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quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Dólar. Vamos apostar a favor do Brasil !

Ninguém aqui vai dar uma de cartomante e estabelecer o nível ideal de valor do dólar, numa conjuntura tão crítica.  É um assunto complexo, mas dá para estabelecer pelo menos o encaminhamento da política cambial adequada ao momento econômico que vive o País.    

Porém, o diagnóstico de quão defasado está a cotação do dólar, é relativamente simples. Relativamente simples também o entendimento do porque da crise econômica e financeira que o País está a experimentar.  Vamos a algumas evidências de que o dólar está extremamente depreciado, na sequência, para melhor compreensão da crise que vivemos.  

O resultado negativo da política econômica equivocada da presidente Dilma, está evidenciado pela desindustrialização que está ocorrendo no País.  Quando o presidente Lula tomou posse, a indústria representava cerca de 26% do PIB, hoje, mal chega a 13% de participação do PIB nacional.  Há evidente distorção num País como o Brasil que tem matérias primas abundantes para desenvolver indústrias competitivas no mundo.  

Por conta do real apreciado ou dólar depreciado, o País de exportador de poucos produtos manufaturados passamos a ser importador destes produtos.  Hoje, a indústria brasileira virou indústria maquiadora de manufaturados importados.  A grave consequência disto é que criamos empregos lá fora ao invés de criarmos empregos dentro do País.  

Por conta do dólar depreciado, mesmo os produtos primários como minério, grãos e carnes in natura ou processados, estão encontrando dificuldade em arranjar colocação lá fora, com preços competitivos.  Voltamos à época do colonialismo, que pagávamos os produtos importados com o café e ouro.  Na essência, acontece mesma situação hoje, pagamos produtos manufaturados com os commodities.

Por conta do real apreciado a balança de conta corrente no item turismo, por exemplo, somos largamente deficitários.  Mandamos mais turistas lá fora do que recebemos aqui para dentro.  Situação contrária acontece nos países desenvolvidos, que lucram com afluxo de turistas estrangeiros.   Neste quesito, agimos como se fossemos país de "novos ricos".  Uma atitude ridícula.  O governo estimula evasão de divisas via segmento de turismo, ao invés de fazer o contrário.  

A evidência de que o dólar está bastante apreciado é que um imóvel em Miami custa metade do preço de imóvel no Brasil.  No mínimo, deveria ter valor equivalente tanto aqui como nos EEUU.  Não, não nos tornamos País rico!  Pelo contrário, o endividamento público e privado cresceram exponencialmente na última década.  Então, tem alguma coisa errada.  A conclusão é que estamos gastando dinheiro que não temos.

Feitas as consideração, vamos analisar o que o governo Dilma vem fazendo em matéria de câmbio.  O mercado de dólar está com tendência de alta ou seja está tentando encontrar o equilíbrio.  Por outro lado, a Dilma tenta segurar o dólar no atual patamar emitindo título denominado swap cambial tradicional, que nada mais é do que um "dólar virtual".  De dólar só de nome.  São emissão de títulos do Tesouro indexado ao dólar.  O governo está emitindo US$ 100 bilhões em swap cambial tradicional.  Se não fosse o swap cambial, em tese, teria que queimar a reserva cambial em US$ 100 bilhões.  

Isto tudo é consequência de que o dólar ficou engessado pelo governo Dilma, por tempo demasiado.  A Dilma praticou política econômica equivocada, em relação ao câmbio, desde o primeiro dia do seu governo.  O dólar depreciado ou real apreciado causou malefício que a desindustrialização do País, entre tantos outros.  Apenas trouxe a popularidade da Dilma, pela falsa sensação de poder econômico que ao povo foi proporcionado.  Talvez, tenha sido este o objetivo, o de interesse particular acima do interesse do País.  Dilma aposta nela própria, mesmo que seja contrário ao interesse do País.  

