segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Política econômica da Dilma tem a cara do Ceveró!


O que vou dizer aqui, os neo-liberais, tanto o da direita como o da esquerda não vão gostar . Aliás, vão cair de pau sobre o que vou dizer nesta matéria. Mas, vou em frente, assim mesmo. Vocês, leitores, merecem conhecer a verdade. 

Para começar vou dizer que a desgraça brasileira do baixo crescimento é por conta desta visão equivocada da política econômica dos sucessivos governos, sobretudo os dos últimos 12 anos.

A política econômica é constituída de conjunto de medidas que englobam as contas fiscais, plano de investimentos de longo prazo e controle monetário da moeda. Não tem como executar a política monetária olhando apenas nas contas fiscais ou apenas no controle da inflação e câmbio. Não há política econômica séria que não contemple o plano de desenvolvimento sustentável do País.

O certo é que as linhas gerais da política econômica deveriam ser traçada pelo Ministério de Planejamento à frente, e em conjunto com o Ministério da Fazenda e Banco Central, que seriam os executores da política econômica elaborado em conjunto. A função do Ministério do Planejamento do Brasil está distorcida. O Planejamento no Brasil não planeja e tem função de executar o PAC - Programa de Aceleração de Crescimento.

No Brasil, faz de conta que a função da elaboração da política econômica é do Ministério da Fazenda. O povo, os agentes econômicos do governo e fora dele, espera do Ministério da Fazenda a definição da política econômica que não é de competência exclusiva dela. A própria presidente Dilma, informalmente, dá este encargo ao ministro da Fazenda, o que é um equívoco.

Outro equívoco é querer transformar o Banco Central num órgão independente, sem conexão com a política econômica do governo. Isto é um grave equívoco! Não há, na prática, Banco Central independente. Isto foi tema da campanha presidencial como se fosse pilar da política econômica. 

Equivoco pior é sobre o câmbio flutuante. Câmbio flutuante é apenas tese. Não há câmbio totalmente flutuante na bolha financeira mundial. Câmbio não é preto e nem branco. Digamos que a política cambial tem cor cinza. O próprio Banco Central do Brasil não pratica o câmbio totalmente flutuante. O Banco Central atua no mercado de câmbio emitindo títulos atrelados à variação cambial denominado swap cambial tradicional. Há outros mecanismos de "intervenção" branca ou "controle" branco. 

Vocês acham que a FED executa a política econômica à revelia do Obama? Vocês acham que o pacote de estímulo da Zona de Euro posto em prática pelo BCE não teve aprovação da toda poderosa chanceler Angela Merkel? Ou vocês acham que o Banco do Japão, o banco central, faz a sua política monetária independente do premier Shinzo Abe?
O Brasil quer seguir teoria equivocada, chegando a cometer "erro sistêmico" na política econômica que está inviabilizando o País.

O Brasil não aprende! O PT não aprende! A Dilma não aprende! Ficam nesta discussão besta de Banco Central independente e fingindo que é o Ministério da Fazenda que elabora a política econômica do governo. Enquanto isto, cada ministro da área econômica faz questão de mostrar que manda no seu pedaço até porque a presidente não entende bulhufas da economia. Dilma é uma economista sub-inteligente, que não conseguiu sequer terminar a tese de pós-graduação na Unicamp.

Não querendo diminuir a capacidade do Ceveró, até porque ele é bom em ladroagem, mas a cara do Brasil é como a cara dele. O ministro da Fazenda Joaquim Levy olha para frente e o presidente do Banco Central olha para baixo. E o ministro Nelson Barbosa do Planejamento está de olho nos dois: Levy e Barbosa. E Dilma presidente não sabe o que faz com os três, pois não tem o conhecimento e coragem que tem o Obama, o Shinzo Abe e a Angela Merkel, para poder enquadrar os três no mesmo rumo. 


A política econômica da Dilma tem mesmo cara do Ceveró!

Ossami Sakamori









domingo, 25 de janeiro de 2015

Brasil viverá recessão de 2% em 2015 !


O povo está assistindo, diariamente, através de principais veículos de comunicações do País, as medidas que estão sendo tiradas do "saco de maldades" da presidente Dilma. Resignadamente, o povo assiste com esperança de que os ajustes anunciados são necessários para alcançar o crescimento econômico sustentável do País.  Mas, a equipe da Dilma comete o mesmo "erro sistêmico" da política econômica. 

Ao mesmo tempo, estamos ouvindo e assistindo as trombadas de informações das autoridades sobre a crise do setor elétrico e crise do abastecimento d'água na região sudeste, notadamente nas regiões metropolitanas de São Paulo, Belo Horizonte e Rio de Janeiro.  Isto só agravará a recessão já provocada pelo "saco de maldades".

A imprensa brasileira, sobretudo os poderosos grupos de comunicações como a Rede Globo, Rede Record, SBT, Estadão, Folha, Valor Econômico, não exercem função que deveria. Os grupos de comunicações, não tem linha editorial como tinha nos tempos do Roberto Marinho, Julio Mesquita ou do Otávio Frias. Hoje, os grupos de comunicações estão atrelados sobretudo ao poder executivo federal ou melhor dizendo às verbas publicitárias do governo federal.

O conjunto de medidas econômicas tiradas do "saco de maldades" e da crise no setor de energia elétrica e do abastecimento d'água, somado ao desinvestimento da Petrobras devido a ladroagem revelada por conta da Operação Lava Jato provocarão recessão ao País no decorrer deste ano. O efeito das medidas e das crises já foi avaliado por mim, considerado cortes em investimentos nos setores considerados. O efeito resultará, no mínimo, 2% de encolhimento no PIB de 2015. 

O aumento de impostos e contribuições, com os ajustes dos preços administrados, aliado ao aumento de combustíveis provocarão aumento da inflação, ultrapassando o teto da meta de 6,5% e aproximando de dois dígitos. O efeito só será atenuado com a estagnação decorrente das medidas anunciadas e do desinvestimentos em todos os setores da economia. De qualquer forma, os ajustes das tarifas administradas farão pressão sobre índice de inflação. O País viverá o efeito "estagflação".

