve inversão de valores?  Houve degeneração dos bons costumes?  O que houve realmente não saberia precisar.  Eu mesmo fiz parte do magistério há 40 anos passados.  Éramos respeitados. Éramos, eu disse.

Custo a acreditar que o País é governado pelos presidentes ladrões, sem escrúpulos, sem vergonha na cara, incapazes para o exercício do cargo.  Todos, sem exceção, querem ser os heróis ou salvadores da pátria.  Disputam espaços na história do País.  Todos que passaram pela história deste País foram ou são vaidosos e egoístas.  Nenhum deles pensaram ou pensam na população que os elegeram ou que a elegeu.  

O meu pedido.  Deixe-me, este reles cidadão, que não tem expressão nenhuma no contexto político, manifestar os pensamentos, iludido de ver o Brasil do futuro ainda em vida.  Para mim, só tem 10 anos para acontecer!  E para você, tem quantos anos? 

Vamos apostar no Brasil, procurando restabelecer os elos perdidos, vamos?  Vamos jogar o osso no ar para ver o que acontece?  

Ossami Sakamori


11 comentários:

  1. Conspiração contra o futuro - MAÍLSON DA NÓBREGA
    REVISTA VEJA


    Estão em curso no Congresso dois projetos que aumentam substancialmente as despesas públicas: um duplica os gastos em educação (de 5,8% para 10% do PIB); outro obriga a despender 10% da receita da União em saúde. Não se pergunta como isso será financiado. A ideia parece ser a de que o governo sempre tem dinheiro.
    A Constituição de 1988 foi influenciada pela ideia de “resgate da dívida social”. Acabou concedendo mais benefícios aos idosos. Eles ganharam novas vantagens com os reajustes do salário mínimo, que elevaram os gastos previdenciários. Em 1987, a conta de aposentados e pensionistas correspondia a 4% do PIB; em 2012 subiu para 11% do PIB. Em 1987, benefícios previdenciários, seguro-desemprego e outros gastos sociais equivaliam a 22% dos gastos federais; em 2012, já com o Bolsa Família (a menor parte dessa história), saltaram para 61%. A saúde consumia 8% e os servidores da ativa, 13%, o que deixava menos de 20% para as demais atividades, incluindo os investimentos. Estes caíram de 16% para apenas 6% do total no mesmo período. Daí a deterioração da infraestrutura.

    Os projetos nas áreas de educação e saúde indicam que a marcha em prol do gasto social não parou. Eles custarão mais do que o dobro do dispêndio atual em investimentos. As despesas obrigatórias com pessoal, saúde, educação, programas sociais, encargos da dívida e transferências a estados e municípios se aproximarão de 100% da arrecadação. Isso vai desaguar em aumento da já excessiva carga tributária, eliminação do superávit primário, aumento da dívida pública ou mais inflação. O Congresso não liga para esses riscos. Para o líder do PSB na Câmara, “se não houver aumento de recursos, dizer que haverá melhoria na saúde é mentir para a população”. Para ele, a destinação de 10% da receita para a saúde “é inegociável” (Valor, 8/8/2013).

    Gastos sociais são sempre necessários em um país onde ainda há muita pobreza e desigualdade. O problema é como financiá-los e geri-los de forma responsável e eficiente. É preciso, além disso, considerar as tendências demográficas. Fabio Giambiagi, um de nossos melhores especialistas em finanças públicas, tem se dedicado a estudar os efeitos fiscais dessas tendências. Com base na revisão das projeções feita em 2008 pelo IBGE, ele mostra que a população de zero a 14 anos cairá de 26% para 13% do total em 2050. Haverá, então, 21 milhões de crianças a menos, o que reduz a necessidade de gastos em educação fundamental. A participação dos que têm 60 anos ou mais passará de 10% para 30% do total. Outro grande especialista, Raul Velloso, calcula que, se nada for feito, os gastos federais com previdência, pessoal e assistência social saltarão de 14% do PIB, em 2012, para 29% do PIB, em 2040. E certamente mais em 2050.

