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sábado, 7 de julho de 2018

O povo elege os seus próprios Deuses.

Crédito da imagem: Estadão

Disse o notável colunista Luis Fernando Veríssimo, ao se referir sobre a atuação do time brasileiro na Copa Mundial na Rússia: "Crepúsculo dos Deuses seria um título adequadamente wagneriano para essa Copa. Divindades caíram dos seus pedestais".  Não saberia afirmar se as Divindades citados pelo colunista foram por nós colocados nos pedestais ou eles próprios se colocaram.  Seja como for, 210 milhões de brasileiros acordaram hoje com a absoluta realidade descrita pelo Veríssimo: "Deuses caídos". 

É natureza do povo brasileiro, em sua maior parte analfabetos funcionais, acreditar em Divindades em todas áreas da vida social, econômica e política.  O povo brasileiro sente a necessidade de eleger ícones ou ídolos para tentar suprir as frustrações que a vida lhe impõe.  Isto acontece não só na área artística ou esportiva, mas também na área econômica e política. 

Não sou antropólogo, mas creio que este espírito de "derrotado à espera dos salvadores da pátria" é subproduto dos longos anos da colonização portuguesa e do próprio regime de escravatura que vigorou até há pouco mais de um século. O povo brasileiro se sente oprimido e desrespeitado por poderes constituídos, não dos reinados, mas pelos próprios indivíduos que os colocaram, seja de forma direta ou indireta.  Dizem que o povo brasileiro é alegre, mas não é.  O povo brasileiro sofre do síndrome do cachorro magro.

É incrível como o povo brasileiro, no qual me incluo, não aprende com os erros e derrotas passados. Os mesmos erros são repetidos sistematicamente. Afastamos a presidente Dilma do posto de presidente da República acreditando que o presidente Temer fizesse um bom governo.  Pois, deu no que deu. O governo Temer é pior dos piores presidente que o Brasil já teve na sua história.  O povo brasileiro acreditou na política econômica do Meirelles como se fosse a salvação da pátria.  Mas, não foi.  O Brasil continua patinando no rombo fiscal como dantes. 

Com a proximidade da eleição presidencial, apontam como favoritos, novamente, os salvadores da pátria.  Os novos ídolos são os das extremas, da esquerda e da direita.  Como nos filmes que já vi, os novos salvadores da pátria prometem fundos e mundos.  Como de costume, o povo brasileiro não aprende, acredita que a crise econômica e política se resolve com bravatas e vara de mágica e aposta, novamente, nos novos salvadores da pátria. 

A tendência das pesquisas mostra que, novamente, o povo brasileiro vai eleger um "Tite" para comandar o time e de um "Neymar" como coadjuvante. Fazer o que?  O povo brasileiro não resolve com a razão, mas com a emoção do momento. 

O povo brasileiro elege os seus próprios Deuses.  

Ossami Sakamori

Engenheiro civil, foi professor da UFPR, consultor empresarial.

3 comentários:

Célia Mancini disse...

O grande problema é que ñ temos Constituição. O que temos é uma aberração. Se pudéssemos ter LEIS, ORDEM, teríamos um País sem heróis fictícios, mas teríamos um País onde ñ falta trabalho e nem a diferença social seria tão gritante. Fazer o povo gostar de futebol é fácil, fazer o povo gostar de ganhar sem trabalhar e ficar devendo obrigações para pagar com voto é interessante para o brasileiro e para o político sem caráter que é o que temos. Quanto a sonhos de sair do buraco é igual a jogar na Loteria, uma Farsa, quanto a esperar lideranças só teremos condutores de gado, porque ninguem quer diminuir o imposto. O GOVERNO GASTA E O POVO PAGA.

Daniel camilo disse...

Perfeito!

Unknown disse...

Parabéns Célia Mancini !!! Ainda não tinha visto um texto tão perfeito sobre a situação do nosso PAÍS!!!