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domingo, 7 de julho de 2013

Economia BR, dia 7. Inflação de 2 dígitos batendo na porta!

Na última sexta-feira, IBGE divulgou o IPCA de junho. O acumulado do ano ficou em 3,15% e o acumulado dos últimos 12 meses ficou em 6,7%.  Lembrando que a meta estabelecida pelo Banco Central para o ano de 2013 foi de 4,5% ao ano.  

Segundo o critério do Banco Central do Brasil, a inflação acumulada, estourou o teto da meta em 0,2%, como se a meta tivesse o piso e teto.  Só mesmo coisa de brasileiro. A realidade é que a inflação estourou em 2,2% o objetivo do governo, para a inflação.  

O índice é preocupante?  Não, não seria tão grave, se a equipe econômica da Dilma tivesse um plano econômico consistente.  A preocupação maior é que o índice de inflação, aparentemente comportado, está sendo conquistado com uma série de medidas que não se sustenta no longo prazo.  Gambiarras comendo solto, para segurar a inflação. 

Um dos graves erros da política econômica (sic) da Dilma é a utilização do câmbio como âncora para conter a inflação.  Outro fator grave é que os preços administrados do governo, como de combustíveis e de energia elétrica, estão sendo comprimidos, com consequente sucateamento da Petrobras e Eletrobras.  Algumas desonerações fiscais ajudaram segurar a inflação nestes últimos 12 meses, mas o arsenal está no fim.

Um outro fator que pesa na inflação é a própria indexação de  serviços e tarifas.  É como que a economia toda ficasse atrelado ao índice dos últimos 12 meses.  Muitos serviços e tarifas estão indexados em IGP-M ou IGP-DI.  O índice IPCA é apenas parâmetro para definir a "inflação oficial" do País.  A economia funciona como correnteza do rio, não tem como pará-la repentinamente.  Para reduzir a velocidade da correnteza tem que tomar medidas.  

O governo Dilma, numa atitude bipolar, toma medidas que umas se anulam com as outras.  Por um lado, aumenta a taxa básica de juros Selic para enxugar a liquidez do mercado (sic).  Por outro lado, anuncia financiamento de móveis e utensílios para mutuários do MCMV, num montante significativo, R$ 15 bilhões.  Não saberia dizer se uma coisa zera a outra, mas questiono a inoportunidade da medida, diante da inflação crescente.

O governo Dilma utiliza o termômetro para curar o doente.  A taxa Selic, na realidade mede grau de credibilidade para colocação dos seus títulos da dívida interna.  Há muito tempo que a credibilidade do título do governo está em baixa.  A Dilma tem medo de usar outros instrumentos da política econômica para conter a inflação.  A inflação reflete de certo modo, ressalvado o efeito inercial, pelo equilíbrio de oferta e procura.  O aumento da taxa Selic é como tentar diminuir a velocidade da correnteza do rio, criando um canal alternativo para dar fluxo ao excesso d´água.  

Dentro da premissa acima, o Banco Central deve aumentar a taxa Selic na próxima reunião do COPOM, na quarta-feira próxima.  O mercado diz em 0,5%.  Nada disso muda o rumo da economia, substancialmente.  É como dizer: vou aumentar a vazão do canal alternativo.  A correnteza do rio vai continuar como que nada tivesse acontecido.  A inflação continua no mesmo ritmo, se depender unicamente da taxa Selic.  Quem agradece são os banqueiros, que vão lucrar sem fazer força.  

O que me preocupa não é taxa Selic.  O que me preocupa é acomodação do dólar no patamar mais próximo da realidade.  Na sexta-feria fechou em R$ 2,26.  O Brasil no mercado financeiro global perdeu credibilidade, sobretudo pela não existência de uma política econômica consistente.  Isto é como buchicho.  Se antes o Brasil era a bola da vez para os investimentos, agora, o Brasil é bola da vez para desinvestimentos.  Infelizmente, viramos patinho feio no mercado financeiro global.   Dentro deste quadro, os dólares vão voar para outros países, sobretudo rumo aos EEUU, onde economia parece entrar na fase de crescimento.  

