O maior "mico" da história do País, a capitalização ou aumento de capital realizado com muito estardalhaço pelo presidente Lula em 2010, onde teoricamente evaporou US$ 9 bilhões de lucros da Petrobras, que seria o "troco" que a Companhia "iria" receber da União, literalmente, virou "pó".
Ganhou a União, porque não haverá nenhum reembolso da parte da União para com a Petrobras. Perdeu a Petrobras com o ganho "virtual" de US$ 9 bilhões, que não acontecerá mais. E muito mais, o analista do Bradesco não levou em conta o prejuízo que a Petrobras deverá contabilizar, conforme manda a boa governança corporativa, o prejuízo financeiro devido ao novo patamar de preço no mercado internacional de petróleo.
Conforme os dados fornecido pelo analista do Bradesco, por ocasião da capitalização os 5 bilhões de barris do campo de Tupi, entrou como cota parte da capitalização por parte da União em US$ 42,53 bilhões, equivalente na data de ontem a R$ 113 bilhões. Pois, este valor, se feito reavaliação do ativo pelos auditores independentes simplesmente não existe.
Explico.
A média de custo de produção do pré-sal do campo de Tupi, conforme a própria declaração da Petrobras é de US$ 50 o barril. Os 5 bilhões de barris do campo de Tupi teve custo onerosa de US$ 8,51 o barril. Sendo assim, o custo do petróleo do campo de Tupi, pré-sal, é de US$ 58,51 para a Petrobras.
Como o preço internacional do petróleo, do tipo WTI que é a qualificação do tipo do petróleo do pré-sal está em torno de US$ 45 o barril, a cada barril de petróleo que é produzido no campo de Tupi a Petrobras leva prejuízo de US$ 13,51 o barril. Enquanto perdurar a situação de preços baixos no mercado internacional de petróleo, a Petrobras pagará para extrair o petróleo, se comparado com o preço que a Companhia tivesse que importar o mesmo produto no mercado internacional.
Resumindo.
A Petrobras, se for empresa séria com comprometimento à governança corporativa, a Companhia após devida reavaliação do preço do ativo sobretudo do campo de Tupi, deveria lançar como previsão para prejuízo sobre este ativo em R$ 113 bilhões na cotação do dólar de ontem.
Na sequência o parecer do analista do Bradesco, no meu entender incompleto. O buraco do prejuízo é muito mais para baixo!
Veja o que diz o analista Julio Cesar Rocha do Bradesco.
A queda vertiginosa dos preços do petróleo poderia ajudar a Petrobras na renegociação dos valores pagos pelos 5 bilhões de barris adquiridos pelo regime de cessão onerosa no processo de capitalização, em 2010. Na ocasião a estatal pagou uma média de US$ 8,51 por barril de petróleo. Os 5 bilhões de barris tiveram seu preço calculado em US$ 42,53 bilhões, com renegociação marcada para começar agora, já que era preciso confirmar os volumes, os custos de produção e considerar preços do petróleo antes do início da produção efetiva.
Se o cenário atual de preço de petróleo fosse usado como base para a revisão do contrato, a Petrobras teria pouco menos de US$ 9 bilhões para receber de "troco" do governo neste ano ou no próximo, quando o processo for concluído. Seria um grande alívio para o caixa da companhia, já que ela não vai acessar o mercado de capitais este ano devido às repercussões da Operação Lava-Jato nas demonstrações financeiras (inclusive para a não divulgação delas). Contudo, a estatal não terá direito a receber esse ajuste.
O contrato firmado entre a Petrobras e a Agência Nacional de Petróleo (ANP) em 2010 não é claro sobre qual o preço de petróleo que deve ser usado na renegociação das condições, que será concluída agora, após a declaração de comercialidade, no fim de dezembro, do sexto e último bloco que fazia parte do pacote da cessão onerosa, o Entorno de Iara. Na época, as certificadoras contratadas pelas duas partes usaram como referência um preço de venda do barril a US$ 80 ou acima disso, a depender do cenário simulado. Os preços da commodity, no entanto, começaram a cair de forma acentuada no quarto trimestre do ano passado e ontem o barril - tanto WTI como Brent - estava próximo de US$ 48.
Quando trata das condições econômicas a serem usadas na revisão contratual, o documento diz que "o preço de referência será igual à média das cotações de fechamento no mês anterior à data de referência para a revisão do petróleo Crude Light West Texas Intermediate - WTI, em US$/barril, divulgadas pela bolsa de valores NYMEX, para o contrato futuro de décimo oitavo vencimento, menos o diferencial em relação ao petróleo Brent".
Não fica claro, contudo, qual é essa "data de referência". Se fosse hoje, valeria uma cotação próxima de US$ 63 por barril, no contrato de agosto de 2016, o que gera a diferença de US$ 9 bilhões mencionada acima, mantido tudo mais constante.
Procurada para esclarecer o assunto, a Petrobras informou que o contrato "não determina de forma expressa qual será o marco temporal para fixar o valor a ser utilizado pelos certificadores no fluxo de caixa". Mas afirma que o "governo e a Petrobras, interpretando sistematicamente o contrato de cessão onerosa, entenderam que a data a ser utilizada como referência é a data de declaração de comercialidade de cada bloco, uma vez que esta data é definida pela cláusula 8.2 como marco temporal que dá início ao processo de revisão".
Como a declaração de comercialidade dos cinco primeiros blocos ocorreu antes da queda recente do petróleo, entre dezembro de 2013 e setembro de 2014, a estatal, se continuar com esse entendimento, não se beneficiará da queda do óleo.
As negociações com a ANP já começaram e a agência contratou novamente a certificadora Gaffney, Cline & Associates para refazer as estimativas de reservas. A certificadora da Petrobras continua sendo a DeGolyer & MacNaughton (D&M).
O preço do petróleo não será a única variável que terá que ser considerada nessa revisão. Condições de produção, preço dos equipamentos, rapidez da exploração da área, qualidade do petróleo e a produtividade dos campos - que até agora se mostrou altíssima - terão que ser consideradas.
Sobre o atual estágio das negociações, a Petrobras informou ao Valor que "não pretende comentar antecipadamente a perspectiva de resultado do processo de negociação com o governo federal". Mas deixou claro que "o cenário de preços corrente não é relevante para esse processo".
Julio Cesar S. Rossi
Bradesco Corretora – Mesa Alta Renda
Ossami Sakamori



















