quinta-feira, 13 de agosto de 2020

Paulo Guedes será o próximo a "picar a mula".



Disse o presidente da República, Jair Bolsonaro, de que "a economia está reagindo" e nós aqui revolvemos então com essa reunião, se referindo a reunião com o Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre, direcionar mais as nossas forças para o bem comum daquilo que todos nós defendemos", se referindo desta vez para a lei do "teto dos gastos" sancionado pelo presidente Michel Temer.  Isto tudo é bonito no discurso, mas inviável na prática, para vencer a depressão econômica acentuada com a pandemia "coronavírus".  Paulo Guedes, cedeu à pressão palaciana e deu o troco.

Na mesma reunião esteve presente o ministro da Economia Paulo Guedes, que criticou na véspera, os auxiliares do presidente da República de aconselharem o presidente da República de furar o teto dos gastos, como uma forma de fortalecer a posição da reeleição do presidente da República.  Paulo Guedes se referia aos ministros militares do Palácio do Planalto e o ministro de Desenvolvimento Regional e o ministro da Infraestrutura.  Disse o ministro da Economia, de que se fizer isso, "furar" o teto dos gastos públicos vai jogar o Bolsonaro na zona de impeachment, no meio do imbróglio que deu baixa na sua equipe do primeiro escalão.

Paulo Guedes, Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre, vão acelerar a votação da proposta que permite o governo "acionar" as medidas de contenção dos gastos previstos na lei conhecida como do "teto dos gastos" aprovado no governo Temer.  Em linhas gerais, a lei do "teto dos gastos" prevê que os Orçamentos Fiscais dos próximos 20 anos, contado desde 2016, não extrapolasse o Orçamento Fiscal de 2016, corrigido tão somente pela inflação do período.  A lei do teto das gastos públicos, sem as regras de destravamento da economia, seria uma espécie de "camisa de força" para um crescimento econômico robusto.  

 Assim fazendo, o ministro da Economia em queda de braço com os ministros "desenvolvimentistas" como Rogério Marinho e Tarcísio Freitas, sai vencedor nesta contenda.  No entanto, sepulta de vez o seu projeto e do presidente da República, um programa assistencial denominado Renda Brasil que, de princípio, seria a extensão do programa "auxílio emergência".  Paulo Guedes, tomando a atitude que tomou, presume-se que já está com as mãos no boné para "picar a mula" do governo, assim como já fizeram os auxiliares mais próximos.  Próximos capítulos vão confirmar o que estou a dizer, hoje.  

Paulo Guedes será o próximo a "picar a mula".

Ossami Sakamori









terça-feira, 11 de agosto de 2020

Visão equivocada do Guedes sobre a "nova CPMF"


É dada como certa o envio do projeto de lei que cria a "nova CPMF" para o crivo do Congresso Nacional.  O Ministério da Economia e o governo federal estão empenhados na criação da nova contribuição para financiar a desoneração da folha de pagamento e criar o programa Renda Brasil.   Toda estrutura do governo está empenhado na aprovação da "nova CPMF", a começar pelo General Ramos da Secretaria Geral ao ministro da Cidadania, Onyx Lorenzoni.  O Palácio do Planalto vai jogar todas fichas para a aprovação da "nova CPMF" para viabilizar a reeleição do atual presidente da República.  

O ministro Paulo Guedes da Economia deve encaminhar o projeto de lei nos próximos 10 dias, segundo Palácio do Planalto.  O governo conta como favas contadas pela aprovação da "nova CPMF" porque ela vai financiar a extensão do programa "auxílio emergencial" para os próximos anos.   O objetivo é atender os trabalhadores informais, sem carteira de trabalho, que vivem de "bicos".   Um contingente da força de trabalho que, não se sabe exatamente quantas pessoas, mas que deve representar cerca de 40 milhões a 60 milhões.  Para se ter ideia o programa Bolsa Família atende atualmente cerca de 13 milhões de chefes de família, que será incorporado ao Renda Brasil.

Só o programa Renda Brasil vai onerar ao Orçamento Fiscal, todos anos, à partir do ano que vem, de R$ 150 bilhões a  R$ 250 bilhões, dependendo do número de beneficiários a ser contemplados.  Não se tem ideia ainda o valor a repor devido a desoneração de folha de pagamento que também será paga pela "nova CPMF". O ministério da Economia faz simulações com a incidência de 0,20% a 0,40% sobre todas transações eletrônicas, formais e informais. O principal defeito da "nova CPMF" é o efeito em cascata, isto é, a incidência em cada produto ou serviço acontecer em cada etapa ou em cada pagamento, leia-se boletos.

A minha visão é totalmente oposta ao do ministro Paulo Guedes.  Ao invés de programa puramente assistencialista como Renda Brasil, o mesmo dinheiro deveria ser aplicado em investimentos de infraestrutura, incluindo nesta, canalizações, estradas viciais, recuperações de escolas e postos de saúde, poços artesianos para sertanejos.  O próprio IPEA, órgão do governo federal, estima criação de 100 mil empregos para cada R$ 1 bilhão de investimentos em obras.  Se o valor estimado da arrecadação com a "nova CPMF" for canalizado para investimentos em obras públicas, criaria, de 15 milhões a 25 milhões de novas vagas de trabalho.

Com criação de tal número de empregos, certamente, o Brasil estará "bombando" como querem os formuladores da política econômica do País.

Ossami Sakamori


segunda-feira, 10 de agosto de 2020

A situação do "desemprego" no Brasil é dramática!