Até onde o dólar vai, não saberia afirmar, mas uma coisa é certa, o Banco Central não está conseguindo segurar.  Através de diversas intervenções com o instrumento denominado de Swap Cambial, o Banco Central tenta conter a cotação do dólar no patamar atual.  Medidas emergenciais ou pontuais, como a venda futura do dólar, o Swap Cambial, pode resolver situação atípica de algum momento, mas não pode funcionar como medida permanente.  

No meu entender, deveria o Banco Central, aproveitar da situação para deixar flutuar o dólar até encontrar o equilíbrio entre a oferta e procura.  As intervenções deveriam ocorrer, num patamar de equilíbrio, estimado pelos economistas no entorno de R$ 2,40 a R$ 2,50.  Pelos meus cálculos o úmero  é acima deste valor, mas não vou botar lenha na fogueira, neste momento.  Por que falo do dólar, se estamos falando de inflação?  

Como dito no preâmbulo desta matéria e repetidamente em outras matérias, o dólar está sendo âncora para segurar a inflação, dentro da política econômica equivocada da presidente Dilma.  Se o dólar atingir patamar anunciado pelos economistas, o efeito sobre inflação é desastrosa.  O Brasil, notadamente, à partir do segundo mandato do Lula, vem desindustrializando.  O Brasil deu prioridade às importações do que às exportações.  Uma estratégia de gente sem miolo, de incompetentes, de burros.  Dar prioridade às importações seria como dar prioridades a criar empregos nos países de origem dos produtos.  É o que foi feito nos últimos 10 anos.

Diante do quadro de dependência das importações, o economista Samuel Pessôa fez um estudo e concluiu que para cada 20% de aumento de dólar, provoca 5% de adicional na inflação.  Se o dólar alcançar a cotação de R$ 2,40, estará configurado o aumento de 20% na cotação do dólar.  Sendo, assim, nos próximos 6 meses teremos um adicional de 5% sobre a inflação corrente, somente por conta do dólar.  

Faça conta, por favor, 6,7% + 5% = 11,7%.  

Isto quer dizer que, se não forem tomadas medidas adicionais, além do simples aumento da taxa Selic, no final deste ano teremos inflação de 2 dígitos.  Bem, as consequências, todos já sabem, são desastrosas para o bolso do povo.  Para os banqueiros e especuladores, melhor que isto não tem.  Estão torcendo para que isto venha a ocorrer para ganhar mais dinheiro.  

Será que o povo aguenta inflação de 2 dígitos?  Eis a questão.  

Vamos aguentar com a Dilma e sua incompetência até onde?  Ontem, de brincadeira, propus como para o plebiscito "mandato de presidente da República em 5 anos, sem direito à reeleição".   Propus, também, votar para vigorar já em 2014, incluindo a não reeleição da atual ocupante do cargo.

Chega de Dilma! Já estou cansado... muito cansado!   

Ossami Sakamori, 68, engenheiro civil, foi professor da UFPR, filiado ao PDT.   E-mail:  sakamori10@gmail.com

2 comentários:

  1. Alexandre Lemos Silva comentou...

    Quem sente as inflação é o povo. O preço dos alimentos vem subindo de maneira desordenada, a situação é séria. O preço dos remédios, a mesma coisa. O preço dos aluguéis também sobem...

    O Brasil não aproveitou a grande valorização das commodities, o grande trunfo dos países emergentes, só a China, Índia e Rússia estão tirando proveito disso... Este país só exporta produtos sem valor agregado e até isso faz pouco. A desindustrialização é um processo sem volta neste governo, que só se preocupou em baixar o imposto sobre eletrodomésticos da "linha branca".

    A recuperação dos EUA é o golpe fatal no Brasil. Agora, se a inflação superar o valor do salário mínimo - e isso já está acontecendo - e o povo tem como perceber isso, aí, a bomba vai estourar de vez.

    A elite especula com a inflação, classe média, burra, que não poupa e os empresários, que sempre se endividam, vão se ferrar de vez. E quando isto acontecer, esse pessoal vai ter de fazer protesto 24 horas por dia.

    Não estou surpreso com isso, o Brasil é o país da inflação, do arrocho salarial e do endividamento.

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  2. 4.5% + ou - 2%

    Eu nunca compreendi a razoabilidade de se lidar com uma meta com a possibilidade de variação de 50% (aproximadamente) para um lado ou para o outro. É simplesmente absurdo.

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