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sexta-feira, 14 de junho de 2013

Protestos de São Paulo. Importância das redes sociais.

A polícia deteve ao menos 192 pessoas nesta quinta-feira (13), quarto dia de protestos contra o aumento das tarifas no centro de São Paulo. Desses suspeitos, 161 foram encaminhados ao 78º DP (Jardins) e outros 31 para o 1º DP (Liberdade). Fonte: Folha.

O prefeito Fernando Haddad (PT) afirmou na noite de ontem que a manifestação contra o aumento das passagens de ônibus, metrô e trens foi marcada pela "violência policial". "Na terça, a imagem que ficou foi da violência dos manifestantes. Hoje, infelizmente, não resta dúvida, a imagem que ficou e da violência policial". Ele disse que nesta sexta-feira (14) avaliará as medidas que tomará para tentar conter a escalada de violência nos protestos. Fonte: Folha.

Comentário.

Vamos analisar friamente o que se passa atrás destes protestos contra aumento de tarifas de ônibus na cidade de São Paulo.  Tem o ditado que diz, juntar a fome com a vontade de comer.  De alguma forma, todos tiraram e tiram proveitos do movimento que foi iniciado pelo MPL (Movimento Passe Livre), via rede de internet.  O que se viu foi que o movimento iniciado pelo MPL serviu apenas como estopim para somar diversos interesses ocultos.

Ganhou PSOL e PSTU, que supostamente liderou o movimento.  Ganhou notoriedade que precisava.  Ganhou UNE pelo engajamento no movimento.  Ganhou as redes sociais que conseguiu colocar 10 mil pessoas nas ruas de São Paulo, em 3 manifestações.  E parece que o movimento não vai parar por aí.  Segunda feira, dia 17, 17h vai está convocada mais uma manifestação.

Perdeu a democracia.  Os protestos com vandalismo, queimando 70 ônibus, de companhia privada, mas de concessão pública, marcou os primeiros dias do movimento.  Não posso crer que a orientação tenha partido do PSOL e PSTU.  Os órgãos de informação deverá investigar a fundo, de onde partiu a orientação para "vandalismo".  Deve ir a fundo.  Isto cheira, terrorismo, dos tempos da ditadura.  Pode ser até um movimento que tenha origem dentro da própria estrutura dos governos, seja de que nível for.  

Perdeu o prefeito Haddad.  Em todos estes episódios, o prefeito da maior cidade do Brasil, não esteve à frente do problema para tentar contornar a situação, com o diálogo.  Deveria ter chamado para a mesa de negociação, mesmo que não tenha que ceder 1 milímetro sobre as demandas, mas deveria ter aberto as portas do gabinete, deveria, politicamente.  Haddad no poder não é mais o Haddad da campanha, no exercício do poder, esqueceu a cartilha elementar do PT, que é atender os movimento sociais de base.

Vejo por outro lado, que de alguma forma tem conexão com a licitação milionária de concessão de transporte coletivo que será levado a feito pelo prefeito Haddad nos próximos dias, como foi noticiado pelo Estadão: O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), abriu nesta quinta-feira licitação para a renovação dos serviços de transporte público feito na capital paulista por 15 mil ônibus coletivos e 7 mil peruas. Serão os maiores contratos feitos na história da Prefeitura: as duas consultas públicas (para ônibus e vans) somam R$ 46,3 bilhões, valor maior que todo o orçamento da capital para 2013, de R$ 42 bilhões.

Perde o ministro da Justiça José Eduardo Cardozo, ao afirmar em denunciar a "violência policial" da PM de São Paulo, numa tentativa de "colar" o desastre da manifestação ao governador Geraldo Alckmin, sem citar o "vandalismo" que ocorreu nos dias anteriores.  Para ministro depredação de 70 ônibus, o problema não é dele.  O ministro foi parcial nos seus pronunciamentos, lembrando que o prefeito Haddad que deveria ser responsável pela condução do processo, é do partido que fazem parte juntos, o PT.

Ganha Geraldo Alckmin, no meu ponto de vista.  O governador meteu a cara, desde o primeiro dia da manifestação.  Disse ser contra o "vandalismo".  Foi à imprensa escrita e televisiva e anunciou rigor para manter a "ordem pública".  Tomou atitude que achou que deveria tomar, para manter a ordem, correndo o risco que ser acusado de ter usado "violência policial".  Mostrou à população que tem "xerife" na cidade governado pelo PT.  Houve excesso, houve.  Alckmin correu e corre o risco de diminuir a sua popularidade.  Mas tomou atitude.  Se foi correta ou não, só mesmo o futuro dirá.

Perdeu alguns jornalistas.  Profissionais de imprensa, não deveria se meter no povão, sem identificação de "Imprensa" com vestimenta visível, até para contar com a proteção policial.  À paisana, no tumulto, qual é o policial que pediria identificação antes de tomar qualquer atitude.  É mediocridade de alguns poucos profissionais da imprensa que se expõe sem identificação visível, numa manifestação, que sabidamente iria ocorrer tumulto.  Posso levar pau da imprensa, mas a verdade deve ser dita com todas as letras. 