Dentro do quadro desenhado, único setor que lucrará como nunca é o setor bancário. Sempre foi assim e sempre será assim. O setor bancário, leia-se donos de bancos e ou agiotas internacionais ganharão muito dinheiro com a política de ajustes do governo federal. Nada é por acaso, o ministro da Fazenda e o seu secretário geral do Ministério da Fazenda, até a véspera de suas posses eram diretores de um dos maiores bancos do País, o Bradesco. Dilma colocou o lobo para cuidar do galinheiro. 

Brasil viverá recessão de 2% em 2015!

Ossami Sakamori



Dilma leva o Brasil para o buraco!


A grande mídia noticia com destaque o saldo recorde negativo da balança de conta corrente do ano passado, mas não explica os motivos que levaram a isto e nem como são cobertos este déficit. A grande mídia que é formadora de opinião pública, não comenta, fica apenas na divulgação de números frios.

Sinto na obrigação de apresentar meu comentário sobre o tema, já que a grande mídia não o faz. 

A balança de conta corrente fechou o ano de 2014 com déficit de US$ 90,9 bilhões, o maior desde 1947, quando iniciou a série histórica. O fato por si só, já atesta a gravidade do resultado. O mais crítico é que a balança de conta corrente foi agravado com o déficit da balança comercial que foi de US$ 3,9 bilhões. Explico, tradicionalmente, o déficit da balança de conta corrente é sempre amenizado com o resultado positivo da balança comercial.

Vamos explicar o que é a balança de conta corrente, grosso modo, para os leigos. A balança de conta corrente é resultado do total de receitas do País menos o total de despesas em relação ao exterior. Engloba nesta conta o total de exportação e o total de importação de produtos. Além do comércio exterior, entra na balança de conta corrente, o pagamento de juros da dívida externa, os serviços de seguros e fretes, pagamento de royalties, assistência técnica e outros. Entra na balança de conta corrente, os gastos em turismo de brasileiro no exterior e ingresso de dólares de turistas estrangeiros.

Falando português claro, o Brasil gastou em 2014, além do que produziu a marca histórica de US$ 90,9 bilhões. O País gastou mais do que tem capacidade de produção. É triste ver país emergente como o Brasil produzir déficit na balança de conta corrente. Isto é marca de um país atrasado, que tem necessidade de comprar produtos às tecnologias. Isto contrasta com a propaganda do governo de país bombando.

Agora, vou explicar como o País tapa o buraco do déficit da balança de conta corrente para equilibrar a balança de pagamentos (conta corrente). 

O déficit da balança de conta corrente de 2014 foi coberto com o dinheiro do investimento estrangeiro direto (IED) de multinacionais, nos setores industriais, comerciais e serviços do Brasil, num montante de US$ 62,4 bilhões. Este montante de investimento, o direto, vem perdendo força nos últimos anos, devido a falta de credibilidade do governo Dilma. A administração irresponsável da Dilma se faz notar entre os investidores estrangeiros para arrefecer os ânimos em relação ao Brasil.

O problema brasileiro, hoje, está evidente nos resultados da balança comercial. O Brasil não consegue gerar superávit na balança comercial e aliviar o déficit da balança de conta corrente, porque o dólar é artificialmente desvalorizado para produzir a "sensação de bem estar" e a sensação de "poder de compra" da população como parte da estratégia de permanência no poder, com os votos dos menos favorecidos. É como dar o estimulante Red Bull ao povo, permanentemente, para garantir os votos necessários para ganhar eleições.

A diferença entre o déficit da balança de conta corrente e o investimento estrangeiro direto (IED), de US$ 28,5 bilhões, foi coberto pela atração de capital especulativo estrangeiro, isto é dinheiro dos agiotas internacionais. O governo poderia optar em gastar parte da reserva cambial brasileira para pagar a diferença, mas não o fez, porque tem medo de rebaixamento da classificação de riscos.  Dilma prefere pagar muito bem os juros para os banqueiros e  agiotas internacionais. 

Assim, pagamos os juros reais mais alto do mundo junto com a Turquia.  A taxa Selic alta não tem função de segurar a inflação, como diz o governo Dilma, mas tem o único fim de financiar a "dívida interna bruta" do País, de cerca de R$ 3 trilhões. Eu disse, dívida interna bruta, para não confundir com a "dívida interna líquida" que é de pouco acima de R$ 2,2 trilhões. 

Vocês podem ir tirando cavalo da chuva, que o ministro Joaquim Levy não vai resolver problemas estruturais do País. Levy não tem poder para traçar política econômica de crescimento sustentável do Brasil. Ele foi contratado para tomar conta da tesouraria, do caixa do Brasil. Isto pode o Levy fazer muito bem, porque trabalhava no Bradesco, mas não tem o conhecimento do Armínio Fraga para traçar a política econômica visando o crescimento sustentável. 

É uma pena que a imprensa não explica isto tudo. A grande mídia brasileira, acompanha e divulga apenas o release distribuído pelo Palácio do Planalto, à frente a Rede Globo.  

Ossami Sakamori


sábado, 24 de janeiro de 2015

Chega de ser otário! Quero gasolina a R$ 2,20 !


O governo anuncia que o aumento da gasolina na bomba será em torno de 8% sobre os atuais preços praticados. A média, nos postos de gasolina, na região sudeste, está em torno de R$ 3,00, hoje. Isto sinaliza que os postos de combustíveis vão praticar o preço da gasolina, no mínimo, a R$ 3,20 o litro.

A presidente Dilma acha que somos otários. Aliás, creio que ela tem razão. Nós somos otários e me incluo neste contingente. Somos otários, os que votaram nela nas últimas eleições e os que votaram contra ela, também. Somos otários duplamente porque aceitamos o aumento quietos, sem contestação.  No máximo xingamos o frentista do posto que não tem nada a ver com o aumento.

A equipe econômica da Dilma veio dizer que o aumento é em decorrência dos novos impostos. À partir de 1º de fevereiro vai aumentar as contribuições PIS/Cofins, em percentual que dê o nível de arrecadação equivalente à contribuição CIDE - Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico, na refinaria, isto é, R$ 0,22 por litro de gasolina e R$ 0,15 por litro de diesel.  As contribuições PIS/Confins vai vigorar provisoriamente por 90 dias, até que entre em vigor as alíquotas da CIDE.

