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sábado, 10 de novembro de 2012

DÓLAR EM TENDÊNCIA DE ALTA



Chamou atenção no mercado futuro de dólares, ontem, onde as operações prosseguem até as 18 horas, o volume de negócios do dia.  O montante é superior ao registrado nas sessões das últimas semanas. O movimento maior está ligado à posição dos bancos, que estão vendidos tanto no mercado à vista quanto no futuro. 

A situação, que se tornou mais clara na última quarta-feira, quando o Banco Central divulgou dados mostrando que os bancos encerraram outubro vendidos no mercado à vista em R$ 3,658 bilhões, algo que não ocorria desde dezembro do ano passado, segundo Banco Central.  Esta situação colocaria os bancos em exposição ao risco, diante da especulação em torno do "abismo fiscal" dos EEUU.

O mercado financeiro sabe que, esta situação dos EEUU de possível, mas não provável, "abismo cambial", já acontecera várias vezes não só na gestão do atual presidente Obama, mas antes, na gestão do Bill Clinton.  E nada de grave aconteceu, pelo contrário.  O fato é que o tal possível fato serve como material explosivo para os grandes especuladores criam situações artificiais de "caos" com fim de especulação.  

Para entender melhor, o mercado financeiro global está alavancado em muitas vezes o mercado financeiro real das companhias e dos governos.  É o que eu chamo de "bolha financeira".  Basta qualquer boato que acontece o efeito "manada" com medo do estouro.

Muito bem, os bancos estavam vendidos em dólares, tanto no mercado à vista (spot) ou no mercado futuro.  Diante do iminente efeito manada, as instituições financeiras estão zerando posição de vendido.  O movimento normal nestas situações é que as instituições financeiras não só zeram as posições de vendidos mas com certeza vão querer ficar nas posições de comprados.  É aí que mora o perigo.  O efeito, na prática, acabam funcionando duplamente.  

Se deixar flutuar o câmbio, o dólar vai assumir trajetória de alta até pelo menos o fim do possível "abismo fiscal" dos EEUU.  Oficialmente, o assunto do orçamento dos EEUU deverá ser resolvido até 31 de dezembro, mas nada impede que, no caso de endurecimento dos republicanos a pendência perdurar além da virada do ano. E a tendência do dólar vai perdurar enquanto durar a falsa crise orçamentária dos EEUU.

Tem dois aspectos a considerar.  Se o Banco Central vai deixar flutuar livremente o câmbio diante da situação artificial criada, o dólar, facilmente, chegará no patamar que deveria estar, qual seja em R$ 2,40.  Hipótese pouco provável de acontecer.  O Banco Central deverá intervir para tentar segurar o dólar no patamar máximo de R$ 2,10, como já manifestara a equipe econômica da Dilma.  

Fôlego para segurar, BC tem muito, sobretudo pela Reserva Cambial elevada acumulada nos últimos anos.  No entanto, é possível que, diante do fato novo, o BC adote uma nova "banda informal" do câmbio, balizando o teto em R$ 2,20, por exemplo ou mesmo R$ 2,40. Esta matéria será necessário sofrer correção nos próximos dias ou quando tiver uma nova sinalização do BC sobre o teto "admitido" para o dólar.  Vocês ficarão sabendo no seu devido tempo, antes da opinião da grande imprensa.

Ossami Sakamori, 68, engenheiro civil, foi professor da UFPR, filiado ao PDT.  Twitter: @sakamori12

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