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sábado, 23 de novembro de 2013

Brasil da Dilma. Contas externas com problemas!

O jornal Folha, de ontem, traz notícias que merecem ser traduzido em linguagem de leigo, o conteúdo delas para melhor entendimento de uma série da matérias que venho postando há alguns dias, aqui.  Já falei de dólar, de tarifas administradas, de política fiscal e de infraestrutura, até o momento.  Esta matéria, complementa a minha tese de que o dólar está demasiadamente depreciado.  Vamos, lá, então.  

Folha. No acumulado do ano até outubro, o resultado negativo nas contas externas de US$ 67,5 bilhões também é recorde para o período e 70,5% maior que o registrado nos primeiros nove meses de 2012 (US$ 34,1 bilhões). 

Comentário.  O resultado das contas externas de US$ 67,5 bilhões, contempla, balança comercial, pagamento de serviços, royalties, juros, entrada ou saída de capital especulativo.  O número mostra que o País gastou mais do que recebeu.   

Folha. O fluxo de investimentos produtivos foi robusto em outubro, mas insuficiente para compensar o rombo na conta corrente. No mês passado, entraram US$ 5,4 bilhões destinados a compra de participação em empresas ou empréstimos intercompanhias, elevando o saldo do ano para R$ 59,1 bilhões. 

Comentário.  Os investimentos produtivos que se refere a Folha, diz respeito ao investimento estrangeiro direto (IED).  É o fluxo de dólares proveniente de investimento estrangeiro no País.  São dólares que as empresas transnacionais trazem para o País, para montagem ou expansão de suas atividades.  Nem sempre, estes investimentos são para criação de novas empresas, pode ser apenas "aquisição" de empresas ou projetos já instalados.  

Nas últimas décadas, o País vem equilibrando a balança de pagamentos, cobrindo o déficit da balança de conta corrente (contas externas) com o fluxo de investimentos produtivos (IED).  Pelos números anunciados, a balança de pagamento (soma de todos os fluxos de dólares) de 2013, ainda não fechou. A balança de pagamentos até outubro está em US$ 67,5 bilhões (-) US$ 59,1 bilhões (=) US$ 8,4 bilhões.  Em tese, a diferença US$ 8,4 bilhões seriam coberta pela reserva cambial.  

Folha. Os recursos destinados a títulos de renda fixa, que vinham bombando nos últimos meses após a retirada do imposto cobrado sobre investimento estrangeiro nessas aplicações, recuaram fortemente em outubro (entrada de apenas US$ 196 milhões). No ano, o saldo ainda é positivo em US$ 28 bilhões, mas os dados parciais de novembro mostram uma saída de US$ 1,5 bilhão. 

Comentário.  Vejam o que acontece na balança de conta corrente. Se não houvesse fluxo positivo de "capital especulativo" em US$ 28 bilhões, o rombo da conta externa, não mais seria mais os US$ 67,5 bilhões, mas sim maior. Normalmente o capital especulativo são para aplicação em títulos do Tesouro Nacional, à taxa Selic.  Como está havendo escassez de entrada de investimentos produtivos (IED), certamente, o Banco Central, na próxima reunião deverá aumentar a taxa de juros básicos Selic.  Não sabemos se aumentará 0,25% ou 0,5%, isto é inexorável.  Brasil depende do dinheiro do agiota para sobreviver, o que é triste.

Folha. Apesar do dólar mais caro, os gastos de brasileiros com viagens ao exterior não param de crescer.  Essas despesas somaram US$ 2,324 bilhões em outubro, maior valor mensal da história. No ano, o valor também é recorde: US$ 21,251 bilhões. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (22) pelo Banco Central. 

Comentário.  Diz a Folha que apesar do dólar mais caro, os gastos dos brasileiros com viagens ao exterior não param de crescer.  Isto tem 2 significados.  O primeiro é que na contra-mão dos países desenvolvidos, o Brasil não investe em atrair turistas estrangeiros.  O afluxo de turistas estrangeiros poderiam reforçar o ingresso de dólar no País, além de criar empregos aqui no Brasil, no setor de turismo. 

