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quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

PETROBRÁS INSTRUMENTO DA POLÍTICA MONETÁRIA

Estou só assistindo os comentários sobre a posse da Graça Foster na presidência da Petrobrás, monopólio de exploração de petróleo no Brasil. Já cheguei a algumas conclusões, baseados nas falas da presidência de República, bem como de autoridades monetárias do Brasil.

Primeiro, a nomeação ocorreu sob designação direta da presidente Dilma, sem que o ministro de Minas e Energia, a quem hierarquicamente está subordinada a Petrobrás, fosse ouvido. Dá para notar, nitidamente, que houve a anuência do ministro Mantega da Fazenda. Na área econômica, é o segundo cargo mais importante depois do ministro da Fazenda.

A segunda impressão, que passou, nitidamente ao público, é que a nomeação da Graça Foster, foi uma espécie de premiação à sua companheira de cela do DOPS, dos tempos da ditadura militar. O currículum que a Graça Foster é já ter ocupado o Cargo de Direto da Petrobrás, também, nomeada com interferência direta da atual presidente da República. Além disso, ter sido companheira de cela da Dilma.  Nada preocupante seria, se fosse uma empresinha estatal de segunda importância. O que não é.

Muito bem, poderia dizer então, que a Petrobrás tem Diretores de Áreas específicas com competência para assessorá-la no desempenho correto e seguro das funções da companhia, a mais importante do país. Até aqui tudo bem. Petrobrás é uma companhia com quadro técnico competente construido ao longo dos mais de meio século de existência. O que me preocupa são basicamente, dois pontos fundamentais que passo a comentar em seguida.

O ponto fundamental que justifica a nomeação da Graça Foster pela presidente Dilma é que a Petrobrás vai funcionar como linha auxiliar na política econômica do país, sobretudo em matéria de investimentos do país e em matéria sempre controverso que é segurar a inflação, via preço dos combustíveis.  

Em termo de investimentos, o perigo está em açodamento em explorar pré-sal à qualquer custo, adaptando o cronograma ao calendário eleitoral de 2014 e 2018. Com o novo formato de distribuição dos royalties e de partilhas, a Dilma conta com o apoio dos governadores dos estados e prefeitos municipais, beneficários dos mesmos. Pressa na gastança. Tudo em prejuízo à boa e segura técnica exploração do petróleo. Poderá ocorrer acidentes, como o do tipo do Golfo do México com a BP, em proporções mais graves, se considerada a profundidade da exploração do pré-sal brasileiro.

Sob o aspecto de combate à inflação, poderá ser bom para o país no curto prazo, adaptado, novamente ao calendário eleitoral de 2014, sobretudo. Segurando o preço de combustível, ajuda segurar a inflação.  Até aqui quase normal.  Seria benéfico, se isso não provocasse um rombo financeiro na Petrobrás, que necessitaria de uma nova chamada de capital para corrigr a saúde financeira da companhia. Quem paga conta é o contribuinte, em última análise, juntamente com os acionistas da companhia, sobretudo os minoritários.  

O que me espanta, não é o fato de comemorar a condução da primeira mulher na presidência, um quadro técnico, competente. Digo quadro técnico. O meu espanto é a concordância uníssona pela aprovação do nome, pelos agentes econômicos, compostos de servidores públicos, economistas, empresários e jornalistas econômicos.  Todos eles, agentes, retuitadores do release do Palácio do Planalto. Chego a concluir que este país não tem mais homens com culhões.

Agora, só resta orar a Deus para que as conjunturas favoráveis da economia global ajudem-na na condução da 5ª maior companhia petrolífera do mundo. E que a Dilma e Mantega, tenham cabeça no lugar, para não exorbitarem dos poderes.

Ossami Sakamori - Engenheiro Civil, mercado financeiro, bloguista.


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