Ganhou as redes sociais.  Como aconteceu na primavera Árabe e hoje acontece no Egito e na Turquia, a rede social, começou a funcionar no Brasil, para mobilização às causas da população, seja justa ou injusta.  É o exercício da democracia.  Estamos à gatinhar, num regime democrático conquistado às duras penas, há menos de 30 anos.  Não há mais espaço para as autoridades se esconderem.  Independente de cores partidárias, cada um, dentro do seu espaço conquistado nas urnas, deverão mostrar para que veio.  Doravante, os agentes públicos, seja simples vereador ou presidente da República, serão cobrados duramente pelas redes sociais.   Assim, acredito e espero!

Ossami Sakamori, 68, engenheiro civil, foi professor da UFPR, filiado ao PDT.  Twitter: @sakamori12

6 comentários:

  1. Bom dia Sakamori Mais um excelente artigo. Sou favorável a manifestação popular, mas infelizmente nestes episódios vejo os estudantes servindo de massa de manobra politica. Apoio Geraldo Alckmin, fez o que tinha de ser feito,não tolerar baderna, porém creio que o prejuízo eleitoral foi grande, hoje só se fala na violência policial. Penso que objetivo deste movimento foi parcialmente alcançado.
    O representante da ONG Passe Livre que é financiada pela Petrobrás, disse ontem em entrevista que as manifestações ocorrerão até baixarem as tarifas, se Prefeitura e Governo Estadual cederem, quem lucra? Governo Federal, pois este terá impacto no índice de inflação, se isto não ocorrer, e manifestações continuarem, todo o ônus fica com os Governos Estaduais, no caso especifico de SP, quem ganha? quem tem interesse no Palácio dos Bandeirantes.
    Concordo que as Redes Sociais mostraram sua força, com isso ganha democracia como bem disse.
    Mas vejo os Estudantes desavisados, estão servindo de Massa de Manobra, duvido que estejam defendo seus reais ideais. Se assim fosse estariam nas ruas defendo o Brasil dos desmandos políticos, e não depredando ônibus e tudo o mais, os organizadores com flores nas mãos então incitando o confronto.

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  2. Eu acho que a rede social deveria ser usada para o bem, como seu competente blog que agora, humildemente, escrevo.
    É um enorme perigo não mostrar à sociedade que haverá punição para os que se reunirem, através de redes sociais, para fazer vandalismo.
    Esse tumulto, a meu ver, tinha o propósito de atingir politicamente alguém. Talvez, o Governador Geraldo. O Haddad não seria porque essa ONG Passe Livre(de onde partiu a idéia nefasta) anda de mãos dadas com o prefeito e o PT. Inclusive recebe dinheiro público federal.

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  3. Sim, verdade, o protesto não deu certo porque não foi feito para dar certo. Insisto em dizer que os brasileiros, na sua maioria, não sabem utilizar as redes sociais. Os norte-americanos souberam usar as redes sociais quando a crise econômica nos EUA estava no auge, o mesmo fizeram os europeus com a crise do Velho Continente. Tivemos a chamada Primavera Árabe, que derrubou uma ditadura que durou décadas. Agora, vemos as manifestações do povo em Istambul. Só no Brasil uma mobilização via redes sociais é utilizada para o mal. No início, fui a favor dos protestos, por boa fé, mas vi, logo de cara que tudo não passou de uma mise en scène infeliz em que os cidadãos de bem perderam e os picaretas ganharam os holofotes. No Brasil, rede social ainda e coisa de filhinho de papai. E forma os filhinhos de papai da UNE, do PSOL, PSTU e parte do PT que desmoralizaram o direito legítimo do protesto. O povo, pelo menos, está fora deste vexame.

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  4. Amigo Sakamori... te digo... se foi isso tudo que você diz, que confesso que não acredito muito... será um belo tiro no pé dos mau intencionados....

    A população que hibernava dormiu durante muitas décadas... mas agora, está acordando, apartidariamente, bem devagar, a maioria nem percebe muito... afinal... a primavera chegou, se é que você me entende!

    Grande abraço

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  5. Enquanto isso, alguns dos 40 responsáveis pelo MPL estão muito bem, obrigado. Evidente que eles não ficaram na linha de frente, fisicamente falando, claro. É que, sabemos, eles precisam escrever suas memórias.

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  6. É muita besteira que a gente lê, as redes sociais tem sido um gatilho para a união popular e sua comunicação em reivindicações.... um cara de Brasilia estava procurando um articulador, pois é.... NÃO TEM ARTICULADOR, o articulador são todos manifestantes, e o Alckmin agiu muito errado, foi muito infeliz em suas colocações... os protestos NÃO TEM VÍNCULOS PARTIDÁRIOS...

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