Segundo o ministro da Fazenda Joaquim Levy, a CIDE vai permitir o Tesouro arrecadar R$ 12 bilhões neste ano. Diz o ministro de que isto faz parte do esforço de equilíbrio fiscal pretendido por ele. O governo apresentou orçamento da União, ainda a ser aprovado pelo Congresso Nacional, referente ao ano de 2015, com superávit primário previsto de 1%, somente a parte da União. Segundo o ministro, a arrecadação da CIDE já está contemplado.

Posso até compreender o ímpeto arrecadador do governo federal. Para o governo não pagar o mico de não conseguir fechar as contas fiscal no final do ano, como aconteceu no final do ano passado, o ministro "tucano" Joaquim Levy tenta cortar os gastos e aumentar a arrecadação via aumento de impostos e contribuições. E, a contribuição CIDE faz parte do pacote de aumento de impostos.

O que não posso compreender é o aumento da gasolina no nível de bomba, por que os preços internacionais de petróleo caíram em relação ao último aumento de gasolina na bomba, na primeira quinzena de novembro do ano passado. Os preços internacionais do petróleo caíram, em média 40%, neste mesmo período.

Se adotar a política de "paridade" de preços com os preços de petróleo no mercado internacional de petróleo, como a Graça Foster vinha defendendo desde a sua posse, o preço da gasolina, já considerando a incidência da CIDE, deveria ser de R$ 2,20 no máximo. Em tese, com o preço de gasolina na bomba a R$ 2,20, a Petrobras continuaria com a mesma margem de lucro após o último reajuste em novembro/2014.

O próprio governo já anunciou que a Petrobras, com o aumento de preço de gasolina na bomba ao nível de preço de R$ 3,20, haveria um reforço de caixa adicional de R$ 2,7 bilhões por mês no caixa da Petrobras. O lucro adicional da Petrobras será equivalente a R$ 29,7 bilhões nos 11 meses próximos meses enquanto que vigorar o novo preço da gasolina.

É de supor que o dinheiro extra, os R$ 29,7 bilhões deste ano, venha cobrir o rombo decorrente da ladroagem praticado pelos governos Lula e Dilma e ainda cobrir os prejuízos decorrentes da exploração desastrada do pré-sal do campo de Tupi e do campo de Libra. Como já foi explicado na matéria anterior, a cada barril que a Petrobras explora nos campos do pré-sal do Tupi, a Petrobras leva prejuízo médio de US$ 13,51 por barril extraído. 

Os americanos pagam o preço baixíssimo, cerca de R$ 1,40 o litro de gasolina pura, enquanto a nossa gasolina vem adicionado de de etanol. A nossa gasolina vem com adição de 27,5% de álcool anidro da cana de açúcar. Eu não quero continuar otário nesta história do reajuste do preço da gasolina na bomba. Recuso-me a pagar o custo da ineficiência da administração Petrobras.

Chega de ser otário para sustentar a ladroagem do governo Dilma. Quero e exijo o preço da gasolina na bomba a R$ 2,20 e pronto!  A diferença é o custo "otário" do povo brasileiro, incluído neste este que escreve esta matéria.


Ossami Sakamori




sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

O apagão da energia elétrica e o d'água são inexoráveis


Atrás da discussão semântica sobre a crise que abate sobre o setor elétrico e sobre o setor de abastecimento d'água, devo chamar a atenção sobre a irresponsabilidade das autoridades constituídas em tratar os assuntos de fundamental importância para a vida do cidadão brasileiro.

As autoridades e os agentes públicos ligados aos setores falam em racionamento seletivo de energia elétrica e racionamento seletivo de abastecimento de água, para não pronunciarem a palavra "apagão" como se isto tivesse importância.  Esquecem os responsáveis pelos setores fundamentais na vida do cidadão que pouco importa a ele a repercussão política das palavras. O que importa ao cidadão é a escassez de energia elétrica e de água no dia a dia das sua vida. 

Vamos analisar por partes. A crise de abastecimento d'água reflete sobretudo nos estados da região sudeste em especial nas regiões metropolitanas de São Paulo, Belo Horizonte e Rio de Janeiro. Explica-se, as regiões metropolitanas citadas encontra-se nas nascentes por razões geográficas.

Os reservatórios que abastecem, sobretudo nas regiões metropolitanos estão nos limites mínimos em plena época de chuvas intensas que iniciou em novembro e vai até o mês de março. No pico do regime de cheias e enchentes, o abastecimento d'água está sendo feito utilizando-se dos volumes mortos. O abastecimento d'água, historicamente problemático nos meses que vai de abril a outubro, para as regiões metropolitanas citadas será próximo de caos.

No setor elétrico, o buraco é mais para baixo. Os sucessivos governos, incluindo os anteriores ao do PT, não vendo dando atenção necessária à demanda do setor elétrico. Após apagão de 2001, foram construídos usinas termoelétricas que acrescentaram ao sistema cerca de 30.000 MW de potência, grosso modo. Isto é insuficiente para atender a crescente demanda pela energia elétrica. Explica-se, o aumento da demanda de energia elétrica decorre do fato de Brasil ser país que encontra na 85ª posição no ranking de uso per capita de energia elétrica.

Após o apagão de 2001, além das usinas térmicas, entrou em operação as Usinas de Santo Antonio e Jirau no rio Madeira com potência instalada de 3.500 MW e 3.700 MW, respectivamente, além de outras usinas de menor porte. Em construção no rio Xingu, a usina Belo Monte com capacidade instalada de 11.200 MW e potência efetiva média de 5.700 MW só entrará em operação, na melhor das hipóteses, em 2016. 

Atualmente o País conta com cerca de 125.000 MW de potência instalada, incluindo todas formas de geração de energia elétrica. Dentre estas usinas, somente a usina hidroelétrica de Itaipu tem capacidade instalada de 14.000 MW. Não há previsão de usinas de grande porte que entrará em operação neste ano, a não ser uma única usina termoelétrica de 1.500 MW de potência e entrada em operação das duas turbinas do Itaipu.

