segunda-feira, 7 de fevereiro de 2022

Transposição do Rio São Francisco

 


Na próxima quarta-feira, dia 9, presidente Bolsonaro vai inaugurar a última etapa da transposição do Rio São Francisco, eixo Norte, com a abertura das válvulas da Barragem São Gonçalo, em Sousa/ PB.  No périplo, o Presidente vai passar, dia 8, em Salgueiro/PB e Jati/CE.  No dia 9, vai estar, também, no Jardim Piranhas/RN e Jucurutu/RN, sempre acompanhado pelo ministro de Integração, Rogério Marinho e do Diretor Geral do DNOCS.  A obra está sendo executada pelo  Consórcio EIT-ENCALSO.  O momento é histórico, porque é a última etapa de obras com canais de mais de 700 Km de extensão, cortando os estados de Pernambuco, Paraíba, Ceará e Rio Grande do Norte.

        A obra foi lançada pelo presidente Lula, em 2007, cujo orçamento inicial estava previsto em R$ 4 bilhões.  A transposição do Rio São Francisco sempre foi considerado como obra de natureza eleitoreira, do que propriamente solução para o semiárido nordestino, ela foi relegado ao segundo plano pelos sucessivos governos, entre eles, do próprio presidente Lula, bem como da presidente Dilma e do seu sucessor, o presidente Temer.  A obra já consumiu o dinheiro do Tesouro Nacional, em mais de R$ 10,6 bilhões, necessitando, ainda, de recursos para obras complementares, como canais para irrigação. 

      Seja como for, a obra de transposição do Rio São Francisco é importante para o desenvolvimento do semiárido nordestino.   Sem  o financiamento e apoio técnico e financeiro da Companhia Hidroelétrica de São Francisco, sobretudo na fase inicial, não teria sido possível a execução da obra, tão cara para os nordestinos.  Convém lembrar que, a água do São Francisco vai suprir, quando necessário, também, a demanda do reservatório do Castanhão, no estado de Ceará, que assegura o abastecimento de água da região metropolitana de Fortaleza.


A obra compreende, conforme mapa divulgado pelo portal G1, de :

Eixo Norte – com 400 km de extensão, levará água para os sertões de Pernambuco, Paraíba, Ceará e Rio Grande do Norte, alimentando quatro rios, três sub-bacias do São Francisco (Brígida, Terra Nova e Pajeú) e mais dois açudes: Entre Montes e Chapéu. O ponto de captação de águas será próximo à cidade de Cabrobó (PE).

Eixo Leste – percorrerá uma distância de aproximadamente 220 km, partindo da Barragem de Itaparica (PE) até alcançar o Rio Paraíba (PB), abastecendo o agreste desses dois estados.

           Sempre, convivendo com os viés político, enfim, a transposição do São Francisco chega à etapa final, no governo do presidente Jair Bolsonaro, atendendo aos anseios do povo nordestino.  

             Ossami Sakamori                    


sexta-feira, 4 de fevereiro de 2022

Brasil sairá da crise econômica em 2022.

 


O aumento da taxa Selic em 10,75% pelo COPOM - Comité da Política Monetária faz parte da estratégia do Banco Central de debelar a inflação de dois dígitos (acima de 10%), antes de tomar medidas para o crescimento econômico esperado pelo mercado financeiro e pelos investidores produtivos para este ano.   Na minha visão, o primeiro quadrimestre (janeiro a abril) o Banco Central não dará trégua para segurar a inflação em níveis internacionais, algo próximo de 6%.  A próxima reunião do COPOM, previsto para dias 15 e 16 de março, o Banco Central sinaliza mais uma alta de 1%, que levará a taxa Selic para 11,25%. 

           Na minha opinião, o Banco Central deveria ter adotado política mais agressiva em relação ao combate à inflação, já na última reunião do COPOM que estabeleceu taxa Selic em 9,25%.  Seja como for, o que foi, não volta mais.  A taxa Selic de 10,75% assustou o mercado financeiro e investidores institucionais, nesta última reunião do COPOM.  Com este movimento do Banco Central, o aumento da taxa básica de juros Selic, faz com que os setores produtivos fiquem em compasso de espera aguardando as novas medidas do Banco Central.   Desta forma, considero o primeiro quadrimestre como de freio de arrumação da economia.  Crescer com inflação alta é pedir para explodir a economia do País.  Brasil já viveu muitas aventuras deste tipo nos governos passados.  

            Ao contrário do que comentam o mercado financeiro, o Banco Central deverá, gradativamente, baixar a taxa Selic, os juros dos títulos do Tesouro Nacional, aos níveis da inflação da época, a partir do segundo semestre deste ano.  Seguramente, a taxa Selic estará cotado próximo da inflação  da época.  No final do ano, em dezembro, a inflação deverá baixar para algo como 7% ao ano.  Em consequência, a taxa Selic nos mesmos níveis da inflação, ligeiramente acima.   A minha previsão para economia em 2022, ano de eleições em níveis nacionais e estaduais, o governo federal, para própria sobrevivência, vai estar com os pés no acelerador", apesar das medidas restritivas do Banco Central.   

             Considerando que o ano de 2022, é ano de eleições, tradicionalmente, será um ano de "gastança" e o País deverá crescer ao nível de 5%, por consequência.  O governo federal, exclui o Banco Central, vai trabalhar para produzir o crescimento desejado, sob pena de não garantir a reeleição do Presidente Jair Bolsonaro.  Sob ponto de vista da macroeconomia, o Brasil precisa retomar crescimento econômico para sair do marasmo que arrasta desde 2014/2016, a pior crise econômica dos últimos 100 anos.

           A novidade é que, o comando da economia do País, não mais será do Paulo Guedes, ministro da Economia, mas estará nas mãos do ministro-chefe da Casa Civil, Ciro Nogueira, PP/PI e do presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, PP/AL.  A economia terá viés político ao invés de viés técnico.  Seja como for, Brasil sairá da crise econômica em 2022.  

           Ossami Sakamori

domingo, 30 de janeiro de 2022

Brasil crescerá 5% em 2022

 


No início do ano, dia 1º de janeiro, escrevi sobre projeção da economia para 2022, na matéria "Previsão da economia para 2022", contrariando previsão de instituições financeira como o Itaú, que prevê o recuo do PIB em (-) 0,5%, a CNI em 1,2% e o próprio Ministério da Economia em 2,1%.  E, eu próprio, fiz previsão "acima de 2,5%, há apenas um mês.  Na mesma matéria, fiz indicação de inflação oficial, IPCA de 2022, algo em torno de 7,5%, contrariando o Boletim Focus que prevê 5,0% e dólar comercial, no final deste ano, fechando nos níveis de R$ 5 a  R$ 5,90.  Estou fazendo a primeira revisão, hoje, após menos de um mês.  O quadro está mudando.

           Como vocês sabem, a economia de qualquer país depende do crescimento das principais economias do mundo e depende, também, do grau de confiança dos investidores produtivos, nos setores industriais, agronegócios e comércio em geral.  As notícias que vem de fora, sobretudo dos Estados Unidos e da Europa, mostram que estes países vão investir pesado, já prevendo o início do fim da pandemia que assola o mundo, desde 2020.  O pior, parece ter passado, sobretudo, devido à vacinação em massa das populações dos países mais ricas do mundo, leia-se mercado consumidor dos produtos brasileiros.

           Devido à sinalização do FED - Federal Reserve, o Banco Central americano, de fazer pequenos ajustes nos juros dos títulos do Tesouro americano durante este ano, ao invés de movimentos bruscos de alta repentina, o mercado financeiro parece ter ficado mais calmo.  Há sinalização de que o principal motor da economia, deverá crescer ao redor de 5% em 2022, devido a um forte investimento, cerca de US$ 1,9 trilhões, em infraestruturas.  Isto, traz reflexo imediato para o Brasil, mais do que as medidas econômicas que estão sendo tomadas pelo governo brasileiro no front interno.  Sim, o que o "tio Sam" faz, no Brasil ecoa.  Explica-se: os Estados Unidos é o principal parceiro comercial do Brasil, não só no comércio, mas também, em serviços.  