Brasileiros em geral, nos quais me incluo, não gostam de encarar a realidade, nem mesmo o ministro da Economia do País.  Preferem dizer que o Brasil "está bombando", apesar de números assustadores que a própria estatísticas do IBGE demonstre.  Em número concreto, entre o mês de maio e junho de 2020 houve "destruição" de 1,4 milhão de postos de trabalhos formais.  Isto é apenas a ponta do "iceberg" da verdadeira situação de desempregados no Brasil.  

Antes da pandemia, o País tinha 33,8 milhões de trabalhadores formais, com carteira assinada.  Desta forma, significa que o Brasil, no final de junho, estava com 32,4 milhões de trabalhadores com carteira assinada, dentre pouco mais de 100 milhões da força do trabalho. Espanta-me, um  ministro da Economia, o Paulo Guedes, dizer que o País possui cerca de 60 milhões de trabalhadores informais, como se fosse uma grande descoberta.  Não se pode culpar o IBGE por eventuais falhas na falha na coleta de dados.  Os dados estão sendo disponíveis desde 2015, o início da crise econômica que avassala o País.    


Vamos lembar que o IBGE é um órgão público federal sob o comando do Ministério da Economia, portanto, a equipe econômica e o próprio ministro da Economia, Paulo Guedes, deveriam estar acompanhando mês a mês, a evolução do desemprego no País.  O número de desempregado não está "invisível", pelo contrário está muito visível diante da estatística do governo federal.   

A classificação formal dos trabalhadores, de certa forma, ajuda mitigar o efeito do "desemprego".  É considerado "desempregado", apenas os trabalhadores que saem para procurar o emprego.  Os desempregados que nem sequer saem para procurar o trabalho são denominados de "desalentados". Os trabalhadores que estão recebendo o seguro desemprego, também não entram na estatística de desempregados.  Nem entram na estatística, o "nem-nem", nem estuda e nem trabalha, que sequer tem carteira de trabalho.  E por último, os trabalhadores informais, os "invisíveis" do ministro Paulo Guedes, são os que vivem de bicos ou são "ambulantes" que vivem de micro-comércio.  

Diante deste quadro, não será um programa de renda mínima, denominado de "Renda Brasil", é que vai tirar o Brasil do "atoleiro" que se meteu desde 2015.  Nem adianta, tão pouco, botar a culpa na "esquerda" e nem colocar toda culpa na pandemia "coronavírus".  O ministro da Economia deveria saber, desde 2018, a situação de "pandemia econômica" que o Brasil vive muito antes de assumir a posição de ministro da Economia em 2019.

A situação de "desemprego" no Brasil é dramática!

Ossami Sakamori



domingo, 9 de agosto de 2020

Sua parte da dívida pública é de R$ 34 mil


A pandemia "coronavírus" deve custar ao governo federal, incluído déficit decorrente da máquina pública prevista no Orçamento Fiscal de 2020, a marca recorde de R$ 1 trilhão, equivalente a mais de 12% do PIB.  Cada brasileiro, do adulto ao recém nascido, terá o endividamento acrescido em R$ 4,4 mil reais, somente neste ano.  O ministro da Economia, Paulo Guedes, põe a culpa do déficit primário insustentável tão somente na pandemia "coronavírus", o que é uma grande mentira.  

Segundo o novo secretário do Tesouro, Bruno Funchal, que assumiu o cargo no lugar do economista Mansueto Almeida, "é um custo bem alto" e afirma que "em última instância, é uma conta que será paga por todos nós e pelas gerações futuras", se referindo aos gastos públicos.  Todos nós, ele quis dizer, "todos contribuintes", apenas para lembrança.  Se a expectativa se confirmar, a dívida pública bruta do País deverá alcançar 100% do PIB ou cerca de R$ 7,5 trilhões em 2020.  Significa, também, que cada brasileiro vai ficar devendo no final deste ano, cerca de R$ 34 mil reais, sem ter tirado algum proveito em benefício de si próprio.

Ainda assim, o ministro da Economia, Paulo Guedes, quer tornar permanente o "auxílio emergencial" denominado-o de "Renda Brasil", que deverá atender os atuais beneficiários do programa em vigor.  O projeto para o crivo do Congresso Nacional e o benefício da "Renda Brasil" deverá abranger os atuais 60 milhões de beneficiários do "auxílio emergencial".  Se o benefício do "Renda Brasil" for de R$ 300,00 como pensa o governo, o gasto anual do Renda Brasil deverá ser uma bagatela de R$ 234 bilhões, comparado com o custo da Bolsa Família.   O programa "Renda Brasil" deverá ser o carro chefe da campanha de reeleição do atual presidente da República, em 2022. 

É por estas e outras razões é que fica imprescindível a aprovação da "nova CPMF", um imposto injusto, em cascata. A carga tributária brasileira representa hoje, sem "nova CPMF", em cerca de 34% do PIB.  De tudo que o País produz, os gastos do governo representa cerca de 1/3 de tudo que o povo consome.  O problema não é o percentual da carga tributária, mas os benefícios capengas na hora de atender as necessidades da população. 

Paulo Guedes não é nem um pouco diferente de outros ministros da Economia já teve no Brasil.  Pelo contrário, Paulo Guedes é um "neoliberal" assumido, mesmice dos outros que ocuparam a cadeira do Ministro de Economia.  

Sua parte da dívida pública é de R$ 34 mil 

Ossami Sakamori

sábado, 8 de agosto de 2020

Brasil está refém da vaidade do Paulo Guedes.


