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quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

SOS OBESOS: Quilos demais e vida de menos.

Por: jornalista Toninha Rodrigues.



São 74 milhões de obesos no Brasil, segundo dados de maio de 2014, conforme estudos realizados pelo Instituto de Métrica e Avaliações de Saúde -  IHME - da Universidade de Washington, disponível no link BBC 

São 74 milhões de obesos no Brasil que necessitam de tratamento para o controle do peso.

São 74 milhões de obesos no Brasil, pacientes de endocrinologistas, cardiologistas, neurologistas, que clamam por condições de tratamento de saúde.

São 74 milhões de obesos no Brasil que não precisam perder 1 ou 2 quilos mas 15, 30, 40, 50, 80, 100 e muito mais quilos!

São 74 milhões de obesos no Brasil que não estão pedindo medicação gratuita, mas apenas o direito de serem tratados!

São 74 milhões de obesos no Brasil que necessitam que sua medicação seja controlada, fiscalizada e não banida do mercado.

São 74 milhões de obesos no Brasil que não devem ser condenados, nem julgados, mas adequadamente atendidos.

São quase quatro exaustivos anos de espera, três deles de luta intensa junto a deputados federais, senadores, líderes de bancadas, de partidos, do Senado e da Câmara Federal.
Sonhamos com a nossa qualidade de vida de volta com a aprovação do PDS 52/14, naquela fatídica sessão do Senado de 2 de setembro de 2013. Muitas especulações ocorreram, até finalmente o PDS do deputado Beto Albuquerque ser promulgado, três dias depois de aprovado, no formato de norma jurídica, sob nome e número DLG-000273 de 2014, no Diário Oficial da União de 5/9/2014.

A alegria e a esperança duraram pouco, até a Anvisa publicar, em 26/9/2014, após horas de reunião a portas fechadas, a tirana e covarde RDC 50/2014, reproduzindo toda a ladainha da exigência de “estudos” que “comprovem a eficácia e segurança dos inibidores de apetite” e, também, a requisição de novos registros pelas indústrias junto à agência, a despeito dos registros apresentados e aprovados em 2011, com validade até 2015, que foram simplesmente ignorados pelo senhor Dirceu Barbano. 

Por outro lado, não adianta a apresentação de nenhum estudo, pois essa mesma agência se recusa a considerar a palavra de qualquer profissional ou de qualquer entidade representativa da classe médica, por maior que seja sua seriedade, competência ou credibilidade.

Sem parâmetros científicos e sem argumentação lógica/clínica para as exigências elencadas na tal resolução (RDC 50/2014), seguem sem tratamento os mais de 70 milhões de obesos, que poderiam ter suas vidas qualificadas e valorizadas se tão somente não prevalecessem os interesses de um setor do governo federal que insiste em complicar a vida de milhares de cidadãos.

Ironicamente, no mesmo dia da publicação dessa resolução da Anvisa (26/9/14), aproveitando-se o último dia da realização do XXIII Congresso Brasileiro de Nutrologia, em São Paulo, Capital, promovido pela Associação Brasileira de Nutrologia (Abran), estiveram reunidos médicos nutrólogos e endocrinologistas de várias partes do mundo e pacientes obesos que tiveram interrompido seu tratamento com os medicamentos antiobesidade.

Da reunião, participaram os médicos Durval Ribas filho, presidente da Associação Brasiileira de Nutrologia; Raul Morin, presidente da Associação Mexicana para o Estudo da Obesidade; Paulo Giorelli, presidente do International College of Advancement of Medical Nutrition (ICAN); Richard Atkinson, fundador da Associação Internacional para o Estudo da Obesidade (IASO); César Casávola, presidente da Associação Argentina de Nutrição (SAN); Any Ferreira, presidente da Sociedade Paraguaia de Nutriçao; Rafael Figueredo, ex-presidente da Sociedade Paraguaia de Nutrição (SPN); Dimitri Homar (ABRAN); Valter Makoto Nakagawa, da Seção de Vigilância Sanitária de Santos/SP (SEVISA); José Alves Lara Neto (ABRAN); Milton Mizumoto (Sociedade Brasileira de Medicina Esportiva), João Alberto Ferreira Matos, membro da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (ABESO) e da ABRAN, além de representantes de grupos de doentes obesos que lutam pela liberação dos medicamentos.

Todos os profissionais presentes foram unânimes em afirmar que a obesidade em seus países é tratada como uma doença que provoca sérios danos à saúde se não for adequadamente tratada. 

O americano Richard Atkinson, médico endocrinologista com mais de 40 anos de experiência, fundador da Associação Internacional para o Estudo da Obesidade (IASO), editor do International Journal of Obesity e professor e pesquisador da Universidade de Virgínia, foi categórico em mencionar que nos Estados Unidos a obesidade é tratada como se deve, ou seja, com a prescrição, acompanhada e controlada, dos medicamentos antiobesidade dos quais nós, brasileiros, fomos privados e, ainda por cima, somos frequentemente provocados com a frase “tranque a boca a faça exercício”. A essa piada, o doutor Atkinson responde com um enfático “obesidade é uma doença crônica e precisa ser enfrentada como qualquer outra, como a hipertensão, diabetes, câncer e depressão

Nos Estados Unidos, as substâncias que mais prescrevemos para nossos pacientes são a Phentermine (fenproporex), seguida do Dietilpropiona (anfepramona),  Benzofetamina, Fendimetrazina e, mais recentemente, a Lorcaserina”.

Segundo o especialista, dieta saudável e exercícios físicos são condições para manutenção da qualidade de vida que todo cidadão deve adotar. “Quando o indivíduo chega a uma condição de obesidade crônica, onde alimentação e atividade física não resolvem, é hora de entrar com medicamento”, completa.