           No front interno, o governo federal ou o Ministério da Economia e o Banco Central do Brasil não tomarão nenhuma medida de impacto ou de sobressalto, a não ser aquelas já previstos em Orçamento Fiscal de 2022 e não serão adotadas nenhuma medida econômica nova, por ser ano de eleições.   O Banco Central, deverá adotar taxa básica de juros Selic substantiva para tentar conter a inflação no patamar de um dígito (menos de 10%).  A inflação deverá terminar o ano em 7%, maior do que a maioria dos analistas prevê para o ano de 2022.  

             A economia do País, vai começar a "rodar", com injeção da recursos do Auxílio Brasil, cerca de R$ 80 bilhões; com gastos de Emendas dos deputados e senadores que vai além dos R$ 36 bilhões;  com recursos do Fundo Eleitoral; com investimentos privados provenientes das licitações de infraestruturas feitas durante os anos 2019/201.  Tudo isto, num contexto de "dólar barato" (em relação ao pico de 2021) e os investimentos produtivos nacionais e internacionais se realizando e com o possível e provável quadro da pandemia se retraindo no mundo todo.  Tudo isto, me faz rever o crescimento do  Brasil para o ano de 2022 em 5%.  

           Ossami Sakamori           

sexta-feira, 28 de janeiro de 2022

Brasil continuará sendo quintal da terra do tio Sam?

 


A notícia mais comentada no mercado financeiro, ontem, foi a notícia do crescimento da economia americana em 2021, ao nível  de 5,7%, o índice mais alto desde 1984, quando o Ronaldo Reagan estava na Casa Branca. Reagan foi quem implementou a desregulamentação  da economia, baseado na teoria do economista Milton Friedman da Universidade de Chicago.  O crescimento espantoso dos Estados Unidos, em meio a pandemia Covid-19, mostra que independente das teorias macroeconômicas, o poder público é balizador do desenvolvimento ou subdesenvolvimento de qualquer país.

            O custo do acelerado crescimento na terra do "tio Sam" foi a inflação ao nível de consumidor, que nos Estados Unidos é medida pelo CPI (índice de preços ao consumidor), que no acumulado do ano de 2021, foi de 6,7%, a maior alta desde o acumulado de 12 meses, de junho de 1982.  Em tese, isto demonstra que a inflação é perfeitamente controlável mesmo em crescimento acelerado.  Os números contrasta com os do Brasil: IPCA, de dois dígitos (acima de 10%) para crescimento abaixo de 5%.  

            Vocês podem me questionar o por quê do meu comentário, sobre a economia americana.  Pois, afirmo que tem tudo a ver.  Os Estados Unidos são os maiores parceiros comerciais do Brasil, tanto em importação como em exportação.  Os Estados Unidos são compradores de nossos produtos primários ou produtos industriais semiacabados.  O Brasil, por outro lado, é comprador de componentes para as nossas indústrias, além dos produtos prontos para o consumo.  A presença dos investidores americanos, diretos e indiretos no mercado de capitais do País, também, se faz notar.  

              A dependência do Brasil em relação aos Estados Unidos, terra do "tio Sam", é como de um pai para com o filho.  Para início de conversa, a moeda referência no Brasil é o "dólar americano" e as nossas "Reservas cambiais", pouco acima de US$ 350 bilhões, são aplicados, também, em moeda americana, diga-se títulos do Tesouro americano, preferencialmente.  O mercado financeiro brasileiro move-se ao sabor da bolsa de Nova York e do Federal Reserve (FED).

             Como foi explicado no preâmbulo, o crescimento dos Estados Unidos foi espantoso, o maior dos últimos 50 anos. Enquanto o Brasil vai amargando um crescimento pífio, menos de 5% em em 2021 e a inflação rompendo dois dígitos (acima de 10%).  O crescimento dos Estados Unidos, está alicerçado em audacioso programa de investimentos do governo federal, num montante de US$ 1,9 trilhões, equivalente grosso modo a R$ 10 trilhões em nossa moeda.   Ainda assim, o Banco Central americano (Federal Reserve) reluta em aumentar a taxa de juros dos títulos do governo americano.  Enquanto o Banco Central do Brasil inclina em romper 10% ao ano, neste início do ano.

            Como comentei em matérias anteriores, o nosso mercado financeiro, o Poder Executivo e o Congresso Nacional, defendem fervorosamente a Emenda 95, a do teto dos gastos públicos.   A Emenda 95 é camisa de força ou de "forca" para limitar os investimentos públicos em níveis pífios.  Ao contrário, o governo americano, no enfrentamento da pandemia, está fazendo vultoso investimento, quase R$ 10 trilhões em nossa moeda, equivalente a mais de 5 vezes ao nosso Orçamento Público federal, em "obras públicas" e auxílio à população mais vulnerável. 

           A falta de competência dos gestores públicos, os nossos, é demonstrada com o resultado de índice de inflação de dois dígitos e crescimento econômico incompatível com a potencialidade e necessidade do País continental com 230 milhões de pessoas que nele vive.   Penso eu, que os candidatos à Presidência da República, em 2022, deveriam contemplar uma saída gloriosa para a nossa economia como que fez o Joe Biden, presidente americano.   Sem um plano econômico/social ousado, continuamos sendo o "quintal" da terra do "tio Sam".

             Ossami Sakamori   

quarta-feira, 26 de janeiro de 2022

Os impostos no Brasil

 

A boa notícia de ontem, 25/1, é que o Brasil foi admitido com possibilidade de ingresso na OCDE - Organização de Cooperação do Desenvolvimento Econômico junto com o nosso vizinhos, a Argentina.  Brasil terá, ainda, 3 anos para demonstrar que tem condições de participar de uma Organização multilateral que visa desenvolvimento do planeta.   Participar da OCDE, ainda requer que o País faça alguns deveres de casa, entre os quais a facilidade de ingresso dos setores produtivos internacionais ao País.   Neste último quesito o Brasil, pelo contrário, é campeão da complexidade  em receber indústrias transnacionais.   

           Uma das dificuldades, na avaliação dos investidores produtivos internacionais é o sistema tributário brasileiro.  Há dezenas de tributos, tarifas e contribuições, que só mesmo um grande escritório de contabilidade ou um escritório de advocacia tem competência para orientar adequadamente os investidores estrangeiros.   Os empresários brasileiros, já estão acostumados em enfrentar as naturais concorrências dos setores em que competem, procurando de alguma forma as "brechas" na legislação para pagar menos tributos.  

            Para os novos empreendedores produtivos, os tributos no Brasil, grosso modo, podemos enumerá-los em três níveis: federal, estadual e municipal.   Além das tarifas de toda espécie, maioria delas cobradas, hoje, pelas empresas terceirizadas, que vão do "pedágio" de rodovias ao pagamento de "estacionamento" nas cidades.  Os impostos, federais, estaduais e municipais são, basicamente, destinados para manter as suas respectivas máquinas públicas.

          São de competência da União, os impostos e contribuições que responde a cerca de 60% do total de arrecadação, que hoje representa cerca de R$ 1,8 trilhão, correspondente, grosso modo, a cerca de 1/3 do PIB.

a) IPI - Imposto de Produtos Industrializados.

b) II - Imposto de importação, para mercadorias vindas de fora do país.

c) IOF - Imposto sobre operações financeiras.

d) CIDE - Contribuição de intervenção no Domínio Econômico.

e) Cofins - Contribuição de financiamento da seguridade social.

f) INSS - Instituto Nacional do Seguro Social.

g) PIS - Programa de Integração Social.

h) IRPF - Imposto de Renda Pessoa Física

i) IRPJ - Imposto de Renda Pessoa Jurídica

j) Tarifas aduaneiras.

k) Tarifas aeroportuárias.

m) Contribuições aos Fundos setoriais, como Fundeb (educação básica), Fundo de equalização de diversos setores entre os quais FMM (Fundo de Marinha Mercantil).  