O ministro Braga Netto da Casa Civil lançou no dia 22 de abril de 2020, o programa Pró-Brasil, como uma estratégia do governo de buscar o crescimento econômico após a crise provocada pela pandemia "coronavírus".  A proposta prevê, investimentos de R$ 27,4 bilhões para serem aplicados em 11.400 obras já iniciadas.  Em uma segunda etapa, investimentos de R$ 157 bilhões em projetos de infraestrutura a serem executados em forma de Parceria Público-Privada.  O programa ficou do tamanho que é, por não se o ministro da Economia o "pai" do Plano.  

A ideia seria uma cópia do "Plano Marshall", um plano norte-americano de reconstrução dos países aliados depois da Segunda Guerra Mundial.  A Europa é hoje, o que é, grande parte, devido à ajuda dos Estados Unidos.  Investimentos públicos em infraestrutura foi implementados pelo presidente Roosevelt para tirar os Estados Unidos da grande depressão econômica de 1929.  Portanto é uma fórmula clássica para tirar qualquer país de uma "depressão econômica", tal qual acomete o Brasil, desde 2015.  

O próprio IPEA - Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada, mantido pelo governo federal, sugere que as obras de mobilidade urbana, de canalização de rios, de casas populares, de saneamento, de estradas viciais, de reformas de prédios públicos, sejam feitos em regime diferenciados de contratações (RDC), para dar maior agilidade.   O IPEA estima que para cada R$ 1 bilhão investido, gere 100 mil empregos.  Portanto, o Braga Netto não está sozinho nessa luta interna pela disputa do seu "cercadinho".  

No mesmo sentido, encaminhei ao ministro Braga Netto, um plano "Ação pró-Brasil", uma cópia ampliada do  plano "pró Brasil", um plano com investimento em obras públicas, um verdadeiro plano "Marshal", de R$ 1 trilhão para triênio 2020, 2021 e 2022, que em tese, criaria 40 milhões de empregos. Para se ter ideia, hoje, são mais de 60 milhões de pessoas dependentes do programa "Auxílio emergência, um programa "saco sem fundo".  Quanto ao Orçamento Fiscal, basta ampliar o "Orçamento de Guerra", apartado do Orçamento Fiscal ordinário.  

O plano do ministro chefe da Casa Civil não decola, por falta de verbas que depende da liberação do Ministério da Economia.  O ministro Paulo Guedes é contra o "Plano Marshall" do Braga Netto.  O ministro Paulo Guedes prefere o programa "Renda Brasil", uma extensão do "auxílio emergência" que traz muita popularidade a ele e ao presidente da República e com gastos públicos semelhantes ao do "pró Brasil".

Brasil está refém da vaidade do ministro Paulo Guedes.

Ossami Sakamori


sexta-feira, 7 de agosto de 2020

Paulo Guedes está é louco da cabeça!


O ministro da Economia, Paulo Guedes, gosta de empolgar a sua platéia de apoio.  Ontem, dia 6, quinta-feira, disse no Aspen Security Forum, dirigindo a uma platéia de empresários americanos: “Entendemos a preocupação de vocês, porque vocês desmataram suas florestas. Vocês querem nos poupar de desmatar a floresta, como vocês desmataram as suas. Sabemos que vocês tiveram guerras civis, também tiveram escravidão, e só pedimos para que vocês sejam amáveis como somos amáveis. Vocês mataram seus índios, não miscigenaram”.  Isto é um desserviço que um ministro da Economia presta ao seu País.

A fala do Paulo Guedes, no mínimo, foi deselegante com os anfitriões, no momento impróprio, na hora que o Brasil mais precisa de investimentos estrangeiros e de exportações de de aço aos produtos agrícolas.  O País não tem poupança interna para fazer investimentos.  O Brasil precisa de investimentos estrangeiros como o sertanejo precisa de água para beber.  Paulo Guedes faz discurso para o seu público interno, o seu "chiqueirinho" para tentar "mitigar" o pior resultado fiscal dentro do Plano Real, um "déficit primário" de R$ 800 bilhões ou equivalente a 11% do PIB.  Paulo Guedes tenta segurar a popularidade do presidente da República com o chapéu alheio, o do contribuinte brasileiro.

Se depender do secretário do Tesouro Nacional, Bruno Funchal, que afirma seguir o Orçamento Fiscal "dentro do teto de gastos", como base do Orçamento Fiscal de 2021. Afirma o secretário do Tesouro: "Toda crise tem início, meio e fim, e precisamos sair dessa crise com capacidade de pagar essa conta e voltarmos à nossa trajetória de consolidação fiscal".  O País vem tentando sair da depressão econômica, com teoria macroeconômica ortodoxa desde 2015, mas não está dando resultado.  A economia brasileira continua estagnada ou literalmente "no chão".

O ministro da Economia, Paulo Guedes, quer desonerar a folha de pagamento e instituir como permanente, o Renda Brasil, um programa assistencial que ruboriza o próprio mentor do programa, o  ex-senador Eduardo Suplicy, PT/SP.  Paulo Guedes toma atitude dúbia, de um lado fala em seguir o "teto dos gastos", mas por outro lado fala em liberar o programa Renda Brasil com gastos previstos de R$ 250 bilhões anuais.  

Paulo Guedes está é louco da cabeça!

