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quarta-feira, 16 de maio de 2012

DILMA, DÓLAR VAI A R$2,40


Os sucessivos governos, independente de cores partidárias, não vem dando devida atenção ao câmbio.  Ou melhor, está se utilizando do câmbio para segurar a inflação. Isto traz consequência nefasta permitindo a "falsa prosperidade", como aconteceu na Grécia, ontem. Fiz várias simulações, utilizando-se do índice oficial de inflação, descontado o da inflação americana, o dólar americano deveria estar cotado a  R$2,40. Utilizando-se do IGPM o número vai para estrastofera e para não causar pânico vou deixar de mencionar aqui.  Quem está no setor de exportação sabe muito bem o que estou a dizer.  Várias medidas poderiam ser tomadas para colocar o dólar no patamar real, entre as quais a baixa acentuada da taxa de juros básicos SELIC paga pelo governo da União. O governo Dilma não faz ou tem medo de fazer. Isto foi dito por mim, em 10/3 e 19/3 e em outras matérias sempre na mesma direção.


Vamos lembrar, também, que no dia 2/5 entrou em vigor a nova forma de remuneração da caderneta de poupança para permitir baixa mais acentuada de taxa básica de juros SELIC. Medida defendida por este bloguista, nas matérias anteriores à data da mexida na poupança. O que quero ressaltar não é propriamente sobre o acerto ou desacerto das medidas tomadas pela Dilma, neste momento. Chamo atenção, o fato de que as medidas anunciadas, estão sendo tomadas sem um norte ou seja sem um Plano Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social.  

Eis o dilema.  A Dilma precisa urgentemente de aquecer a economia, ou seja adotar o Go. Não esperava Dilma que houvesse apreciação do Dólar, movimento vindo de fora, para atrapalhar o este seu plano GoDito por mim em 13/5.

A apreciação do Dólar, vistos nos últimos 2 dias, com origem na crise da Zona de Euro parece não ter, ainda, luz no final do túnel.  A crise está sendo agravada com a convocação de novas eleições na Grécia, com a eleições do François Hollande na França, com crise iminente na Espanha e rebaixamento de rating de 26 bancos italianos.  Para o mercado financeiro isto é como lei de Murphy, uma sucessão de coisas negativas. E por outro lado, vindo dos EEUU, notícias animadoras, confirmando a tendência de crescimento do país à uma taxa de 2,5% ao ano.  Não deu outra, a apreciação do Dólar em todo o mundo.

Dilma, a tendência do Dólar é chegar ao patamar de R$2,40, até o final do ano, seguindo a tendência da apreciação do Dólar no mundo, já amplamente justificada anteriormente, sem que haja necessidade de tomar nenhuma medida. 

Com a valorização repentina do Dólar, as indústrias e a agricultura não vão absorver todas vantagens que esta depreciação do Real está a acontecer.  Os clientes estrangeiros das empresas brasileiras vão exigir um ajuste à menor dos preços de mercadorias ou commodiities, mesmo as vendas já contratadas.  De qualquer forma, vai sair ganhando os exportadores.  Quem tomou dinheiro emprestados lá fora, em Dólares estão a ver a sua dívida aumentar em tamanhos desproporcionais.  Os produtos industriais que contam com os componentes importados, terão seus custos subirem na mesma proporção da apreciação do Dólar.  Os produtos chineses terão menos competitividade no Brasil, ainda bem. 


A medida de colocar o Dólar no seu devido lugar, não foi feito no seu devido tempo, isto é, há 16 meses atrás.  Este repentino movimento de apreciação do Dólar, tem o mesmo efeito de máxidesvalorização do Real.  Quem viveu o tempo do ministro Delfim Neto, sabe das consequências que isto vai causar à economia como todo.  Ao contrário do que se imagina, a medida poder dar uma quebradeira de empresas no mercado, especialmente aquelas que estão expostos em Dólares. E tem muita gente graúda assim.  O momento exige muito sangue frio.

Dilma, por favor, põe gente que entende da economia globalmente.  Quem lhe pôs nesta fria foi a atual equipe, incluindo Mantega, Tombini e top top Garcia.  Aliás, o termo correto seria, quem nós pôs neste buraco.  Dilma, esse negócio de estimular economia com CréditoFácil, num momento de aumento repentino de custos é como querer apagar incêndio com gasolina!  Nem foi, momento adequado para distribuir verbas para Bolsa Família, com o programa Brasil Carinhoso.  Estamos entrando no olho do furacão chamado de "estagflação" que nada mais é do combinação de estagnação com inflação.  

Dilma, deixa este objetivo de querer ser Evita brasileira e tomar medidas necessárias para não nós botar no buraco?  

Ossami Sakamori, 67, engenheiro civil, foi prof. da UFPR. Twitter: @sakamori10

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