            De competência dos estados da Federação, que representa cerca de 28% do total de arrecadação de impostos do País, são:

a) ICMS - Imposto sobre circulação de mercadorias.

b) IPVA - Imposto sobre a propriedade de veículos a motores.

c) ITCMD - Imposto de transmissão causa mortis e doação.

            E, finalmente, os impostos municipais, que responde por cerca de 5,5% da arrecadação total do País, são :

a) IPTU - Imposto sobre propriedade urbana.

b) ISS - Imposto sobre serviços.

c) ITBI - Imposto de transmissão de bens imóveis.

         Para finalizar, segundo o site do Impostômetro , em 2019, foram gastos 153 dias dos 365 do ano para pagamento de impostos.  E, a contraprestação de serviços pelo poder público é de terceiro mundo. 

         Para os investidores produtivos estrangeiros, recomendo como primeira medida, contratar um bom escritório de consultoria tributária, para conhecer os diversos tributos, suas incidências e as alíquotas que mudam ao sabor do apetite arrecadatório, dos governos do País.  

          Ossami Sakamori

terça-feira, 25 de janeiro de 2022

Brasil, a jaboticaba do mundo



Os economistas, com conhecimento da macroeconomia, sabem que o futuro do Brasil está fadado à estagnação ou a um crescimento pífio. É como 2 +2 = 4.  Não precisa ser um "expert" para saber disso.  Dito e feito, o País, após entrar em pior depressão dos últimos 100 anos, período 2014/2015, que culminou em impeachment da presidente Dilma, em agosto de 2016, desde então, a economia do País nunca mais entrou nos eixos.  A constatação do que afirmo, poderá ser comprovado através da posição relativa do País na economia mundial.   O Brasil passou de 8ª economia do mundo, antes da crise, para 12ª posição, atrás até da Coreia do Sul, um pequeno país do oriente com 52 milhões de habitantes.   


           O presidente da República, Jair Bolsonaro, sancionou ontem, o Orçamento de 2022, com o valor de investimentos, ao menor nível da história, com total de R$ 42,3 bilhões.  A grande imprensa critica o governo de ter priorizado os recursos para interesse eleitoral como o Auxílio Brasil e fundo eleitoral.  A grande imprensa esquece que é defensor "ferrenho" da Emenda 95, a do "teto dos gastos públicos", considerando-a como "regra de ouro".   Nada disso é verdadeiro.  A Emenda 95 é uma "camisa de força" ou "camisa de forca" que limita o Orçamento Fiscal do governo da União, ao mesmo nível de 2016, corrigido tão somente pela infração do período.  Lembrando que o ano de 2016 foi o auge da crise econômica do País.  Pior referência não poderia ser.

           Eu já escrevi: O fim da Emenda 95 é inadiável . A Emenda 95 foi um artifício que o ministro da Economia do governo Temer, Henrique Meirelles, encontrou para retomar a credibilidade dentre banqueiros internacionais para continuar financiando ou rolando os títulos da dívida do Tesouro Nacional, leia-se União Federal.  O artifício encontrado pelo Henrique Meirelles não pode servir como parâmetro ou "dogma" das contas públicas para futuro.   Para aqueles que tem memória curta, antes da Emenda 95, já existia a Lei da Responsabilidade Fiscal de dezembro de 2000, onde se dizia que o Governo não pode "gastar mais do que se arrecada".   Na prática a Lei de Responsabilidade Fiscal disciplinava os gastos públicos, condenando o "déficit primário" ou o "rombo fiscal".  Conclui-se que a Emenda 95 foi o artifício encontrado para ganhar credibilidade entre os banqueiros.

              Brasil está fadado ao crescimento pífio, se depender do governo federal, enquanto vigorar a Emenda 95, considerado como "regra de ouro" pelo mercado financeiro e pelos servidos públicos federais.   A Emenda 95, limita os gastos públicos, incluído os gastos em investimentos, como que uma "camisa de forca".   A Emenda 95, é uma Emenda Constitucional, portanto, todo e qualquer presidente da República, presente ou futuro, devem segui-la, sob pena de "perda de mandato".   

            Vejo os candidatos ao cargo de presidente da República propondo "crescimento econômico" e "comida na mesa" para todos brasileiros, sem revogação da Emenda 95.  Falar é fácil.  Difícil é executar qualquer plano de crescimento econômico, via investimentos públicos, cumprindo fielmente a legislação atual, dentre as quais a Emenda 95.   Enquanto persistir a Emenda 95, o Brasil está fadado a ocupar posição de mediocridade e ser motivo de chacota dentre os países do primeiro mundo.  O Brasil se orgulha de ser a "jaboticaba" do mundo, o fruto que só dá no País.

            Ossami Sakamori



terça-feira, 18 de janeiro de 2022

Amazônia é nossa!

 


A ideia pode ser maluca, mas tem consistência, a que vou apresentar na sequência.  Estou propondo a criação do Ministério da Amazônia, dentro da estrutura da administração pública federal do País, tal qual um Ministério de Desenvolvimento Regional, que atende regiões mais pobres do País.   Não, não seria um novo estado da federação e nem uma estrutura que competiria com demais ministérios do governo federal.   A ideia me veio após o evento internacional denominado de COP26,  a Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima que foi realizado entre 1 e 12 de novembro de 2021, na cidade de Glasgow, na Escócia, onde o Brasil teve participação pífia.      

          Ao contrário da afirmação do nosso ministro do Meio Ambiente, em entrevista aos meios de comunicação do País, o assunto sobre a preservação da Amazônia não fez parte da plenária da Conferência.  O assunto sobre a mudança climática foi discutido pelas grandes nações, com ênfase sobre a matriz energética atualmente em uso, entre os quais o petróleo e o carvão mineral, as principais origens da poluição do planeta Terra.  Segundo o ministro do Meio Ambiente, o assunto Amazônia foi tratado em reunião setorial entre os ministros do Brasil e da França, sem nenhum destaque na COP26.   O fato é que, o assunto Amazônia nem subiu para ser discutido na reunião plenária da COP26.  

            Como eu afirmei na matéria sobre o Brasil e COP26 o País sofre do "síndrome do cachorro magro".  A principal matéria sobre a Conferência foi sobre aquecimento global devido a queima de petróleo e carvão mineral, as maiores fontes de poluição do planeta, neste momento.  Os maiores poluidores, hoje, sem dúvida nenhuma, são os Estados Unidos e a China, em termos quantitativos de poluentes.  Pelo menos na reunião plenária da Conferência, o assunto sobre "queimadas" da Amazônia e sobre a emissão de "gás metano" devido à atividade pecuária, não entraram nas pautas principais de discussão na COP26.  Não vamos colocar o mundo contra nós.  O mundo, simplesmente, ignorou o Brasil e sua Amazônia.

            Voltando ao assunto da criação do Ministério da Amazônia.  Eu penso que o assunto da preservação das florestas da Amazônia, bem como a preservação dos cerrados brasileiros, são de importância fundamental para o futuro do Brasil.   Creio que o tema Amazônia e cerrados deveriam ser discutidos como assuntos prioritários pelo governo brasileiro, considerando como pauta permanente.   Não podemos, falo em termo de soberania do País, deixar o assunto Amazônia e cerrados dependentes de "benesses" e "esmolas" de países do primeiro mundo.  Tentar vender o "crédito de carbono" para financiar os projetos de preservação da Amazônia é se "apequenar" perante o mundo.  Não se pode alegar a falta de dinheiro, se gastamos R$ 4,9 bilhões em campanhas eleitorais para eleger representantes do povo.

        O que assistimos, no momento, é uma completa improvisação no que se refere ao "desmatamento" na região e um completo desleixo na "ocupação sem controle" dos cerrados.   Quanto há "queimadas", convoca-se o Vice Presidente da República, um general do Exército reformado para "sobrevoar" a região.  Isto tudo, deixa espaço grande para uma ONG como Greenpeace ocupar as páginas das imprensas nacionais e internacionais.   E, um prato cheio para presidente francês, que quer se promover às custas da nossa Amazônia.   A culpa não são dos europeus, mas do próprio Estado brasileiro, pela omissão sobre os temas que envolvem os biomas Amazônia e cerrados.  A Amazônia não é ônus, mas um bônus, para o Brasil.  Os problemas e soluções da Amazônia e cerrados são nossos!