    Políticos não costumam preocupar-se com as próximas gerações, mas nossos parlamentares deveriam, antes de aprovar novos gastos, avaliar cuidadosamente suas consequências. Precisam também preparar o país para lidar com os riscos a que estarão expostos nossos filhos e netos. Preferem, todavia, o aumento de despesas e o desprezo pelas ameaças advindas da marcha inexorável da demografia. É uma verdadeira conspiração contra o futuro.

    << http://avaranda.blogspot.com.br/2013/09/conspiracao-contra-o-futuro-mailson-da.html >>

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  2. Boa matéria, parabéns.
    Infelizmente a psicoadptaçao faz com as pessoas se acostume com tudo isso.

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  3. Ótima matéria! O que vejo em nosso País realmente é lamentável! A impressão que tenho é que os pobres não foram feitos para a política, mas para sustentar o poder dos políticos. E assim caminha este nosso Brasil!

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  4. Não importa o tempo, custo em acreditar em nosso Brasil. Vc que questionou provavelmente elegeu um desses que hora lhe rouba.

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  5. Nunca esperei por uma mudança efetiva no Brasil nas mãos dos políticos. Nestes últimos 25 anos, a única coisa realmente boa foi a consolidação, institucionalmente falando, da democracia. Fazemos parte de uma República democrática onde a desigualdade, de todo tipo, ainda persiste. O Brasil ainda é o país mais desigual do mundo, não podemos comparar o nosso país com países como Colômbia, Nicarágua, Guatemala, África do Sul ou qualquer outro lugar da África.

    Os pacotes sociais no Brasil não têm a função de extinguir nossa pobreza, a preocupação social do governo é administrar a pobreza com interesses puramente eleitorais. As bolsas isso e daquilo são uma espécie de termômetro eleitoral para o PT, só isso.

    Nestes últimos 25 anos, ao lado da ascensão do PT, houve um crescimento fenomenal da violência e das seitas neopentecostais, que, pra mim, são dois fenômenos que servem como termômetro da situação institucional do Brasil. A criminalidade, de todas as cores e de todas as esferas sociais, e o surgimento de um messianismo arrivista, andam lado a lado com a política baixo nível do PT, tudo isso não é coincidência.

    O Brasil, tornou-se emergente, mas junto com o vedetismo, veio o acafagestamento do país, com empobrecimento da política, da cultura, das relações sociais. Os movimento de Junho, em que só havia a classe média, não havia o povo, não foram uma revolução e sim um sinal de mal estar com toda a nossa atual situação em que a falência de nossas estruturas humanas, educação, saúde, segurança, o voto.

    Tenho 39 anos, sem filhos, de uma certa forma, estabilizado, mas sem grandes perspectivas. Não olhei o Brasil com um cronômetro, ou relógio, o tempo deste país é outro, quer dizer, anda num compasso que desconheço. Não sei quanto tempo de vida tenho para ver um país melhor, não sei - mas, afinal, quem sabe?