Com o apagão do início do mês, o sistema  elétrico experimentou a demanda de pico de 85.000 MW. A diferença entre a potência instalada de 125.000 MW com a energia efetivamente entregue ao consumidor é explicada pelo nível de reservatório das usinas hidroelétricas que estão, segundo ONS - Operador Nacional do Sistema Elétrico, que está em média 17% da capacidade nominal (considerada reservatórios cheios). 

O regime de chuvas no Brasil é conhecido historicamente com intensidade maior nos meses de  novembro a março e sendo escasso nos meses de abril a outubro. Isto acontece inexoravelmente, todos os anos. Não adianta fazer suposição de que poderá haver regime de chuvas intensas nos meses de abril a outubro deste ano. Este ano, não será diferente. Apostar numa possibilidade pouco provável é irresponsabilidade total dos gestores públicos.

O caso de desabastecimento no caso do sistema elétrico, o assunto é muito mais grave do que se imagina. Se os reservatórios das usinas hidroelétricas estão com média de volume de 17%, segundo informação do ONS, em plena época do regime de chuva intenso, é de supor que no período entre abril e outubro, inexoravelmente, os reservatórios baixarão o nível para 10%, num piscar de olhos. Diferente do abastecimento d'água, não há possibilidade de mover turbinas, no nível de reservatórios abaixo de 10%, segundo os técnicos do setor elétrico.

As usinas hidroelétricas estão fornecendo, hoje, cerca de 55.000 MW dos 85.000 MW de oferta no horário de pico. Com a diminuição do volume dos reservatórios nos meses de abril a outubro, período de seca, é certo que as usinas hidroelétricas reduzirão o nível de geração para algo como 40.000 MW, na melhor das hipóteses. Sendo assim, mesmo com todas usinas térmicas em funcionamento, a potência efetiva de oferta de energia não passará dos 70.000 MW. 

A demanda no pico, hoje, de 85.000 MW não será atendida pelo sistema elétrico brasileiro, nem que a vaca tussa. A demanda deverá se ajustar ao novo patamar de oferta, nos meses de abril a outubro, de no máximo de 70.000 MW. Então, inexoravelmente, deverá haver racionamento de energia elétrica, corte seletivo de energia ou simplesmente apagão. Não planejar e não colocar na prática o racionamento de energia elétrica desde já será dever e responsabilidade da presidente Dilma. 

Querendo ou não a presidente Dilma e os governadores Geraldo Alckmin, Luiz Fernando Pezão e Fernando Pimentel deverão alertar o conjunto da população sob sua jurisdição sobre o racionamento de energia elétrica e de água nos meses de abril a outubro deste ano. E ainda, preparar o espírito da população para a repetição da ocorrência no próximo ano, também, porque a reposição dos reservatórios será gradual, mesmo que venha regime de chuvas acima da média histórica.

O apagão da energia elétrica e o d'água são inexoráveis!

Nota: Os dados colocados neste texto, são apresentados grosso modo, pois esta matéria não segue o rigor de uma matéria técnica. 

Ossami Sakamori
@SakaSakamori






Dilma está na contramão do mundo!


Pois, é! Enquanto as maiores potência do mundo estão fazendo festa em Davos, Suíça, no meio da neve, no Fórum Econômico Mundial, a presidente Dilma participou ontem da posse do obscuro Evo Morales da Bolívia. Para quem se lembra, a Dilma, no ano passado, participou do mesmo Fórum procurando dar maior visibilidade à sua figura como um dos líderes entre os países emergentes. Dá pena da presidente Dilma ver a nossa presidente esconder-se do holofotes do mundo.

Na reunião anual do ano passado, criticou os países da Zona de Euro, em especial à chanceler Angela Merkel, pela condução da política econômica baseada em pilar do equilíbrio fiscal. De quebra, anunciou aos quatro cantos do mundo a possível acordo econômico multilateral entre a União Européia e o Mercosul, que acabou não se concretizando. Na volta do Fórum, fez um "pit stop" em Lisboa a caminho de Havana, tomando o homérico porre em restaurante mais cara de Lisboa. 

A atitude da presidente Dilma, de preferir posse do apagado politicamente, o cocaleiro Evo Morales ao invés de participar do festivo Fórum Econômico Mundial, reflete bem a situação econômica do Brasil. O País está caminhando em contra mão dos países mais ricos do mundo.

Enquanto, nos anos anteriores, os países desenvolvidos estavam preocupados em equilíbrio fiscal, mesmo a custa de baixo crescimento, o Brasil da Dilma esbanjava. Deu pouca atenção ao rigor fiscal e fez a gastança que todos nós sabemos, que acabou com a Lei de Responsabilidade Fiscal. Mesmo assim, enquanto os países desenvolvidos faziam o seu dever de casa, o Brasil da Dilma não conseguiu o crescimento que desejava. O Brasil terminou o ano de 2014 com crescimento praticamente nulo.

Os EEUU, nos anos de 2013 e 2014, lançou-se ao programa de estímulo ao crescimento do país, injetando na economia todos os meses dólares, recomprando os títulos da dívida interna. Os EEUU terminou o ano de 2014 com crescimento em torno de 2,5% com inflação controlada no nível de 2,5%. Obama adotou para estimular o crescimento dos EEUU no preíodo 2013 e 2014, a taxa básica de juros da dívida do Tesouro, de curto prazo nos níveis de 0,25% ao ano. 

O Japão a terceira economia do mundo, vem praticando desde 2013 a mesma política de estímulo ao crescimento econômico do país, cortando a taxa básica de juros da dívida interna ao nível de 0,1% ao ano, projetando a inflação para 2% ao ano. Com a medida anunciada ontem, a Zona de Euro, também toma medida de estímulo ao crescimento econômico, cortando a taxa básica de juros do BCE - Banco Central Europeu para 0,05% ao ano e projetando a inflação para 2% ao ano. 

De repente, a presidente Dilma descobre que a chanceler Angela Merkel, a quem chamou de "canibal", tinha razão. Colocou para o posto de ministro da Fazenda o "tucano" Joaquim Levy para praticar o equilíbrio fiscal que tanto criticara no ano passado. E, na contra mão do mundo, o Banco Central do Brasil eleva a taxa básica de juros para o patamar estratosférico de 12,25% ao ano, sendo 5,75% ao ano de juros reais.  Uai, o mundo todo baixa os juros e o Brasil aumenta os juros? 