            O País precisa pensar sobre a Amazônia como um "ativo ambiental", que poucos países do mundo tem.  Deixar a preservação da Amazônia à própria sorte, é uma  irresponsabilidade nossa, dos brasileiros, para com as futuras gerações.  Vamos só lembrar que o bioma Amazônia e os cerrados representam cerca de 2/3 do território  brasileiro! Atualmente, como mostramos acima, a responsabilidade de preservação dos biomas Amazônia e cerrados estão totalmente difusos.   Esperar pelos financiamentos de Fundos estrangeiros para resolver os nossos próprios problemas (soluções) é como "querer" a interferência de países estrangeiros nos nossos biomas, já cobiçados pelo mundo.

            Atualmente,  o Poder Executivo Federal é acionado somente quando há queimadas ou alguma devastação da floresta.   O bioma Amazônia e dos cerrados, atualmente, ficam à mercê da vontade dos organismos estrangeiros e de investimentos privados, pontuais, de empresas brasileiras.  Segundo se sabe, o Ministério do Meio Ambiente espera ter recursos com a venda de "crédito de carbono" para os Fundos estrangeiros numa demonstração da nossa incompetência e ignorância.  Quem financia, quer gestão! Além de tudo, os países do primeiro mundo estão com 100% do seu tempo tomado em desenvolver energia limpa, para substituir as energias provenientes de petróleo e do carvão de pedra, conforme demonstrado na COP26. Ao contrário de que alardeia, os europeus estão pouco preocupados com a nossa Amazônia a não ser por ONGs como Greenpeace.    

             Toda ação que se queira levar à sério, terá que ter estrutura formal para "cuidar" do assunto tão específico.  O Ministério da Amazônia viria suprir essa falta de iniciativa e coordenação dos sucessivos governos.  O novo Ministério da Amazônia faria supervisão sobre legislação que trata sobre o bioma Amazônia e dos cerrados.  O Ministério da Amazônia teria sob seu guarda-chuva, o Banco da Amazônia e o FCO, para direcionar os investimentos na área correspondente a Amazônia Legal e áreas dos cerrados do Centro Oeste.  A responsabilidade, dessa forma, das queimadas e da devastação dos biomas, ficariam sob responsabilidade do Ministério da Amazônia.   Chega de, a cada episódio de devastação ou queimada, ter que chamar o Vice Presidente da República para missão específica.  

           O novo Ministério da Amazônia  poderia, também, ser o gestor de vários Fundos, nacionais e estrangeiros, como aqueles recursos doados pelos governos da Noruega e da Alemanha, no montante de R$ 3,2 bilhões, depositados no BNDES. Os tais recursos está sem utilização por falta de regulamentação e de um gestor específico para preservação do bioma Amazônia e dos cerrados.  O Ministério da Amazônia deverá ter Orçamento específico para a pasta, assim como acontece com outras, num montante anual de cerca de R$ 20 bilhões, para preservar 2/3 do território brasileiro.  O orçamento corresponde cerca de 1% dos gastos públicos do governo federal, sem contar ainda com os recursos provenientes de diversos Fundos nacionais e estrangeiros.  O investimento vale a pena!

     Vamos deixar claro que o Ministério da Amazônia, não substituiu nenhum estado brasileiro, pelo contrário, o Ministério da Amazônia estará ao lado dos governadores dos Estados para as eventuais intervenções necessárias para a preservação da Amazônia e dos cerrados.  Só assim, podemos dizer ao mundo de que a "Amazônia é nossa!"

          Ossami Sakamori       

          

sábado, 15 de janeiro de 2022

Brasil vai crescer, no mínimo, 2,5% em 2022 !

 


Segundo a agência de notícias Reuters, na coluna da jornalista Luana Maria Benedito da UOL, o Citi piorou suas projeções para a atividade econômica brasileira, o PIB de 2021 de 4,5% para 4,4% e o de 2022, mantendo a projeção 0,3%. As projeções de instituições financeiras nacionais, como o grupo Itaú, projeta o PIB de 2022, em (-) 0,5%.  Resolvi escrever mais esta matéria que é repetição da anterior, para levar um pouco de alento aos empresários brasileiros, aos investidores do mercado acionário brasileiro e à própria população brasileira.

         Por mais que o "mercado financeiro" insista em projeções da economia de forma negativa, não enxergo o desempenho econômico do País tão catastrófico com enxergam os agentes financeiros, acompanhado pelos analistas econômicos, dito, os entendidos na macroeconomia.   Com detalhes na Projeções econômicos para 2022, detalho como cheguei na minha estimativa em 2,5% para o PIB de 2022.  A cada movimentação no Palácio do Planalto, me faz a crer que o crescimento do PIB previsto por mim, será superado, com folga.  Não será nenhuma surpresa para mim, se o PIB deste ano terminar acima de 4%.   

           A sinalização de que o PIB de 2022 cresça ao número próximo de 4%, está nas liberações de verbas para obras emergenciais, "extra teto" dos gastos públicos, grande parte com motivação política eleitoreira.  Nessa semana, o Presidente da República transferiu a liberação de verbas de natureza política ao ministro chefe da Casa Civil, Ciro Nogueira, PP/PI, tirando hegemonia do Ministério da Economia para o assunto econômico.  Com a transferência das autorizações de gastos públicos, com ou  sem previsão orçamentária para o comando ao Ciro Nogueira, leia-se "Centrão", o ano de 2022, não será diferente de todos "anos de eleições" precedentes, não vai faltar dinheiro para campanhas políticas.

           Vão quebrar a "cara" os apostadores do Apocalypse Now para o Brasil, sobretudo, neste fim do primeiro mandato do presidente Jair Bolsonaro!   Essa gente quer ver a derrota do atual Presidente da República nas próximas eleições, esquece de que, ao mesmo tempo, estará apostando contra o desenvolvimento do País, ao menos, em 2022.  De esquerda à direita, passando pelo centro, os candidatos à presidência da República, estão pensando em satisfazer os seus próprios "egos", esquecendo-se do interesse maior, que é o interesse do País.   Desta forma, reafirmo, com segurança:

             Brasil vai crescer, no mínimo, 2,5% em 2022 !

             Ossami Sakamori 

               

          


quarta-feira, 5 de janeiro de 2022

Projeção econômica para 2022

 


No início do ano, como acontece todos os anos, os principais agentes econômicos, empresários de pequeno a grande porte, investidores institucionais, nacionais e internacionais, fazem as suas própria projeção das atividades econômicos para o ano em curso.   No meio da pandemia, as principais instituições financeiras divulgam, também, suas projeções para servir de "norte" aos seus clientes.  O mercado financeiro especulam ao "sabor" das projeções de diversas origens e tendências,  "apostando" ao sabor dos seus interesses.

         PIB. Para o PIB - Produto Interno Bruto do País, no caso, medido de janeiro a dezembro de 2022, o Boletim Focus do Banco Central, prevê crescimento do País em 0,4% enquanto o Ministério da Economia prevê crescimento de 2,1%.  O Itaú, instituição financeiro que tem credibilidade e com alto índice de acertos, prevê recuo do PIB deste ano em (-) 0,5% e a CNI - Confederação Nacional da Indústria, em crescimento de 1,2% e, 2022.  Na minha avaliação, o PIB do País, medido de janeiro a dezembro, deverá estar acima de 2,5%, já contando com o "arrocho de liquidez" que será promovido  pelo Banco Central no primeiro quadrimestre deste ano.  

