Receba novas matérias via e-mail adicionando o endereço

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

Taxa de juros Selic. Toda unanimidade é burra!


O Banco Central do Brasil estabeleceu a nova taxa Selic que passa para 6,75% ao ano, 0,25% abaixo da taxa em vigor.  A grande imprensa noticiou o assunto como uma grande comemoração. Os articulistas econômicos, igualmente, comemoraram a taxa Selic, a mais baixa dos últimos anos. Eu coloco ressalvas sobre excessivo otimismo do governo e do mercado financeiro. Toda unanimidade merece ser analisada. 

Isto parece mais uma vitória do Pirro. A taxa Selic está atrelada ao índice da inflação corrente, a mais baixa dos últimos anos, 2,75%. A menor taxa de inflação dos últimos anos é apenas consequência da "depressão" dos últimos 3 anos, a maior desde 1929. O Brasil "afundou" cerca de 7% no PIB, após sequência de altas consecutivas, interrompido apenas em 2009, em consequência da crise financeira mundial de 2008. 

O equívoco  da política econômica dos últimos governos, incluído o governo Temer, levou o País aos indicadores recordes "negativos". O Brasil está com índice de desemprego, com carteira assinada, ao redor de 12% da força do trabalho ou equivalente a cerca de 12 milhões de desempregados. Espantoso é o número de trabalhadores no sub-emprego, e micro empresários que somam cerca de 40 milhões de trabalhadores. A gravidade do quadro econômico também é retratada com o número de "inadimplentes" no comércio. O serviço de proteção ao crédito Serasa, indica que há mais de 60 milhões de brasileiros "ficha suja" no comércio. Este quadro de "terror" é que levou a uma inflação civilizada de 2,75%. Isto não é vitória do Pirro?

Voltando à taxa Selic de 6,75% ao ano. Considerado inflação corrente de 2,75% ao ano, a taxa de "juros reais" é também espantoso, 4% ao ano. O que realmente deve levar em conta no estoque da dívida pública federal, são os juros reais e não juros nominais. Com estoque da dívida pública líquida de R$ 4,5 trilhões, sem considerar ainda o número do "déficit primário", a dívida pública federal cresce em termos reais 4% ao ano com a nova taxa Selic. Isto é inexorável. 

Para melhor análise da situação brasileira, há que fazer comparação com os indicadores dos países do primeiro mundo como os Estados Unidos e o Japão, por exemplo. Os Estados Unidos praticam taxa básica de juros entre 1,25% a 1,50% ao ano, para inflação estimado em 2,5% ao ano, portanto juros negativos. O Banco Central do Japão pratica taxa básica de juros igual a 0%, enquanto a inflação parece voltar ao patamar de 1% ao ano. Como pode ver, os países do primeiro mundo praticam juros reais "negativos" que ao longo prazo, em tese, diminuiria o estoque da dívida pública.

O equívoco da política econômica e monetária dos sucessivos governos que vai do PSDB, passando pelo PT e terminando no novo MDB, faz com que o endividamento do setor público tenha crescido exponencialmente. O equívoco da política econômica, comemorado pelo governo Temer e pelo mercado financeiro, cobra do País as consequências que vão da falta de investimento em setores essenciais como o da educação e da saúde pública à segurança pública. Nem é preciso dizer que o índice da criminalidade, mostrados diariamente nas telas de televisão tem "relação direta" com a crise de "desemprego" que passa o Brasil. 

Há poucos dias, escrevi matéria sobre a relação taxa básica de juros e desemprego nos Estado Unidos: Jerome Powell é o novo presidente do FED . Vale a pena ler para ver como um país do primeiro mundo trata o "desemprego" como prioridade quando do estabelecimento da taxa básica de juros. Enquanto isto, no Brasil, os sucessivos governos tem considerado a taxa básica de juros como prioridade em detrimento do  desemprego, bem no sentido oposto aos praticados pelos países do primeiro mundo. 

Ainda assim, dentro do quadro econômico e social caótico do País, o governo Temer, o ministro da Fazenda Meirelles, a Rede Globo, os articulistas econômicos e o mercado financeiro comemoram o rebaixamento da taxa básica de juros Selic tal qual explicado nesta matéria, em unanimidade.  