Outra ideia falsa é de que o câmbio brasileiro é flutuante.  Como flutuante, se o governo intervem no câmbio emitindo swap cambial tradicional, diariamente?  Esta ideia falsa é dos economistas dito neo-liberais dos governos FHC, Lula e Dilma.  O contrário seria o cambio controlado como o caso da Venezuela que contingencia a saída de dólar conforme disponibilidade da moeda na reserva. Mas há outras alternativas disponíveis.  

A China é um exemplo clássico que podemos tentar segui-lo.  O câmbio na China, funciona, digamos com metas, com alguma flexibilizações.  A China cresceu pelo menos em 2 décadas recentes a uma taxa próximo de 10% ao ano.  Hoje, a China cresce a 7,5% e não estão gostando nada disso.  Será que os chineses são burros?  Creio que não!  Eles, apesar de olhos puxados, enxergam muito longe!  Eles, chineses, serão primeira economia do mundo nos próximos 10 anos!  

Resumindo.  O Brasil, qualquer que seja o governo e independente do partido que vier a ocupar o poder, deve tirar a máscara do "novo rico" e partir para desenvolvimento sustentável, sem medo da encarar a realidade.   O câmbio deve ser principal instrumento para "reindustrialização" do País, mesmo que custe algum sacrifício ao povo no primeiro momento do realinhamento.  No médio prazo, seremos com certeza o País que será o orgulho de todos nós.  

Dilma, por favor, esqueça um pouco a sua reeleição e pratique a política cambial mais realista!  Se insistir com as medidas pontuais como faz hoje, o País vai quebrar no curto prazo!  Quanto mais tarde o ajustamento ou realinhamento, o desastre será maior.  Digo mais, melhor mesmo seria a Dilma acatar a própria incompetência e desistir de se candidatar nas próximas eleições.  

Dilma, vamos apostar a favor do Brasil, vamos?

Ossami Sakamori


3 comentários:

  1. Brilhante matéria, mais esclarecedora, impossível. O grande pecado do PT, como se fosse apenas um, é a desindustrialização do Brasil. A Argentina, por exemplo, décadas atrás, foi para o buraco, sem volta, porque não investiu na Indústria, preferindo ficar no meio do caminho, enquanto São Paulo investia pesado na Indústria. Hoje, ocorre o oposto. Sim, o PT vende a ideia de que somos um país de novos ricos, com um bando de caipiras cosmopolitas enchendo os EUA de dinheiro.O Brasil está caminhando a passos largos para o mesmo rumo perdido de Venezuela e Argentina.

    A bolha imobiliária é outro problema grave, estamos criando um exército de endividados, se continuar assim, não sei quem vai falir primeiro, o Brasil ou os brasileiros. Não me iludo: O PT está ocupado demais em permanecer no poder, se preocupando com medidas marketeiras e alianças. O PT nunca acreditou em si mesmo porque sabe que é uma fraude. Duvido que o PT vá reindustrializar o país e resolver esta inhaca com o dólar, o eterno sobe e desce. Só espero o óbvio: uma crise braba após a reeleição de Dona Dilma.

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  2. Isso que você fala, as agências de classificação de risco já apontam ano péssimo para o Brasil, justamente por esta fragilidade da economia.
    Vejo muitos pretensos "nouveaux riches". É lindo ascender financeiramente e socialmente, mas com os pés no chão. Entendo que essa política cambial (sic) é pra justamente satisfazer aos anseios comsuminstas do brasileiro. Vide Venezuela, que Maduro autorizou a saquearem as lojas.
    Como que aquelas pessoas vão se preocupar em furtar TVs de LED se não têm comida (que já dá sinais de falta) nem *papel higiênico* pra limpar a bunda!!!??!!
    Espero Titia e seus prepostos #TOMEMVERGONHA em 11 meses. Na verdade, em menos tempo.

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  3. Boa matéria, só discordo quanto a China, cuja fórmula de crescimento se esgotou e não está conseguindo fazer a tão necessária transição de um modelo baseado em investimento/infraestrutura para o consumo. Além disso seu sistema bancário paralelo está tri-quebrado, é só uma questão de tempo pro castelo de cartas ruir.
    Grande abraço

    Murray

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