          IPCA. Para a projeção do IPCA, inflação oficial, o Boletim Focus prevê 5,0% e o Ministério da Economia em 4,7%.  Com IPCA fechando o ano de 2021, em dois dígitos, acima de 10%.  Apesar do "arrocho" do primeiro quadrimestre, que deverá ser promovido pelo Banco Central, a inflação deverá terminar o ano de 2022, em 7,5%.  Lembrando que o  ano de 2022 é ano de eleições e a equipe econômica deverá ser compelido a "afrouxar" os gastos públicos diretos (Tesouro Nacional) e os indiretos (Bancos públicos).  Uma eventual flexibilização dos gastos públicos acima da Emenda 95, contará, certamente, com o apoio do Congresso Nacional, que, também, estará envolvido até o pescoço com as eleições do outubro próximo.

            Selic. Dentro do contexto, a taxa Selic no primeiro quadrimestre, na reunião do COPOM de 2 de fevereiro próximo, deverá ficar, entre, 9,75% e 10,5%.  A segunda reunião do COPOM, deste ano,  previsto para março/2022, a tendência é manter a taxa de fevereiro ou com pequena variação conforme inflação do período precedente.  Nos dois quadrimestres seguintes, maio/agosto e setembro/dezembro, o COPOM deverá ajustar a taxa Selic ao redor de 7,5%, compatível com a inflação previsto para o período.

             Dólar. O dólar comercial, em 2022, continuará sob controle do Banco Central, aos níveis de R$ 5 a R$ 5,90.  Lembrando que o Banco Central tem vários instrumentos para manter o dólar no patamar indicado, como Swap cambial, mercado spot e conta, ainda, com o confortável Reserva cambial acima de US$ 350 bilhões.  O Banco Central, além dos instrumentos mencionados, tem ao seu favor a desvalorização do dólar motivado pela inflação próxima de 5% nos Estados Unidos.

            Desemprego. O índice oficial de desemprego, embora não reflita a situação real de desempregados, conforme demonstrado na matéria Brasil tem 63,8 de trabalhadores vulneráveis , deverá terminar o ano com índice ligeiramente inferior a 12%, apesar de nossa projeção de crescimento da economia em 2,5% em 2022.  O índice de desemprego no País, não reflete a realidade do mercado de empregos apesar de seguir os critérios adotados e aceitos internacionalmente.

          Muita cautela é recomentada no planejamento da gestão empresarial deste ano, 2022.  

           Ossami Sakamori


sábado, 1 de janeiro de 2022

Previsão para economia em 2022.

 


A população brasileira está entrando ao novo ano, apreensiva e cheio de dúvidas quanto ao desempenho da economia brasileira em 2022.  Os empresários, de grande a pequeno porte, estão encarando o ano de 2022, com muita desconfiança.   A inflação está fechando o ano de 2021 com dois dígitos, acima de 10% ao ano, e isto tem tirado sono de todos brasileiros.  O desempenho da economia do País, antes previsto, acima de 5,5% em 2021, deverá fechar o ano em 4,5%, número ligeiramente superior ao recuo da economia em 2020, de 4,1%.  Noves fora, nesses dois anos de pandemia, o Brasil teve crescimento pífio de 0,4%, o que distancia o País do primeiro mundo, cada vez mais.    

         O maior temor do mercado financeiro, dos empresários e da própria população, é a volta de hiperinflação.  Inflação de dois dígitos (acima de 10%) é uma lembrança aterrorizante para todos.   O Brasil, no passado não tão distante,  viveu o fenômeno da hiperinflação, cujos remédios deixaram marcas profundas para cada brasileiro.    O congelamento de preços e ou bloqueio de depósitos em contas correntes, são marcas que estão associados ao combate à hiperinflação.  O fenômeno da hiperinflação inicia, devagarinho, com o aumento de preços em dois dígitos, como é o caso da inflação desse ano de 2021.  O presidente do Banco Central, Campos Neto, sabe muito bem disto.  E, espero, tomará medidas!

          O descompasso das medidas tomadas entre o Banco Central e o Ministério da Economia, levou o País a uma situação iminente de "estagflação" (estagnação + inflação) nos próximos meses.   Para um País que, nem bem saiu da "quebra" em 2014, a pior crise econômica dos últimos 100 anos e baixo crescimento nos anos que seguiu e a pandemia nos anos de 2020 e 2021, o evento atípico, não poderia ter vindo em pior hora.  O País, em 2020, por conta da pandemia Covid-19, se endividou em R$ 571 bilhões, extra Orçamento Fiscal, para "segurar" a queda do PIB - Produto Interno Bruto em 4,1%.  Dentro deste contexto, o crescimento do PIB em 2021, previsto em 4,5%, mal cobre a queda do PIB do ano anterior.   Em 2 anos, o País deverá crescer 0,4%.  

          Por outro lado, a inflação de 2021, está a fechar ao redor de 10,5% em 2021, justificado pela alta expressiva de petróleo no mercado mundial e o preço dos commodities no mercado internacional, sobretudo de minérios e de produtos agropecuários, curiosamente, puxado pela demanda no mercado mundial.   Se a alta dos commodities no mercado mundial foi ótimo para o setor de mineração e para o setor agropecuário, foi péssimo para a população em geral que está a pagar o preço da inflação de dois dígitos (acima de 10%).  Para o governo federal, de certa forma, foi um ano bom.  O ano de 2021 foi marcado com forte crescimento na arrecadação tributária, em consequência, diminuindo o "déficit primário" ou o "rombo fiscal" para R$89,8 bilhões, segundo Ministério da Economia.

          No final do ano, como acontece todos os anos, houve injeção de cerca de R$ 232,6 bilhões na economia, por conta do 13º salário.  Segundo Dieese - Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos, o valor equivale a cerca de 2,7% do PIB.  Nenhuma outra medida econômica semelhante deverá acontecer no primeiro trimestre. O tão propalado pagamento de "Auxílio Brasil" para cerca de 19 milhões de chefes de famílias não representa valor significativo para movimentar a economia como um todo.     

            Como acontece todos os anos, o primeiro trimestre é um período morno para o setor produtivo, com exceção para o setor de turismo.  Com expectativa do Banco Central em aumentar a taxa Selic na próxima reunião do COPOM, para 10,25%, o ímpeto da força da inflação deve perder fôlego no primeiro trimestre.  O Banco Central, com Reserva cambial acima de US$ 350 bilhões, deverá manter cotação do dólar entre R$ 5,00 a R$ 5,99, em 2022.  O mercado financeiro prevê a inflação de 7% em 2022, o que não deixa de ser uma boa notícia.   Mas, a má notícia é que o mesmo mercado financeiro prevê o crescimento do País ao redor de 1,5% em 2022, o que é pífio, comparado com projeção de crescimento dos países do primeiro mundo.    

        O perigo do descontrole nos Orçamentos Fiscais de 2022, federal e estaduais, devido aos gastos por conta das campanhas eleitorais estará presente, sobretudo, no segundo semestre. O governo federal e os estaduais, além dos Orçamentos fiscais devem utilizar os recursos das instituições financeiras como Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, BNDES, Banco do Nordeste, Banco da Amazônia e dos Fundos Constitucionais, para alavancar as campanhas eleitorais.   Porém, o descontrole nos gastos públicos, devido às campanhas eleitorais, poderá colocar em "cheque" a política monetária contracionista do Banco Central.  Este filme, já vimos várias vezes no Brasil.  Tomara que desta vez seja diferente.   

           Na minha opinião:  Se o Banco Central tomar medidas contracionistas no primeiro trimestre e na sequência, adotar medidas que levem ao equilíbrio fiscal, com o Ministério da Economia acompanhando a sinergia do BC, o País terminará o ano de 2022, com inflação sob controle ao nível de 7%, com o crescimento econômico acima de 4% e terminaremos o ano com um novo ou atual presidente eleito para quadriênio 2023/2026.   O "boom" do crescimento econômico só deverá acontecer à partir de 2023.     

              Ossami Sakamori


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quinta-feira, 30 de dezembro de 2021

Brasil tem 63,8 milhões de trabalhadores vulneráveis!