Ossami Sakamori

quinta-feira, 6 de agosto de 2020

Taxa Selic de 2% traz otimismo aos investidores



Banco Central anunciou, ontem, que o COPOM - Comitê de Política Monetária estabeleceu a taxa de juros básicos Selic em 2% ao ano.  A nova taxa básica de juros é a menor da série histórica desde janeiro de 1998.  Em tempos normais, a nova taxa Selic seria motivo de comemorações.  No entanto, a nova taxa básica de juros Selic faz parte do conjunto de medidas do Ministério da Economia e do Banco Central, respectivamente, sob comando do ministro Paulo Guedes e do presidente Campos Neto, para tirar a economia do brutal recessão econômica que o País mergulhou devido a pandemia "coronavírus".  

Os países do primeiro mundo, já tomaram a mesma medida, no início da pandemia "coronavírus", já no mês de maio/junho.  Antes tarde do que nunca.  A medida do Banco Central é correta, digamos e no tempo certo  O Banco Central temia a volta da inflação devido a escassez de produtos, o que ocorreu apenas em situações pontuais, como produto de feiras livres.   Antes, o Banco Central tinha sinalizado na reunião anterior de que a taxa de juros Selic tinha chegado no "piso mínimo".  Foi uma surpresa, mas no sentido positivo e no caminho correto mais esta redução.

A política monetária conduzida pelo presidente do Banco Central tem sido o sustentáculo na tentativa de vencer a recessão econômica.  Soma-se à política monetária do Campos Neto, as medidas do Ministério da Economia, como "auxílio emergencial" e diversas formas de subsídios e financiamentos baratos para empresas em geral, de grandes a pequenas.  As medidas macroeconômicas implementadas pelo Paulo Guedes e Campos Neto vai evitar a queda do PIB devido a "coronavírus", antes previsto por mim em 15% para algo como 5% em 2020. 

O País tem chance de sair-se da pandemia "coronavírus", por ironia, devido aos gastos dos governos, federal, estadual e municipal, mais o Distrito Federal que representa cerca de 36% do PIB de 2019.  Os gastos em serviços essenciais como saneamento, energia elétrica, telecomunicações e transporte público tem contribuído para manter as atividades econômicas  no nível mínimo necessário para o País não parar.  Somado aos gastos sem serviços públicos, a atividade agrícola continua contribuindo no PIB em cerca de 22% do PIB, tem contribuído significativamente para segurar o País na brutal "depressão econômica" que estamos a viver. 

O efeito da taxa básica de juros Selic de 2% ao ano, com certeza, mais do que em fatos reais, anima os investidores institucionais diretos ou mesmo para os investidores de risco em mercado de capitais.  O tento, desta vez, é para o Campos Neto, presidente do Banco Central, responsável pela política monetária do governo.

Taxa Selic de 2% traz otimismo aos investidores

Ossami Sakamori

quarta-feira, 5 de agosto de 2020

Beirute em chamas


Por: RONALD SANTOS BARATA

A explosão, hoje, no porto da capital do Líbano, Beirute, ocorreu em meio à grave crise econômica, social e sanitária, que o país vive, desde o fim da guerra civil em 1990, e em meio a extrema pobreza.   É situação bastante complicada e, tentando ajudar para o entendimento, apresento um “apanhado” de um texto sobre o país, no trabalho que estou concluindo, denominado “Os Meandros do Poder Mundial”. Fiz vários cortes e alterações e, por isso, não é completo.

            O Líbano, é um dos vários países que ocupam o território que foi habitado pelos fenícios, cerca de três mil anos a.C., considerado o berço da Humanidade, chamado, conforme a Bíblia, de Terra de Canaã. Tem apenas 10.400 km². Ex-possessão do Império Turco-Otomano. A população, cerca de 4,5 milhões, é bastante heterogênea, formada por muçulmanos (sunitas, xiitas e alauitas), drusos, cristãos (maronitas, ortodoxos gregos, protestantes e armênios), além de pequenos grupos de judeus, hindus, budistas e baha’is, e abriga centenas de milhares de refugiados palestinos. Essa diversidade provoca muitos choques na sociedade.

            O sistema político procura contemplar os maiores grupos religiosos, devido ao acordo realizado em 1991. A Constituição determina que a presidência da República seja ocupada por um cristão maronita, o primeiro-ministro tem que ser um muçulmano sunita e a presidência do parlamento é entregue a muçulmano xiita. O Parlamento divide as 128 cadeiras, entre muçulmanos xiitas e sunitas com o mesmo número, mais os drusos, cristãos maronitas, cristãos greco-ortodoxos, cristãos greco-católicos, cristãos armênio-ortodoxos, muçulmanos alauitas, protestantes, coptas (cristãos), católicos romanos e judeus. É uma complicada divisão. Sofre influência das disputas entre poderosas famílias, e a ingerência de países da região, dos Estados Unidos e da França.

Em 1923, a Liga das Nações referendou o domínio da França sobre Líbano e Síria. Em 1943, o Líbano conquistou a independência e, em 1945, participou da criação da Liga Árabe, juntamente com Egito, Síria, Iraque, Transjordânia, Arábia Saudita e Iêmen. A Síria considera que o território libanês lhe pertence, devido a ter sido separado do Império Otomano.

            Após a partilha da Palestina, em 1947, e criado o Estado de Israel, em 1948, cerca de 350 mil refugiados palestinos estabeleceram-se no sul do Líbano, aliando-se aos árabes muçulmanos. Os diversos embates entre os árabes muçulmanos contra os cristãos maronitas, levaram o presidente Chamoun, maronita, a pedir ajuda a Eisenhower, presidente dos EUA, que enviou marines. 