Tem um ditado popular que diz que "toda unanimidade é burra". Parece que a sabedoria popular se encaixar exatamente ao assunto tratado nesta matéria. 

Ossami Sakamori
@SakaSakamori




3 comentários:

Alvaro Santos disse...

Caríssimo professor, meu economês é tão fajuto quanto o é a dessa maioria brasileira que se forma manipulada pelas informações e contra informações; mas nosso país hoje não precisa de incentivo social? Óbvio que ulular por números imprecisos visto com a lupa invertida não nos reaviva.

O que preocupa, é que sucessivos governos manipulam e orquestram ganhos nas bolsas através de informações e que políticos se articulam para manter o Brasil reféns de suas campanhas.

Por pior que seja o cenário real, os números hoje comemorados estão melhores dos que os da estoca vento; agora, com 35 partidos, cotas, bolsas, privilégios infindáveis, como faremos para abaixar os juros, com tanta conta para pagar?

Anônimo disse...

O ex-ministro Antonio Palocci pediu para ser interrogado mais uma vez no âmbito de ação penal da Lava Jato na qual ele foi condenado a 12 anos e 2 meses de prisão pelo juiz Sérgio Moro. Agora, o ex-chefe da Fazenda dos governos Lula e Dilma quer ser ouvido pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), responsável pelo recurso do ex-ministro.
Em petição protocolada nesta quinta-feira (8), os advogados de Antonio Palocci afirmaram que o ex-ministro pretende "cooperar na elucidação dos fatos criminosos", inclusive relatando detalhes da origem e destino de doações ilegais feitas ao Partido dos Trabalhadores.
A realização de novos interrogatórios de réus já ouvidos na primeira instância da Justiça não é um procedimento comum na tramitação de recursos na esfera criminal. Caberá ao relator dos processos da Lava Jato no TRF-4, desembargador João Paulo Gebran Neto, decidir se aceita ou não o pedido de Palocci.

Preso desde setembro de 2016 em Curitiba, Palocci foi condenado nessa ação penal em junho do ano passado por crimes de corrupção e lavagem de dinheiro. O juiz Sérgio Moro entendeu que o ex-ministro recebeu recursos da "conta corrente da propina" da construtora Odebrecht e lavou o dinheiro por meio de pagamentos no exterior aos então marqueiteiros do PT João Santana e Mônica Moura.

Fonte: Último Segundo - iG @ http://ultimosegundo.ig.com.br/politica/2018-02-08/antonio-palocci.html

Anônimo disse...

Comissão parlamentar de inquérito que investigou financiamentos do banco de fomento deve encerrar suas atividades após o carnaval

Daniel Carvalho, O Estado de S.Paulo

07 Fevereiro 2016 | 05h00

A CPI criada em agosto do ano passado para investigar suspeitas de irregularidades envolvendo financiamentos do BNDES pode terminar, após o carnaval, sem indiciar os principais personagens do caso. O relator da comissão, deputado José Rocha (PR-BA), vai apresentar seu parecer no próximo dia 16, mas diz não ter elementos para pedir o indiciamento do presidente do banco, Luciano Coutinho, e da jornalista Carolina de Oliveira, mulher do governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT).

Ao Estado, Rocha disse também não saber se incluirá no seu relatório referências ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que teria intermediado negócios entre o banco e empreiteiras. Lula consta em um dos quatro sub-relatórios apresentados na semana passada.

Com base nas suspeitas sobre a prática de tráfico de influência por parte de Lula, a deputada Cristiane Brasil (PTB-RJ) propôs uma “quarentena” de oito anos para a prática de lobby por agentes públicos.

Fonte:http://politica.estadao.com.br/noticias/geral,relator-de-cpi-do-bndes-rejeita-indiciamentos,10000015348

A OBRIGATORIEDADE DA NOMEAÇÃO DA FILHA DO HOMEM QUE "TIROU A ROUPA DO REI". FOI SUB-RELATORA DA CPI DO BNDS. TEM QUE NOMEAR DE QUALQUER JEITO ...