 

O governo comemora, que o estoque de empregos formais no País, a quantidade total de trabalhadores com vínculos celetistas ativos, que chegou a 41,5 milhões em novembro deste ano, 2021, o que representa um aumento de 0,79% em relação ao mês anterior.   Apesar de notícia positiva, o número de desempregado, que recuou  para 12,1%, ainda representa cerca de 13 milhões de trabalhadores.  Isto é a estatística, aceita pelos critérios técnicos internacionais.  

          1. No entanto, as estatísticas sobre o desemprego, não mostram a gravidade da situação do emprego formal no País.  Apesar de critério de "desempregado" seguir o mesmo utilizado em todo mundo, os números escondem a verdadeira situação do extrato social dos trabalhadores no Brasil.  Explico.  No número de desempregado anunciado, não estão incluído, os trabalhadores considerados "desalentados", num total de 5,1 milhões.  Desalentados são os trabalhadores, que desistiram de procurar o emprego e que vivem de algum benefício social.  Assim, sendo, o total de trabalhadores sem emprego, na prática, é de 18,1 milhões e não os 13 milhões da estatística.  Lembrando que os "desalentados" são os trabalhadores que "desistiram" de sair de casa para procurar o emprego.

         2. E, inda, no número acima não está incluído o contingente de pessoas considerados "nem-nem", que são pessoas com idade entre 15 a 29 anos que não estão ocupados no mercado de trabalho e nem está estudando ou se qualificando, segundo a Pnad Contínua do IBGE.  Neste contingente de pessoas, os "nem-nem", estão outros 11 milhões de pessoas.   Se considerar mais este contingente, o número de pessoas "desocupadas" no País soma 29,1 milhões de pessoas.  

        3. Vou adiante, ainda, na minha análise.  Segundo o IBGE, no terceiro trimestre de 2021, havia um contingente de 34,7 milhões eram trabalhadores "sem carteira assinada", que são pessoas que trabalham por conta própria sem CNPJ e que de alguma forma trabalham para auxiliar no rendimento familiar.  Este contingente de trabalhadores, vulgarmente conhecido como "biscateiros", são ambulantes, entregadores, profissionais de diversas categorias e trabalhadores artesanais.   São trabalhadores sem nenhum vínculo empregatício.  Somado esta categoria de trabalhadores, ao número de pessoas "desocupadas", mencionadas acima, a soma de trabalhadores "vulneráveis" atinge cerca de 63,8 milhões de pessoas.   

           4. O Ministério do Trabalho comemora o número de empregados formais, de 41,5 milhões de trabalhadores, num universo de 105,3 milhões da força de trabalho do País.   Este procedimento vem ocorrendo nos governos, de todos matizes ideológicos, ao invés de se preocupar em encarar a realidade do País e fazer um plano econômico que contemple, também, a estes milhões de trabalhadores vulneráveis, para que possamos, finalmente, dizer que o Brasil é de todos nós.  

             5. O fato incontestável é que o País convive com 63,8 milhões de trabalhadores vulneráveis, que estão à mercê de promessas fáceis das campanhas eleitorais, sobretudo dos candidatos à Presidência da República, de direita à esquerda, sem exceção.   

              Ossami Sakamori

             

quinta-feira, 23 de dezembro de 2021

Dívida Pública Federal é de R$ 5,498 trilhões!

 


O Tesouro Nacional, o caixa do governo federal, anunciou, ontem, dia 22, o volume da Dívida Pública Federal líquida do mês de novembro em R$ 5,498 trilhões, sendo o volume de pós-fixados em 36,69%.  No número apresentado já está descontado o valor da Reserva cambial brasileira que gira ao redor de US$ 360 bilhões ou equivalente, grosso modo a R$ 2 trilhões na data de ontem.   Portanto, a Dívida Pública Federal bruta está ao redor de R$ 7,5 trilhões, na data de hoje.

          O que preocupa não é tanto o montante da dívida pública, mas, a sua participação em relação do PIB  - Produto Interno Bruto.  O gráfico abaixo mostra, claramente, a sua participação no PIB.  De, participação de 65% do PIB em 2015, está a fechar o ano de 2021, em 82% do PIB.  Na prática, a dívida pública do País, é impagável.            


                As razões principais do endividamento público elevado do Brasil, são os sucessivos "déficits primários" ou os "rombos fiscais", que vem desde a crise econômica iniciado no governo Dilma em 2014.  Desde então, o País não consegue pagar as contas públicas, da União Federal, com o dinheiro que arrecada de impostos e tarifas, os mais altos do mundo.  O Tesouro Nacional honra os compromissos referente aos gastos correntes do governo federal, com o dinheiro dos novos empréstimos feito junto aos investidores especulativos nacionais e internacionais.  Neste contexto, o pagamento de serviços da dívida, juros e amortizações, são honrados emitindo novos títulos do Tesouro Nacional, remunerado à taxa básica de juros Selic.  
          No entanto, o mais preocupante, não é o montante da dívida pública, até porque todos os países do mundo vivem de empréstimos internacionais para se manterem na sua posição no PIB mundial, mas o que chamo atenção é que o Brasil vem perdendo sua posição na economia mundial.  No ano de 2020, o Brasil ocupava a 12ª economia do mundo e projeção para o ano de 2021 será de 14ª economia do mundo, ficando atrás de países como Canadá, Coreia do Sul, Rússia, Austrália e Espanha.  
           O atraso do Brasil é justificado pela camisa de força que se impôs com a famigerada Emenda 95, que prevê o Orçamento Fiscal do País nos próximos 20 anos ao do ano de 2016, o final da pior crise econômica que o País viveu nos últimos 100 anos.  O ano base deveria ter sido o de maior crescimento do País nas últimas décadas.  Com os políticos medíocres, a perspectiva de correção é quase nula.  Ganha eleições de 2022, o candidato que propuser a mudança nas regras da Emenda 95 e propor desenvolvimento sustentável ao longo dos próximos anos.

         Ossami Sakamori 
          

terça-feira, 21 de dezembro de 2021

Brasil merece retomar o crescimento !

 

Hoje, quero apresentar o resumo do estudo feito pelos economistas Marcel Grillo Balassiano e Samuel Pessoa, ambos professores da Fundação Getulio Vargas - FGV.  O estudo se refere ao crescimento do PIB - Produto Interno Bruto brasileiro em relação à média do PIB global desde 1987.  O estudo mostra que o País cresceu uma média de 2% ao ano, enquanto o mundo avançou a um crescimento de 3,4%.  Essa defasagem de crescimento  é que fez o Brasil cair da posição de 8ª economia do mundo para 12ª, atrás da Coreia do Sul, um pequeno país do oriente. O destaque é meu.

          Ainda, o mesmo estudo dos economistas mostra que essa defasagem foi revertida apenas em alguns anos do governo Itamar Franco, Fernando Henrique e Lula.  Mas, considerando a média dos anos anos de cada gestão o Brasil cresceu abaixo do ritmo mundial.   No governo Bolsonaro, a diferença deverá ficar negativa em 2%.  Apesar da pandemia ter atingido todas economias do mundo, o Brasil teve retração maior do que a média global em 2020 e deverá crescer menos que o mundo em 2021 e 2022, segundo os economistas do FGV.

      Para eles, os economistas citados, houve um deslocamento entre a economia brasileira e economia mundial no biênio 2015/2016, no governo Dilma, um "fosso" entre o que deveria ter acontecido e o que ocorreu.   Todos sabem o que ocorreu, mas não comentam, o desastre ocorrido devido a incompetência e imperícia da equipe econômica que comandava o segundo mandato do governo Dilma, a do ministro da Economia Guido Mantega.  Infelizmente, o governo que sucedeu, o do Michel Temer, também, teve desempenho medíocre. 

          Os economistas da FGV não comentam sobre a atual gestão, a do ministro da Economia, Paulo Guedes, que continua apresentando desempenho negativo em relação ao do mundo global.   O fato concreto é que o País deve terminar o ano de 2021, com crescimento ao redor de 4,5%, apenas o suficiente para cobrir a retração de 4,1% de 2020, ano de pico da pandemia.  Para economia brasileira, o ano de 2021, foi medíocre, sem nenhuma reforma estruturante que o País necessita, como a reforma tributária (meu comentário).  