            Os conflitos entre palestinos e cristãos voltaram a se acirrar a partir de 1970, devido à criação de acampamentos palestinos no sul do país, inclusive uma base da OLP-Organizaçaão para a Libertação da Palestina. Os falangistas cristãos não aceitavam a presença de palestinos em território libanês e apoiavam Israel. Os muçulmanos, contrários a Israel, apoiavam os palestinos e tentaram assumir o governo. Eclode, em abril/1975, a guerra civil, morrendo dezenas de milhares, dos dois lados. Os falangistas cristãos efetuaram diversos ataques aos campos de refugiados palestinos, com apoio da Síria.

A organização palestina AL FATAH, criada,em 1958, poe nacionalistas, liberais e socialistas, liderados por Yasser Arafat. Objetiva implantar na palestina um estado laico e democrático.

Em 1976, a Síria, com apoio da Liga Árabe, ocupa o país. Mas as violências contra os acampamentos de refugiados continuam. A OLP ataca o campo de Damour, ocupado por cristãos. Em represália, milícias cristãs e o Partido Falangista, apoiadas por tropas sírias e conselheiros israelenses, invadem o campo de refugiados palestinos denominado Tell-al Zaatar, em Beirute, matando de 2 a 3 mil pessoas.  Encerrados os conflitos, a ocupação síria permaneceu.

Em 1978, alegando que o Líbano estava permitindo o uso de seu território por grupos terroristas, inclusive tendo cometido um atentado a bomba num ônibus em Tel Aviv, tropas israelenses atacaram acampamentos de refugiados palestinos. A ONU envia um exército de pacificação.

Após o assassinado do presidente eleito Bashir Gamayer (líder dos falangistas cristãos de direita), Israel desencadeia a “Operação Paz na Galileia” e, novamente, invade o Líbano, em 1982. O Primeiro-Ministro israelense, Menahem Begin, e o Ministro da Defesa, Ariel Sharon, atribuíam à OLP ações que a Organização afirmava não ter praticado, mas os israelenses pretendiam aniquilá-la. A Organização chegou a manifestar a disposição de negociar.

Para essa invasão do sul do Líbano, houve um acordo com o representante norte-americano Philip Habib, de que a capital, Beirute, não seria invadida e os americanos protegeriam a população civil. O acordo foi violado e as tropas israelenses agiram com extrema brutalidade, provocando muitas mortes de civis palestinos e libaneses. Invadiram Beirute e ocuparam a área industrial. Culminou com as atrocidades praticadas contra refugiados nos acampamentos de Sabra e Shatila, que foram cercados pelas tropas de Israel que mandaram, numa noite de setembro, os falangistas cristãos invadirem os acampamentos, ajudados pelo exército do sul do Líbano. A ordem era matar toda a população dos acampamentos, independente de sexo e idade. As mulheres, antes de serem assassinadas, eram estupradas. Os homens velhos eram assassinados na hora, enquanto os mais novos foram transportados para lugar desconhecido. Crianças, no colo das mães, eram mortas.

Calcula-se em 2 mil o número de mortos no massacre que se estendeu por 2 dias. O fato abalou a própria população israelense, que fez manifestação, em Tel-Aviv, reunindo 400 mil pessoas, protestando e exigindo punição para os responsáveis, que nunca aconteceu. São impressionantes os relatos dos médicos e enfermeiros retirados do hospital em que trabalhavam, salvos por militares americanos quando estavam sendo transportados para algum lugar. Sendo uma ocupação militar, Israel teria que cumprir a Convenção de Genebra-IV, que determina ao ocupante a proteção das populações civis. Tropas dos EUA apoiaram as forças de Israel.

Líderes de várias religiões criaram o HEZBOLLAH, organização político-militar, para expulsar os israelenses. Tem apoio do Irã e da Síria. Teve apoio, também, da Rússia e do Iraque.

Em 1985, libaneses explodem um carro bomba, próximo a um quartel norte-americano, matando 241 fuzileiros navais.

Em outubro/1990, acaba a guerra civil. Novo governo foi formado e o Exército reconstruído. Assina com a Síria, o Tratado de Irmandade, Cooperação e Coordenação em que o Líbano declara aceitar as tropas da Síria, legitimadas pela Liga Árabe, que protegeria o Líbano de ataques externos. Em 1992, realizam-se eleições legislativas e Rafiki Hariri, muçulmano, foi eleito primeiro-ministro. Em 1998, o Parlamento elege presidente o comandante do Exército, Emile Lahoud, sucedendo a Elias Hrawi.

Em maio/2000, sob pressão da opinião pública israelense, as tropas israelenses retiram-se do sul do Líbano; o território é devolvido. Entretanto, os libaneses reclamam a devolução dos territórios anexados por Israel em 1967. Embora condenados pela ONU, continuaram os combates entre o Hezbollah e israelenses.

Em janeiro/2004, Hezbollah e Israel, mediados pela Alemanha, concretizam um acordo em que 400 palestinos e militantes de outras nacionalidades são trocados pelos restos mortais de três soldados israelenses e um empresário vivo.

O Conselho de Segurança da ONU pediu, em setembro/2004, a retirada dos invasores sírios. O primeiro-ministro libanês foi assassinado em fevereiro/2005, havendo forte reação popular, desaguando na ”Revolução dos Cedros”. Em abril/2005, as tropas sírias se retiram do país.

