segunda-feira, 1 de março de 2021

Brasil não sairá fácil do atoleiro que se meteu

 


Para não haver dúvidas, afirmo que torço para que o governo Jair Bolsonaro, dê certo.  Dando certo, o Brasil vai sair da depressão econômica iniciada em 2015, com o governo desastrada da presidente Dilma.  O País regrediu nesse período, cerca de 27% em termos reais do PIB, com relação aos países mais desenvolvidos do mundo.  Para piorar a situação, veio a pandemia Covid-19 e parece estar um pouco distante a saída da recessão econômica mundial, decorrente da pandemia.   A crise mundial está a configurar muito pior do que aquela decorrente da crise financeira hipotecária nos Estados Unidos, em 2008.  O Brasil está dentro deste contexto mundial e particularmente a pandemia pegou o País no ano que parecia ser a saída da depressão econômica. 
     Infelizmente, a crise econômica mundial pegou o País de calças curtas.  O ano de 2020 era para ser o ano de reformas estruturantes que o Brasil tanto precisa, sobretudo a tributária.  A complexidade das leis que regulam os tributos no Brasil afugenta quaisquer investidores produtivos, tanto nacionais como internacionais.  É um cipoal de legislação que consomem uma grande parte da estrutura administrativa da empresa e deixa os empresários reféns dos advogados tributaristas e obrigam as suas empresas a fazerem provisionamento para eventuais despesas, para quando perderem as demandas nas instâncias judiciais.
     O governo federal, em 2020, se saiu relativamente bem, apesar da pandemia Covid-19.  Isto é explicado porque o governo da União endividou-se para pagar as suas despesas.  Em 2020, o governo federal, gastou cerca de R$ 600 bilhões, extra Orçamento Fiscal ordinário.  O governo emitiu títulos da dívida para pagar suas contas.  Em consequência, a dívida pública federal líquida está na ordem de R$ 5 trilhões.  O País não consegue pagar as despesas correntes, muito menos os juros da dívida do Tesouro Nacional. Faz muito tempo que o País só "rola" as dívidas, inclusive os juros.   Os investidores estrangeiros já estão preocupados com o tamanho da dívida da União.  Isto será um dos entraves para o crescimento do País, que precisa de capital nacional e internacional.
     O presidente da República, com pouco conhecimento da macroeconomia, não entende como o País entrou num buraco desse tamanho.  Encarrega o ministro Paulo Guedes, o posto Ipiranga, para tentar implementar um programa de saída da crise econômica, mas a tentativa é inútil e infrutífera.   Paulo Guedes, defensor da economia liberal, titubeia para implementar intervenção na economia, medida necessária, para tirar o País do atoleiro que se meteu. 
    Enquanto o ministro da Economia, resolve a sua vã convicção, de "ser ou não ser", a da economista liberal, o País não voltará crescer vertiginosamente, como quer o próprio Paulo Guedes, para ultrapassar o "gap" ou o "fosso" que nos separa dos países mais desenvolvidos do mundo.  
     Enquanto o ministro da Economia não resolve o seu problema existencial, o Brasil não sairá do atoleiro que se meteu, pelo menos no curto prazo.  Será necessário e urgente que o Paulo Guedes sente no divã do psicanalista para resolver de vez o seu problema existencial antes que o Brasil entre no buraco sem fundo.

Ossami Sakamori   
       


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