Até o "companheiro" Raul Castro já abandonou o discurso "socialista bolivariano" e bandeou-se para o lado do presidente americano Barak Obama. Raul Castro, deixou a Dilma falando sozinha. Não vai tardar para outro "companheiro" Nicolás Maduro bandear-se ao lado do Obama, para socorrer a Venezuela da situação econômica difícil que se meteu com a baixa de petróleo no mercado internacional de petróleo. Lá vai a Dilma, perder mais um "companheiro" na sua política econômica em "contra mão" ao mundo desenvolvido. 


No meio desta lambança da Dilma, quem paga o pato é o povo brasileiro. Vai aguentar os aumentos de impostos em 2015. Vai aguentar o reajuste da tarifa de energia elétrica em níveis incompatíveis com o índice de inflação. Vai aguentar o reajuste da gasolina enquanto em todo mundo está reajustando o preço de combustíveis para baixo. Enquanto maioria dos países desenvolvidos vai colher os frutos do desenvolvimento, o Brasil vai amargar a recessão braba neste ano.

O Brasil está na contra mão do mundo!

Ossami Sakamori




quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Entenda o significado da taxa Selic de 12,25%


A noticia do aumento de taxa Selic para 12,25% ao ano pelo me remete ao início do ano de 2012, ocasião em que inauguramos este blog. O ambiente político e econômico era de "oba-oba" com a aprovação da administração Dilma, ocasião em que comecei escrever o equívoco ou ainda pior o "erro sistêmico" da política econômica.

O ano de 2014, vocês bem sabem como terminou. O Brasil praticamente ficou parado no tempo, com crescimento próximo do "zero", com inflação batendo no teto da meta de 6,5% e com estouro nas contas fiscais do governo federal. 

O início do ano começou com medidas de ajustes nas contas fiscais anunciado pelo ministro Joaquim Levy da Fazenda, as quais farei matéria à parte. A deterioração do quadro da economia está tão evidente que o próprio ministro anuncia estabilidade no PIB ou seja crescimento "zero" na economia do País para este ano.

Ao povo dá impressão que o ministro da Fazenda com os ajustes fiscais anunciados e com realinhamento de tarifas administradas de energia elétrica e combustíveis a economia do Brasil, com sacrifício, voltará a crescer após o período de ajustes. Mas, isto não é verdadeiro. 

A presidente Dilma continua errando nos fundamentos da política econômica, como esteve errado todo este tempo, desde o primeiro dia do seu governo no dia 1º de janeiro de 2011. A matriz da política econômica continua errada. Não se resolve o problema macro econômico do País, apenas por via equilíbrio nas contas públicas e do realinhamento de preços administrados. Tem muito mais coisas para serem mexidos, sob pena de medidas tomadas resultarem inócuos.

Pois bem o equívoco da política econômica não está somente no equilíbrio das contas públicas, mas sobretudo na política de financiamento da dívida pública federal e na execução política cambial. Eu insisti durante 3 anos sobre estes temas, mas o governo Dilma continua insistindo no equívoco, para manter a "sensação de bem estar" e a "sensação do poder de compra" da população num projeto político de permanência no poder. Que se dane o futuro do Brasil, pensa e age a presidente Dilma.

Hoje, falaremos sobre a taxa de juros de referência Selic. O Banco Central, equivocadamente, insiste em aumentar a taxa de juros reais das dívidas públicas internas. Com taxa de juros Selic de 12,25% ao ano e inflação batendo no teto da meta de 6,5%, os juros reais passou para incrível taxa de 5,75% ao ano. Os juros reais do País disputa com a da Turquia considerando os juros reais entre os 40 maiores PIB do mundo. 

Argumenta o governo Dilma e a grande mídia brasileira se associam à presidente, como se a medida de aumento da taxa Selic fosse a solução para controlar e manter a inflação dentro do teto da meta de inflação de 6,5% ao ano. Lembrando que o centro da meta de inflação é de 4,5% ao ano. Mas parece que a equipe econômica passou a usar como referência a taxa de inflação de 6,5% como centro da meta.

Os juros reais de 5,75% ao ano, expõe a fragilidade da economia do País. É mentira do governo Dilma, justificar o aumento da taxa básica de juros Selic como medida de contenção da inflação. O fato é que o Brasil tem dívida interna bruta próxima de R$ 3 trilhões, com vencimento no prazo médio de 4 anos. O Brasil precisa "rolar" sua dívida interna, anualmente, em torno de R$ 750 bilhões. Isto é o verdadeiro motivo para o aumento da taxa Selic.

O País com inúmeros problemas estruturais, além do desequilíbrio financeiro, carrega problemas como da ladroagens do dinheiro público, envolvendo agentes públicos do primeiro escalão. O Brasil perdeu credibilidade no cenário internacional, perdeu credibilidade no mercado de investimentos.  

O aumento dos juros Selic, pagando os juros mais altos do mundo tem como única finalidade atrair capitais especulativos ou dinheiro dos agiotas internacionais. Oferecem os juros mais altos do mundo nos títulos do Tesouro e títulos do Banco Central, sob pena de Brasil entrar na situação de "default", o que seria pior para o País. A situação do País é semelhante ao Portugal, Espanha e Grécia de ontem.

PS: O Tesouro dos EEUU pratica taxa de juros básicos de curto prazo de 0,25% ao ano. Ontem, a Zona de Euro aprovou a taxa de juros básicos de títulos a curto prazo em 0,05% ao ano. O Brasil paga taxa de juros básicos, desde ontem, 5,75% ao ano em termos reais descontado inflação.

Ministro da Fazenda Joaquim Levy, Alexandre Tombini presidente do Banco Central e Dilma Rousseff presidente da República, parem de mentir para a população sobre o motivo que leva o País a pagar os juros mais altas do mundo. 

Parem, também, a imprensa e articulistas econômicas concordarem com a Dilma e sua equipe como se o aumento da taxa Selic fosse uma medida corretiva para a economia do País.  A verdade é bem outra!

