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sábado, 15 de junho de 2013

PETROBRAS. Operação Braspetro/BTG sob suspeição!

A Petrobrás anunciou nesta sexta-feira a venda de US$ 2,17 bilhões em ativos e atingiu, em apenas um dia, mais de 20% da meta de desinvestimentos fixada para o período de 2013-2017. O principal negócio foi a formação de uma joint venture entre o banco BTG Pactual e a Petrobrás Internacional Braspetro, para exploração e produção de óleo e gás na África. Fonte: Estadão.

O BTG, do empresário André Esteves, pagou à estatal US$ 1,525 bilhão pela aquisição de 50% da Petrobrás Oil & Gas, que reúne os ativos da estatal na África, mas não foram informados os blocos exploratórios ou produtores envolvidos na negociação. Atualmente, a Petrobrás só produz petróleo na Nigéria. Fonte: Estadão.

No comunicado divulgado ao mercado, a estatal informou que, uma vez concluída a reorganização societária, a operação envolverá as sucursais em Angola, Benin, Gabão e Namíbia, assim como as subsidiárias Brasoil Oil Services Company (Nigeria) Ltd., Petroleo Brasileiro Nigeria Ltd. e Petrobrás Tanzania Ltd. Fonte: Estadão.

Comentário.

A Petrobras necessita urgentemente de venda de ativos no exterior, dentro do plano de desinvestimento para cumprir a meta do Plano de Investimento da Companhia para o período 2013-2017.  O Plano de Investimento prevê gastos na ordem de US$ 236 bilhões, divulgado amplamente pela propaganda institucional da empresa e anunciado em cadeia de rádio e televisão pela presidente Dilma.
 
Em junho de 2012, o balanço da Petrobras apontava entre ativos em venda, dentro do plano de desinvestimento,  a refinaria do Pasadena em Texas e direitos de exploração do petróleo no golfo do México, num montante de US$ 1,3 bilhão e US$ 14,8 bilhões, respectivamente.  Somando apenas os 2 ativos citados, chegava no balanço de junho de 2012, montante equivalente a US$ 16,1 bilhões.  Não saberia dizer, em quanto estava contabilizado os ativos dos blocos da África, até porque, a Petrobras contabiliza apenas o capital social da subsidiária Petrobras Internacional Braspetro BV (PIBBV).  

O que estranha é o percentual considerado pela Petrobras, o montante das operações de US$ 2,17 bilhões como sendo mais de 20% do total de desinvestimentos.  Feito conta ao contrário, a Petrobras considera em pouco mais de US$ 10 bilhões os ativos a serem desinvestidos.  Como pode ver acima, somente os ativos nos EEUU, somavam em 2012, montante de US$ 16,1 bilhões, sem contar com os ativos da África, objeto das notícias de ontem.  Só o volume visível, os 20% deveria ascender a US$ 3 bilhões e não US$ 2,17 bilhões.

O fato concreto é que não há transparências nas negociações no exterior, acobertado com leis vigentes no país da localização dos ativos ou das sedes das subsidiárias da Petrobras no exterior.  Não só, não há transparência nas negociações realizadas, como também, não atende o princípio das leis vigentes no Brasil, sede da holding Petrobras.  As leis brasileiras exige de uma venda de qualquer ativo ser feita em leilões públicos, com ampla divulgação na imprensa sobretudo na imprensa brasileira, já que a sede da holding Petrobras está localizada no Brasil.  

Diante da falta de transparência e cumprimento das boas normas da governança corporativa que a Petrobras como uma Companhia de capital aberto se submete, daí a estranheza da operação anunciada, apenas, após a conclusão do negócio.  Por estas e outras que a Petrobras recebe rating com viés negativo, por falta justamente da governança corporativa (transparência).  

A operação anunciada da compra de 50% dos ativos da Petrobras na África pela BTG do André Esteves, fica sob suspeição, por vários motivos.  O primeiro é que a BTG não tem experiência no ramo de petróleo.  É uma operação estranha.  Antes tivesse vendido para alguma outra empresa do ramo, igualmente brasileiro.  O segundo motivo é que BTG tem crédito com empresas do grupo OGX, num montante de R$ 2 bilhões.  A BTG foi contratada sob ordens dos presidentes Lula e Dilma para salvar a empresa OGX do ramo de petróleo.  Aí tem coisa, no meu entender.  Certamente, a cessão de 50% da Braspetro foi para compensar a perda da BTG na OGX.  A operação fora feita na "moita", sem transparência, o que dá suspeição à negociata anunciada.  Com certeza, a Petrobras saiu perdedora nesta operação.  

As negociatas que envolvem OGX, JBS, BTG, BNDES tem tudo uma correlação.  O elo de ligação entre si está nos presidentes Lula e Dilma.  

Ossami Sakamori, 68, engenheiro civil, foi professor da UFPR, filiado ao PDT.  Twitter: @sakamori12

3 comentários:

  1. Caro Saka,...

    Se existe algo que entre o céu e a terra, nossa vã filosofia jamais entenderá, é como funcionam os desígnios da Petrobras, essa maldita caixa de pandora, cujas tampas são lacradas pelo PT e seu maldito sindicalismo ladrão!

    Um dia, quem sabe, entenderemos as malignas operações que tanto denigrem tudo aquilo que a boa ética tem como norma. Sem dúvida alguma, tudo que diz respeito a Petrobrás, é hoje um ninho de perturbadas e venenosas vespas de enormes e doloridos ferrões.

    Um dia, a luz da razão, veremos que o PT usou a empresa como cabide de falcatruas, o que certamente é um pecado, pois apodreceram um ícone mundial.

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  2. Sakamori:

    Sempre lúcido...

    Eli dos Reis

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  3. A BTG investirá por meio de uma private equity, que geralmente não tem tanta expertise técnica nas aquisições das quais participa. A contribuição é justamente financeira, de governança cooperativa e estratégica, vindo a adicionar à capacidade que PB tem em Petróleo. É assim que a coisa funciona em qualquer lugar do mundo. Para o BTG é seguro, pois o pagamento em petróleo é a moeda de pagamento e seu valor já está pré-determinado. Para a Petrobras, será ótimo, pois haverá o desinvestimento sem prejudicar a operação e ainda com muita chance do negócio ter uma valorização considerável. O BTG não ia entrar numa furada pois isso arranharia sua imagem perante os seus investidores, já que um valor muito acima desses estaria em jogo. Acho válida suas observações, mas às vezes, existem muitas teorias conspiratórias que podem atrapalhar e serem usadas politicamente contra o próprio pais.

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