    Em 2006, o Hezbollah atacou soldados de Israel e sequestrou dois espiões. Começa a Sexta Guerra Árabe-Israelense que causou a morte de 1.200 pessoas no Líbano e 157 em Israel, durante 34 dias de lutas. A ONU mantém tropas tentando encerrar os choques armados entre sunitas e alauitas, e cessar as escaramuças na parte libanesa, novamente ocupada por Israel.

O ataque à histórica cidade Qana, fronteiriça com Israel, onde teria se realizado o primeiro milagre de Jesus Cristo transformando água em vinho, começou com um bombardeio a uma base da ONU. Israel alega ter sido um acidente, mas sabe-se que o ataque foi planejado, inclusive com alerta à população civil para se retirar.

Não houve acordo declarando o fim das hostilidades, não há um tratado de paz, e os dois países permanecem, tecnicamente, em guerra. Disputam uma área marítima rica em petróleo e gás, no Mediterrâneo. Há também outro foco de conflito, devido à construção, por Israel, de uma muralha de sete metros de altura, na fronteira com o Líbano. Israel alega que a construção é dentro do território israelense.

Portanto, é um conflito que vem de muitos anos, passando por 2006, durando até hoje.

Continuam os conflitos entre os diversos grupos políticos ou religiosos. O cargo de presidente ficou vago durante seis meses, até que, devido a um acordo entre a oposição, liderada pelo Hezbollah, e o governo, foi eleito o general Michel Suleiman, que governou de 2008 até 2014.

O país já sofreu vários atentados terroristas perpetrados pelo Estado Islâmico.

A guerra na Síria provoca reflexos no Líbano, que tem grupos apoiadores e contrários, e abriga cerca de 1.5 milhão de refugiados sírios. Crianças de seis anos de idade têm que trabalhar.

Em novembro/2016, após mais de dois anos de vácuo institucional e 45 tentativas de acordos fracassadas, o Parlamento elegeu presidente do país o ex comandante do Exército Michel Aoun, para um mandato de seis anos. O Hezbollah apoiou. Saad Hariri, sunita, foi designado primeiro-ministro. Os xiitas têm aliança com o Irã, enquanto os sunitas têm o apoio da Arábia Saudita.

O primeiro-ministro Hariri, enquanto visitava a Arábia Saudita, anunciou sua renúncia ao cargo no Líabano. As autoridades libanesas afirmam que Hariri era prisioneiro e refém de chantagens que a Arábia Saudita fez com seus familiares, que eram forçados a permanecerem em Riad.

Há cerca de 400 mil libaneses trabalhando na AS, que mandam para seus familiares no Líbano cerca de 7 a 8 bilhões de dólares por ano. Há também, o temor de que a AS faça contra o Líbano o mesmo que fez contra o Qatar, isto é, bloqueio econômico e comercial, o que faria cessar as remessas.

O governo saudita exige que o Líbano imponha restrições ao Hezbollah para que saia da coalizão governamental, deixe de lutar no Iêmen, onde apoia os xiitas houthis e pare de apoiar, na Síria, o presidente Bashar Assad.

O presidente da França, Emmanuel Macron, intercede para tentar estabelecer a paz.

Governos de vários países apoiam a exigência do Líbano pela volta do Primeiro-Ministro. Embaralhando a política no país, Saad Hariri voltou ao Líbano em 11/2017 e anunciou que suspendeu a sua renúncia ao cargo de primeiro-ministro.

O país, dividido em dois campos políticos, enfrenta muitos conflitos.

A demarcação de fronteiras marítimas com Israel e o muro israelense entre os dois países, é grande fonte de atrito.

            Nas eleições realizadas em maio/2018, o Hezbollah e seus aliados foram os grandes vencedores, conquistando mais da metade das cadeiras no Parlamento. Juntamente com o Movimento Atual liderado pelo presidente Michel Aoun e outros Movimentos, obtiveram 67 cadeiras, do total de 128.  O partido Movimento Futuro, liderado pelo primeiro-ministro Saad al-Hariri e apoiado pelos EUA, caiu de 33 cadeiras para 21. Os cristãos das Forças Libanesas, adversários do Hezbollah, passaram de 8 para 15 membros.

Em outubro/2019, surgiram fortes manifestações populares, depois que o governo anunciou novos impostos e a implantação de medidas de austeridade. 25% da população vive abaixo da linha da pobreza e o país enfrenta graves dificuldades econômicas. O movimento espalhou-se por outras cidades. O Hezbollah alerta para a possibilidade de uma guerra civil e pede cautela a seus militantes e que não participem do movimento, que está sendo aproveitado pelos EUA e Israel.

A situação de penúria do país, agravada pela pandemia de coronavírus e a inflação acima de 52% ao mês, levou ao não pagamento, pela primeira vez, de um título da dívida pública e provocou uma onda de suicídios na população, que além da miséria enfrenta várias violências.

Aguardemos esclarecimentos sobre a explosão.

Em 4 de agosto de 2020

RONALD SANTOS BARATA

barataronald@gmail.com


terça-feira, 4 de agosto de 2020

Economia. Há uma luz no final do túnel.


Li o resumo do estudo publicado pela IPEA, uma fundação pública federal vinculada ao Ministério da Economia.  Concordei na maioria dos aspectos e outros achei os temas sub ou superdimensionados.  O relatório, bem elaborado, é voltado para empresários e estudioso em macroeconomia. Quem tiver curiosidade é só entrar no site do IPEA e acessar não só sobre o assunto, mas sobre todos os temas que interessam ao País.  Pincei alguns dos itens que achei interessante comentar aqui.  

