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terça-feira, 27 de janeiro de 2015

20 obras financiadas por BNDES, no exterior.


Não é novidade para ninguém que o Brasil tem um problema grave de infraestrutura. Diante dessa questão, o que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) faz? Financia portos, estradas e ferrovias — não no Brasil, mas em diversos países ao redor do mundo.

Desde que Guido Mantega deixou a presidência do BNDES e se tornou Ministro da Fazenda, em abril de 2006, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social tornou-se peça chave no modelo de desenvolvimento proposto pelo governo.

O BNDES, quando despido de toda a propaganda ideológica, não passa de uma perniciosa máquina de redistribuição de renda às avessas.  Uma vez que você entende como realmente funciona este suposto banco de desenvolvimento, torna-se claro seu mecanismo espoliativo.

Originalmente, os recursos do BNDES eram oriundos do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador — fundo destinado a custear o seguro-desemprego e o abono salarial).  Só que, dado que os recursos do FAT advêm das arrecadações do PIS e do PASEP, na prática os recursos do BNDES eram originados dos encargos sociais que incidem sobre a folha de pagamento das empresas.  Esse dinheiro era então direcionado para as grandes empresas a juros subsidiados.

Este arranjo, por si só, já denotava um grande privilégio.  Por que, afinal, as pequenas empresas devem financiar os juros subsidiados das grandes empresas?

O problema é que essa matriz, já ruim, foi alterada para pior a partir de 2009.  Se antes o BNDES se financiava exclusivamente via impostos, agora ele passou a se financiar também via endividamento do Tesouro, o que significa que ele se financia via inflação monetária.

Funciona assim: como o BNDES não tinha todo o dinheiro que o governo queria destinar a seus empresários favoritos — como o multifacetado Senhor X —, o Tesouro começou a emitir títulos da dívida com o intuito de arrecadar esse dinheiro para complementar os empréstimos.

E quem compra esses títulos?  O sistema bancário.  Como ele compra?  Criando dinheiro do nada, pois opera com reservas fracionáriasO gráfico a seguir mostra a evolução dos empréstimos do BNDES, atualmente com um saldo de R$615 bilhões. Observe a guinada ocorrida em meados de 2009, quando essa nova modalidade foi implantada.

Portanto, além de aumentar o endividamento do governo, este mecanismo utilizado pelo Tesouro para financiar o BNDES também aumenta a quantidade de dinheiro na economia.  Logo, ele espolia duplamente os mais pobres: destrói o poder de compra da moeda e ainda utiliza os impostos dos pequenos para financiar empresários ricos.

Desde a adoção dessa nova modalidade, o total de repasses do Tesouro ao BNDES saltou de R$ 9,9 bilhões — 0,4% do PIB — para R$ 440 bilhões — 8,5% do PIB. Alguns desses empréstimos, aqueles destinados a financiar atividades de empresas brasileiras no exterior, eram considerados secretos pelo banco. 

Só foram revelados porque o Ministério Público Federal pediu na justiça a liberação dessas informações.  Em agosto, o juiz Adverci Mendes de Abreu, da 20.ª Vara Federal de Brasília, considerou que a divulgação dos dados de operações com empresas privadas "não viola os princípios que garantem o sigilo fiscal e bancário" dos envolvidos.

A partir dessa decisão, o BNDES é obrigado a fornecer dados sobre que o Tribunal de Contas da União, o Ministério Público Federal e a Controladoria-Geral da União (CGU) solicitarem. Descobriu-se assim uma lista com mais de 2.000 empréstimos concedidos pelo banco desde 1998 para construção de usinas, portos, rodovias e aeroportos no exterior.

Quem defende o financiamento de empresas brasileiras no exterior argumenta que a prática não é exclusiva do Brasil. Também ocorre na China, Espanha ou Estados Unidos por exemplo. O BNDES alega também que os valores destinados a essa modalidade de financiamento correspondem a cerca de 2% do total de empréstimos, e que os valores são destinados a empresas brasileiras (empreiteiras em sua maioria), e não aos governos estrangeiros.

A seleção dos recebedores destes investimentos, porém, segue incerta: ninguém sabe quais critérios o BNDES usa para escolher os agraciados pelos empréstimos. Boa parte das obras financiadas ocorre em países pouco expressivos para o Brasil em termos de relações comerciais, o que leva a suspeita de caráter político na escolha.