O doutor Durval Ribas Filho, médico nutrólogo e presidente da ABRAN, resumiu a situação dos obesos com uma frase real: “nem todo obeso come muito e nem todo magro come pouco”.

O nutrólogo e endrocrinologista Paulo Giorelli explicou que foram apresentados à Anvisa estudos e comprovações científicas a respeito dos benefícios do uso controlado desses medicamentos. “Já trouxemos casos de sucesso e provamos a necessidade, eficácia e segurança do uso da farmacoterapia no combate à obesidade. Nós somos médicos e especialistas e estamos em contato direto com os pacientes e, por essa razão, melhor do que ninguém, nós compreendemos quais são as necessidades da população brasileira.”

O encontro entre obesos e médicos resultou na Carta pelos Medicamentos Antiobesidade, que foi distribuída a entidades representativas das classes médica e farmacêutica, como uma forma de posicionamento contra a postura retaliativa da Anvisa em relação ao projeto que libera os medicamentos que os obesos tanto precisam. O documento está disponível no link ABRAN

Quase seis meses se passaram da aprovação do PDS 52/14, transformado no DLG 273/2014. As eleições se foram, políticos eleitos tomaram posse e nós? Vamos continuar com cara de palhaços, doentes e vítimas de piadas, ironias e descaso do governo?

São 74 milhões de obesos no Brasil que dependem da consciência e apoio dos senhores deputados federais e senadores para viverem ou não. Que se faça valer o DLG 273/2014 e seja aprovado o PL 2431/11, de autoria do deputado Felipe Bornier!


Toninha Rodrigues




17 comentários:

  1. Bom dia a todos! Sr Sakamori, para se ter uma ideia do descaso sobre a obesidade, minha irmã está muito acima do peso(obesa), e apesar de trabalhar na secretaria de saúde, dentre vários médicos e nutricionistas, ela não consegue tratamento adequado pois não há um trabalho conjunto entre os profissionais. Cada um tem uma diretriz. Sem sucesso, minha irmã parte para aquelas dietas que tem na internet, ditas milagrosas. A aprovação da PL 2431/11 é de vital importância para ajudar esses pacientes.

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  2. Grande matéria Toninha, parabens!
    Estamos fartos deste descaso com que os governantes tem tratado nosso problema.
    É hora de nos unir e dar um basta nesta situação absurda que estamos passando.

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  3. obrigada por nos ajudar pois obesidade é doença mas esta dificil da anvisa entender nosso problema de saúde

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  4. ótima matéria parabéns precisamos de tratamento obesidade é doença como outra qualquer precisa de medicamento espero que a anvisa entenda isto e torne a vida dos obesos menos PESADA

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  5. Materia otima pois obesos precisam de medicação. Obesidade é doença e os obesos estão morrendo por falta de medicamentos.

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  6. Parabéns pela materia obesos precisam de medicamentos que a anvisa proibe por puro capricho.

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  7. parabens pela materia obesidade e doenca so a anvisa nao encherga

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  8. só falta os parlamentares e a anvisa cumprir a lei todos sabem que obesidade é doença e quantas mortes serão precisas ainda nas cirurgias bariatricas para entender que tem como evitar estas mortes é só nos dar o direito a tratamento e medicações parabéns pela materia

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  9. parabéns pela matéria! a obesidade é sim uma doença,não estamos pedindo nada alem de nossa vida de volta! ANVISA libera nossos medicamentos!!!..

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  10. Parabéns pela matéria. Muito bem escrita e de acordo com a nossa realidade.Nos temos direito aos medicamentos e aos tratamentos.

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  11. Parabéns pela matéria. Muito bem escrita e de acordo com a nossa realidade.Nos temos direito aos medicamentos e aos tratamentos.

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  12. Anvisa libera os medicamentos!!!!

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  13. É necessário que a Anvisa cumpra o que o Senado decidiu. É no mínimo estranha essa insistência com a retirada desses remédios do mercado, quando há tantos especialistas, e de renome, defendendo o uso e provando que são eficazes. O PL 2431/11, emperrado na Cãmara dos Deputados Federais pela maldade do dr. Rosinha, também precisa ser desemperrado e APROVADO!. Chega de desrespeito com o cidadão.

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  14. Quem é essa ANVISA achar que entende mais que especialistas no assunto obesidade , tratamento e medicamentos? Tudo politica , estamos doentes sem tratamento por cauda de um governo corrupto!

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  15. De certeza que a Anvisa recebeu diretrizes da bulgara para não ceder.

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  16. Muito bom Toninha, parabéns para você garota.
    É verdade estou lutando pela volta dos Inibidores de Apetite devido desde a sua retirada perdi a saúde totalmente, com o peso adquirido a minha coluna piorou muito, tenho muita dificuldade de emagrecer, tenho hipo, fibromialgia e pressão alta e a coluna operada, com 4 parafusos na lombo sacra, isso doí muito ainda, devido não ter êxito na cirurgia, mal estou podendo andar e levantar de tão inchada por todo o corpo.
    É amiga confesso nunca estive tão mal de saúde como agora, antes quando eu tomava anfepramona tinha uma saúde muito boa, andava, trabalhava,disposição, e minha coluna não atrapalhava a nminha vida mesmo com a cirurgia. Anfepramona era o único que fazia efeito para mim, e nós tiraram o nosso direito de ter uma vida e uma saúde boa, coisa que hoje não tenho mais.

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  17. Parabéns Toninha! Obesos estão cansados de tanto descaso da Anvisa! Continuaremos na luta até que o PL2431 - 11 seja aprovado e os medicamentos liberados!

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