A queda no nível da atividade econômica, o desemprego e a suspensão da renda da maioria dos brasileiros foram mitigadas com programas extraordinários, como o auxílio emergencial e as linhas de créditos para empresas.  Algumas dessas medidas poderão se tornar permanentes. É o que sugere o documento Brasil Pós Covid-19, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).  É uma constatação óbvia que já manifestei neste blog por várias vezes.

O documento é dividido em quatro eixos temáticos: atividade produtiva e reconstrução das cadeias de produção; inserção internacional; investimento em infraestrutura; e proteção econômica e social de populações vulneráveis. Vou tratar apenas de alguns temas de interesse dos leitores deste blog.

Nova lei de falências.  O IPEA acha que há necessidade de reformulação e simplificação na lei de falências, para facilitar a recuperação judicial de empresas, de pequenas às grandes.  O órgão do governo, esquece que para um empresa pequena ou grande pedir recuperação judicial, há que ter um mínimo de ativos para pagar os credores, o que não acontece com maioria das micros e pequenas empresas em dificuldade.  Não há instrumento legal, penso eu, que coloque as empresas quebradas no "prumo".  

O mesmo relatório do IPEA, fala-se do óbvio:  "A pandemia do coronavírus provocou queda média de renda de 18% para o trabalhador brasileiro, seja pela extinção dos postos de trabalho ou mesmo por reduções de jornada e salário. Mas o pagamento do auxílio emergencial de R$ 600 do governo federal mais do que compensou essa perda, diz o relatório.  A renda desse grupo aumentou em 50% em relação ao período anterior ao coronavírus graças ao benefício".  Tudo isto, é o mesmo que avaliar se a esmola foi suficiente ou não.  

Sobre o tema Relações exteriores, o IPEA sugere dois pontos principais para o Brasil focar: "estimular o comércio exterior e buscar investimentos estrangeiros para ações internas".  O estudo não mostra objetivamente como alcançar estas metas.  Mas, admite, com as sugestões apresentadas de que o País "acabou" em termo de presença no contexto mundial.  Brasil não é mais protagonista de nenhum movimento global importante.  O País anda a reboque dos Estados Unidos ou da China, digo eu.

No caso de infraestrutura, a sugestão do IPEA vai no mesmo sentido do plano "Ação pró-Brasil", que foi encaminhado por mim aos generais lotados no Palácio do Planalto.  O relatório sugere manutenção de rodovias brasileiras com utilização do regime diferenciado de contratações públicas (RDC), instrumento usado pela presidente Dilma no seu auge.  O IPEA estima que para cada R$ 1 bilhão investido, gere 100 mil empregos.   Esta parte é importante para que os gestores públicos debrucem sobre ela. 

Diante de tantas evidências apresentada pelo próprio órgão do governo, o IPEA, vejo que a saída para depressão econômica devido ao "coronavírus" não será por via de programas assistenciais como o "Renda Brasil", um saco sem fundo, que cria um "chiqueirinho" de interesses políticos.   Só tem uma saída para o País sair do buraco, será por via de investimentos nos setores de infraestrutura e no setor produtivo.

Economia. Há uma luz no final do túnel.

Ossami Sakamori 

segunda-feira, 3 de agosto de 2020

JBS sob suspeita de irregularidade


Mais uma vez, o maior processador de carnes do Brasil, a JBS, faz parte do noticiário da imprensa internacional.  Desta vez, é o "The Guardian", jornal britânico, que traz uma reportagem de que a maior processadora de carnes do País, estaria ligada ao abate de animais vindos de fazendas em que há desmatamento ilegal na Amazônia.  Isto é notícia ruim para exportadores brasileiros como um todo.  

Segundo a reportagem, os bovinos eram procedentes de propriedade irregular, denominado Fazenda Estrela do Aripuanã, de onde teriam sido levados a outra fazenda do mesmo proprietário, a 300 Km de distância.  A mesma fazenda foi multado em 2012 em R$ 2,2 milhões por desmatamento ilegal e a propriedade com 1.455 hectares foram embargadas.  A essa altura,  a JBS não pode alegar a ignorância e tentar se livrar do problema.  

A JBS afirma, em nota oficial, de que "não compra gado de fazendas envolvidas em irregularidades e adota uma abordagem inequívoca de desmatamento zero em toda a sua cadeia de suprimentos".  Afirma ainda que, "o serviço de logística e transporte fornecido e executado de forma independente, deve atender às mesmas políticas de sustentabilidade da empresa, incluindo bloqueio das fazendas que não estejam em conformidade com essas políticas".  Toda explicação é para dar suporte aos fiscais venais, infelizmente.  

Anteriormente, o grupo JBS se envolveu em escândalo de financiamento ilícito de campanhas eleitorais, favorecendo os políticos aliados do ex-presidente Lula.  No dia 29 de fevereiro de 2016, este blog postou matéria sobre o mesmo grupo econômico com o título JBS/Friboi e Lula da Silva .  Ao que parece, os irmãos Batistas gosta de transitar no terreno da "ilegalidade", com certeza da impunidade, pelo menos ao donos do grupo econômico familiar.  

Neste período de pandemia "coronavírus", o Brasil está necessitando de "exportações" para manter a atividade econômica, no patamar mínimo aceitável, é preciso que a "vigilância sanitária" do Ministério da Agricultura aja com o rigor da lei, não só para manter a saúde da população brasileira e para manter o nível das exportações, cada vez mais crescente, pelos "bravos e dignos" empresários brasileiros. 