Taxa Selic de 12,25% é para Brasil não entrar em "default". 

Ossami Sakamori




quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Lula poderá ser preso em Portugal.


Hoje vou falar sobre o assunto que já circulou na imprensa portuguesa. A suposta doação ilícita dos portugueses à campanha presidencial da reeleição do Lula. O assunto tomou visibilidade em razão da comentada Assembléia do Portugal Telecom em Lisboa sobre a autorização de venda da operadora portuguesa para a operadora francesa Altice. Para quem não se lembra, o controle da operadora Portugal Telecom, cerca de 90%, pertence a nova Oi brasileira, produto da fusão entre ambas operadoras.

Sobre o assunto da Assembléia que definirá o futuro da Oi, já foi comentado por este blog na matéria anterior.

A notícia da doação da Portugal Telecom para a campanha do Lula na sua reeleição, resumidamente, é que o comitê da campanha do Lula em 2006 teria recebido doação ilegal de $ 2 milhões de euros da operadora portuguesa. A negociação teria sido feito entre o presidente Lula e o presidente da operadora Portugal Telecom Miguel Horta e Costa. Segundo a imprensa portuguesa a transferência do dinheiro teria sido feito via subsidiária da Portugal Telecom em Macau. O ex-presidente da Portugal Telecom Miguel Horta está sendo investigado pela Procuradoria daquele país.

Não foi noticiado pela imprensa até o momento, mas a nossa fonte de Lisboa, confirma que houve repetição da doação na campanha presidencial da Dilma Rousseff, pela operadora Portugal Telecom, ainda em mãos dos portugueses. A doação teria sido feito pela Portugal Telecom para presidente Lula, ilicitamente, $ 2 milhões de euros, para campanha presidencial da Dilma, operacionalizada pelo ex-ministro Antonio Palocci, caixa de campanha da eleição da Dilma em 2010.

Outro assunto que envolve dinheiro ilícito é o depósito de $ 25 milhões feito no Banco Espírito Santo, em espécie. O referido Banco foi liquidado pelo Banco de Portugal (BC português). O Banco de Portugal teria rastreado o depósito atípico em nome do beneficiário Luis Inácio Lula da Silva, então, presidente da República Federativa do Brasil, após diligências feitas na liquidação do Banco Espírito Santo.

O  referido depósito de $ 25 milhões teria sido transferido para conta secreta do presidente Lula em Luxemburgo, antes da liquidação do Banco Espírito Santo. A legalidade do depósito está sendo analisado pelo Banco de Portugal em conjunto com a Procuradoria daquele país, por não ter entrado no país de forma declarada. O episódio ficou conhecido como caso "Rosemary" por ela ter transportado aquele volume de dinheiro em malas diplomáticas.

O depósito de $ 25 milhões foi objeto da denúncia do deputado Anthony Garotinho PR/RJ no seu blog, mas não contestada pelas autoridades brasileiras, até hoje. Coincidência ou não, o deputado Anthony Garotinho foi indicado pela presidente Dilma como vice-presidente do Banco do Brasil antes mesmo da nomeação do presidente da Instituição. Será que foi um "tapa boca" na tentativa de sepultar o caso dos $ 25 milhões de euros.

Nestas condições é de supor que é totalmente inconveniente que o cidadão Luís Inácio Lula da Silva, pise no território português sob pena de ser preso para responder perante a Procuradoria daquele país. Se ex-primeiro ministro daquele país José Sócrates foi preso para investigação sobre enriquecimento ilícito, é de se supor que o tratamento não seja diferente para o cidadão Lula.

Lula poderá ser preso em Portugal, sim.

Ossami Sakamori



Dia D para Oi ! Tudo depende da decisão do Portugal Telecom !


Está em risco o desfazimento da fusão entre a companhia Oi e a operadora portuguesa Portugal Telecom. Amanhã é dia D para definição do futuro do grupo Oi/Portugal Telecom. Está marcada Assembléia Geral do grupo controlador da Portugal Telecom a PT SGPS para a venda dos ativos da operadora de telefonia para a empresa francesa Altice. 

O caso está sendo visto com olhar de lupa pela CMVM - Comissão do Mercado de Valores Mobiliários de Portugal, sobretudo em função da estranha simbiose entre o grupo Portugal Telecom e o recém liquidado Banco Espírito Santo pelo Banco Central português, o Banco de Portugal.

A operadora Oi brasileira depende muito da venda dos ativos da Portugal Telecom para a própria sobrevivência.  A Oi brasileira, pós fusão, depende da venda dos ativos da Portugal Telecom para a operadora francesa Altice para aliviar os seus passivos, sobretudo em $ dólares americanos e participar do "pool" de empresas para compra dos ativos da TIM a ser fatiada.

Para entender a gravidade do assunto que será tratado na Assembléia de acionistas do Portugal Telecom, primeiro pela proposta de venda da operadora portuguesa ao grupo Altice representa $ 7,4 bilhões de euros ou equivalente a R$ 22,3 bilhões, na cotação de ontem. Observando que a falida Banco Espírito Santo tem 2% de participação nos ativos do Portugal Telecom. E sobretudo, lembrando que há possibilidade de postergar a decisão sobre a venda ou ainda PT SGPS resolver reverter a fusão Oi/Portugal Telecom. Tudo pode acontecer na Assembléia de amanhã.

A entrada de dinheiro na Oi é crucial para aliviar o seu endividamento que representava no balança trimestral de 2014, em 46,2 bilhões com prazo médio de vencimento para 4,3 anos. Não inclui nesta dívida, os empréstimos tomados junto ao BNDES pelos controladores Jereissati e Andrade Gutierrez na privatização e na capitalização das companhias que deu origem ao grupo Oi.  A companhia é altamente endividada e os controladores em relação à operação Oi, também. 

A Oi precisa urgente desse dinheiro da venda de ativos da Portugal Telecom para continuar no mercado comprando parte do ativo da TIM na área de telefonia 4G. Se a Oi não comprar parte dos ativos da TIM no que se refere à concessão da telefonia 4G, na minha opinião, pode fechar as portas poque estará fora do mercado nos próximos 2 anos. 