Outra questão polêmica são os juros abaixo do mercado que o banco concede às empresas. Ao subsidiar os empréstimos, o BNDES funciona como um Bolsa Família ao contrário, um motor de desigualdade: tira dos pobres para dar aos ricos. Ou melhor, capta dinheiro emitindo títulos públicos, com base na taxa SELIC (11,75% ao ano), e empresta a 5%. Essa diferença entre custo de captação e receita é arcada por nós, via impostos e carestia.

Seguem 20 exemplos de investimentos que o banco considerou estarem aptos a receberem investimentos financiados por recursos brasileiros. 


1) Porto de Mariel (Cuba)




Valor da obra – US$ 957 milhões (US$ 682 milhões por parte do BNDES) Empresa responsável – Odebrecht


2) Hidrelétrica de San Francisco (Equador)




Valor da obra – US$ 243 milhões
Empresa responsável – Odebrecht
Após a conclusão da obra, o governo equatoriano questionou a empresa brasileira sobre defeitos apresentados pela planta.
A Odebrecht foi expulsa do Equador e o presidente equatoriano ameaçou dar calote no BNDES.


3) Hidrelétrica Manduriacu (Equador)




Valor da obra – US$ 124,8 milhões (US$ 90 milhões por parte do BNDES)
Empresa responsável – Odebrecht
Após 3 anos, os dois países 'reatam relações', e apesar da ameaça de calote,
o Brasil concede novo empréstimo ao Equador.

4) Hidroelétrica de Chaglla (Peru)




Valor da obra – US$ 1,2 bilhões (US$ 320 milhões por parte do BNDES)
Empresa responsável – Odebrecht


5) Metrô Cidade do Panamá (Panamá)




Valor da obra – US$ 1 bilhão
Empresa responsável – Odebrecht


6) Autopista Madden-Colón (Panamá)




Valor da obra – US$ 152,8 milhões
Empresa responsável – Odebrecht


7) Aqueduto de Chaco (Argentina)




Valor da obra – US$ 180 milhões do BNDES
Empresa responsável – OAS


8) Soterramento do Ferrocarril Sarmiento (Argentina)




Valor – US$ 1,5 bilhões do BNDES
Empresa responsável – Odebrecht


9) Linhas 3 e 4 do Metrô de Caracas (Venezuela)




Valor da obra – US$ 732 milhões
Empresa responsável – Odebrecht


10) Segunda ponte sobre o rio Orinoco (Venezuela)





Valor da obra – US$ 1,2 bilhões (US$ 300 milhões por parte do BNDES)
Empresa responsável – Odebrecht


11) Barragem de Moamba Major (Moçambique)





Valor da obra – US$ 460 milhões (US$ 350 milhões por parte do BNDES)
Empresa responsável – Andrade Gutierrez


12) Aeroporto de Nacala (Moçambique)




Valor da obra – US$ 200 milhões ($125 milhões por parte do BNDES)
Empresa responsável – Odebrecht


13) BRT da capital Maputo (Moçambique)



Valor da obra – US$ 220 milhões 

(US$ 180 milhões por parte do BNDES)

Empresa responsável – Odebrecht


14) Hidrelétrica de Tumarín  (Nicarágua)




Valor da obra – US$ 1,1 bilhão (US$ 343 milhões)
Empresa responsável – Queiroz Galvão
*A Eletrobrás participa do consórcio que irá gerir a hidroelétrica


15) Projeto Hacia el Norte – Rurrenabaque-El-Chorro (Bolívia)




Valor da obra – US$ 199 milhões
Empresa responsável – Queiroz Galvão


16) Exportação de 127 ônibus (Colômbia)




Valor – US$ 26,8 milhões
Empresa responsável – San Marino


17) Exportação de 20 aviões (Argentina)




Valor – US$ 595 milhões
Empresa responsável – Embraer


18) Abastecimento de água da capital peruana – Projeto Bayovar (Peru)



Valor – Não informado
Empresa responsável – Andrade Gutierrez


19) Renovação da rede de gasodutos em Montevideo (Uruguai)



Valor – Não informado
Empresa responsável – OAS


20) Via Expressa Luanda/Kifangondo



Valor – Não informado
Empresa responsável – Queiroz Galvão


Como estes existem mais de 3000 empréstimos concedidos pelo BNDES no período de 2009-2014. Conforme mencionado acima, o banco não fornece os valores… Ainda.

De fonte anônimo.


