sábado, 8 de junho de 2019

Brasil ensaia o voo de galinha


O que vou escrever, não vai agradar ninguém, sobretudo ao mercado financeiro e formuladores da política economia que vivem de expectativa positiva.  O Brasil deve terminar o ano de 2019 com o PIB (-) negativo, repetindo o resultado negativo do ano de 2015, não em número, mas em substância.  As reformas estruturantes devem ocupar a agenda econômica do governo neste ano com as reformas estruturantes como a aprovação final da "reforma da previdência" e a apreciação da "reforma tributária", além do esperado "novo pacto federativo".  No meio de incerteza em relação aos impactos das reformas, em números reais, Brasil ensaia o voo de galinha.  

Nenhum empresário, de são consciência, vai "arriscar" o seu precioso capital em setor produtivo, num mar tão revolto.  Certamente, penso eu, que o precioso e escasso capital vai ser investido em títulos da dívida pública.  O título da dívida pública, dá segurança no curto prazo (2 anos) e rentabilidade acima da inflação em cerca de 2% enquanto espera um quadro econômico mais estável.  Pensam os investidores produtivos: para que "arriscar" num mar revolto se o Tesouro Nacional "garante" rendimento robusto, acima da inflação.  Isto é a realidade dos fatos.  Não adianta os analistas do mercado financeiro e articulistas econômicos tentarem me convencer ao contrário.  

Por outro lado, a população brasileira vive os piores momentos do ambiente sócio-econômico.  Independente de matizes ideológicos, liberal ou social, os números por si só demonstram a gravidade da situação.  Segundo os números do próprio IBGE, o número total de trabalhadores em situações vulneráveis (desempregados, desalentados, nem-nem e subempregados) é assustador.  São 50 milhões pessoas, dentro do universo de cerca de 105 milhões que compõe a força de trabalho do País.  Se pensarmos que apenas 33 milhões de trabalhadores em ocupação num ambiente de trabalho com "carteira assinada", o número é mais do que dramático.   

O quadro acima é reforçado com o número de inadimplentes no comércio.  São mais de 63 milhões de pessoas adultas com o nome "negativado" no comércio.  O número é fornecido pelos serviços de proteção ao crédito.  Em tese, essas pessoas negativadas, estão fora do mercado de consumo, senão aquele para subsistência.  O que movimenta o comércio e consequentemente a indústria, são os 33 milhões de trabalhadores com carteira assinada, em tese.  Claro, os investidores especulativos, gastam em produtos que não estão ao alcance da maioria da população, como iates e aviões.  

O quadro exposto acima mostra o porquê do baixo consumo.  Baixo consumo significa baixa arrecadação dos governos, em número absoluto .  Baixa arrecadação, força os governos a cortar os investimentos.  Sem investimentos, o País não cresce.  É um círculo vicioso que não sabe onde começa e onde termina.  E o ministro da Economia Paulo Guedes, aposta na economia liberal.  Bom para os bancos, bom para os endinheirados e muito mal para o restante da população. 

Mesmo assim, os articulistas econômicos, a grande imprensa e o próprio Palácio do Planalto, tentam vender o otimismo. Tentam convencer que a reforma da previdência é solução para a retomada do crescimento.  Isto tudo é mentira!  O Brasil não volta  ao crescimento sustentável sem a retomada dos investimentos nos setores produtivos, seja por parte dos governos ou por parte dos investidores produtivos.  Sem a conclusão de todas medidas estruturantes propostas por Guedes, que deverá ocorrer somente em 2020, todo crescimento da economia será como o voo de galinha, de curto alcance. 

Brasil ensaia o voo de galinha.

Ossami Sakamori

A reprodução desta matéria está previamente autorizada. 

Um comentário:

Cury disse...

Imediatismo de sua parte.
O estrago feito pelos governos anteriores foi monstruoso.