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quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Grécia é aqui !

Crédito de imagem: Veja

Ao ouvir o presidente Michel Temer na reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, realizada no Palácio do Planalto, cheguei a conclusão de que a Grécia de ontem é o Brasil de hoje. A fala do Temer concentrou, basicamente, em três pontos principais: "a herança maldita", "o teto dos gastos" e "a reforma da previdência". Tentou em vão, desanuviar o horizonte do País. No entanto, o céu do Palácio do Planalto continuam com nuvens negras.


Antes de tudo, a reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social não tem caráter deliberativo. Os membros são convidados pelo Palácio do Planalto. São nomes que frequentam as colunas da grande imprensa, para dar visibilidade maior ainda, para massagear o próprio ego de cada participante e para o Palácio do Planalto passar a impressão à população de que o governo está ouvindo o empresariado. A reunião, na prática é para o "inglês" ver ou melhor para os "otários" (povo) verem.

Michel Temer, após 6 meses e 10 dias de posse no cargo de presidente da República ainda fala em "herança maldita". Isto é discurso para os fracos. Isto é discurso para quem não tem plano de governo que empolgue a população. Para falar com franqueza, o presidente Temer não tem Plano de Desenvolvimento sustentável para o País. Michel Temer é um presidente que não tem carisma para empolgar a população.

Na reunião, Michel Temer deu ênfase na PEC do teto dos gastos como "pilar" do seu governo. Falou, o presidente, de boca cheia como se a PEC do teto dos gastos fosse a solução de todos os problemas do governo. Esquece o prsidente Temer de que já existe a Lei da Responsabilidade Fiscal de 2000 que é mais rigorosa do que a PEC 241. A Lei de Responsabilidade Fiscal do FHC diz, textualmente, que as despesas (incluído juros  da dívida pública) não pode ultrapassar a arrecadação. A PEC do teto dos gastos revoga a premissa importante da Lei da Responsabilidade Fiscal de 2000, permitindo a cobertura dos gastos com a emissão de títulos da dívida pública, tanto quanto necessário para cobrir o Orçamento Fiscal de 2016, corrigido monetariamente.

Michel Temer falou da importância da reforma da Previdência Social, que deverá ser pautada para discussão no próximo semestre. O tema merece deste que escreve, atenção especial, para que o País não entre no "buraco negro" (sem saída). Já começamos (este blog) tratar do tema da Previdência com matérias pertinentes, neste mês.

Michel Temer, não falou sobre a saída para a mais grave crise econômica do País, desde 1929, o ano da depressão mundial. Presidente Temer não apresentou, ainda, o Plano de Desenvolvimento sustentável para o País. Os investidores diretos (não especulativos) esperam até hoje, o gatilho ou os gatilhos para o crescimento do País. O que se sabe é um plano de investimento na infraestrutura para os próximos dois anos em cerca de R$ 50 bilhões, com recursos da "inciativa privada". Quanto ao "investimento público em infraestrutura", a própria PEC do teto dos gastos ceifa-o, limita-o, para os próximos 20 anos. 

Outro fato que chamou atenção, ontem, foi o da reunião dos governadores para revindicar a participação de R$ 5 bilhões referente ao quinhão da multa decorrente da repatriação dos ativos no exterior. Os governos estaduais estão quebrados e foi mendigar com os pires na mão, o pequeno volume de dinheiro que o próprio STF, em medida liminar, já tinha bloqueado a favor dos governos estaduais e municipais. Vamos deixar claro, a verdadeira situação dos governos: o governo federal espera cobrir o rombo previsto de R$ 170,5 bilhões com emissão de títulos da dívida, mas o governos estaduais e municipais não tem emissão de títulos da dívidas para cobrir eventuais rombos. A desigualdade de tratamento dos entes federados é totalmente desfavoráveis para os estados e municípios.

Enquanto o presidente Temer mantinha reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, o IBGE, divulgava a situação do desemprego no País. O número de desempregados, oficialmente, ultrapassou os 12 milhões de pessoas. Ainda o IBGE divulgou a totalidade da população sem emprego e sub-emprego em 21,6 milhões da população economicamente ativa. Se isto não é número alarmante, não sei mais o que dizer. Só posso afirmar que os sucessivos governos, incluindo o do presidente Temer, só se preocupam em manter-se no poder, mandando a população que os elegeram para o último plano de prioridade. 

As coincidências com a Grécia, país notoriamente quebrado estão à aflorar: Grécia realizou a Olimpíada, foi benevolente no sistema previdenciário e financiou os gastos públicos com emissão de títulos da dívida pública. Deu no que deu!

Diante da situação, chego a conclusão que a Grécia é aqui. 

Ossami Sakamori


6 comentários:

  1. Temer é especialista em discursos, fala erudita, gestos finos e postura com certa soberba.

    Nada além disso.

    Acerca-se de bajuladores, para ter aplauso garantido, mas na prática a coisa não deslancha, aliás, nem começou a andar, apos mais de seis meses.

    Começa a dar a impressão que quer superar Dilma em imobilidade.

    Ficou tanto tempo ao lado dela, imóvel,quase inerte, que não consegue se movimentar mais.

    Chego ate a pensar que ele trama nos fazer ter saudades dela.

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  2. Gostei da sua explicação sobre a diferença da PEC do teto e da Lei de Responsabilidade Fiscal. Agora ficou mais fácil eu fazer meus comentários. Pena que a população só assiste Jornais televisivos e acredita na fala salvadora do Presidente Michel Temer e do Meirelles(pupilo do Lula e dos banqueiros). Ledo engano. Outro assunto: Foi difícil ouvir Michel Temer dizer que não será bom para a estabilidade do seu governo, se Lula for preso e, nessa direção estão, também, FHC e Aécio Neves. Ou todos são corruptos ou são "inocentes".

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  3. Já vivemos clima de Grécia.
    Para sermos uma Venezuela só falta ensinar espanhol ao povo.
    Adeus, Brasil (que nunca existiu).

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  4. Políticos sem patriotismo, sem personalidade, sem compromisso.
    Desde os tempos das Capitanias Hereditárias, o tom da conversa é o mesmo. Nem nos próximos 500 anos o país saí dessa, pois não há foco, nem determinação para enfrentar a realidade.
    Nunca foi tão fácil usar o famoso jeitinho brasileiro para fazer de conta que as coisas se resolvam sozinhas.O país vai continuar deitado eternamente em berço esplêndido...

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  5. Na foto acima tem mais gente sentada para deliberar(?) que nas passeatas promovidas pela população. Coisa boa não estão tramando.

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  6. Infelizmente Temer é a continuidade do que havia no governo PT / PMDB
    Cercou-se de _*amigos*_ e está se sentindo um reizinho.
    Seu governo está sangrando como aconteceu com a Dilma
    Deixou-se ser tomado por Renan
    Demorou a falar sobre a herança e agora que sentiu o real tamanho da encrenca começa a choramingar.
    Falta-lhe coragem de tomar atitudes que além de acertadas poderiam lhe dar apoio popular
    Temos hoje um partido tão podre quanto o anterior no poder
    Estão fazendo politicagem do mais baixo nível
    Ninguém pensa no país.

    .

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