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segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

DILMA, COM PIBinho, CARNAVAL ACABOU!


O Banco Central tem bastante espaço para oferecer dólares ao mercado e considera que a taxa cambial ainda tem "um pouco de gordura para queimar", disse nesta segunda-feira (10) o diretor de política monetária da instituição, Aldo Mendes, no seminário "Reavaliação do Risco Brasil", promovido pela FGV (Fundação Getúlio Vargas) no Rio. Fonte: Folha.

O dólar vem sendo negociado próximo de R$ 2 nos últimos dias, após intervenções feitas pelo BC no início do mês para segurar a alta da moeda americana, que chegou a ultrapassar os R$ 2,10 em novembro. "O mercado flutua, o câmbio tem flutuado. É evidente que final de ano é sempre de baixa liquidez, e o BC vai fornecer a liquidez que o mercado precisar. Não faltará dólar", disse.  Fonte: Folha.

São afirmações feita pelo Diretor do Banco Central do Brasil.  Fica claro que a BC vai continuar a adotar a banda cambial informal entre R$ 2,00 a R$ 2,10.  O câmbio é um dos principais instrumentos da política econômica de qualquer país do mundo.  A adoção da banda cambial equivocada, no meu ponto de vista e de principais institutos de pesquisas econômicas, está levando o País a "desindustrialização" e "desaceleração" da economia.  O crescimento do Brasil no ano de 2012 está previsto em torno de 1%, apenas, em melhor posição que o Paraguai dentre os países da América Latina.

O real deveria estar cotado a R$ 2,50 levando em conta a inflação oficial brasileira desde a criação do real e descontando a inflação americana.  Se levar em conta, a valorização do IGPM, que é o índice utilizado para corrigir diversas tarifas públicas, como energia elétrica, o real deveria estar cotado ao valor muito superior ao já indicado.  Vamos ficar neste número para não assustar os agentes do mercado.  Lembrando ainda que se o Brasil quiser competir com a China, o dólar deveria estar valendo, grosso modo, a R$ 3,00.  Acontece que a China, neste ano que prevê menor crescimento da última década, o PIB será de 7,5%, muito superior ao nosso pífio 1%.  Dizer que chineses são predadores não procede.  Eles são espertos, isto sim!

O que está a acontecer com o Brasil que o crescimento virou um PIBinho ou um PIBmeu (em alusão ao pigmeu)?  Já postei dezenas de matérias neste blog sobre o erro da política econômica do governo Dilma.  Basicamente, o problema está centrado em 3 grandes focos, quais sejam : câmbio apreciado; taxa básica de juros altos e custo Brasil incompatíveis para o estágio de desenvolvimento do País. 

Hoje, vou falar apenas sobre o câmbio apreciado.  O real apreciado dificulta o setor primário como a mineração e agricultura.  As indústrias do setor de consumo sofrem concorrência esperta dos chineses, e somos duplamente penalizados, porque a nossa moeda é apreciada e o yuan (Ren Min Bi) é estrategicamente depreciada.  Para concorrer com os produtos chineses, o dólar deveria estar valendo R$ 3,00 ou no mínimo a R$ 2,50.  As indústrias de máquinas e equipamentos, são duramente atingidas com o real apreciado.  Os empresários brasileiros estão preferindo montar indústrias fora do País, um verdadeiro movimento de desindustrialização.  Dá para crescer assim?

Aposta errada.  O governo Dilma colocou todas fichas e continuam apostando ainda, no mercado interno à exemplo do que fez o presidente Lula, pós crise de 2008.  Deu certo no governo Lula porque a população estava menos endividada, 23% do PIB no começo do governo.  A Dilma já pegou com o endividamento da população beirando ao nível de 55% do PIB.  Por mais que a Dilma tenha estimulado a gastança do povo com CréditoFácil e CréditoBarato, somado à desoneração tributária de automóveis e linha branca, não produziram o mesmo efeito da época do governo Lula.  Dilma, caiu do cavalo!

A presidente Dilma, em diversas ocasiões tentou vender a tese do estímulo ao mercado interno aos europeus e americanos.  Deu tudo errado, o endividamento da população brasileira está próximo de exaustão.  Ela pagou o mico. O resultado é que o crescimento do País em 2012, virou um PIBinho ou um PIBmeu. Tudo em função de tentar manter a popularidade da Dilma em alta, com vistas às eleições de 2014.

Claro que a depreciação acentuada em curto prazo alimentaria inflação, mas a Fazenda e Banco Central tem outros instrumentos de política econômica à disposição para atenuar os efeitos como por exemplo, mexer no compulsório dos bancos. Para isto tem os economistas e operadores de mercado que tem condições de colocar a  economia nos trilhos, obedecendo certo cronograma de redirecionamento.  Não caberia, movimento brusco, mas os agentes do mercado tem que conhecer o "norte" da equipe econômica.  

Por que Dilma reluta em restruturar a política econômica?  Acontece que com o real apreciado, cria uma sensação de poder (ilusório) à população.  Cria uma sensação de euforia, que é totalmente fictícia, como por exemplo, fazer compras nos EEUU, andar de avião ao invés de ônibus e bradar por aí que somos a 5ª economia do mundo.  Se colocar o câmbio no seu devido lugar, o Brasil voltaria a ocupar a 8ª posição na relação do PIB mundial.  Já disse uma vez e repito mais uma vez, é como promover carnaval para o povo.  Mas o que parece, o carnaval está chegando no fim e está chegando o dia de quarta-feira de cinzas.  Chega de cheirar lança perfumes e encarar a realidade!

Dilma, o carnaval acabou, chegou a hora de tirar as máscaras !

Ossami Sakamori, 68, engenheiro civil, foi professor da UFPR, filiado ao PDT.  Twitter: @sakamori12

3 comentários:

  1. Sob outro ângulo de vista, esta tua delação foi feita pela ECONOMIST. E, ao invés de se ater aos dados técnicos da crítica, a "sargentona" vociferou que uma revista estrangeira não irá "dar picataco" em um governo eleito por 70% dos brasileiros.
    Entendo que o nosso povo é composto por 70% de pessoas, as quais a educação foi-lhe negada - o povo de Dilma - e, 30% da população brasileira mais esclarecida enxerga que o crescimento do Brasil não é sustentável.

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  2. O carnaval está acabando e o problema da população será enfrentar a RESSACA proveniente da festança da compra de imóveis, eletrodomésticos e carro zero km. Onde arrumar dinheiro para pagar tudo isso?

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