Está a terminar a primeira semana da decisão da Marina Silva em filiar-se ao PSB do Eduardo Campos, em função da impossibilidade de formação do partido Rede Sustentabilidade. Este fato, pegou de surpresa o Palácio de Planalto. Tocou o sinal de alarme. Até então, a reeleição da presidente Dilma era tida como certa. Falava-se em levar já no primeiro turno.
Feito o preâmbulo, vamos ver o que está a acontecer na área econômica do governo Dilma. Na minha visão, o Palácio do Planalto já sinalizou o que se pretende. Por enquanto, não vi nenhum veículo de comunicação e nem as entidades representativas do setor produtivo chamar atenção ao fato que passo a discorrer.
O governo Lula, diante da crise mundial de 2008, implementou política econômica emergencial para sair dela. Isto todo mundo já sabe. Lula ganhou eleições de 2010, colocando a Dilma como sua sucessora apoiado no plano emergencial. Basicamente o plano emergencial do Lula foi eleger o câmbio, leia-se dólar, como âncora da inflação e ao mesmo tempo estimulando o consumo interno via redução de impostos no setor automobilístico e linha branca.
O fato é que o plano emergencial do Lula funcionou. A população ficou satisfeito com a valorização do real. Com real valorizado e estímulo ao consumo, o poder aquisitivo do povo, artificialmente, teve aumento. A presidente Dilma, não teve coragem de sair do plano de emergência do Lula, pelo contrário, continuou a ampliar o plano com estímulo ao crédito em nível de consumidor.
A presidente Dilma não só manteve o plano emergencial do Lula, mas ampliou-o mantendo o real valorizado ou apreciado. A inflação nestes últimos 5 anos, manteve no patamar de 6% ao ano, mas o real manteve estabilizado em relação do dólar. Isto causou o desestímulo à indústria brasileira. Simplesmente, os governos Lula & Dilma desmontou o parque industrial brasileiro. O Lula pegou o governo com indústria representando 26% do PIB e hoje no governo Dilma, a indústria representa menos de 13% do PIB.
A presidente Dilma, colocou como ingrediente novo, para ganhar a popularidade, o engessamento dos preços administrados, sobretudo dos combustíveis e energia elétrica. Mas, o dólar que chegou a ser cotado nos níveis de R$ 1,60 explodiu, hoje está sendo cotado a R$ 2,20 em média, pela força do próprio mercado. Fugiu ao controle do Banco Central.
O que mudou com o efeito Marina, então?
A presidente Dilma resolveu agir diante do efeito Marina. Resolveu jogar pesado, não importando com a consequência que as medidas possam traduzir no médio e longo prazo. A Dilma não quer ceder lugar para o Lula e nem quer ouvir discussão sobre isto. A Dilma não quer perder eleições do ano que vem de jeito nenhum. Como disse Dilma, há um ano, mesmo que tenha de soltar o "diabo" garantiu que seria vitoriosa nas eleições de 2014, com 2 anos de antecedência.
Isto mudo alguma coisa na economia?
Muda sim. Dilma vai aprofundar no controle da inflação, novamente, valorizando o real ou desvalorizando o dólar. Nem que para isso, acabe de sucatear, de uma vez por toda, a já combalida indústria brasileira. Os produtos chineses, criando empregos na China, voltarão para as prateleiras dos supermercados. As viagens internacionais voltarão a todo vapor, criando emprego para os americanos e europeus. Mas, este estado de euforia, deixa a população feliz. Feliz hoje, nem que tenha que pagar preço muito alto no futuro. Vide Grécia e Espanha.
Para manter o dólar como âncora para segurar a inflação, Dilma já autorizou a aumentar a taxa Selic para atrair capital especulativo, os agiotas internacionais. Dilma quer atrair dólar especulativo porque os dólares de investimentos diretos (IED) estão em stand by aguardando o quadro melhor para economia do País. Isto é o jogo do vale tudo! Vale tudo para reeleição da Dilma!
Diante da nova postura, a de pagar a taxa de juros mais alta do mundo, a Selic, acrescido à intervenção sistemática do Banco Central vendendo o swap cambial tradicional, título atrelado à variação cambial, a Dilma pretende manter o real valorizado ou o dólar depreciado. Com a nova postura, o real deve terminar o ano no patamar atual de R$ 2,20, interrompendo o movimento de correção dos últimos meses, ao contrário da previsão de que terminaria num patamar mínimo de R$ 2,40.
Com o real estabilizado em torno de R$ 2,20 e mantendo a autofagia da Petrobras com preços defasados de combustíveis na ponta de consumo, o aumento de gasolina só deverá vir no final do ano, em torno de 5% e não mais 10% antes previsto anteriormente. Lembrando que a Petrobras continua com a defasagem de preço acima de 25%, segundo analistas do setor.
Isto tudo deve deixar a população com a sensação de economia sob controle. Sensação, eu disse. Com explosão de preços dos produtos de necessidades básicas no início do ano, criou-se um novo patamar de preços relativos, mas fazendo a população, ainda, com a falsa impressão do poder de compra.
Com a nova postura do governo Dilma, o povo deve ir ao consumo, já no início do ano. O fenômeno da inflação alta no início deste ano deve repetir no início do próximo ano. A distorção vem acentuando com o dólar engessado e compressão das tarifas administradas. A presidente Dilma, resolveu manter economia engessada e comprimida, até às eleições de 2014. É um risco que Dilma corre, porque a bomba relógio pode explodir antes das eleições.
Da minha projeção de junho último para os índices anunciados por mim, sofrerá alterações com nova postura da Dilma e fica como segue abaixo:
1. Selic no final do ano de 9,5% para 9,75%
2. Dólar no final do ano de R$2,60 para R$2,20.
3. PIB de 2013, de 1,5% para 2,0%.
4. IPCA de 9% para 7,0%.
Lembrando que só estamos jogando o problema para o futuro. De qualquer forma, dois fatores pesaram na mudança da projeção.
1. A intervenção do Banco Central no câmbio com lançamento de swaps cambiais e sinalização do Banco Central de que a qualquer momento Selic pode voltar a dois dígitos. 2. O aumento de gasolina que eu estava prevendo para setembro em torno de 10%, só virá a acontecer no final do ano, cujo percentual deverá ser em torno de 5%.
Com a nova orientação da Dilma, o quadro macro econômico do Brasil continuará a deteriorar rapidamente. O endividamento do setor público, sobretudo da União, crescerá não menos que R$ 300 bilhões no ano de 2014. O endividamento da Petrobras e da Eletrobras continuará em ascensão comprometendo a capacidade investimento das mesmas. O endividamento da população continuará a crescer com risco de inadimplência em massa nos próximos 2 anos.
O quadro acima é muito semelhante ao experimentado pelo Portugal, Grécia e Espanha no passado. Vamos orar para que as consequências experimentadas pelos países citados não venham ocorrer com o Brasil. O mais seguro seria colocar no lugar da dupla Lula & Dilma, pessoas com mais honestidade, idoneidade e competência.
Ao povo só resta uma única saída: eleições de 2014!
Ossami Sakamori