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sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Brasil da Dilma, hoje. O efeito Marina.

Está a terminar a primeira semana da decisão da Marina Silva em filiar-se ao PSB do Eduardo Campos, em função da impossibilidade de formação do partido Rede Sustentabilidade.  Este fato, pegou de surpresa o Palácio de Planalto.  Tocou o sinal de alarme.  Até então, a reeleição da presidente Dilma era tida como certa. Falava-se em levar já no primeiro turno.  

Feito o preâmbulo, vamos ver o que está a acontecer na área econômica do governo Dilma.  Na minha visão, o Palácio do Planalto já sinalizou o que se pretende.  Por enquanto, não vi nenhum veículo de comunicação e nem as entidades representativas do setor produtivo chamar atenção ao fato que passo a discorrer.

O governo Lula, diante da crise mundial de 2008, implementou política econômica emergencial para sair dela.  Isto todo mundo já sabe.  Lula ganhou eleições de 2010, colocando a Dilma como sua sucessora apoiado no plano emergencial.  Basicamente o plano emergencial do Lula foi eleger o câmbio, leia-se dólar, como âncora da inflação e ao mesmo tempo estimulando o consumo interno via redução de impostos no setor automobilístico e linha branca. 

O fato é que o plano emergencial do Lula funcionou.  A população ficou satisfeito com a valorização do real.  Com real valorizado e estímulo ao consumo, o poder aquisitivo do povo, artificialmente, teve aumento.  A presidente Dilma, não teve coragem de sair do plano de emergência do Lula, pelo contrário, continuou a ampliar o plano com estímulo ao crédito em nível de consumidor.  

A presidente Dilma não só manteve o plano emergencial do Lula, mas ampliou-o mantendo o real valorizado ou apreciado.  A inflação nestes últimos 5 anos, manteve no patamar de 6% ao ano, mas o real manteve estabilizado em relação do dólar.  Isto causou o desestímulo à indústria brasileira.  Simplesmente, os governos Lula & Dilma desmontou o parque industrial brasileiro.  O Lula pegou o governo com indústria representando 26% do PIB e hoje no governo Dilma, a indústria representa menos de 13% do PIB.  

A presidente Dilma, colocou como ingrediente novo, para ganhar a popularidade, o engessamento dos preços administrados, sobretudo dos combustíveis e energia elétrica.  Mas, o dólar que chegou a ser cotado nos níveis de R$ 1,60 explodiu, hoje está sendo cotado a R$ 2,20 em média, pela força do próprio mercado.  Fugiu ao controle do Banco Central.

O que mudou com o efeito Marina, então?

A presidente Dilma resolveu agir diante do efeito Marina.  Resolveu jogar pesado, não importando com a consequência que as medidas possam traduzir no médio e longo prazo.  A Dilma não quer ceder lugar para o Lula e nem quer ouvir discussão sobre isto.  A Dilma não quer perder eleições do ano que vem de jeito nenhum.  Como disse Dilma, há um ano, mesmo que tenha de soltar o "diabo" garantiu que seria vitoriosa nas eleições de 2014, com 2 anos de antecedência.

Isto mudo alguma coisa na economia?

Muda sim.  Dilma vai aprofundar no controle da inflação, novamente, valorizando o real ou desvalorizando o dólar.  Nem que para isso, acabe de sucatear, de uma vez por toda, a já combalida indústria brasileira.  Os produtos chineses, criando empregos na China, voltarão para as prateleiras dos supermercados.  As viagens internacionais voltarão a todo vapor, criando emprego para os americanos e europeus.  Mas, este estado de euforia, deixa a população feliz.  Feliz hoje, nem que tenha que pagar preço muito alto no futuro.  Vide Grécia e Espanha.

Para manter o dólar como âncora para segurar a inflação, Dilma já autorizou a aumentar a taxa Selic para atrair capital especulativo, os agiotas internacionais.  Dilma quer atrair dólar especulativo porque os dólares de investimentos diretos (IED) estão em stand by aguardando o quadro melhor para economia do País.  Isto é o jogo do vale tudo! Vale tudo para reeleição da Dilma!

Diante da nova postura, a de pagar a taxa de juros mais alta do mundo, a Selic, acrescido à intervenção sistemática do Banco Central vendendo o swap cambial tradicional, título atrelado à variação cambial, a Dilma pretende manter o real valorizado ou o dólar depreciado.  Com a nova postura, o real deve terminar o ano no patamar atual de R$ 2,20, interrompendo o movimento de correção dos últimos meses, ao contrário da previsão de que terminaria num patamar mínimo de R$ 2,40.  

Com o real estabilizado em torno de R$ 2,20 e mantendo a autofagia da Petrobras com preços defasados de combustíveis na ponta de consumo, o aumento de gasolina só deverá vir no final do ano, em torno de 5% e não mais 10% antes previsto anteriormente.  Lembrando que a Petrobras continua com a defasagem de preço acima de 25%, segundo analistas do setor.

Isto tudo deve deixar a população com a sensação de economia sob controle.  Sensação, eu disse.  Com explosão de preços dos produtos de necessidades básicas no início do ano, criou-se um novo patamar de preços relativos, mas fazendo a população, ainda, com a falsa impressão do poder de compra.