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  6. Sakamori querido:
    Feliz o país que possui homens como você, destemido, inteligente, patriota e com o alto espírito público demonstrado até aqui sob pena de ser alvo dos inescrupulosos, devassos, traidores desse país tão sugado como o nosso querido Brasil!
    Conceitos, projeções e frases de efeito, lamentavelmente, é o que vemos todos os dias em nossa complicada e ininteligível imprensa! Poderia esta, prestar um melhor serviço à nação e a sua população, seus leitores, reagissem aos acenos de cooptação dos inescrupulosos homens com investidura pública, que subtraem a capacidade informativa dos grandes profissionais dessa área.
    É proibido nos dias atuais, defender este país, seus valores, sua história, seus costumes, suas verdades ! Temos que estar subjulgados aos interesses nem sempre confessos dos inescrupulosos condutores da vida nacional, assim como , aos seus parcos conhecimento deste país! Suas verdades empanam nossa consciência, e mancham a história de luta e honra de nossos antecessores!
    Quanto a incredulidade de sempre irmos pela contra-mão das coisas, meu grande amigo, deve-se a mansietude e conivência jurídica para coibir e punir os assaltantes do sangue brasileiro!
    Isso sim não tem sido avaliado, temos falado em Erário, jamais no esforço individual de cada um de nós, com nossa contribuição escorchante aos tributos! Isso porque, com nossa pretensa modernidade, temos sublimado o estrago diuturnamente feito contra nosso povo e nossa instituições! Não cultivamos nossa história, nossa ganância supera tudo, conquanto tenhamos vantagens, é o que nos basta!
    Mas, tentando responder sua pergunta, tenho comigo que em todos os tópicos que o nobre questionou como, custar acreditar, encontraremos respostas na construção equivocada dos nossos códigos penais e civil, que são aliados dos equívocos e más tendências dos mal avaliados homens públicos eleitos por todos nós!
    Precisamos sim, corrigir essas aberrações, com a participação e responsabilidade também nossa, pois vamos às eleições como se fosse um castigo! Aliás, tem sido um castigo, que normalmente, tem a duração de 4 anos!
    Nosso regime político é um monstrengo, pois construímos um governo presidencialista, com a forte tendência e conjuntura parlamentarista, daí a ingovernabilidade que temos visto, contribuída que está, pela delegação equivocada de nossa gente, a elementos despreparados e não avaliados para o exercício público exigido de um país continental.
    Vivi com homens que exerciam o espírito público, como Ulisses, Tancredo, José Richa, Miguel Arraes, Nelson Marquesan, e tantos outros, que infelizmente minha memória me trai, e hoje, muito poucos, normalmente,os descendentes dos declinados, por hereditariedade e formação, exercitam para suas populações !
    Antes, para ser eleito precisava possuir currículum de serviço prestado, de história de vida e de compromisso com seus representados!
    Hoje, é imperioso que se tenha uma conta bancária polpuda para amaciar seus delegados, e a mídia, já mencionada anteriormente para se construir levianamente um perfil que sabe ser enganador, assim como, aos seus eleitores!
    Ratifico meus pedidos no twitter, muito mais importante que eleição do Presidente da República, está na eleição dos Deputados e Senadores, pois, são eles que constroem nossas leis, e encarnam os nossos valores no poder público!
    Se assim o fizermos, poderemos mudar tudo, pois estaremos contribuindo diretamente, no destino e objetivos que almejamos!
    Este país espera e merece uma balançada!
    Só quem pode fazer isso, somos todos nós buscando o futuro melhor, para nós e principalmente, para nossos filhos!
    Quanto a deixarem-no quieto, esqueça, de inepto, de sem importância é que você não é, e graças a Deus, que assim o seja, pois, precisamos aprender nos indignar, e principalmente, a reagir a essa indignação !
    Abraçando-o com o carinho e admiração de sempre,
    Seu amigo,
    MARKITO DE SOUZA



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    1. Amigo Markito,

      Impressiona-me sua destreza em pronunciar os sentimentos em palavras. Seu currículum é invejável e impecável. Você é a memória viva dos que lutaram e luta pelo Brasil melhor.

      Com tristeza e dor que resigno em olhar o País que perdeu dignidade em não fazer valer os valores morais de cidadãos do bem, muito bem representado pelo velho guerreiro das lutas democráticas desta Nação.

      Infelizmente, os exemplos que vemos hoje, são bem ao contrário das pessoas honradas que você cita. Hoje, os corruptos, os traficantes, os malfeitores estão "bombando" nos altos escalões dos poderes da República.

      Sou como você, amigo! Não me entrego fácil. Com a idade de aposentadoria, ainda quero ver o Brasil recuperar os elos perdidos nos tempos.

      Quem sabe, o osso que nós macacos lançarmos no ar, representado pelas palavras, levem o Brasil a viver a nova "odisséia", onde todos nós possamos nos orgulhar.

      Com o carinho e respeito de sempre!

      Seu amigo Sakamori

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  7. A realidade Saka:
    - O Brasil conquistou definitivamente o título de "país do futuro".
    O gigante - afinal, é mais fácil explorar e aviltar um elefante dormindo em torpor do que um cachorro desperto.

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  8. Parabéns pelo texto, sentimento expresso de milhões de brasileiros.

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