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domingo, 20 de maio de 2012

LULA VAI ADIAR MENSALÃO PARA ANO QUE VEM

A afirmativa do título é minha.  Não sou bruxo. Não sou político. Nem tão pouco, tenho conhecimento sobre a área jurídica.  Tenho apenas formação técnica, sou engenheiro civil.  A profissão me faz pensar e raciocionar de forma cartesiana.  Eu já disse com antecedência de que CPMI do Cachoeira iria virar em enorme pizza.  Aliás, já fiz convite para "réquiem da CPMI do Cachoeira".  Abaixo, vou argumentar que o Mensalão não vai ser julgado neste ano.

Primeiro argumento é de que este ano, 2012, é ano de eleições municipais e o partido dos presidentes Lula e Dilma, querem e querem ganhar eleições para consolidar a posição do partido a que eles pertencem.  Em são consciência, pensando, eles não vão querer ver TV Justiça transmitindo o julgamento dos principais personagens do partido do governo federal.  Isto seria componente fatal para conquista eleitoral das principais capitais do país, notadamente a da cidade de São Paulo, o reduto do presidente Lula.

Tem declarações dos ministros do STF que apontam para esta direção.  O ministro Lewandowski já declarou que entregaria o processo que está em suas mãos, até o final de junho próximo.  A segunda declaração é do presidente do STF Ayres Britto, que afirmou que "se" o ministro Lewandowski entregar o processo para ele Ayres Britto até o dia 30 de junho, ele põe na pauta para julgamento no mês de agosto deste ano e que por outro lado, se não for entregue neste prazo, o julgamento somente ocorreria no ano que vem.  Então, a data fatal é o dia 30 de junho deste ano.  


Acontece que a maioria dos réus do Mensalão, integrantes do partido dos presidentes Lula e Dilma, contrataram nada mais nada menos que o ex-ministro de Justiça do Lula, Márcio Thomaz Bastos.  Ele é também advogado do Carlinhos Cachoeira e comparsas.  CPMI foi para o forno do pizza, por causa de uma simples petição do ilustre advogado.  Márcio Thomaz Bastos, com a competência que ele tem, vai atravessar uma petição no undécimo minutos antes do vencimento do prazo fatal da entrega do processo ao Ayres Britto, no dia 30 de junho, alegando motivo vil.  Ele ministro Lewandowski até por dever de ofício deverá analisar a petição dos réus, postergando a entrega do processo para o pleno do STF.  Conclusão.  Entregando o processo após o dia 30 de junho, o presidente Ayres Britto já antecipou que só vai colocar na pauta do pleno no ano que vem.


É penoso ter raciocínio cartesiano, à essa altura.  Concluo que não tenho ilusão nenhuma de que Mensalão seja julgado antes das eleições de 2012.


Ossami Sakamori, 67, engenheiro civil, foi prof. da UFPR.
Twitter: @sakamori10

 

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