Com a nova postura do governo Dilma, o povo deve ir ao consumo, já no início do ano.  O fenômeno da inflação alta no início deste ano deve repetir no início do próximo ano.  A distorção vem acentuando com o dólar engessado e compressão das tarifas administradas.  A presidente Dilma, resolveu manter economia engessada e comprimida, até às eleições de 2014.  É um risco que Dilma corre, porque a bomba relógio pode explodir antes das eleições.  

Da minha projeção de junho último para os índices anunciados por mim, sofrerá alterações com nova postura da Dilma e fica como segue abaixo:

1. Selic no final do ano de 9,5% para 9,75%
2. Dólar no final do ano de R$2,60 para R$2,20.
3. PIB de 2013, de 1,5% para 2,0%.
4. IPCA de 9% para 7,0%.

Lembrando que só estamos jogando o problema para o futuro.  De qualquer forma, dois fatores pesaram na mudança da projeção. 

1. A intervenção do Banco Central no câmbio com lançamento de swaps cambiais e sinalização do Banco Central de que a qualquer momento Selic pode voltar a dois dígitos. 2.  O aumento de gasolina que eu estava prevendo para setembro em torno de 10%, só virá a acontecer no final do ano, cujo percentual deverá ser em torno de 5%.  

Com a nova orientação da Dilma, o quadro macro econômico do Brasil continuará a deteriorar rapidamente.   O endividamento do setor público, sobretudo da União, crescerá não menos que R$ 300 bilhões no ano de 2014.  O endividamento da Petrobras e da Eletrobras continuará em ascensão comprometendo a capacidade investimento das mesmas.  O endividamento da população continuará a crescer com risco de inadimplência em massa nos próximos 2 anos.  

O quadro acima é muito semelhante ao experimentado pelo Portugal, Grécia e Espanha no passado.  Vamos orar para que as consequências experimentadas pelos países citados não venham ocorrer com o Brasil.  O mais seguro seria colocar no lugar da dupla Lula & Dilma, pessoas com mais honestidade, idoneidade e competência.  

Ao povo só resta uma única saída: eleições de 2014!

Ossami Sakamori


3 comentários:

  1. Muito interessante. Mas tbm estou de olho no EUA Gov shutdown. Isto, por agora, parece estar jogando a favor momentaneamente pro BR

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  2. Caro Saka,....

    Abrangente tua análise, entretanto olvidou-se de considerar as circunstâncias políticas pontuais, que tem levado o povo às ruas, seja por vinte centavos ou coisas maiores, como percentuais abusivos de aumentos. Veja a greve dos professores no Rio de Janeiro. Ainda que o governo local tenha cedido em aumentos e um belo plano de carreira, baseado na meritocracia, a greve continua, com violenta contundência. Na verdade a greve reflete um pouco da insatisfação geral. O brasileiro de hoje, anda de carro zero,...mas não sabe se pagará a prestação no fim do mês. Isso gera um constante estresse.
    Tua análise considerou números(corretos), entretanto desconsiderou as pessoas, e essas, sabemos, estão cansadas. Segurar o preço da gasolina enquanto o pão sobe estrondosos 22%, mostra o quanto frágil esta o quadro. O povo sente essa manipulação e aí esta na verdade, a raiz dos protestos.
    Tenho ainda a contestar no teu cenário, o consumo. Honestamente não acredito que o povo vá às compras. Não com a sede de antes. Estamos no limite máximo de endividamento familiar e isso como disse, o povo sente na pele e nos malabarismos que faz para fechar suas contas a cada fim de mês. Vide os índices Serasa e entenderá o que digo. Este mês agora até melhorou,..mas o conjunto do ano é terrível.
    Tenho em mim, que o efeito Marina, foi e será uma bomba no colo do PT. Estou certo que a turma, fará mesmo "o diabo". Mas o capeta, sabemos, por mais que seja ladino, tem também seus limites: O povo!

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  3. Amigo Daniel,

    As medidas que seriam tomadas por mim, nas mesmas circunstâncias, seriam outras. Tento fazer avaliação sob ótica deles, do governo Dilma. Faço sempre extensão das atitudes que a Dilma vem tomando, sistematicamente, no decorrer destes últimos 3 anos. E assim procedendo, não tenho me furtado em minhas análises.

    Mente doentio de uma pessoa que se acha acima dos outros cidadãos, mais capacitados e mais lúcidos é o perfil da presidente Dilma e do seu antecessor Lula. Mente doentio para não dizer louco.

    Faço como psiquiatra, procuro entender a mente doentio dos nossos presidentes Lula e Dilma. Acho que já tenho alguns dados que me fazem fazer ilações, baseados em atitudes passados. Doentes tem também um perfil e comportamento. Não é muito difícil prever os passos seguintes das personagens citadas.

    Entendo tudo que você quer me passar. Concordo com tudo que você fala. Mas, no exercício de uma tese, não posso trabalhar com números que não constam dos Institutos de Pesquisa sob pena de cair no descrédito.

    Sua análise é sempre importante. Até por este motivo procuro provocá-lo, para confrontar com as minhas opiniões. E assim procedendo, só enriquece a minha visão sobre os temas em que você é craque.

    Seu admirador.

    Abração!

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