           Os países do primeiro mundo, se preparam com ousados planos de investimentos para tentar recuperar os anos perdidos da pandemia, 2020 e 2021.  O Orçamento fiscal de 2021, em aprovação no Congresso Nacional, não apresenta nenhum investimentos por parte do governo da União, limitado que está pela Emenda 95.  Está havendo um pequeno "furo" do teto dos gastos públicos para viabilizar os recursos do programa "Auxílio Brasil" para cerca de 20 milhões de beneficiários.  Nada mais.

           Os investimentos bilionários em infraestruturas anunciados pelo ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, não farão nenhum efeito imediato, porque a maior parte destes, são investimentos de longo prazo, de 10 a 60 anos.   Desta forma, o Brasil continuará com o crescimento defasado em relação ao primeiro mundo, tudo como dantes, pelo menos em 2022.

          Na minha opinião, falta ao governo do presidente Jair Bolsonaro ousadia e vontade política para fazer do Brasil, um país inserido como um dos principais players do mundo.  Qualquer candidato que mostre o caminho do crescimento do País, ganha eleição de 2022.  O Brasil, país continental, com terras férteis e clima temperado, merece retomar o crescimento vertiginoso e sustentável.   O País está acometido de síndrome do cachorro magro, infelizmente.

          Ossami Sakamori 

sábado, 18 de dezembro de 2021

Com Paulo Guedes na Economia, Bolsonaro não se reelege!

 

Na sua última entrevista do ano, ministro da Economia, Paulo Guedes, fez balanço das atividade da sua pasta nesse ano de 2021, no dia de ontem, 17.  Para quem assistiu, deu para perceber que ela foi patética, que mais parecia confissão de culpa por não ter alcançado o objetivo que traçara, no início do ano do que uma prestação de conta.   A ausência dos seus principais assessores do Ministério na bancada, fez sentir à plateia de jornalistas convocadas, que as notícias não seriam alvissareiras.  A impressão que ficou, foi como clima de "fim de festa".  

          Segundo o ministro da Economia, o País experimentou um feito extraordinário durante a pandemia, quando o aumento de gastos para conter os efeitos da pandemia tiveram como contrapartida o congelamento de salários nos governos federal e regional.  Paulo Guedes, não citou ou não quis dizer que em 2020, no primeiro ano da pandemia, impingiu gastos públicos, extra LDO de 2020, em R$ 571 bilhões, sob diversas formas de ações do governo federal.  Não estou a criticar os gastos públicos de 2020, mas lembrando apenas que os recursos gastos foram a custa de aumento de endividamento público.  Não tem almoço grátis.  A conta vem depois.

         O ministro da Economia, citou a diminuição de déficit primário de R$ 10,5% do PIB - Produto Interno Bruto, em 2020, para algo como 1% do PIB em 2021 e 0,4% do PIB para o próximo ano.  Segundo o ministro Paulo Guedes, um ajuste fiscal que não foi feito em nenhum país do mundo.  Para quem não tem familiaridade com a macroeconomia, o "déficit primário" é o "dinheiro que falta" para cobrir os gastos do governo federal, apesar da arrecadação exorbitante do governo da União.  Eu denomino o "déficit primário", o dinheiro que falta para cobrir os gastos públicos, de "rombo fiscal", que seria o mais correto entender.   Para um leigo entender, melhor ainda, o tamanho do problema que o País enfrenta, o "déficit primário" não engloba os gastos referente  ao "pagamento de juros da dívida pública", cada vez mais impagável, aproximando celeremente ao número próximo do PIB - Produto Interno Bruto do país.  

         Ainda assim, na visão do ministro da Economia, Paulo Guedes, o "posto Ipiranga" do presidente Bolsonaro, em fazendo balanço de 2021, "o governo colocou o Brasil em pé".   Na visão do ministro, mesmo diante dos números negativos: "O Brasil se reergue e combatemos a doença" e que a economia voltou em V e o Produto Interno Bruto (PIB) vai crescer no ano que vem.   Para os que não estão acompanhando o desempenho do governo, a economia do País tende a crescer ao redor de 4,5% em 2021, segundo a análise das instituições financeiras.    Para um País que "regrediu 4,1% em 2020, o crescimento de 4,5% em 2021 não é nenhum grande feito.  O ministro Paulo Guedes sabe muito bem disso.  

         Em sua defesa, diante das críticas de que "ele não está entregando nada" em sua gestão, reclamou dos projetos que ele enviou ao Congresso Nacional, como reforma do Imposto de Renda e tributo aos dividendos.   Reclamou, o ministro Paulo Guedes, a falta de empenho dos congressistas em aprovar a privatização dos Correios, como que querendo desvencilhar da sua responsabilidade.   Não falou sobre a debandada dos seus auxiliares diretos, escancarada com ausência deles na entrevista derradeira do ano, por discordância à política econômica implementada por ele.  

          Manter o Paulo Guedes, o "posto Ipiranga", no Ministério da Economia, o principal dentre todos, é meio caminho andado para derrota do presidente Bolsonaro, nas eleições do outubro do próximo ano.   Enfim, cada um deve saber o que está fazendo e deve saber muito bem o que quer para si.   Com Paulo Guedes na Economia, Bolsonaro não se reelege!

            Ossami Sakamori

            

 

quinta-feira, 16 de dezembro de 2021

Ministro medíocre para um País medíocre

 

O ministro da Economia, Paulo Guedes, após participar do evento Moderniza Brasil - Ambiente de Negócios, organizado pelo governo federal e realizada na sede da Fiesp - Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, ontem, dia 15, que o  País deverá ter desaceleração da economia em 2022, em razão do efeito da alta de juros Selic e as medidas de combate à inflação, que está sendo implementado pelo Banco Central.  A fala do ministro da Economia, é também, pensamento unânime entre os empresários que estavam presentes no evento, segundo se apurou.  Brasil vai parar em 2022.

          Vamos lembrar que no ano de pico da pandemia Covid-19, o País regrediu em 4,1%, apesar de injeção do dinheiro do Tesouro Nacional no montante de R$ 571 bilhões, extra Orçamento Fiscal de 2020, denominado de "Orçamento de Guerra".  O resultado é que, neste ano, 2021, o País deve crescer cerca de 4,5%, segundo projeção das instituições financeiras, como o conglomerado Itaú.  Como pode ver, a somatória do desempenho do País nos dois anos da pandemia, vai terminar no equilíbrio, sem nenhum crescimento.

          Segundo o ministro Paulo Guedes, a desaceleração da economia poderá ser contrabalanceada pela elevação de investimentos contratados, advindos das privatizações no volume de R$ 700 bilhões para os próximos 10 anos.  Além dos investimentos em infraestrutura, que anualizado soma R$ 70 bilhões, o programa Auxílio Brasil, que representa cerca de R$ 400,00 para 20 milhões de beneficiários, cerca de R$ 96 bilhões, deverá irrigar os municípios mais carentes em todo o País.  

           Até este momento, quase terminando o ano de 2021, os programas de estímulo ao crescimento econômico apontado pelo ministro Paulo Guedes é insuficiente para atender a demanda dos trabalhadores em situação de desempregados, desalentados e os "nem-nem" (nem trabalha e nem estuda).  E ainda, se considerar que 28 milhões de pessoas vivem abaixo da linha da pobreza, o País não pode dar o "luxo" de contentar-se em ver o País "em desaceleração da economia".  As propostas apresentadas pelo ministro Paulo Guedes, na minha opinião, são medíocres diante da tamanha necessidade do País.   Ministro medíocre para um País medíocre.  Brasil terá que crescer e ocupar posição de destaque que merece estar.   Não há outro remédio.

            Ossami Sakamori


sexta-feira, 10 de dezembro de 2021

Hiperiflação nunca mais!