Colaboração:

José Carlos Bortoloti
@profeborto


Leia também: "O rombo do BNDES" de minha autoria:
Clique aqui ~~~> BNDES


Ossami Sakamori




15 comentários:

  1. Leitor anônimo reclamou que não houve financiamento do metrô de Panamá. BNDES que confirme ou desmente o que foi postado nesta matéria.

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  2. Professor esse artigo é um verdadeiro mapeamento.

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  3. MESTRE
    Aqui os gráficos e fotos não abriram,pode ser falha nossa,mas vale verificar.
    abraços
    gushenau

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    1. HELENO PINTO NOBRE28 de janeiro de 2015 11:00

      TAMBÉM NÃO APARECEU O MEU . CONFORME FALOU O ANÔNIMO DIA 27.01.2015 . 15:37 h.!!!! FALTOU OS GRÁFICOS E AS FOTOS .!!!!!

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  4. Apesar dos gráficos não abrirem, foi um verdadeiro registro de imoralidades. E aí eu pergunto : quais as providências cabíveis e quem irá tomá-las ? Pelo que temos apurado estão todos entrelaçados nessas maracutaias. Grande Brasil, hoje transformado no maior País de Ladrões que se conhece, simplesmente por uma sigla PT

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    1. O problema é que o povo Brasileiro concorda com essa roubalheira.Fazer o que? Eu já decidi , enquanto o TP tiver no poder , não compro nada.Nem carro,nem imóvel, so compra itens de necessidades , e o dinheiro que passar na minha mão , vira dolar e da do Brasil.

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    2. A unica SAIDA, é a SAIDA de #vemprarua15demarco." A UNICA COISA QUE POLITICO TEM MEDO É MOVIMENTAÇAO POPULAR" Ulisses Guimaraes

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  5. Quatros hidrelétricas financiadas para fora e nós aqui no apagão? É por essas e outras lambanças do PT do Lula e Dilma que o Brasil está falido. Mas sabemos que Lula ganha uma boa porcentagem sobre esses empréstimos via BNDES. É por isso que só empresas de amigos dele são agraciadas. Quando esse larápio papudo irá pra papuda?

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  6. Não fico surpreso, O PT é o partido das empreiteiras, vide o escândalo da Petrobrás, onde os empreiteiros lotearam a maior empresa do Brasil. Quem não se lembra do Lula fazendo lobby para as grandes construtoras nos países da África? Taí o resultado, o BNDES financiando obra dos outros, enquanto o nosso país cai aos pedaço. A recessão vai comer os nossos salários e o Bolsa Família, enquanto o agronegócio e as construtoras ganham um polpuda mesada do BNDES...

    Não podemos esquecer que aquele filme horroroso sobre o Lula, O Filho do Brasil, foi financiado com dinheiro de empreiteiras. A ligação do PT com os países da América Latina e África nada tem a ver com política, tem a ver com interesses econômicos. É óbvio que rola muita grana entre políticos que autorizam obras públicas, no Brasil sempre foi assim e agora o PT internacionaliza a picaratagem.

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  7. Sakamori:

    Bom dia.
    Também não consegui acessar os links...

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  8. Só não consigo entender como o BNDES não abriu falência. È um poço sem fundo? Mas o dinheiro tem de vir obrigatoriamente de algum lado! E esse lado tem assim tanto dinheiro em dólares? Somos assim tão ricos?

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  9. Já postei meu comentário, mas gostaria de saber de onde sai tanto dinheiro . Tambem tenho em saber quem vai p o inferno primeiro.

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  10. E as obras no Brasil que não saem do papel por falta de dinheiro. Aqui em Minas Gerais por exemplo: A duplicação da BR 262 (rodovia da morte), a ampliação do aeroporto de Confins, a construção do anel rodoviário em Belo Horizonte, a ampliação do metrô em Belo Horizonte, o investimento em transporte de massa em Belo Horizonte, a construção de Hospitais regionais no interior de Minas Gerais, etc..etc..etc...etc...

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  11. Que podemos fazer contra tudo isso????...orar e muito!!!!

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  12. A PETROBRÁS e o BNDES são dinheiro de pinga se for levantado os rombos da previdência que é administrada a ABEL SABOR. Leiam ou assistam o que diz o Senador do "PT" Exmo Senador Paulo Paim nos LINKS A BAIXOS
    http://www.senadorpaim.com.br/verDiscurso.php?id=2807
    https://www.youtube.com/watch?v=9vQI2m3b2Zc

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