Felizmente, a JBS, sob suspeita de irregularidades, é exceção.

Ossami Sakamori


domingo, 2 de agosto de 2020

Campanha presidencial de 2022 já começou


Com dois anos de antecedência, deu-se o início da campanha presidencial de 2022.  Ninguém ousa falar sobre o assunto, a não ser o próprio presidente da República sobre a sua própria re-eleição, dando um drible na legislação eleitoral, em vigor.  Como a atual legislação prevê o instituto da "reeleição" e também, prevê uma série de penalidades sobre a antecipação da campanha eleitoral antes das convenções partidárias, que deverá ocorrer no mês de agosto de 2022.  Os eventuais adversários do presidente da República, oficialmente, só poderão fazer a campanha eleitoral à partir da indicação na convenção partidária em 2022.  O jogo desigual, mas é assim que funciona.

O presidente da República, está com a faca e queijo na mão. Só não se reelege se for muito incompetente ou se fizer administração desastrada no exercício do cargo que ocupa.  O presidente da República, em querendo, aparecer na mídia impressa e televisiva, a hora e dia que ele quiser, com frequência que quiser, sem ferir a legislação eleitoral.  Afinal, o presidente da República fala em nome do chefe supremo da República Federativa do Brasil e fala também como chefe do Estado das Forças Armadas.  Pouca coisa ele não é!

O presidente da República, poderá deslocar-se para qualquer unidade da federação, com o séquito de assessores, ministros e segurança pessoal.  Está na lei.   O apoio terrestre é garantido pelas Forças Armadas, por dever de ofício.  Qualquer deslocamento do presidente da República é feito com o avião presidencial com tripulação própria da Força Aérea.  As despesas estão englobados na rubrica de cada Força que compõe a estrutura de defesa do País.   Cada viagem do presidente da República faz às unidades da Federação, sem pernoite, deve custar ao erário público, uma bagatela de R$ 1 milhão ou mais.  

É certo que os eventuais adversários na eleição de 2022, usurpam da mesma benesse, com o dinheiro público dos estados da federação que governa.  Para uma competição como esta, onde se gasta R$ milhões, só tem condições de entrar no disputa os governadores das unidades da federação. Tanto quanto as despesas do presidente da República, as despesas de deslocamentos de governadores, tem custo ligeiramente inferior, mas sempre pagos pelos contribuintes daquelas unidades da federação.

Pobre do contribuinte, que na situação de pandemia devido a "coronavírus", o Congresso Nacional debruça-se em aprovar a reforma tributária e a famigerada "nova CPMF", exatamente para, também, pagar as despesas da campanha presidencial de 2022.  A crítica não é propriamente ao atual presidente da República, mas sobre a estrutura "podre" da política brasileira que permite, legalmente, fazer campanha política antecipada, com o dinheiro do contribuinte. 

Ossami Sakamori 




sábado, 1 de agosto de 2020

Lá vem a "nova CPMF" !


Segundo a grande imprensa, o presidente da República autorizou o ministro da Economia, Paulo Guedes incluir a "nova CPMF" na reforma tributária, como uma forma de financiar um novo programa de assistência aos pobres do País, denominado de "Renda Brasil".  Afirma o segundo escalão do Palácio do Planalto que é apenas "balão de ensaio".  No entanto, via de regra os "balões de ensaios" acabam vingando.  Desta forma, podemos afirmar que a "nova CPMF" vem para ficar.

Para minorar o impacto negativo, o Ministério da Economia estuda a possibilidade de aumentar a faixa de isenção do Imposto de Renda da Pessoa Física, hoje em R$ 1,9 mil por mês.  É a velha fórmula de dar com uma mão e tirar com a outra.  O fato é que o Presidente da República está empolgado com a popularidade aumentada com o programa "Auxílio emergencial" de R$ 600,00.  Pegou gosto pela coisa e quer a todo custo torná-lo em programa permanente, com a nova denominação:  o "Renda Brasil".  

Quem está à frente do estudo da "nova CPMF" é o Guilherme Afif Domingos, o antigo defensor do Imposto Único, quando aventurou-se em candidatar à presidência da República pelo Partido Liberal em 1989.  A "nova CPMF" terá a mesma cara do antigo, incidindo em todas transações digitais com alíquota previsto entre 0,2% a 0,4% sobre cada operação, em efeito cascata.  A alíquota da "antiga CPMF" ia até 0,38% em cada transação bancária.  Como à partir de novembro, as transações digitais ocorrerão 24 horas por dia, 7 dias por semana, o caixa do Tesouro Nacional vai fazer "plim-plim" ininterruptamente.  Assim, até eu governo o Brasil com os pés nas costas!

O governo federal pretende arrecadar cerca de R$ 120 bilhões com a "nova CPMF", com o que pagaria o programa "Renda Brasil", que englobaria diversos programas de auxílio do governo federal.  A estimativa do custo do "Renda Brasil", segundo a minha conta, não sai por menos de R$ 250 bilhões anuais.  Como o governo federal vem apresentando "déficit primário" ou o "rombo fiscal" desde 2015, o custo da sustentação do "Renda Brasil" vai causar impacto negativo na renda da população, apesar de uma alíquota aparentemente baixa.  O principal defeito da "nova CPMF" é o efeito cascata ou incidência em todas etapas da produção até o consumo. 

Preparem-se: Lá vem a "nova CPMF" !

Ossami Sakamori