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domingo, 18 de março de 2012

NOVO VAZAMENTO NO CAMPO DE FRADE, ALERTA PARA PRÉ-SAL



A Chevron aguarda decisão da ANP (Agência Nacional do Petróleo) para suspender a operação no campo de Frade, onde produz 61 mil barris diários de petróleo. A agência disse que aguarda mais informações técnicas da companhia para decidir sobre a interrupção da produção.Fonte : Folha.

A Chevron informou na quinta-feira que "não há nenhum indício de que o segundo vazamento tenha relação com o primeiro". A empresa ainda não se pronunciou sobre a decisão contra seus executivos. Fonte: Folha.

Vamos aproveitar desta matéria para informar corretamente alguns fatos que não estão sendo dado devido destaque à população, tanto pela ANP como pela grande mídia.

1. A Petrobrás é sócia minoritária, 30% segundo a Companhia, deste poço, no campo de Frade.  E isto faz a diferença? Faz, sim. Em sendo sócia do poço, seria natural que a Perobrás tivesse algum representante na plataforma de exploração do referido poço.  Em tendo, representante da Companhia, o governo brasileiro através da sua estatal deveria estar sabendo sobre a ocorrência nas suas minúcias técnicas. Mesmo, não sendo engenheiro com formação na área específica, concluo que a Petrobrás sabia e sabe da causa da ocorrência tanto quanto a Chevron.

2. Sendo a Petrobrás sócia minoritária, o eventual prejuízo devido ao fechamento definitivo ou provisório do poço, recai diretamente no balanço da Companhia. Só este fato justifica a manutenção da exploração deste poço, com já 2 acidentes ocorridos. Não só a Chevron, mas também a Petrobrás e seu corpo técnico são responsáveis solidários civil e criminalmente sobre episódio em consideração.

3. O que é mais grava ainda, sob ponto de vista da segurança e do meio ambiente é de  que os acidentes ocorridos não ocorreram na cabeça do poço como aquela que ocorreu no golfo do México no poço da British Petroleum (BP).  Naquele acidente, a dificuldade era tampar a cabeça do poço com material isolante, no caso concreto.  Segundo divulgado na imprensa mundial, a BP dispendeu US$ 5 bilhões e ainda ficou com a sua credibilidade abalada.  

4. O caso do acidente do poço do campo de Frade da Chevron/Petrobrás aconteceu de forma diversa daquela do BP. O rompimento, ocorreu no tubo de revestimento do poço. Isto, ocorreu a segundo informações, de
100 m  a 200 m de profundidade em rochas. Por esta razão, a dificuldade de reparo é infinitamente maior. Nem precisa ser técnico para entender. Ocorre que no trecho que houve o rompimento existe falhas geológicas que não consegue conter o petróleo pela forma natural. O óleo, está aflorando à superfície através das falhas geológicas cujo mapeamento, segundo se sabe, não existe.  Só existe uma solução para o caso. Abandonar o poço e injetar cimento na totalidade da extensão do poço.  Isto, com certeza, vai repercutir no balanço da Petrobrás, que responderá por 30% do prejuízo.

ALERTA PARA PRÉ-SAL

Podemos afirmar que Deus é brasileiro.  O presente episódio nos serve de alerta para que o projeto de exploração do pré-sal, seja minuciosamente detalhada e com técnica muito mais segura do que a atual. Lembrando que a camada pré-sal está localizada a 7.000 m de profundidade.  Qualquer acidente a esta profundidade, caso ocorra um acidente semelhante ao poço do campo da Frade, seria praticamente incontrolável.  Nesta hipótese, remota, mas real, teria que abandonar o poço e esperar o esgotamento completo do volume de petróleo daquele poço, em tese. Com certeza absoluta, haverá danos ambientais e ecológicas irreparáveis.  E pior, com óleo chegando efetivamente nas nossas praias até que esgote o depósito de óleo daquele poço acidentado. 

Enquanto isso, a presidente Dilma, quer a qualquer custo explorar o pré-sal com intuito de aumentar a capacidade de produção do petróleo do país para algo como 6 milhões de barris dia até o ano de 2020.  E Graça Fortes disse que vai executar o plano "a qualquer custo". Isto me deixa estarrecido!  Pergunto: se o Brasil der um tempo para desenvolver um sistema mais seguro de exploração, por acaso a reserva de petróleo do pré-sal vai desaparecer? Não vai. 

Os programas do governo da presidente Dilma é pautados tão somente em agenda eleitoral. E com o apoio dos governadores e prefeitos que obedecem a mesma agenda. Há um movimento de açodamento para exploração da camada pré-sal. Os governos em 3 níveis querem gastar logo o dinheirama do pré-sal, não importando se o povo vai pagar por um eventual risco ecológico irreparável, se não for explorado com técnica mais apurada, que ainda inexiste. Igualmente, estão na fila de espera das sobras do dinheiro do pré-sal entidades como ANP, IBAMA e Greenpeace. 

Esperamos que a presidente Dilma, aproveitando o episódio ocorrido com o poço do campo de Frade, adie "sine die" até que encontre técnica mais segura para exploração do pré-sal. Que o cronograma de exploração do pré-sal seja desvinculado do calendário eleitoral. O povo merece. E o Brasil agradece. 

Ossami Sakamori, 67, engenheiro civil, foi professor da UFPR. Atende pela rede social twitter : @sakamori10

Um comentário:

  1. Gostei de sua notícia e estou seguindo seu blog, é impressionante como vem aqui roubam nosso petróleo e acabam com nosso meio ambiente. isto é brasil, estou te seguindo google conect.

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