“Eu não tenho uma vida. Eu apenas
existo. Eu só queria uma cirurgia para perder peso...”.
A frase acima não é de nenhum membro dos grupos
de luta pela liberação dos inibidores de apetite. É do seriado Quilos Mortais,
do canal Discovery. Qualquer semelhança não é simplesmente uma coincidência,
mas uma total IMPLICÂNCIA da medida radical da ANVISA, editada desde 2011 pela
RDC 52.
Como nesse episódio, os milhares de obesos que
ficaram sem tratamento médico sofrem bullying
preconceitos de toda sorte (ou azar?), discriminação em concursos, entrevistas
de emprego e em meios de transporte, doenças psicossomáticas e decorrentes do
aumento de peso, como o diabetes, hipertensão, artroses e os riscos de câncer,
além do assédio insano, egoísta e ilegal de agentes do mercado negro, sempre
dispostos a se aproveitar da situação para empurrar substâncias sem procedência
e a preços absurdamente altos!
Será esse o real objetivo da ANVISA com a
proibição?
A alegação de que “não há estudos científicos que
comprovem a eficácia desses remédios” vem de onde? Em 50 anos de prescrições
dos inibidores de apetite no Brasil, não se tem conhecimento de registro de
morte ou de efeitos colaterais de risco. Em contrapartida, nunca houve tanto
aumento dos índices de obesidade na população brasileira como agora, entre 2011
e 2014, exatamente no período em que vigora essa proibição absurda! Junto com a
obesidade, os aumentos alarmantes das patologias decorrentes desse mal, como
descrito acima. Que estudos mais essa agência necessita?
Aliás, as entidades
representativas dos profissionais de saúde, como CFM (Conselho Federal de
Medicina), CFF (Conselho Federal de Farmácia), CRF (Conselho REgional de
Farmácia do Estado de São Paulo), ABRAN (Associação Brasileira de Nutrologia) e
Abeso (Associação Brasileira para Estudos da Obesidade e da Síndrome
Metabólica) enviaram estudos, pareceres técnicos e documentos de esclarecimento
e não serviram? Médicos e farmacêuticos especializados no assunto estão todos
errados?
No episódio do canal Discovery, a personagem luta
por uma oportunidade de cirurgia bariátrica. No caso dos obesos brasileiros,
essa alternativa não é acessível a todos e, em muitas situações, é
absolutamente dispensável se tão somente os fármacos de inibição de apetite pudessem
ser utilizados, dado o alto grau de efeitos colaterais e até de mortes provocados
por esse tipo de procedimento.
Diante dessa realidade, por que os senadores do
PT insistem tanto em atrofiar a votação do PDS 52/14, de autoria do então
deputado Beto Albuquerque? Que explicações os senadores do PT apresentam para
insistir tanto em barrar a votação desse projeto, enquanto que a maioria dos
senadores, de outros partidos, nos apóia e se solidariza conosco?
Aproveito
para agradecer o empenho e a dedicação do presidente da Comissão de
Constituição e Justiça do Senado, Vital do Rêgo, e da relatora do parecer do
PDS 52/14 na referida comissão, senadora Lúcia Vânia, que nos representaram e
nos defenderam com propriedade, deixando clara a necessidade, competência e
autonomia que a classe médica tem de medicar e acompanhar seus pacientes
conforme as necessidades de cada um.
Esses mesmos senadores têm batido ponto
junto à Mesa Diretora do Plenário do Senado, aflitos e sensibilizados com os
milhares de apelos de obesos pelas mídias sociais, pela votação do PDS 52/14.
Qual é a do PT? E reproduzo a pergunta do Twitter: Por que tanto ódio dos
obesos?
Que prazer será que têm esses políticos, que
foram eleitos pelo povo, em manter a agonia de tantas pessoas, em nome de um
princípio? De uma birra? De mera prepotência? Em nome do que, será?
Sem esquecer o PL 2431/11, do deputado federal
Felipe Bornier, que covardemente foi emperrado pelo recurso do senhor Rosinha,
desde o final do ano passado, e de lá não saiu até hoje!