A Oi neste momento, necessita urgentemente de fazer caixa com a venda dos ativos da Portugal Telecom sob pena de entrar em processo de degradação financeira. Se a Assembléia de acionistas, amanhã, resolver vetar a venda da operadora para Altice e de quebra votar pelo desfazimento da fusão com a brasileira Oi, a operadora brasileira poderá figurar como mais uma empresa que irá ao pronto socorro do BNDES, seguindo a mesma trilha das empresas OGX e do JBS/Friboi. 

Ossami Sakamori


terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Apagões elétricos virão sempre !


O ministro de Minas e Energia Eduardo Braga, no início da noite, veio ao público dizer que o apagão de ontem foi causado pela linha de transmissão do sistema Furnas que liga região norte ao sul . O ministro esconde a verdadeira causa do apagão de ontem, isto porque há menos de uma semana tinha afirmado categoricamente que não haveria racionamento de energia elétrica em 2015. Jurou de pés juntos!

Enquanto os técnicos do ONS - Operador Nacional do Sistema Elétrico tentam achar justificativa para o ministro Eduardo Braga e em consequência à presidente Dilma, o sistema elétrico brasileiro, no momento, está sujeito aos novos apagões. Explico o porque. Vou colocar os números em linhas gerais, porque ao consumidor não interessa as razões técnicas para justificar o apagão elétrico. 

O sistema elétrico brasileiro tem potência instalada em torno de 120.000 MW. O que significa isto? Isto significa que se todos os reservatórios estiverem 100% cheios e todas turbinas de usinas estiverem funcionando, o sistema elétrico brasileiro tem condição de fornecer 120.000 MW de potência elétrica, incluindo as usinas térmicas. Não confundamos, a potência instalada com a potência gerada.

A potência gerada é aquela que as usinas hidroelétricas e térmicas, além de energias geradas pelo vento e sol, efetivamente produzem. No atual nível de reservatório, muito abaixo da média histórica, as usinas hidroelétricas conseguem gerar uma média de 50.000 MW de energia. Somado à geração de térmicas e geração alternativa de cerca de 30.000 MW o sistema elétrico brasileiro, no momento, está gerando cerca de 80.000 MW de energia. Os números aqui considerado são grosso modo, apenas para melhor compreensão pelos leitores deste.

No ano passado no pico de consumo, no mesmo mês de janeiro, o consumidor brasileiro, incluindo residencial, comercial e industrial consumia marca histórica. Portanto, o risco de apagão neste ano era totalmente previsível. O pico de consumo, ontem foi pouco acima de 80.000 MW. O fato é que haverá necessidade urgente de racionamento de energia, como em 2001, na era FHC, sob pena de sistema elétrico entrar em colapso no curto prazo.

Como não existe milagre, o consumidor brasileiro exaurindo 80.000 MW e o sistema elétrico produzindo os mesmos 80.000 MW, o risco de novos apagões é inexorável.  A conta tem que fechar, a geração de energia elétrica tem que, no máximo, empatar com o consumo. Podemos dizer que estamos andando em cima do fio da navalha. Qualquer deslize, novos apagões.

O que o ONS fez ontem foi correto. O consumidor estava gastando no limite da geração de energia, se deixasse correr solto, o consumo iria ultrapassar a geração e o sistema cairia automaticamente, gerando situação de black out total no Brasil, o ONS mandou que as distribuidoras de energia gastasse menos, impondo economia em pontos localizados. Isto é realidade. O resto é conversa para boi dormir.

O ONS agiu corretamente. Se o ONS não tivesse feito racionamento preventivo poderia haver colapso no sistema e ter apagão em todo território nacional. Vamos explicar porque acontece isto. Todo sistema elétrico brasileiro é interligado para o bem e para o mal. 

Novos apagões virão, inexoravelmente.

Ossami Sakamori




segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Coreanos: Brasil já era!


Segundo Estadao, as fábricas Samsung e LG voltaram atrás nos projetos de investimentos na área de linha branca no Brasil devido a retração do mercado neste segmento. 

Não podia ser diferente quando as montadoras que são as indústrias carros chefes do País, estão demitindo funcionários e operários devido ao decréscimo no volume de venda de veículos automotores em cerca de 14% em 2014.

A LG iria investir em Paulínea, estado de São Paulo, cerca de R$ 1 bilhão, mas cancelou o projeto, não sabendo se retornará o investimento nos próximos anos. A Samsung iria também montar uma linha de produção de linha branca na cidade paulista de Limeira, não informando que volume de investimento vai deixar de fazer. 

Segundo Lourival Kiçula, presidente da Eletros - Associação Brasileira de Fabricantes de Eletrodomésticos e Eletrônicos, prevê o ano de 2015, "ano difícil". A expectativa do setor é que consiga no máximo repetir o mesmo volume de venda do ano passado. 

As notícias não são nada boas, já no início do ano de 2015. Estas e outras notícias, somado ao corte de gastos públicos anunciados pelo ministro Levy da Fazenda e desaceleração de investimentos no sistema Petrobras, o ano de 2015 será marcado com o crescimento do PIB negativo ou recessão em nível avaliado por mim em 2% do PIB. 

Aliado a tudo isto, há reajustes de tarifas administradas, entre os quais de energia elétrica em níveis bem acima do índice de inflação, já anunciados no decorrer deste ano. A somatória de causas e efeitos negativos, o ano de 2015 será o pior ano desses últimos 13 anos do governo petista.

Coreanos fogem do País. Brasil já era!

Ossami Sakamori

domingo, 18 de janeiro de 2015

Em 2015, tarifa de energia subirá média de 35%


Assisti entrevista do ministro de Minas e Energia Eduardo Braga concedida ao jornalista Miriam Leitão da Rede Globo. A entrevista se referia ao assunto do novo preço da gasolina e das tarifas de energia elétrica. Na matéria de hoje, vou tratar sucintamente apenas sobre os inexoráveis aumento de tarifas de energia.

A última intervenção da Dilma foi no início do ano de 2013, com a mal sucedida antecipação do prazo de concessão das usinas hidroelétricas em todo o Brasil. O objetivo foi para reduzir compulsoriamente a tarifa de energia ao nível de consumidor em 20%. A medida tomada, açodadamente, foi um desastre no setor elétrico. Algumas concessionárias não aderiram ao programa, mas tiveram que reduzir a tarifa ao nível de consumidor.