 


Hoje, dia 10 de dezembro, foi divulgado o Índice de inflação oficial do País, o IPCA - Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, que ficou em 0,95% em novembro.  A justificativa é que houve pressão dos combustíveis no índice anunciado.  Assim sendo, a taxa de inflação acumulada nos 12 últimos meses atingiu a marca de 10,74%, recorde desde novembro de 2003, há 18 anos.  Se mantiver a mesma expectativa para o mês de dezembro, a inflação do País em 2021, terminará em dois dígitos (acima de 10%).  

          Explico, o motivo porque insisto em tratar sobre o perigo da inflação de dois dígitos (acima de 10%).  A inflação, normalmente, é produzida pela demanda em excesso, o que parece não ser o caso do Brasil, pois que o País deverá terminar o ano tão somente para cobrir a recessão de 4,1% de 2020, produzida pela pandemia Covid-19.  O mercado financeiro e  governo preveem crescimento para 2021, abaixo de 5%.  E para completar, o País vem de baixo crescimento desde crise financeira de 2014, caindo de 8ª economia do mundo para 12ª, atrás da Coreia do Sul. 

           O Banco Central do Brasil e o Ministério da Economia terão que entrar em sintonia para combater a inflação em primeiro lugar.   Sem estabilidade da moeda (inflação baixa), não há plano de crescimento econômico que termine em sucesso.  A história do Brasil mostrou repetidas vezes, o desastre no plano econômico irresponsável como o Plano Cruzado, que terminou em triste hiperinflação.  E o Plano de estabilização do governo Collor, foi pior ainda, com bloqueio de poupança e outros ativos.


         

           Não estou a falar que a conjuntura econômica atual é semelhante aos dos governos anteriores, mas afirmo que foge aos princípios do Plano Real, em vigor desde 1994.  No entanto, não custa lembrar que brincar com inflação de dois dígitos (acima de 10%) é como brincar de fogo.  É necessário que o Banco Central, que é guardião da moeda do País, tome medidas ousadas, além do aumento gradual da taxa Selic.  Taxa Selic é apenas, um instrumento da política monetária.  Há que implementar demais mecanismos disponíveis da política monetária.

          O Banco Central tem mais um instrumento eficiente para conter a inflação de demanda, que é o depósito compulsório das instituições financeiras, restringindo o crédito.  Além de ter um terceiro pé, que é administração do câmbio.  Todos que entendem da macroeconomia sabe que o dólar está "um tom" apreciado, encarecendo os insumos importados das indústrias brasileiras.   A conjuntura é piorada com a inflação nos países do primeiro mundo, puxado com inflação dos Estados Unidos que indicam, neste final deste ano, algo acima de 6%.  O dólar americano está desvalorizando muito acima do normal.             

        O próximo ano, 2022,  é de ano de eleições.  No ano de eleições, a tendência dos governos de plantões é exacerbar em gastos públicos e afrouxar o crédito bancário.  Os dois ingredientes citados postos em prática é como colocar "gasolina na fogueira", a inflação voltará com toda força.   Com hiperinflação não há plano econômico que resista (vide governo Sarney).   Com hiperinflação, prevejo que o atual presidente da República não se reelege e certamente vai aparecer um candidato "oportunista" que vai propor uma saída milagrosa (vide Collor) e repetir a história que o País não quer de volta, nunca mais.

          Hiperinflação nunca mais!          

          Ossami Sakamori    

terça-feira, 7 de dezembro de 2021

O "dragão" da inflação

 


O Boletim Focus do Banco Central do Brasil que vai definir a taxa básica de juros Selic, amanhã, dia 6 de dezembro, aponta a inflação do ano de 2021 para 10,18%.  E, para 2022, estimativa de 5,02%.  A previsão de inflação para 2021 está bem acima da meta definida pelo Conselho Monetário Nacional no final do ano passado. E a expectativa do PIB do mesmo Boletim, para 2021, caiu de 4,78% para 4,71%.  E a expectativa do PIB para 2022 ficou em 0,51%.  Brasil está quase parando, em contraste  com os países desenvolvidos que já retomou o crescimento.  

          A previsão para taxa Selic, segundo o mesmo Boletim, deverá ser fixada em 9,25% para dezembro deste ano e 11,25% para a última reunião do COPOM em 2022.  Quanto à taxa Selic da próxima reunião, próxima 4ª feira, com expectativa de inflação acima de dois dígitos (10,18%), no meu entender, os juros Selic dos títulos do Tesouro Nacional deveria ser um pouco mais ousado, ou seja a uma taxa de 9,75%.  Justifica-se: no final do ano tem dinheiro do 13º salário, cerca de R$ 232 bilhões, que irrigará o mercado, aquecendo, momentaneamente, a economia.   

           O Banco Central, responsável pela política monetária, deveria dar prioridade número ao combate à inflação.  Inflação, na presente situação, tem pouco a ver com o rompimento ou não do teto dos gastos públicos, a Emenda 95.  O controle da inflação se faz, sobretudo com disponibilidade da moeda, real, no mercado.  Quando a política de juros não é suficiente, o Banco Central tem um segundo instrumento, tão importante quanto a taxa Selic, que é o depósito compulsório das instituições financeiras.  O princípio é básico: "Quanto menos disponibilidade de moeda circulante, menos consumo.  Menos consumo significa, menor inflação".  Isto é princípio básico da macroeconomia.  

           Um outro fator que influencia na inflação é a cotação do dólar.  O dólar é moeda utilizada para negociação de qualquer produto ou serviço com o exterior.  O agronegócio e mineração dependem da cotação do dólar para exportação de seus produtos.  As indústrias dependem do dólar por conta das importações de insumos para seus produtos.  Enfim, quase tudo depende da cotação do dólar.  

           
          A variação da cotação do dólar depende grande parte da valorização ou depreciação no mercado financeiro internacional.   No mercado financeiro nacional, depende do fluxo de entrada e saída do dólar, das importações e exportações e também da balança de conta conta corrente que engloba outros tipos de transações, como as de serviços.   Cabe ao Banco Central administrar o fluxo cambial para manter o dólar no patamar de equilíbrio entre entrada e saída do dólar.   Há diversos mecanismos que o BACEN utiliza para manter o fluxo cambial, entre eles a intervenção direta, vendendo ou comprando o dólar, engordando ou enxugando a Reserva cambial do País, hoje ao redor de US$ 350 bilhões.  No varejo, utiliza-se muito o swap cambial que é um título em reais atrelado à variação cambial.  Enfim, mecanismos para intervenção cambial não faltam.  

           A administração do câmbio por parte do Banco Central é fundamental para manter o fluxo normal de entrada e saída de dólares e também manter a inflação dentro da meta almejada pelo BACEN.  O câmbio influencia sobremaneira na formação de preços de produtos de consumo, provocando inflação ou deflação, em conjunto com duas outras intervenções já mencionadas acima, qual seja, a taxa de juros Selic e depósito compulsório das instituições financeiras.

           No meu entender, as autoridades monetárias, o BACEN e o Ministério da Economia brincam com o fogo.  Inflação de dois dígitos (acima de 10%) deveria ser sinalização importante para execução de uma boa política econômica e monetária.  O princípio do Plano Real, a estabilidade da moeda, era o equilíbrio fiscal e o controle da moeda.  Não adianta o BACEN, aumentar a taxa básica de juros Selic, se o Ministério da Economia adota política econômica frouxa e expansionista que resulta em inflação alta.   Banco Central e Ministério da Economia tem que se entender para que rumo quer conduzir o País.  Esta função está longe de ser a do Presidente da República. 

          As autoridades monetárias, o presidente Campos Neto do Banco Central e o ministro da Economia, Paulo Guedes, sabem muito bem do que estou a falar.  Capacidade e conhecimento eles tem tem de sobra.  Faltam aos dois a "mesma sinergia" e o "mesmo objetivo" para conduzir o País. Os investimentos deles estão em dólares nos paraísos fiscais, pouco importando a que rumo vai tomar a nossa moeda, o real.  No final das contas, quem paga o pato são, como sempre, o contribuinte e a população que terão que conviver com o "dragão" da inflação.

            Ossami Sakamori