Teriam esses políticos e diretores de agências
coragem de proibir tratamento para outras doenças que requerem medicamento de
uso contínuo, como refluxo esofágico, diabetes, hipertensão, tumores malignos,
depressão, síndromes psicóticas? Nunca se sabe.
Abaixo, alguns depoimentos de pessoas cujas vidas
os senadores e deputados petistas arrasam a cada dia. Será que a consciências
desses políticos será tocada?
“Fiz uso desses medicamentos por quase 20
anos, e sempre tive saúde e muita disposição. Em um ano de proibição, ganhei
quase 30 kilos e um pré-infarto(...) Faço dieta, e malho 5 dias na semana.
Continuo ganhando peso e ficando cada vez mais doente. Agora tenho ruptura de
menisco que impede minhas caminhadas e corridas matinais. Qual o malefício dos
inibidores? Quero minha saúde de volta!” A.S.
“Sou medica endocrinologista e meus
pacientes ficaram sem tratamento. Alguns pioraram muito seus índices de glicose
e colesterol. Além disto, são medicações que estavam no mercado há cerca de 70
anos!!!! NAO TEM O MENOR SENTIDO RETIRÁ-LOS DO MERCADO!!!” M.D.
“Sou de uma família de obesos. Sempre
procurei controlar meu peso com dieta e exercícios. Quando não foi mais
possível, em 1989 meu endocrinologista prescreveu femproporex para auxiliar
nesta luta. Durante décadas, com esta medicação, consegui manter o equilíbrio
necessário para me manter saudável e feliz. A medicação prescrita só me trouxe
benefícios. Após a proibição meu mundo desabou.
Ha três anos estou com índice
glicêmico elevado e desajustes metabólicos que eram muito bem controlados pela
medicação. Foi uma atitude covarde e desumana a retirada do mercado sem
substituição por outro eficaz. Exercícios e dieta faço desde que nasci.
Meu
endocrinologista vem tentando me dar esperanças com remédios para ansiedade,
para diabéticos, para déficit de atenção, para tabagismo e nada tem
correspondido como os proibidos. Desde então engordei 30 quilos, até agora. Só
quero ter o direito de continuar me tratando e de ter uma saúde melhor.” C.C.
“Fiz uso da medicação e fiquei muito bem
física e espiritualmente, emagreci fiquei com minha auto estima elevada e hoje?
Estou 25 quilos acima do peso, depressiva sem vontade de nada, pensei até em
morrer como forma de protesto para esses que não pensaram em nós!!! (...) por
que essa maldade em não nos deixar continuar nosso tratamento, que seja de uso
continuo, os remédios para diabetes e pressão alta também não é de uso
continuo???
Por serem doenças crônicas??? Então a obesidade também é uma
doença, por favor pesem nisso!!! E nos ajudem a ter nossa saúde e auto-estima
de volta.” R.M.
“...eu perdi uma pessoa da minha
família há poucos dias pq estava muito obesa e parou de tomar os inibidores. Eu
estou com obesidade mórbida, com sérios riscos. Meu medico me disse que estou
uma bomba-relógio. Estou com muito medo. Tenho filhos pra criar.” C.C.
“Se eu for ali na esquina agora, eu consigo comprar crack, cocaína,
maconha e até mesmo drogas injetáveis, sem nenhum tipo de burocracia. Não
precisa de ir no médico, conseguir receita e nem preciso de muito dinheiro...
sei lá! Mas pelas reportagens que já vi, com 5 reais compro crack! E não estou
vendo nenhuma votação, ou qualquer tipo de sessão ou empenho para que esse tipo
de mercadoria seja retirado do alcance de seus
usuários. E essas mercadorias verdadeiramente matam. Não fazem bem algum a quem
as usa. No entanto, estão nos privando de um
medicamento, vou repetir... MEDICAMENTO! Sou uma cidadã de bem... trabalho...
cumpro com minhas obrigações e nunca roubei ninguém! Enquanto isso, Renan Calheiros decide meu futuro!
Lastimável!” - I.T.
jornalista
Assino em baixo.
Saka Sakamori