O reflexo da medida precipitada aconteceu já no ano 2014, e o governo federal teve que fazer gambiarras para tentar manter o preço da energia na tarifa com desconto. A operação de socorro às concessionárias de energia elétrica foram em forma de empréstimos bancários utilizando-se do fundo CDE e de empréstimos dos bancos oficiais como a CEF, BB e BNDES. Desta forma o rombo aumentou ainda mais. 


O sistema elétrico teve que ligar as usinas termoelétricas para não entrar em colapso, devido ao rebaixamento do nível de reservatórios em função de estiagem prolongada. Isto veio agravar ainda mais a situação do setor elétrico. Em 2014, produziu-se menos energia proveniente de usinas hidroelétricas. Desta forma o rombo aumentou em dobro.

A situação do setor elétrico chegou num ponto que não tem mais gambiarras que possa segurar as tarifas de energia elétrica. O Tesouro que vinha bancando, via bancos oficiais, com promessa de praticar realismo tarifário, não aguenta mais bancar o tamanho rombo. 

Aproveitando a indicação do tucano Joaquim Levy para o Ministério da Fazenda, a equipe da Dilma, resolveu adotar o realismo tarifário levando em conta também a devolução dos empréstimos tomados pelo setor elétrico aos bancos oficiais. Segundo deu para entender a devolução destes empréstimos deverão ocorrer em 2015 e 2016.

O governo não tem mais caixa para continuar bancando a diferença tarifária, então colocou em prática medida que já estava aprovada desde ano passado, mas não implementada por conta das eleições, a tarifa das bandeiras. A tarifa extra de bandeirada se refere tão somente em relação ao nível de reservatórios que abastecem a região. 

O primeiro aumento da tarifa de energia, deste ano, já está em vigor. A bandeira vermelha terá adicional de R$ 3 para cada 100 kwh consumida. A bandeira amarela terá adicional de R$ 1,50 para cada 100Kwh consumida. E a bandeira verde seria para nível de reservatório normal. Já se sabe que nas regiões que foram atingidos com a bandeira vermelha continuarão com esta bandeira durante o ano de 2015.

No entanto, o aumento de tarifa normal que é concedido anualmente, pactuado com a ANEEL, ocorrerá normalmente, considerando o aumento da tarifa conforme planilha de custos como fazem todos os anos. No entanto, neste ano e no próximo ano, ao aumento de custos de energia será acrescido de custo de desembolso dos empréstimos pontes feitos pelo sistema bancário oficial. 

Segundo o ministro de Minas e Energia, o aumento virá entre 20% a 25%, sem se comprometer de pés juntos. Somado ao aumento decorrente da bandeira vermelha, que dá em média aumento de 7,5%, na conta do ministro será entre 28% a 35%. Isto não foi promessa do  ministro. 

Pelo precedente, afirmo sem medo de errar que os reajustes de tarifas elétricas, considerando o aumento referente a bandeirada, será em média 35%, dependendo da região e de cada concessionária.

Ossami Sakamori




sábado, 17 de janeiro de 2015

O rombo potencial do sistema Petrobras é de R$ 708 bilhões!


Acendeu luz vermelho no painel de controle do Banco Central e do Ministério da Fazenda. O Banco Central e o sistema bancário estão correndo para levantar exato tamanho da exposição de riscos de créditos da Petrobras e de empresas citadas na Operação Lava Jato. Segundo imprensa, nem o Banco Central e nem o Ministério da Fazenda tem o exato tamanho do eventual default.

Os números da exposição de risco de crédito perante o sistema financeiro são desencontrados. Segundo primeiro levantamento feito pelo governo, apresentava um passivo de cerca de R$ 400 bilhões, somente das empreiteiras ligadas à Petrobras. O endividamento total da Petrobras em 31/6/2014 era de R$ 308,1 bilhões. Somado o endividamento do sistema Petrobras, a própria Companhia e seus empreiteiros dá incrível número de R$ 708 bilhões, correspondente a cerca de 13% do PIB.

Notícias no mercado financeiro, dão conta de que a OAS, a menor entre as empreiteiras com dívida de cerca de R$ 7,7 bilhões, deve entrar com o pedido de recuperação judicial. O que teme o sistema bancário e o próprio Banco Central é "crise" do sistema bancário em razão do default das empreiteiras e da própria Petrobras. Um volume de R$ 400 bilhões das empreiteiras ou R$ 708 bilhões do sistema Petrobras em default causaria efeito dominó, é o que mais teme o sistema financeiro e o próprio governo. 

Estou a referir o problema como "crise" sistêmico no setor bancário. Não estou a dizer que haverá "quebra" do sistema bancário como aconteceu na implantação do Plano Real. Vamos deixar bem claro isto. O setor bancário deverá reformular urgentemente o portfólio de tomadores de empréstimos, restringindo crédito às empresas ligadas à Petrobras. De quebra, os que não fazem parte do sistema Petrobras vão sofrer as consequências, inexoravelmente.

Atualmente, o sistema financeiro oficial, composto sobretudo pelas instituições BNDES, CEF e BB, banca maioria destas operações. Infelizmente, para não absorver a crise no setor bancário, os bancos oficiais deverão absorver as dívidas da Petrobras e das empresas envolvidas na Operação Lava Jato, para evitar a "quebra" do sistema bancário brasileiro. Enfim, lá vamos nós, pagar a conta dos incompetentes e ladrões. 

Nas considerações acima não entraram as dívidas decorrentes das empreiteiras da Petrobras junto aos fundos de pensão. O total da dívida da Petrobras, R$ 308,1 em 30/6/2014 já está considerado a dívida com os fundos, mas as das empreiteiras não contemplam. É urgente fazer auditorias das contas dos fundos de pensão para livrar estes e de outros esqueletos constantes nos ativos.

O rombo potencial da Petrobras e de empreiteiras é de R$ 708 bilhões. Isto tem que ser dito com todas letras. O risco é do sistema bancário.

Ossami Sakamori
@SakaSakamori