O segundo significado é que apesar de dólar estar mais caro, ainda não está tão caro assim.  O dólar mais caro, ainda assim está muito barato.  Isto reforça a minha tese, a primeira de uma série de matérias, de que o real está demasiadamente apreciado ou que o dólar está demasiadamente depreciado.  Usem como quiserem os termos, ambas querem dizer a mesma coisa.  

Resumindo. Demonstra mais uma vez, que há erro sistêmico na política econômica (sic) da Dilma.  Só estaria coerente com a política populista bolivariana da Dilma.  E assim, vamos nos rastros da Venezuela de Nicolás Maduro, a passos largos para descontrole total da economia.  Chegará um ponto que nem os melhores alquimistas encontrarão a fórmula da salvação. 

Não tem outra solução.

Vamos apostar no Brasil, sem Dilma, vamos? 

Ossami Sakamori

5 comentários:

  1. Não conheço nenhum povo do mundo que mais tem apreço em falar mal de si mesmo do que o povo brasileiro. Brasileiro, apesar do pensamento colonizado e da baixo estima, tem nariz empinado, por isso, cospe para cima, recebendo o mesmo na própria cara.

    Dilma, com sua política volta, basicamente, para os rincões do Brasil, adotando uma política meio parecida com a dos já extintos caciques do DEM. Há, hoje, uma crise de exportação no Brasil, já que o preço das commodities estão baixando drasticamente. O sucesso aparente do governo do PT se deveu à ascensão das commodities, que agora, estão caindo. A China foi mais esperta e tratou de incentivar a exportação de produtos de alto valor agregado, coisa que o Brasil não fez, sobretudo, ao desvalorizar o nosso complexo industrial.

    Agora, voltando ao primeiro parágrafo, Dilma é a maior estimuladora da economia dos EUA e Europa, incentivando o turismo pra fora do Brasil. Isso faz parte de um jogo podre e eleitoreiro, que diz que "a classe C" agora pode viajar de avião, de preferência para os EUA, que coisa mais cafona. Sai mais barato viajar para os EUA do que dar uma passada para o nordeste, por exemplo. Como o PT não investe em infraestrutura, não temos como receber turistas domésticos ou estrangeiros. O brasileiro prefere se endividar, comprando dólar caro do que se arriscar em viajar para sua própria terra. O PT tem medo de estimular o consumo interno por medo da inflação...

    Verdade, estamos indo para o caminho da Venezuela, com uma classe média viciada em viagens e produtos importados - hoje o Brasil é um dos países com um dos potenciais mais baixos de competitividade - enquanto o PT centraliza a economia e a política com ações sociais e afirmativas caducas, deixando uma parcela grande da sociedade em suas mãos. A situação brasileira é crítica, sobretudo, politicamente falando.

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  2. Sakamori, no ínicio do texto vc diz que sua tese é de q o USD está demasiadamente depreciado, ficou dúbio, o que vc quer dizer é que o Real forte é ruim para CCI?

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    1. Não há afirmação dúbia.

      No caso brasileiro, o real apreciado ou como você diz real forte é ruim para o desenvolvimento do País.

      Perdemos competitividade diante no mercado externo, exportamos menos com o real apreciado.

      Parece paradoxo, mas o fato é que a apreciação do dólar é que dá competitividade aos produtos brasileiros no exterior.

      Real forte, apenas dá sensação de poder, momentâneo, mas faz estrago na economia, como está acontecendo com as contas externas.

      Obrigado pela colaboração!

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  3. Onde eu escrevi "o preço das commodities estão baixando drasticamente" , quis dizer "o preço das commodities está baixando drasticamente". Cometi um erro de concordância. Escrevi com pressa e não revisei o que escrevi. Um erro que não devo cometer. Desculpe o erro de português.

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