quinta-feira, 28 de outubro de 2021

Estagflação será realidade em 2022!

 


O Copom - Comitê de Política Monetária do Banco Central divulgou, ontem, 27/10, a nova taxa Selic que vai vigorar nos próximos 45 dias.  Em relação à taxa Selic anterior, sobe 1,5%, passando para 7,75% ao ano.  O Banco Central justifica a alta dos juros básicos dos títulos do Tesouro Nacional, sinais de inflação persistente no País, além dos componentes "voláteis" (sic).  Sinaliza ainda que pode elevar a Selic em dezembro em 1,5%, passando para 9,25% ao ano. Aponta como causa a tentativa de "furar teto" dos gastos públicos que pode gerar movimentos inflacionários ainda maiores.

          Na matéria deste blog Entenda taxa Selic mostra a função da taxa básica de juros Selic dos títulos do Tesouro Nacional como sendo instrumento importante da "política monetária" do Banco Central para o controle da inflação. O Banco Central dispõe, além da taxa Selic, um outro instrumento importante que são os depósitos compulsórios dos bancos, recolhido ao BC, com finalidade de contrair a liquidez do sistema financeiro nacional.  Faz algum tempo que o Banco Central não utiliza este instrumento, eficaz, para executar a política monetária.  Não saberia responder o motivo de não recorrer aos depósitos compulsórios.

         O fato visível é que o Banco Central, hoje, independente do governo, dá recado ao Ministério da Economia de que é mais que importante seguir uma política fiscal "sob controle" ou relativo "controle" para que a inflação não exploda, diminuindo o poder aquisitivo de compra, da maioria da população.  A elite econômica, se acomoda a qualquer situação.    

          Nas matérias anteriores, tenho chamado atenção sobre o "déficit primário" ou o "rombo fiscal", o dinheiro que falta para cobrir os gastos do Orçamento Fiscal.  Desde crise econômica, a pior dos últimos 100 anos, de 2014/2015, o País vem gastando mais do que arrecada, tornando o volume de dívida pública, a do Tesouro Nacional, se aproximando do PIB - Produto Interno Bruto.  Se o Brasil não consegue pagar nem as despesas correntes, como de saúde pública, educação e segurança, desde 2014, sem emissão de títulos do Tesouro Nacional, a conclusão cristalina é de que não consegue sequer pagar os juros da dívida pública.  Enquanto pode, o País vai "rolando" o estoque da dívida pública que ultrapassa perigosa marca de R$ 5,7 trilhões, líquidos, com agravante de que o prazo médio de vencimentos destas dívidas é de pouco mais de 4 anos.  

          A alta da taxa Selic, apenas indica a situação delicada que passa o País atravessa com inflação crescente e indicativo de baixo crescimento econômico.  A esse fenômeno conhecido, denominamos de "estagflação", a soma de estagnação com inflação.  O ano de 2021 vai terminar, com inflação apontando para próximo de 10% ao ano e com crescimento econômico ao redor 4,5%.  Convém lembrar que o Brasil teve recessão de 4,1% em 2020.  Os analistas de principais instituições financeiras, estimam o crescimento do País, pouco acima de 1% em 2022.  Isto é, o País quase parando, com inflação alta, pelo menos de partida.    

         Fica alerta aos formuladores da política econômica do governo, o Ministério da Economia, de que a "estagflação" será realidade em 2022.   A ausência de uma política econômica consistente é uma realidade.  Banco Central está fazendo a sua parte.  

         Ossami Sakamori