Receba novas matérias via e-mail adicionando o endereço

quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Não vamos desistir do Brasil, apesar de tudo.

Crédito de imagem: Diário de Nordeste

O governo Temer comemorou o déficit primário menor que o previsto na Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2017, ontem. O governo reduziu o déficit primário, antes previsto em R$ 159 bilhões, para R$ 124 bilhões. A economia de R$ 35 bilhões em relação ao Orçamento Fiscal previsto na LDO não foi bem explicado pelo governo. Foi dito apenas que foi devido a arrecadação referente aos leilões de privatizações e economia nos investimentos.  Seja como for, está devendo explicações. 

Na matéria anterior, utilizei o déficit primário aquele previsto na LDO, por falta de informações que foi liberados apenas ontem.  A secretária do Tesouro Nacional do Ministério da Fazenda ao anunciar o número do déficit primário disse à imprensa que o motivo de apresentar o número embora em menor, não tinha nada a comemorar. Ela tem toda razão. O déficit primário é o "dinheiro que falta" para cobrir os gastos correntes do governo após a arrecadação de impostos. O déficit primário é coberto com emissão de títulos da dívida pública pelo Tesouro Nacional ou seja com endividamento público.  

A imprensa, explica como a "economia" foi feito para diminuir o déficit primário. Segundo a grande imprensa, o déficit primário economizado veio do corte de investimentos nas UPAs - Unidades de Pronto Atendimento e nos custeios da rede hospitalar conveniado com SUS - Sistema Único de Saúde. A falta de dinheiro vê claramente nos hospitais públicos, doentes morrendo em filas. 

Tem razão a secretária do Tesouro Nacional ao afirmar que  não vê motivo para comemorações com cortes no Orçamento Fiscal. Ela contraria o otimismo do presidente Temer e do seu superior o ministro da Fazenda Henrique Meirelles. A gestão financeira do governo Temer privilegia o pagamento de juros da dívida pública ao invés de dar atenção à necessidade básica da população como saúde pública e educação.  

O equívoco da política econômica e monetária não está somente em "economizar" os gastos, mas está na dependência cada vez maior da dívida pública tomado dos agiotas internacionais. O ministro da Fazenda Henrique Meirelles faz de tudo para agradar o mercado financeiro internacionais pagando os juros reais Selic os mais altos do mundo, deixando para trás apenas Rússia e Turquia. Meirelles quer estar "bem na foto" perante o mercado financeiro internacional impondo enormes sacrifícios à população.  

O povo brasileiro paga muitas vezes com as próprias vidas o equívoco da política econômica do governo Temer. Não será a reforma da previdência, por si só, que vai resolver todas mazelas da administração do governo. Michel Temer parece viver num outro país ao esbanjar o otimismo como que vivendo em outro país.

Não vamos desistir do Brasil apesar de tudo. Vamos esperar que o próximo presidente da República não caia na mesma armadilha dos últimos governos, incluindo este do Temer.  

Ossami Sakamori


Um comentário:

Alvaro Santos disse...

Caríssimo, o dinheiro tem que sair de algum lugar, e do nosso bolso é mais fácil que tirar dinheiro de bêbado; somos o povo no mundo que adoramos pagar tudo em dobro, carro, geladeira, celular...

Os números da nossa economia são falhos na confiabilidade, mas melhores em qualquer cenário dos que o de Lula&Dilma, nós somos leigos no entendimento destas contas governamentais e nesse índices.

´Não desistir do Brasil, significa buscar o entendimento que não existem mágicas para solucionar nossos problemas, que não existem santos em nossa política, que o próximo presidente precisa sim ter noção de economia, administração, política, geopolítica e negociação e principalmente entender que temos 35 partidos, nenhum de direita e que estamos inseridos no contexto mundial.