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quarta-feira, 10 de julho de 2013

Dilma, tenha dó dos médicos e da população!

Presidente Dilma, nem posso mais tirar minha siesta depois do almoço, como faço diariamente.  O meu dever cívico, não me deixa fazer isto.  Veja, Dilma, o que me escreve uma médica do interior do Brasil.  É de matar!  

Fernanda Melo, médica, moradora e trabalhadora de Cabo Frio, cidade da baixada litorânea do estado do Rio de Janeiro.

Este ano completo 7 anos de formada pela Universidade Federal Fluminense e desde então, por opção de vida, trabalho no interior. Inclusive hoje, não moro mais num grande centro. Já trabalhei em cada canto...


Você não sabe o que eu já vi e vivi, não só como médica, mas como cidadã brasileira. Já tive que comprar remédio com meu dinheiro, porque a mãe da criança só tinha R$ 2,00 para comprar o pão.



Por que comprei? 



Porque não tinha vaga no hospital para internar e eu já tinha usado todos os espaços possíveis (inclusive do corredor!) para internar os mais graves. 



Você sabe o que é puxadinho? 

Agora, já viu dentro de enfermaria? Pois é, eu já vi. E muitos. Sabe o que é mãe e filho dormirem na mesma maca porque simplesmente não havia espaço para sequer uma cadeira? 



Já viu macas tão grudadas, mas tão grudadas, que na hora da visita médica era necessário chamar um por um para o consultório porque era impossível transitar na enfermaria?



Já trabalhei num local em que tive que autorizar que o familiar trouxesse comida ( não tinha, ora bolas!) e já trabalhei em outro que lotava na hora do lanche (diga-se refresco ralo com biscoito de péssima qualidade) que era distribuído aos que aguardavam na recepção. 



Já esperei 12 horas por um simples hemograma. Já perdi o paciente antes de conseguir um mera ultrassonografia. Já vi luva descartável ser reciclada. Já deixei de conseguir vaga em UTI pra doente grave porque eu não tinha um exame complementar que justificasse o pedido. 



Já fui ambuzando um prematuro de 1Kg (que óbvio, a mãe não tinha feito pré natal!) por 40 Km para vê-lo morrer na porta do hospital sem poder fazer nada. A ambulância não tinha nada...



Tem mais, calma! Já tive que escolher direta ou indiretamente quem deveria viver. E morrer...



Já ouvi muito desaforo de paciente, revoltando com tanto descaso e que na hora da raiva, desconta no médico, como eu, como meus colegas, na enfermeira, na recepcionista, no segurança, mas nunca em você. 



Já ouviu alguém dizer na tua cara: meu filho vai morrer e a culpa é tua? Não, né? E a culpa nem era minha, mas era tua, talvez. Ou do teu antecessor. Ou do antecessor dele...



Já vi gente morrer! Óbvio, médico sempre vê gente morrendo, mas de apendicite, porque não tinha centro cirúrgico no lugar, nem ambulância pra transferir, nem vaga em outro hospital? 



Agonizando, de insuficiência respiratória, porque não tinha laringoscópio, não tinha tubo, não tinha respirador? 



De sepse, porque não tinha antibiótico, não tinha isolamento, não tinha UTI? 



A gente é preparado pra ver gente morrer, mas não nessas condições.



Ah Dilma, você não sabe mesmo o que eu já vi! Mas deixa eu te falar uma coisa: trazer médico de Cuba, de Marte ou de qualquer outro lugar, não vai resolver nada!



E você sabe bem disso. 



Só está tentado enrolar a gente com essa conversa fiada. É tanto descaso, tanta carência, tanto despreparo...



As pessoas adoecem pela fome, pela sede, pela falta de saneamento e educação e quando procuram os hospitais, despejam em nós todas as suas frustrações, medos, incertezas... 



Mas às vezes eu não tenho luva e fio pra fazer uma sutura, o que dirá uma resposta para todo o seu sofrimento! 



O problema do interior não é falta de médico. É falta de estrutura, de interesse, de vergonha na cara. Na tua cara e dessa corja que te acompanha! 



Não é só salário que a gente reivindica. Eu não quero ganhar muito num lugar que tenha que fingir que faço medicina. E acho que a maioria dos médicos brasileiros também não.



Quer um conselho? 



Pare de falar besteira em rede nacional e admita: já deu pra vocês!



Eu sei que na hora do desespero, a gente apela, mas vamos combinar, você abusou! 



Se você não sabe ser "presidenta", desculpe-me, mas eu sei ser médica, mas por conta da incompetência de vocês, não estou conseguindo exercer minha função com louvor!


Não sei se isso vai chegar até você, mas já valeu pelo desabafo!

Aqui posto neste blog, eu tenho certeza que vai chegar à Dilma, prezada Doutora Fernanda Melo.  Os homens do governo Dilma estão bisbilhotando meu blog.  Fernanda, pode ser que você esteja usando o seu pseudônimo, mas não tem importância.  O quadro geral da saúde pública no Brasil é exatamente como você retrata.  

Estou solidário com todos médicos do Brasil, não os cubanos, pela situação que passa.  E estou muito mais solidário com a população que não tem amparo do sistema único de saúde, o SUS.  E ainda, tem que ouvir que o SEU governo está investindo em UPA?  Pelo amor de Deus!  Quando que eu ia imaginar que iríamos parar no Burundi?  Pois cá estamos... no Burundi!

Ossami Sakamori (os dados estão no perfil deste, logo acima desta página).

4 comentários:

  1. não sobrou nadinha de culpa para os prefeitos???? acho q uma só pessoa não é responsável pela corrupção de milhares. fica a dica

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  2. a realidade é essa mesmo, infelizmente é aviltante, agora achar que serra & cia fariam melhor, menos... menos.

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    Respostas
    1. Prezado Anônimo,

      Não sou Serra. Não gosto do Serra! Apenas, postei uma mensagem que chegou no meu e-mail. As conclusões é sua, somente.

      Coitado dos prefeitos que participam com 15% de toda arrecadação de tributos. A União fica com 62%. Quem administra o SUS é União, por isso chamo atenção da Dilma.

      De qualquer forma, obrigado pela participação!

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  3. Eu lembro. com tristeza, da cpmf, criada para dar suporte à medicina no Brasil. Uso desvirtuado, como tudo neste País. Entra governo e sai governo e o investimento em educação, saúde, saneamento básico, transporte público e infraestrutura são pífios.
    Nestes 2 últimos governos inventaram os PACs, que são mais propaganda do que obras.
    Quando é que teremos um governante que realmente esteja preocupado com o Brasil e sua população e não apenas com seus "cúmplices" de governo, partidos e ideologias políticas?
    abs,
    Luciano Loyola

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